Um dia Vc Va me dar o Valor que Mereco
Infelicidade Humana
Como a projeção astral de um ser onipotente, a velha filosofia grega já nos dizia: somos seres distintos, egoístas ao ponto de criar deuses à nossa própria imagem. Tudo na tentativa de buscar sentido nesta terra enferma, que nos enlouquece e nos faz delirar. Delírios que nos fazem matar.
Guerras e mais guerras a criar; distúrbios e sangue ao chão. O sangue manchando as nossas mãos, o choro e as lágrimas derramadas pelos nossos antepassados. Por isso a existência dos deuses se faz necessária: somos tão cegos a ponto de nós mesmos nos cegarmos, numa busca desesperada para aplacar a nossa solidão.
O vazio que corrói e aflige o coração. A cura dos enfermos, a cura da alma... afinal, onde está?
Nossa maior dor aguarda à espreita, na nossa própria solidão. Desesperados, que seja a morte a nos amparar. Crescemos, vivemos, perecemos e à terra voltaremos. Com a consciência enfim extinta, restarão apenas as marcas de nós que por aqui deixarmos.
Há vários de mim sobre a mesa em que me sento: o tolo, o velho, o sábio, a criança e os delírios. Não sabemos quanto tempo passaremos com cada um de nós mesmos ao longo da vida que iremos trilhar. Diante desta mesa, só não se sabe o tempo que me restará.
A Chama e o Fim
O medo de perder um ser...
O medo de, no escuro, desaparecer.
Sem o amor, a vida não tem sentido;
Ao perdê-la, desabo e recaio no abismo.
A luz que emana dela é o que me devolve o fôlego,
O meu único prazer.
Sem ela, já não encontro motivos para viver.
Sinto-me preso, sem asas para voar.
Ah, digam-me!
Eu quero ser livre!
Eu clamo pela liberdade!
Pequena chama que ainda arde em mim...
Por favor, não se apague!
Pois esse será o meu absoluto fim.
A Musa e as Telas
O mundo é realmente vasto...
Um mundo imperfeito. E é por isso que a beleza que tanto busquei,
Eu finalmente encontro em você.
Mas, e quanto ao medo de perder?
O que acontecerá com a beleza que me acostumei a apreciar?
Eu não quero perdê-la.
Mas as estrelas são severas com os nossos destinos...
Talvez eu entregue a minha própria essência, o meu último fôlego,
Apenas para não a perder.
Porque, em um mundo sem nada para amar,
A própria vida se torna um exílio, um peito sem lar.
Sem aconchego. Sem amor para transbordar.
O lápis restará parado no tempo...
E as telas, aos poucos, mofarão no escuro.
Pois, sem a minha maior beleza...
Como poderei voltar a pintar?
Ainda que eu deseje um Feliz Ano Novo a todos, se não for com amor, de nada valerá.
Ainda que eu abrace mil amigos, se não houver Boa Vontade, de nada adiantará.
Ainda que eu reúna meus familiares para uma farta ceia, se não houver gratidão, que sentido terá?
De nada valerão os desejos travestidos de amor, os abraços falsos, encobertos por lágrimas fáceis do calor da situação, os pratos cheios na mesa e um vazio no coração...
Um sorriso é a curva mais bonita do corpo humano e o idioma universal que todos entendem. Ele tem o poder de mudar o seu dia ou o de alguém próximo, transmitindo alegria, gentileza e acolhimento.
Ator desconhecido
Cadernos Filosóficos
E então ficaram velhas cartas, fotografias de um tempo que nos persegue e que parecia eterno. Uma canção de saudade orna o momento, e impregnado em nosso pensamento a mais perfeita lembrança. Parece que as palavras ditas mesmo que injustas, carregavam metaforicamente a essência de uma esperança receosa. Nessas horas, não há quem se exceda nas doses da realidade, tomamos sem moderação a intensa e audaciosa ilusão. Não existe um fim preciso, pelos cantos miragens de um retorno se evidenciam ou se completam. E no passar das horas, nossa consciência amanhece e tudo o que foi profundamente sonhado, evapora.
Entre o Silêncio e a Luz
Há retratos que não revelam um rosto,
mas desvendam uma alma.
Na quietude de um quarto envolto em sombras suaves,
alguém ergue a câmera, não para capturar o mundo,
mas para encontrar aquilo que o mundo não vê.
O instante parece comum:
uma manhã qualquer,
um tecido repousando sobre os ombros,
a luz atravessando a janela sem fazer alarde.
Mas a beleza verdadeira nunca chega fazendo ruído;
ela se acomoda devagar nos detalhes.
Há cansaços escondidos sob a delicadeza,
histórias guardadas entre os fios dos dias,
lembranças que aprenderam a permanecer em silêncio
para não interromper o curso do tempo.
E, ainda assim, existe uma força:
uma força que não grita,
não disputa espaço,
não precisa provar nada.
Ela habita os corações que continuam a acreditar,
mesmo depois das despedidas,
mesmo após os sonhos adiados,
mesmo quando a vida exige coragem
para recomeçar sem garantias.
A lente aponta para fora,
mas acaba revelando o interior.
Porque toda mulher que aprende a sobreviver às próprias tempestades
carrega no olhar uma espécie rara de luz:
aquela que não vem do céu nem do sol,
mas das cicatrizes transformadas em sabedoria.
Talvez seja isso que torna certos momentos eternos:
não a perfeição da imagem,
mas a verdade escondida nela,
a capacidade de permanecer inteira
num mundo que tantas vezes tenta fragmentá‑la.
E enquanto o tempo segue seu caminho inevitável,
ela permanece ali, entre o silêncio e a luz:
colecionando instantes,
costurando esperanças,
transformando ausências em poesia.
Porque algumas pessoas não atravessam a vida apenas vivendo,
elas atravessam‑na iluminando.
E, sem perceber, tornam‑se a mais bela fotografia
que o próprio destino foi capaz de revelar.
"O maior tesouro que alguém pode acumular é um repertório de experiências profundas e a capacidade de enxergar a poesia escondida na simplicidade."
"Quem acumula livros, ideias e o domínio de si possui um patrimônio imutável, imune às crises fiscais e ao desgaste do tempo."
Carrego em mim palavras não ditas,
guardadas no silêncio de um olhar.
Promessas esquecidas ou perdidas,
que podem fazer sorrir ou chorar,
ou até florescer no ar.
Carrego rabiscos sem destino,
tímidos, sem coragem de sair.
Esperam virar traço e caminho,
virar cor para o mundo construir,
e alguém poder sentir.
Carrego canções ainda caladas,
vivendo em perguntas sem fim.
Leves melodias, meio guardadas,
que passam e voltam em mim,
e fazem o dia assim.
Sob as Estrelas
Sabe quando você olha para as estrelas
e, por um instante,
confessa a si mesmo um silêncio estranho?
Não senti nada.
Nenhum vestígio de sentimentalismo,
nenhuma chama de amor,
nenhum eco de paixão.
Nem medo,
nem solidão.
Apenas o vazio,
sereno e indiferente,
ocupando todos os espaços.
Como se eu estivesse suspenso
num limbo descartável,
entregando a vida à mercê de um tempo
que nem sei se possuo.
E, ainda assim,
tanto faz.
As nuvens,
com suas formas imperfeitas,
atravessam o céu
como cicatrizes que não desaparecem.
Elas me lembram
que as desconstruções do amor
também deixam ruínas.
Talvez seja por isso
que não sinto nada.
Ou talvez eu sinta demais.
Talvez o vazio não seja ausência,
mas defesa.
Porque, no fundo,
não é que eu não possa sentir.
É que, desta vez,
eu não quero.
Uma noite tão doce em clima de festa duas mãos se tocam em um
belo arraia de luz da lua que transformava nossa pele em um tom azul sem imensidão do tamanho do nosso amor que sentimos até nos simples tocar de mãos que me faz arrepiar em delírios de amor.
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