Um Poema para as Maes Drummond
[O Marco Zero de um Ponto Morto]
enfim,
compreendeste
tudo.
este é o glorioso destino
da humanidade,
um bando de desgraçados
solitários,
fazendo barulho
coletivamente
pra se distrair,
incomodando a todos,
enquanto sofrem
em silêncio,
desejando o amor
que nunca tiveram.
(Michel F.M. - Trilogia Ensaio sobre a Distração - 16/11/23)
[Enquanto houvesse algo
que nunca fosse inventado]
sou um escritor
extremamente
preguiçoso.
não quero saber
nada sobre literatura,
não me interessam
os autores,
não quero saber
nada sobre poesia.
nunca termino
um livro,
nunca penso
sobre escrever,
exceto,
quando estou escrevendo.
quando escrevo,
sou a pessoa
mais determinada
que já conheci
e já conheci
muita gente determinada.
quando escrevo,
me torno a sinergia gritante,
ecoando incessante,
a concentração das forças
que convergem,
divergem e dissipam.
me torno
a manifestação avassaladora,
da poderosa máquina
neurobiológica.
a sensualidade manifesta,
materializada sinapticamente,
no acasalamento dos neurônios.
18/11/23
[Mesmo os retrocessos
servem para avançar]
jamais tive
um raciocínio rápido,
satisfatoriamente
acelerado e dinâmico.
só avanço lentamente,
me apoiando nas pausas.
cada vírgula,
me sustenta com louvor.
e mesmo os retrocessos
servem para avançar.
pontos fixos
e flutuantes,
independente
de sua origem,
são minha ancoragem.
me auxiliam na tarefa
pesarosa e excessivamente
desgastante,
de prosseguir,
neste relance inesperado
da compreensão.
22/11/23
Cumulus Omnium
(o acúmulo de todas
as coisas)
Eu sou Mais um Amanhecer,
o Elo Solene,
(Des) rimando.
Sou O último registro da raça humana,
a Áspera Seda.
Sou a Impressão Intensa,
Eu sou CONECTATUM.
A Linha (Tênue)
Rompida,
Piekarzewicz.
Eu sou as Crônicas de um Espelho Meu
E os Fabulosos Contos Perdidos
Do Vale Encontrado.
A Esplêndida Face Magnífica.
Sou o
Delírio Absoluto da Multidão Atônita,
o Pacífico em Brasas
e o
Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas.
Sou eu, o Mestre dos Pretextos.
Diário de um
Blazar
A colisão das galáxias,
suprema manifestação
de energia produz,
até então encontrada
no infinito cosmo,
aglomeração rigorosa da luz.
porém, os astrônomos
para o lado errado,
apontaram seus telescópios,
enquanto a verdade definitiva,
se encontrava no próprio
sentido inverso,
essa tal resposta
no espaço profundo,
se mantinha oculta
em nosso sistema interno,
nada é mais poderoso
no universo,
que o inextinguível,
amor materno.
Microconto de um Tardígrado
agora, de repente,
numa missão verborrágica,
eles te querem eficiente.
eficiente,
como o sistema
não foi com você,
como o governo
nunca foi com você.
eficiente,
como a empresa
não foi com você,
como a esperança
jamais será com você.
eficiente, eficiente...
insignificante e indestrutível.
mas em minha micro
condição, sou paciente.
entre o hecatombe
e as doses de radiação,
desafio a ciência.
aguardava por isso,
organismo insistente,
te ofereço retribuição,
ao invés de eficiência.
(Michel F.M. - Pairar Incansável da Fênix Sublime) ©
Naturalmente superiores,
Quase que como um sétimo sentido;
Pois o sexto, já fora acima referido, Sendo algo próximo
Da autopromoção inconsciente.
Não que fosse um problema para ela,
Pois parecia tratar-se de uma aliada,
Das atitudes que constrangem outros
E jamais a constrangiam;
Da série Morte da Razão:
No País das Armadilhas, existiu um rato marqueteiro que se travestia de leão
[Tovarishchi]
Tive alguns na vida,
Uns eram de uma cor
Outros de outras,
Uns de um gênero
Outras de outros,
Variaram em estatura
E formato também,
Divergiam em crenças
E pontos de vista,
Uns torciam prum time
Outros proutros.
Houve quando foi mais
Que amizade,
Houve quando foi menos.
Teve atração e distanciamento,
Teve afinidade,
Houve ressentimento
Mentira e honestidade,
Existiu irmandade,
Teve até omissão,
Pelejas primorosas,
No entanto houve perdão,
Respeito e lealdade
Mas esquecimento nenhum.
Agora ouve o que eu digo,
Todo mundo alguma
Vez na vida,
Em alguma medida,
Teve ao menos um,
Camarada.
Ali, um pouco após a ponte,
Vi germinar um monte,
De Girassóis no Monte.
Ali, para onde o peito aponte,
Deixarei jorrar a fonte,
Da vitalidade donde vim.
Às vezes um sonho
Parece impossível,
E mesmo se vemos
É algo invisível,
Mas isso não pode
Impedir de sonhar.
Se torna algo perfeito,
Se torna um sonho tão lindo,
E a última cena que me lembro,
É de você sorrindo.
Viver em sociedade é viver assim:
Se você tem dinheiro,
você é um homem livre,
Se você tá quebrado,
que Deus te livre.
Se você tem amigos,
você está no céu,
Se te sobra inimigos
se amargou com o fel.
Decorada com um brilho inegável,
Esculpida em perfeita pele,
Seis letras delimitam a ilimitável
A R I E L E
Eles mataram o mundo, enquanto
Dormíamos tranquilamente,
Sonhando com um futuro,
Em nossa ingenuidade permanente,
Esquecemos, que para fazer planos
É necessário um presente.
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