Uma Menina Simplesmente Apaixonada

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Uma convicção pode ser tão confortável que até a realidade passa a parecer inconveniente.

Viver é cumprir uma espécie de contrato que ninguém se lembra de ter assinado.

O casamento tenta transformar uma emoção imprevisível em instituição permanente. A burocracia sempre teve uma relação curiosa com o amor.

A vida é uma breve interrupção entre dois silêncios que, curiosamente, não exigem produtividade.

A esperança é, às vezes, apenas uma maneira elegante de adiar a lucidez.

Quando não conseguimos resolver um problema, inventamos uma narrativa suficientemente bonita para fingir que o compreendemos.

Um livro raramente ofende uma mente aberta; normalmente é a mente fechada que transforma páginas em ameaça.

A verdade pode entrar em uma sala cheia de pessoas, mas dificilmente sai dela sem ferir alguma vaidade.

É fácil acreditar em uma mentira; difícil é admitir que ela nos pareceu confortável demais.

Quem se acostuma a dizer a verdade economiza uma quantidade impressionante de memória e uma quantidade ainda maior de desculpas.

Talvez o maior talento humano seja transformar nossas próprias contradições em uma narrativa suficientemente convincente para continuar dormindo em paz.

Quando o absurdo conquista a consciência como verdade, a violência encontra na crença uma autorização para agir.

O senso comum talvez seja a mais celebrada das virtudes e uma das menos distribuídas entre os homens.

Nada envelhece mais depressa uma conversa do que a necessidade de dizer tudo; o pensamento também precisa conhecer o silêncio.

Há uma forma silenciosa de culpa: possuir a possibilidade de fazer o bem e escolher, deliberadamente, não fazê-lo.

Entre absolver um culpado e condenar um inocente existe uma assimetria moral que nenhuma conveniência jurídica deveria ignorar.

A opinião pública pode ser uma força legítima de correção do poder, mas também pode transformar a maioria em tribunal e a unanimidade em tirania.

A tolerância é uma das formas mais difíceis da humanidade: exige permitir que o outro exista sem exigir que ele pense como nós.

A leitura amplia a alma porque permite que uma consciência atravesse o tempo e converse com consciências que nunca conhecerá.

Há verdades que não precisam de censura para morrer: basta entregá-las a uma sociedade que desaprendeu a perguntar.