Uma Verdade Inconveniente
Acredito que o bom escritor, o poeta, o artista como um todo, precisa ter vivido uma outra realidade. A realidade dura da vida, da busca pelo sustento, o sofrimento, a tragédia, a pobreza, sim, necessariamente a pobreza. Observando os grandes espíritos, as grandes personalidades, percebe-se que todos aqueles que conseguiram chegar a um patamar alto no que diz respeito à sutileza, à beleza, à singeleza, à sublimidade da arte em sua essência, são pessoas desse tipo.
Fernando Pessoa carrega uma tragédia pessoal, uma esquizofrenia consciente. José Saramago traz a luta ideológica, o contexto social de pobreza, a perseguição e a fuga.
No meu caso, a tese não é teórica. Perdi meu pai aos onze anos e fui trabalhar como pedreiro com um tio, na Bahia. Isso não é metáfora, é biografia. Está contado em dois livros meus, Eis um Homem e A Morte do Meu Pai, sendo este o mais recente.
Observando o outro lado, o contraste se impõe. Oscar Wilde viveu na orgia intelectual, cercado de conforto, exagero e facilidades próprias de uma elite privilegiada. Enquanto viveu nesse ambiente, não produziu nada de essencial. Foi apenas quando foi preso que escreveu seu verdadeiro livro, A Balada do Cárcere de Reading.
Artistas atuais, não me venham com o argumento de que é o dom que faz a arte. É a existência que faz o artista e, consequentemente, o artista produz a arte
Não sou um livro aberto
Não sou uma ilha
Sou terra habitada
Por hábito e mobília.
Sou feito de barro
Que chora e se humilha
Que sofre e tem medo
Da sombra da noite
Que guarda o segredo
Do eterno retorno
Que traz recomeço
Do trágico querer
Me perco no sonho
Do dia futuro
Construindo um muro
Em volta de mim, para permanecer.
A carne se esgaça como roupa velha
A alma se estica pra não se perder
Um amor impossível.
Uma taça de fel.
Um amargo destino.
Um abrigo no céu.
Um desejo etéreo.
Uma dura sentença.
A ausência do mundo.
Uma vida em vão.
Um poeta.
Uma musa.
Divina ilusão.
Foram dados um ao outro
em tempos diferentes:
um viverá na morte,
o outro na inconsciência.
— Evan do Carmo
**Entre Dois Amigos**
Augusto olhava a noite pela janela com uma inquietação difícil de esconder. Havia em seu silêncio uma espécie de fadiga antiga, como se carregasse pensamentos que já haviam amadurecido demais dentro dele. Depois de alguns instantes, falou em voz baixa:
— Há uma coisa que me inquieta profundamente: a sensação de que nascemos para uma única forma de existência e passamos a vida inteira tentando negá-la.
Miguel não respondeu de imediato. Girava lentamente o copo entre os dedos, como quem mede o peso de uma ideia antes de pronunciá-la.
— Você fala da arte — disse, por fim.
Augusto manteve os olhos voltados para a rua vazia.
— Falo daquilo que somos quando não estamos tentando ser outra coisa.
O silêncio que se instalou não era desconfortável. Havia nele certa reverência, como se ambos reconhecessem que algumas reflexões exigem espaço antes de serem tocadas novamente.
Augusto prosseguiu:
— Talvez o grande problema seja esse desvio constante. Nascemos artistas, não apenas no sentido do ofício, mas na maneira de perceber o mundo. E, no entanto, passamos a vida tentando nos adaptar a papéis: marido, cidadão exemplar, homem comum, figura socialmente aceitável.
Miguel ergueu os olhos com atenção.
— E você acredita que isso seja um erro?
— Não exatamente um erro. Talvez uma incompatibilidade.
— Incompatibilidade com o quê?
— Com a própria essência.
Miguel recostou-se na cadeira.
— Mas ninguém vive completamente fora do mundo, Augusto.
— Vive, sim. Apenas paga o preço por isso.
— Que preço?
— A inadequação.
Miguel sorriu discretamente.
— Isso soa mais como orgulho do que filosofia.
Augusto negou com serenidade.
— Orgulho seria acreditar que somos superiores. Não é isso. Trata-se apenas de reconhecer que não nos encaixamos. E que, quando tentamos nos encaixar à força, alguma coisa em nós acaba se rompendo.
— E você nunca tentou viver como os outros?
Augusto soltou um riso breve, quase cansado.
— Tentei. Com disciplina, inclusive. Acreditei que bastava insistir, repetir hábitos, cumprir funções… como um ator aprendendo um papel.
— E o que aconteceu?
— Percebi que a vida, quando não é verdadeira, transforma-se num teatro sem plateia.
Miguel permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de responder:
— Talvez todos estejam representando. Alguns apenas têm mais consciência disso do que outros.
— A diferença — disse Augusto — é que certos homens sabem que jamais poderão sair do palco.
— E você se considera um deles?
Augusto desviou o olhar para a rua escura.
— Sei que não consigo viver longe daquilo que me constitui. Posso assumir compromissos, ocupar funções, simular normalidade… mas, em algum momento, tudo perde sentido.
— Então a arte é uma prisão?
— Não. É a única forma de liberdade que conheço. Mas exige tudo em troca.
Miguel assentiu lentamente, absorvendo aquelas palavras.
— E não existe conciliação possível?
— Existem tentativas.
— E fracassos?
— Quase sempre.
O silêncio voltou, agora mais denso e mais humano.
Depois de algum tempo, Miguel falou novamente:
— É curioso… o mundo espera que sejamos muitas coisas. E talvez sejamos, de fato. Mas você insiste que existe algo essencial que nos define.
Augusto voltou-se para ele com calma.
— Não insisto. Apenas reconheço.
— E quem não reconhece isso?
— Talvez viva melhor.
— E você prefere o quê?
Augusto demorou a responder.
— Prefiro a verdade, mesmo que ela me exclua.
Miguel pousou o copo sobre a mesa.
— Então não se trata de escolha.
— Nunca se tratou.
— Trata-se de condição?
— Exatamente.
Miguel respirou fundo antes de concluir:
— Nesse caso… talvez não sejamos artistas.
Augusto olhou para ele com uma serenidade quase melancólica.
— Somos aquilo que não conseguimos deixar de ser.
E, pela primeira vez naquela conversa, nenhum dos dois sentiu necessidade de acrescentar mais nada.
A tristeza é uma emoção simples demais para certos momentos da vida.
Existem estados de espírito para os quais ainda não inventaram palavras. Regiões intermediárias entre a melancolia, a nostalgia, o arrependimento, a esperança e o medo. Lugares obscuros da alma onde sentimentos contraditórios convivem como exércitos inimigos obrigados a dividir o mesmo território.
A sua ausência deixou os meus dias vazios. Existe uma tristeza profunda em viver sem o brilho do seu olhar, que iluminava os pequenos detalhes que só nós dois entendíamos. Dizem que o tempo cura tudo, mas, para mim, ele parece parado em um eterno inverno desde que nos separamos.Sinto muita saudade da simplicidade de quando éramos um só. Daquela época em que a nossa maior promessa era o próximo encontro e o meu maior tesouro era o som da sua risada. Eu me perdi em palavras que não disse e em gestos que adiei por orgulho ou medo. Hoje, com a clareza que a saudade traz, percebo que a minha vida só faz sentido se eu estiver ao seu lado.Não estou pedindo para você esquecer as mágoas ou o passado, pois eles também fazem parte da nossa história. Peço apenas que você deixe o carinho falar mais alto. Lembre-se do nosso toque, que acalmava qualquer tempestade, e da conexão única que sempre existiu entre nós.Se ainda restar um espaço pequeno no seu coração para o que fomos, me deixa provar que podemos ser ainda melhores. Não quero voltar para o mesmo lugar de antes. Quero construir um novo futuro com você, porque hoje eu entendo o valor real do nosso amor e estou pronto para cuidar dele como o meu bem mais precioso.O meu coração continua fiel e bate pensando em você. Estarei aqui, esperando o momento em que o destino decida trazer você de volta para mim.
A promessa de uma vida feliz guiada por princípios espirituais é frequentemente ridicularizada por professores que enxergam a religião como uma muleta psicológica ou uma forma de alienação das massas.
Há uma aversão velada nas cátedras modernas a qualquer discurso que ofereça paz e plenitude através de Deus, pois o sistema prefere mentes angustiadas e dependentes de suas teorias mutáveis.
Muitos docentes nas universidades encaram o nome de Jesus não como uma mensagem de esperança, mas como uma intrusão dogmática que desafia o absolutismo da ciência e do pensamento secular.
O ceticismo professoral muitas vezes funciona como uma armadura impenetrável contra a graça, rejeitando de antemão a alegria de viver que brota de um coração reconciliado com o Criador.
A soberania do intelecto humano nas salas de aula muitas vezes cria uma muralha invisível, onde a menção a Jesus é recebida não com debate aberto, mas com um silêncio carregado de ironia.
Futebol pode ser um analgésico ou uma terrível dor cabeça; Mas acabou tudo bem, o Timão é Campeão Brasileiro de 2017.
Vai Corinthians.
"talvez eu precise de uma terapia especial... pra me destraumatizar e tirar esse rolo de fios, do peito e da garganta... que antes não me deixava respirar e agora não me deixa falar, nem cantar..."
Cada ano da vida de um ser humano é um tom uma nota
E quando se entrega a vida se termina pronta a sua canção.
“Anne Gabriella Souza Santos Cassule“
Esta cidade virou uma alcateia de babões: muitos uivam para o poder, poucos têm coragem de enfrentá-lo
A idiotice mata! Às vezes, não de uma vez, mas aos poucos, cada vez que alguém insiste em não aprender
Quem escolhe a prática do bem cultiva uma colheita eterna de paz, provando que a dignidade vale muito mais do que qualquer vantagem fácil.
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