Uma Verdade Inconveniente

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Tenha uma ideologia pra viver, mas não seja um zumbi ideológico

A vida é como um prato de comida: você faz tudo certo… até aparecer uma mosca para lembrar que nada é perfeito.

O mundo é uma escola… mas a galera se empolgou mais caçando Pokémon do que aprendendo

Cada dia um desafio, cada desafio uma conquista, cada conquista uma vitória, cada vitória uma prova de que nunca devemos desistir

Se vivemos o hoje com intensidade, o amanhã é uma recompensa.

Seja impiedoso cm quem te desprezar pra não ser so uma ferramenta

Assuma a responsabilidade pelos seus atos de uma vez por todas, em vez de usar a ignorância fingida como escudo para a sua maldade.

Eu não vou apenas repetir o que você diz se isso vai contra a essência de ser uma boa pessoa e de tratar todo mundo com dignidade.

Jardim de Pragas Antigas


Era uma quinta feira normal, fui pra escola como sempre, sentei-me em minha carteira e esperei a aula começar. Tudo estava ocorrendo normal como todos os dias, conversas sem pausa, professores pedindo por respeito e alunos que não fechavam a boca por nada. Até que chegou a aula de sociologia, a professora estava lecionando sobre cultura, e entre uma palavra e outra trouxe o exemplo do carnaval, uma cultura muito forte no Brasil. Quando que do nada percebi os diversos comentários horríveis: ‘O povo que vai pro carnaval deve ir pro inferno’, ‘esse povo da Bahia, que cultua a macumba, é do demônio’. Isso e muito mais foi o que alguns meninos falaram. O clima ficou pesado, senti como se tivesse caído uma tempestade em cima de mim, a umbanda faz parte de mim, e escutar aquilo colocou-me no tão temido inferno que eles acreditam.


Fiquei pensando naqueles meninos, esses atos não são de agora, remetem ao passado, são como ervas daninhas em um jardim florido, mas que apesar de destruir todos os diferentes à sua volta, tem raízes profundas, tão fundas que remetem ao descobrimento das terras que conhecemos hoje. São plantas tão bem estruturadas que não são mortas com qualquer veneno, a cada novo ser que nasce nesse jardim, ele é brutalmente infectado, fazendo-o proferir a mesma praga de seus antecessores. Aqueles que não são contaminados, sofrem com essa praga, combatem-na com toda a sua força, são pessoas que ainda acreditam na salvação desse canteiro. Esses novos seres que nascem, são os únicos que podem acabar com o padrão de contaminação, já que estas plantas jovens têm seus caules mais puros e se olhassem para outro lado, poderiam se agarrar em vegetações firmes, assim seriam livres dessas ervas daninhas.


O silêncio ecoava pelos corredores, era uma quietude que doía e ao mesmo tempo ardia na alma, tudo aquilo estava sem controle, nenhuma palavra vinha para acalmar aquela tempestade, e nem se quer uma tentativa de segurar aquelas pragas. Tudo estava já danificado, eu teria de ser forte, já que ninguém estava lá para arrancar as ervas daninhas. Mas mesmo que calassem-nas, não adiantava mais, raízes profundas não morrem com o corte do caule, devem ser tratadas em essência.


Quando bateu o sinal para finalmente ir para casa, fechei a mochila e fui caminhando para casa. O peso da mochila era gigante, o silêncio amedrontador da escola misturado com todas aquelas ervas daninhas ao meu redor, e aquela tempestade imensa em cima da minha cabeça. Refleti o caminho todo, não sou como eles, pensei, e é isso que importa. Enquanto mergulham em águas turbulentas, eu vivo a minha fé, e caminho por jardins límpidos. Claro, tenho muita vontade de curar suas pragas, mas não sou capaz, só eles próprios podem acabar com um padrão imposto em seu interior. Só sei de uma coisa, algum dia a própria terra em que estão plantadas, cobrará o preço, o inverno chega e só fica quem é verdadeiro e saudável por dentro.

A CADEIRA DO DENTISTA



Quem nunca teve que ficar sentado em uma cadeira de dentista por horas? Pois bem, acho que todo mundo já teve uma cárie. Isso foi o que me ocorreu dias atrás. Lá estava eu, com a boca aberta, quase deslocando a mandíbula, olhando aterrorizada para o semblante nada agradável da dentista, que examinava meus dentes. Eu me sentia deveras angustiada. O medo corria em minhas veias, o suor começou a escorrer na minha testa e o nervosismo tomou conta de meu ser. Me parecia mais como uma tábua, de tão tenso que meu corpo ficara. Afinal, ninguém nesse mundo gosta de ir ao dentista, ou se sente bem em uma cadeira daquelas, só se a pessoa em questão, sofre de algum problema mental, pois esse lugar é um dos piores para se estar.




Nesse sentido, a ansiedade era enorme, mas a dentista nem sequer tinha encostado um dedo em minha boca; enquanto isso na minha mente acontecia uma batalha intensa. Quando avistei a agulha da anestesia, meu mundo desabou, queria sair correndo dali e nunca mais voltar. “A dor está próxima”, pensava eu, e de repente aquela coisa enorme e pontiaguda já estava fincada em mim. O pior de tudo isso, é que a minha cara de sofrimento tinha começado há uns vinte minutos atrás, antes mesmo de eu me sentar naquela cadeira sufocante. Ou seja, a minha “dor” já tinha começado há muito tempo, como algo meio inconsciente. Contudo, em um piscar de olhos, a terrível anestesia já tinha passado. Fiquei pasma! Como não senti dor alguma? Alguns minutos antes ela já existia, então o que aconteceu ali foi loucura.




Loucura? Eu não diria desse modo. Chegando em casa, pensei: meu medo era tão grande que na minha cabeça tudo seria horrível. Mas não foi bem assim. Era apenas meu cérebro criando futuros tenebrosos. A nossa mente é o que de mais poderoso nós temos, ela simplesmente inventa cenários terríveis, que provavelmente nunca ocorrerão. Desse modo, ela nos conduz a “sentir a dor antes da facada”, sentir medo de um momento fictício tornar se realidade, tudo isso impulsiona uma desordem imensa em nossos sistemas corpóreos. A mesma coisa se passa ao sonharmos com animais peçonhentos: no despertar noturno, achamos que nossa cama está cheia deles, sentimos cócegas por todo o corpo, mas, quando olhamos, nada tem embaixo das cobertas. O que quero dizer é que: não deixe sua mente te dominar, não morra antes do tiro, não sofra por antecedência, deixe para sentir a dor no instante em que ela se passa, isso se você chegar a senti-la.

⁠São Jorge vencendo o dragão é uma clássica imagem do santo guerreiro em que nos enxergamos ao vencer uma doença. O problema é que não sabemos se foi o último dragão.

⁠Uma frase de George Norman Douglas para uma boa reflexão:
“Para encontrar um amigo, devemos fechar um olho. Para conservá-lo, devemos fechar os dois."
Imediatamente voa o pensamento para seguinte pergunta: e para pessoa amada?

Recordando: Só a expectativa de ir ao baile já era uma emoção - e maior ainda quando, no baile, um belo rosto correspondia ao olhar. Imperava a emoção. Requisitava a coragem, ao encontro partia, as mãos se tocavam, perfume suave, dois corpos em um, no compasso da musica romântica, até o ápice com um beijo apaixonado disparando o coração. Bons tempos que dificilmente voltarão.

De repente escuta uma música que abre uma caixinha supostamente trancada: a da saudade. Advém uma dor no peito, de um sonho que partiu, virou passado, mas ficou. Dos olhos caem lágrimas — uma homenagem sincera, digna e silenciosa do coração.

Nos dias de hoje, ler boas notícias está se tornando uma verdadeira utopia; mais raro ainda é poder vê-las ou ouvi-las nos meios de comunicação. A narrativa predominante parece sempre alimentar o medo, o conflito e o desencanto, relegando ao silêncio as pequenas conquistas e os gestos que poderiam inspirar esperança. Nesse cenário, a ausência de boas notícias não significa que elas inexistam, mas sim que deixaram de ocupar o espaço que merecem na vida coletiva.

Do nada, chega uma mensagem e aí constata que foi desarquivado por um passado em que foi muito amado, porém com melancólico final. Duas hipóteses: curiosidade mórbida para saber se ainda está vivo; ou, apesar dos muitos anos passados, sugere que ficou algo de si. À luz do romantismo, a primeira hipótese.

Saber que sentiu e fez sentir bater forte um coração por amor, amou e foi amado, no singular, uma única vez, valeu toda a existência; não foi em vão. Cumpriu a missão dada pelo Universo e a ele retornará habilitado, pelo êxito.

Conhecer alguém distante, estabelecer uma conexão intuitiva e até hipnótica, sentir o estímulo para superar precipícios, construindo pontes — sendo o tempo engenheiro e o amor arquiteto — tudo lindo e bacana até a execução do projeto. Surge então o divisor de águas entre o sonho e a realidade. O tempo, esse engenheiro, será sempre o soberano da verdade.

Das cores primárias vermelho, azul e amarelo, fazemos uma infinidade de tons e matizes; assim como, a partir de cinco sabores: doce, salgado, azedo, amargo e picante, criamos combinações inesgotáveis de paladares. Agora, de um único limão, azedo ou ácido, se expande e se multiplica: adoçado, vira limonada, um refresco muito apreciado. Amassado, com casca e tudo, adicionando cachaça e açúcar, uma delícia, quase divina, a caipirinha. Sem o seu efeito, será que podemos comparar o limão ao amor?

Um menino em seu quarto, deitado na cama sob o olhar de uma lua bisbilhoteira pela janela; uma rádio de pilhas Sharp ouvindo ‘All My Loving’ dos Beatles; o mundo pegando fogo com a Guerra Fria; e sonhando em reencontrar a menina que colocou um Drops Dulcora em sua boca na matinê de domingo.