Uma Menina com Medo
Medo nas águas
Beto, o barqueiro, acostumado às águas do Rio Tapajós. Numa noite quente de setembro, em aparente calmaria, termina seu dia. No bar, senta-se em uma cadeira desconfortável, bebe um refrigerante em uma garrafinha de 600ml. Ele gosta dessas, a garrafa de vidro, que parece de cerveja.
O dia tem agora a calmaria, e é bom porque desde cedo o que passou nessas águas foi medo. Parece que o valor que ganhou nem é tão considerável levando em conta os contratempos do dia.
Na primeira viagem, às 6 horas da manhã, depois de 45 quilômetros pelas águas e quase 2 horas de trajeto, o vento agitou muito as águas, e o barco sentiu dificuldade em desbravar. A cada onda levantada, o Beto manobrava o barco para não bater de frente com as águas agitadas. E nisto, o barco se enchia de água, e o medo entrava junto, de maneira que os 6 passageiros gritavam a cada vez que uma onda se levantava. Ao avistar uma margem, dois dos passageiros pediram para descer. Desistiram de ir até o final da viagem.
Na hora do almoço, enquanto Beto amarrava o barco, seu telefone caiu na água. Enquanto tentava resgatá-lo – sem sucesso –, os ponteiros do relógio não pararam. Foi tempo suficiente para que o único restaurante do pequeno distrito de Fordlândia fechasse, e ele ficasse sem almoço. Comeu uma coxinha fria, com gosto de celular molhado, estragado, e de prestações a vencer.
Agora, termina os afazeres com a sensação de calmaria para seu dia turbulento. Pensa na terça-feira e na família, que está sem notícias suas desde cedo. Na hora que iria dar notícias, o telefone caiu na água e não funcionou mais. E pelo visto não mais funcionará.
Sentados em volta de uma mesa, à frente, quatro rapazes esperam a partida de Beto. Planejam ir de Itaituba até o distrito em que Beto encerra seu dia, Fordlândia. Um lugar pequeno, com muitas casas de madeira, suspensas, uma praia bonita, e duas pousadas, sendo que nenhuma delas tem televisão no quarto. Algumas construções abandonadas, projetadas por americanos, do princípio do século passado.
Os rapazes comentam o medo que passaram durante o dia, já na hora do crepúsculo, nas estradas de terra, quando o pneu do carro estourou, e o motorista, inexperiente, perdeu o controle do automóvel. Por um momento, todos pensaram que morreriam, pois em meio à poeira, só viam um par de olhos brilhantes se aproximando do veículo. Quando conseguiu parar o carro num cantinho bem apertado, o caminhão passou em alta velocidade, levantando mais poeira e sumindo no meio dela.
Pelo visto, tanto os rapazes quanto o Beto precisam descansar.
Um amigo, seu Neves, faz a carga no barco enquanto Beto espera. O desânimo é muito grande. O seu plano era esperar ali, olhando status no seu whatsapp, no smartphone novo, rindo de alguns, criticando outros. Tinha feito isso no sábado e gostou muito.
Neves grita, "Betão, tudo ok aqui".
Beto acena para os rapazes, que o seguem. Caminham em direção ao barco.
Ao chegar na embarcação, Beto fica olhando, sem coragem de entrar. Um dos rapazes chega a entrar, senta-se no banquinho duro, mais à frente do barco.
Neves, com muita calma diz, "É bom que tem quatro passageiros. Cada um segura uma alça do caixão. Quando chegar lá, leva para a igreja. A família está à espera do corpo, estava desaparecido nessas águas há uma semana."
Feliz aquele que não têm medo de dizer dos proprios sentimentos. Se a vontade de viver foi perdida, é porque ainda há vida. Ame a si como o amanhã que não existe e como o passado que tão longe faça o hoje vale viver!
Quando somos fieis à
nós mesmos, nada é impossível
ao ressignificar a vida.
Que não haja medo de
sonhar e ir em frente, mesmo que
seja interrompido no caminho.
A trajetória de um homem,
seu cão e o fusca.
a arte de viver
é não ter medo de viver!
até mesmo as interperes que a vida
nós traz tem lá seu louvor,
pois tudo contribuiu para que chegássemos até aqui e
ter a oportunidade de sermos
melhores que ontemé ímpar!
My Honey
Bom dia.
Era quando eu partia sem medo porque você era o motivos para voltar.
Havia regozijo
Havia esperança.
Era quando não havia a lágrima de tristeza a tirar a beleza do dia porque o amanhecer era você.
Havia alegria.
Havia doçura.
Era quando as horas não caminhava porque eu tinha pressa para estar com você .
Havia burburinho.
Havia festa.
Era quando a cama passa a ficar menor porque eu já não dormia só e tinhas nossas pernas entrelaçadas.
Havia desejo.
Havia exaustão.
Era quando o frio e o calor faziam clima porque no aconchego dos teus braço estava minha razão.
Havia fogo.
Havia paixão.
Era quando a fome e a sede já não importava porque você saciava minhas necessidades.
Havia carinho.
Havia amor.
Saudades de ter medos bobos.
Medo de bicho-papão,
medo do escuro,
Medo da loira do banheiro!
Hoje, tenho medo o ano inteiro.
Medo de no fim do mês, faltar dinheiro.
Medo de lobo na pele de cordeiro.
Medo de tiroteio,
medo do "jeitinho brasileiro".
É, medo o ano inteiro.
Medo do "doleiro", do "companheiro",
medo do que é falso, e só parece...
Só parece, mas não é verdadeiro.
Enfrentamos a maior epidemia de todos os tempos Covid-19, estamos com medo de não sobrevivermos até o final do ano. A gente deve valorizar as pessoas que amamos e ficarmos mais tempo com elas, nada é mais importante do que a nossa família, nessa hora é que o desapego as coisas é importante.
Não tenha medo de ir, quando ficar não faz mais sentido e o fim já acabou há muito tempo. A vida não espera a gente, recomece agora, com uma vida nova sem as lembranças do passado. O passado é página virada da história da sua vida.
