Use o Silencio quando Ouvir

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O amor pode suportar a distância porque pertence à liberdade; o casamento, quando reduzido à posse, passa a temê-la como se toda ausência fosse uma sentença.

A dignidade começa quando o ser humano deixa de aceitar que qualquer pessoa possa ser reduzida à condição de instrumento.

A moralidade começa quando o interesse particular encontra uma lei que poderia ser reconhecida mesmo por aqueles que não compartilham de nosso interesse.

Não somos livres porque desconhecemos nossas determinações; somos livres quando conseguimos interrogá-las.

A autonomia começa quando o homem deixa de obedecer cegamente à tradição, ao medo e ao desejo e passa a interrogar a legitimidade de cada comando.

A civilização avança quando o poder aceita que existem limites jurídicos diante dos quais até a maioria deve deter-se.

O esclarecimento começa quando a autoridade deixa de ser argumento suficiente para uma consciência que aprendeu a perguntar.

A ciência cresce não apenas quando descobre o verdadeiro, mas quando aprende a reconhecer o falso.

A poesia começa quando a linguagem deixa de tentar explicar tudo e nos devolve ao encanto de não entender completamente o mundo.

A liberdade começa quando o indivíduo deixa de confundir a voz da consciência com o eco das normas que o formaram.

A inteligência começa a amadurecer quando a necessidade de estar certo deixa de ser maior que a necessidade de descobrir o que é verdadeiro.

A filosofia começa quando deixamos de perguntar apenas se uma ideia nos consola e passamos a perguntar se ela é verdadeira.

A intolerância intelectual nasce quando uma hipótese deixa de ser instrumento de investigação e passa a exigir submissão.

O fanatismo começa quando uma convicção perde a necessidade de evidências e adquire a necessidade de convertidos.

A liberdade de pensamento só é real quando inclui o direito de pensar contra aquilo que a maioria considera indiscutível.

A vida somente revela sua arquitetura quando olhamos para trás; mas exige que avancemos para a frente, mesmo quando o futuro ainda não possui nome.

A angústia é a vertigem que a liberdade provoca quando o ser humano percebe que, diante do abismo das possibilidades, ninguém pode escolher em seu lugar.

A felicidade talvez seja uma porta que só se abre quando deixamos de arrombá-la; há destinos que recuam justamente diante daqueles que tentam possuí-los à força.

A multidão oferece abrigo contra a responsabilidade de existir; tornar-se indivíduo começa quando já não podemos esconder nossa consciência atrás da voz dos outros.

O poder do tirano termina quando seu corpo desaparece; o poder daquele que morre por uma convicção pode começar justamente quando já não possui corpo para defendê-la.