Um Poema para as Maes Drummond
BARCO À DERIVA
(Entre Ondas e Solidão)
Dentro de mim
navegas como um barco
incerto, à deriva...
Ondas gélidas e enfurecidas
que vêm e vão...
Nesta turbulência em que me
fecho em ostra, esboçando
um sorriso esmaecido.
Açoita em minha alma essa
solidão...
Momento insone em que lágrimas
ardem em minhas retinas...
Gotículas que ferem, agulhas
no meu coração...
Num choro compulsivo desta
lembrança de dor que ainda sinto
daquela partida...
Desmoronando em cada arrebentação.
Lu Lena / 2026
Viver o luto de entes queridos é como ser uma alma flutuante em um corpo oco
— totalmente sem direção.
Lu Lena / 2026
O ENCAIXE DESCONEXO
(A desconexão de viver em um quebra-cabeça de peças ausentes.)
A minha desconexão da vida é ter um problema sem solução. Como a solução não existe, resta o meu esforço de me encaixar dentro e fora dele, em um mundo literalmente formado por peças que não se ajustam.
Lu Lena / 2026
VIDAS UNIFICADAS
(Quando a paciência se torna a única luz no escuro de uma crise)
Um estouro. Lâminas de silêncio pelo chão. Suspiro fadigado pelo tempo em mais uma crise de um mundo que quero entrar e desconheço. As lágrimas não caem mais. Secaram e deram um nó no peito. Olhar confuso. Coração disparado. Autismo? Vidas unificadas em cores desbotadas em mais uma fase de vida, que já nem sei se é dia ou se é noite, resiliente em só paciência e amor.
Lu Lena / 2026
PÉROLAS DE LUZ
(Quando o pranto se torna constelação)
Cada lágrima derramada, Deus manda um anjo com um cálice para que nela seja transformada em pérola de luz. Com elas, Ele salpica cada estrela no céu, para que, toda vez que olharmos para cima, elas brilhem e nos digam: Deus cuida de você!
Lu Lena / 2026
UM MUNDO INTANGÍVEL
(No tempo que a alma teima em processar)
Meu desejo é o espelho do que aguento ser. A vida não me limita; ela apenas me protege de carregar um mundo que ainda não cabe nas minhas mãos. Às vezes até alcanço, mas ele desliza, em fração de segundos.
Lu Lena / 2026
O ENCAIXE DO IMPOSSÍVEL
(peças desencontradas)
O que me desconecta da vida
é ter um enigma sem solução;
pois, na ausência de saída,
resta o esforço de se encaixar
dentro e fora dele, em um
mundo formado, literalmente,
por umquebra-cabeça.
Lu Lena / 2026
ALÉM DA ARMADURA
(Como o perdão e a gratidão se reconectam)
O perdão busca consertar um erro do passado, enquanto a gratidão celebra um vínculo no presente. Dessa forma, de maneira genuína, você despe sua armadura e reconhece que o outro agora faz parte da sua história.
Lu Lena / 2026
ONDE O SOCORRO SE ENCONTRA
(Um pedido de cura para o mundo e um convite para olhar para o alto.)
Que Deus cure todas as doenças e direcione a humanidade de volta ao caminho da luz. Nos perdemos de tal forma que nos esbarramos, mas não nos encontramos mais...
Mas que, no silêncio de uma oração ou na delicadeza de um gesto, possamos aprender a enxergar o outro novamente. Que o amor seja a ponte que nos resgate desse desencontro, nos lembrando que nunca estamos sozinhos enquanto houver fé no coração.
Lu Lena / 2026
Pelo sim ou pelo não, vou fazendo um zigue zague com uma cordinha chamada “talvez” e nessa linha imaginária e pueril ela fica flutuante como pipa conforme o vento sopra…
Onde?
- No meu coração!
SOLIDÃO INTERNA
É quando a gente imergi dentro de si mesmo
e enxerga um corredor longilíneo e afunilado
Nas paredes rebocadas de cal esmaecido…
Sonhos crivados em retratos amarelados
em nossa memória em forma de mosaico.
Em sintonia com ruídos de nossos passos
Seguimos em atos como uma peça de teatro…
E TUDO JÁ ESTAVA ESCRITO...
Quando nascemos trouxemos junto um bloquinho de notas, lápis e uma borracha.
E vamos anotando nossa história, algumas vezes corrigimos, outras vezes apagamos e muitas vezes arrancamos uma folhinha e refazemos novamente e assim o bloquinho vai terminando. Então, decidimos comprar um caderno bonito e bem encadernado e com bastante folhas para passar tudo a limpo, mas aí a gente se dá conta que o lápis já está sem ponta e gasto (de tanto usar e apontar) e a borracha já nem existe mais…
Por que?
- Tudo já estava escrito!
VISÃO DE UM ANJO...
Ali estava fulgente e ele a contemplar
no clarão violáceo, fada? Querubim?
Dentro do seu mundo um altar esboroado
de brilhos opalinos crivados em mim.
Cores em arco íris em luz se formavam
nessa redoma de vidro entre arvores
viajores do tempo vindos de uma região
etérea. E num flash seus olhos vêem
almas errantes que vagueiam na Terra
procurando-se mutuamente sob templos
petrificados e sustenidos…
Que foi registrado através do olhar inglório
de um anjo sorrindo!
PENSAMENTO OFF...
Não é que a gente esquece e sim o nosso pensamento que dá um tempo e adormece, porque também cansa de esperar aquilo que nunca acontece…
COSTURANDO A VIDA...
Nesse nosso presente entre um alinhavo e outro, a gente vai remendando os acertos e erros do passado, cerzindo sentimentos e emoções num futuro incerto numa colcha de retalhos…
DESATANDO NÓS...
Opiniões contrárias a minha…
me dá um nó na garganta…
E voce chora?
- Não! Desato-me em gargalhadas…
Hipocrisia é ter uma bíblia nas mãos.
E um chicote na língua.
Vigiai as próprias atitudes.
Deus está vendo tudo.
Querido Diário
Achei que poderia apagar o sol,
vestir as noites como um véu,
sorrir sem que doesse o olhar,
mas o recente passado é um eco eterno.
Planejei ser água, leve e nova,
sem marcas, sem cicatrizes,
mas a dor é tinta que não seca,
mancha até o que não se vê.
Tentei correr, esquecer deixar tudo pra trás,
como folhas ao vento de outono,
mas as sombras são fiéis companheiras,
sussurram seu nome no escuro.
Não há portas que fechem o meu medo,
nem chaves que tranquem a saudade,
o mal é sombra que se alonga,
mesmo quando a luz parece voltar.
Mas espero, quieta,
no meio da minha tempestade calma,
aprendendo a ser terra fértil,
porque o bem, quando vier,
precisará de raízes fortes.
E eu preciso dele como o ar,
como o rio precisa do mar,
como a noite precisa do amanhecer
preciso ir ao seu encontro
mesmo sem saber se vou chegar.
Meiyo – Honra, Glória
As escolhas que você faz e como você trabalha para obtê-las são um reflexo de quem você realmente é.
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