Um dia Percebemos Mário Quintana
Colcha de Retalhos
Vocês já reparam como a vida é feita de pequenos momentos? Alguns marcam, outros traumatizam, uns ensinam, mas a verdade absoluta sobre isso é que você não consegue excluir momentos, eles farão parte de sua vida, seja para o bem ou seja para o mal. E nem seria interessante excluí-los, afinal são eles que fazem de você o que você é hoje. Após cada experiência, você pegará o seu pedaço de pano e irá costurar em sua colcha de retalhos, goste ou não da experiência vivida.
O desejo é o horizonte, aquele que norteia, mas nunca se alcança. Como escreveu Eduardo Galeano sobre utopia como horizonte: eu caminho dois passos em direção ao horizonte, e o horizonte se afasta dois passos de mim. Caminho dez passos, ele se afasta dez passos. O horizonte não existe para que se chegue até ele, e sim para não me impedir de caminhar. E o desejo é o que impede que eu não pare de caminhar. Por isso, o desejo é imortal.
O movimento marxista, sem a força dada pela coerência, acabou por obter uma coerência conquistada pela força.
Não sei qual é a perfeição do leão se me perguntarem. Mas sei que, neste momento, há um leão que é o mais leão dos leões vivos e que, na história de toda a espécie leonina, há de haver um exemplar que atinja a maior perfeição da sua raça.
A vida em abundância não é a vida do excesso, do desperdício, da perda. A vida em abundância é a vida da suficiência.
Ninguém morre de fome ou de frio, morre de abandono.
Se houver outro ser humano que possa ajudar e ajuda, essa pessoa não morrerá nem de frio, nem de fome.
Mas se há outras pessoas que podem ajudar e não ajudam, essa pessoa morrerá de frio e de fome, mas causado pelo abandono, nem pelo frio e nem pela fome. Por isso, se nós abandonamos, aí termina a possibilidade daquela vida seguir.
Mas, se nós não abandonamos, ela segue, e, portanto, a vida gera vida, não do modo como está hoje, em que parte do esquecimento da vida gera morte.
Quem domina o seu mental, domina-o até nas ruas mais movimentadas de uma cidade metropolitana; quem não o domina, nem no silêncio de uma gruta é capaz de fazê-lo.
Doce solidão
Adoro ficar sozinho, em silêncio, curtir minha própria companhia, me perco em pensamentos, silêncio absoluto, não preciso falar, as vezes tenho preguiça de falar, responder, interagir com alguém....preciso desse tempo pra mim....
A índole pacífica e hospitaleira do nosso povo é realmente democrática, mas a inércia, decorrente do analfabetismo, da incultura e da falta de saúde, não lhe permite aspirar à responsabilidade. Aceita fatos consumados, é povo fatalista.
Não se preocupe com o que os outros dizem ou pensam ao seu respeito, confie em si mesmo e serás vitorioso.
A vingança é como duas sepulturas em que a primeira é destinada para quem busca se vingar e a segunda para o alvo do vingador.
As coisas simples são sempre especiais
A medida que os anos se passam, as futilidades vão ficando para trás, as tão faladas coisas simples, essas sim são especiais. O relógio dourado e o carro novo, perderam seu brilho, possuem sim, ainda seu valor, mas apenas aquele que realmente tem, o relógio mostra as horas e o carro nos transporta. Agora um abraço, faz tempo que um abraço deixou de ser apenas um simples gesto, ele tem o poder de aquecer o peito, acelerar o coração e embalar a alma. E um simples olhar? Como pode transmitir tanto sentimento? Você consegue saber muita coisa através dele, há quem consiga enxergar a essência de cada pessoa e deixar claro suas pretensões.
As religiões sabem e afirmam que a virtude não encontra infalivelmente na Terra a sua recompensa, nem o vício o seu castigo.
Hobbes disse que o homem é lobo do próprio homem, Rousseau que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe, Voltaire que homem é bom, mas a sociedade o muda, afinal, quem muda de fato? Se pra viver em sociedade o homem deve se moldar ao sistema posto, logo quem muda é o homem, a sociedade apenas segue sendo a representação da vontade humana que Schopenhauer disse brilhantemente em uma de suas obras.
Último Soneto
Que rosas fugitivas foste ali!
Requeriam-te os tapetes, e vieste...
--- Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.
Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste!
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...
Pensei que fosse o meu o teu cansaço ---
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
E fugiste... Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...
GLOSAS
Amor é chama que mata,
Dizem todos com razão,
É mal do coração
E com ele se endoidece.
O amor é um sorriso
Sorriso que desfalece.
Madeixa que se desata
Denominam-no também.
O amor não é um bem:
Quem ama sempre padece.
O amor é um perfume
Perfume que se esvaece.
