Um Poema para as Maes Drummond
Thaluranias cortejam
misticamente e dão
asas às tuas fantasias,
Assim nos percorro
com amor e poesias,
Virei o teu doce vício,
predileção e tuas manias.
Te levo nas minhas
asas de Saíra-Preciosa,
Você me quer com
a minha paz gostosa,
Você quer ser inspiração
e toda a poesia deliciosa.
O teu canto bonito
de Bem-te-vi-rajado
tem deixado o meu
coração hipnotizado,
Todo o dia tenho um
poema apaixonado
como uma maneira
de te trazer para o meu lado.
Teus olhos tão perfeitos
de Gaturamo-bandeira
cuidam até da minha ausência,
Te beijo com ternura e me dou
inteira com este poema
de amor romântico sem fim.
Quando te vejo o meu
peito amoroso parece
até com o levado
Tico-tico-do-banhado
fazendo festa no rio:
Você é a poesia do destino.
Cada qual tem o seu
próprio interesse,
O seu hábito de passar
por cima de terceiros
para achar que vai resolver
a sua própria forra,
Ninguém gosta de separar
nada como recurso
para escrever a sua própria
História para varrer
o quê é de errado
para debaixo do tapete,
Não sou melhor nem pior,
apenas prefiro olhar
para o alto e apreciar
o voo de uma Juruva-Verde.
Os Aracaris-Pocas colorem
vibrantes o nosso astral,
Você deu a mão e me trouxe
em segundos mais amor
do que todos os romances
nesta vida e me ensinou
que estarmos juntos os dias
podem ser melhores ainda:
Você nasceu feito de poesia.
Cada árvore canta uma
canção diferente mesmo
que você não consiga ouvir,
Neste dia de céu azul
pude ver um belíssimo
Arapaçu-escamado-do-sul
pousando alegre por aqui,
Você existe e é o melhor
poema que ainda não escrevi.
Sanhaçus-cinzentos fazem
acrobacias levando do meu peito
os lamentos e inspirando poesia,
E assim prossigo refeita
dando graças a dádiva da vida.
Voa, voa, Saíra-lagarta,
leva o meu recado
para a saudade que me mata,
e diga que continuo apaixonada.
Uma Saíra-ferrugem
cruzou a paisagem,
Tu és a campeira
e mais doce miragem,
Resolvi subir na tua
garupa e seguir viagem.
Tenho em ti todos
os meus sentidos,
Do meu peito tu tens
feito uma orquestra,
Meu milagre perene
de amor infinito,
De ti sou tua obediente
presa e destino,
Meu altivo Apacanim
místico de austral signo.
Sob a sombra perene
dos poéticos juazeiros,
No céu noturno do peito
tenho em você o único
e luminoso cruzeiro,
És o meu amor sublime,
augusto e derradeiro.
Nesta terra que
os Homens querem
por força ser bem
maiores do que a lei,
Prefiro o Urubu-Rei
e fazer de toda a poesia
a minha mais fina grei.
O Caburé-Miudinho
observa o tempo,
Versejo com carinho
para ser absoluta
no teu destino
e para que seja comigo
docemente atrevido.
Caburés dançam
no horizonte,
Beijo com amor
a sua fronte,
Que toda a poesia
que houver nesta
vida não nos poupe.
Quando a Murucututu
e qualquer outra coruja
canta os males espantam,
Fiz o juramento romântico
com a tinta amorosa da luz
da Lua que eu hei de ser tua.
Não importa o quanto
tempo esta espera leve,
O quê faz parte de tudo isso
é o quê minh'alma se atreve
(porque se não for assim
não terá importância para mim).
A noite chegou poética,
linda e estreladinha,
O Caburé-de-Pernambuco
trouxe no caminho poesia,
A minha sombrinha colorida
foi preparada para dançar
com a sua com o bloco na rua.
As Corujas-Buraqueiras
guardam nossos caminhos,
São poemas suspensos
e nas dunas do litoral
Respeitar os seus ninhos
é um imperativo
de quem tem respeito
pelo próprio destino
neste mundo em desatino.
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