Um dia Percebemos Mário Quintana

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Não há nenhuma objeção normal à existência do Ser, porque não aceitá-lo seria afirmar o Nada absoluto, o qual já estaria negado pela própria afirmação que dele se fizesse.

Todo filósofo que levar avante e com segurança o seu pensamento, mesmo ateísta, terá de concordar que todas as perfeições, surgidas no processo do Devir, estavam contidas em máximo grau naquele Ser que não tem princípio nem fim, pois, do contrário, teria que admitir que tais perfeições surgiram do nada.

Nenhuma coisa que tenha potência para não ser pode haver existido sempre.

Todo existir é um opor-se.

Costumam os céticos rir da Metafísica. Kant julgou, com sua obra, tê-la destruído, e acabou enleado em suas teias. A Metafísica retorna sempre, até na obra dos que buscaram combatê-la com o maior ardor.

Não façamos das nossas impossibilidades a nossa angústia.

A certeza de uma evidência prova a certeza e não a evidência.

Nem falador nem seco, entregue ao mutismo, mas falar com sobriedade e cuidado de tudo quanto se trata, é a regra de ouro da conversação.

A Matemática é a máxima realização da razão no seu processo abstrativo.

Crê em ti, e crer em ti é crer em teu bem.

A verdadeira paz é aquela que se funda, não só nos corações, não só na afetividade humana mas, sobretudo, na mente superior do homem, nas suas ideias, nas suas concepções, na sua maneira de interpretar as coisas.

Todo verdadeiro sábio é um libertário, é a afirmação mais robusta de uma realidade que cabe ao homem conquistar.

A política desperta a passividade, ao desviar os impulsos de ação para os meios, em vez dos fins.

O libertário marcha pelo caminho da liberdade, acreditando só poder tornar prática a liberdade pela prática da própria liberdade.

"Falam em fins e meios, mas esquecem-se dos princípios!"

“Parece estarmos a ver o rosto de dúvida, o gesto agressivo de muitos, que dirão que nossa afirmativa não tem fundamento. Pois os que duvidam que se dediquem, como nós nos dedicamos a tais estudos. Que diminuam suas horas de passeio e de conversas inúteis, que assistam menos à televisão e percam menos tempo em leituras nocivas e inúteis e se dediquem às obras dos autores que citamos. Nós também, em certa época, sofremos do vírus bárbaro da ignorância petulante. Também riríamos se nos dissessem tais coisas. Por isso perdoamos aos que riem hoje. Mas, um dia, o destino nos fez cair nas mãos obras fundamentais, um mundo novo se descortinou. Da noite para o dia, libertamo-nos da tolice de perder tempo ao ler baboseiras.”

"O ceticismo e o agnosticismo produziram seus frutos. Há legiões de professores cépticos e agnósticos, que dizem que nada podemos saber dos primeiros princípios. Que eles não possam saber, não duvidamos, e aceitamos como verdade. Mas que ninguém possa saber, é mentira. Não têm esses senhores o direito de levar a sua petulância e temeridade a ponto de julgar que os outros todos são como eles. Não lhes cabe o direito de fazer afirmações tão categóricas em matéria que, de antemão, eles reconhecem que nada sabem. Onde está a prova de que estudaram o assunto? [...] Esses homens não aceitam o debate com os que lhes poderiam pôr à mostra a sua ignorância palmar. E se a aceitam, fogem pelas portas falsas da piada ou das desculpas ridículas, deplorando a fraqueza da mente humana para entender o mais elevado, razão pela qual é melhor suspender os juízos, porque nós nada podemos saber, por nos estar vedado para sempre o conhecimento dos primeiros princípios, cujas leis regem todas as esferas da realidade.O que esses senhores fazem é simplesmente isto: mentem e provam que nada conhecem do assunto. Mas como ocupam postos, que dão a presunção de que são realmente sábios, podem, então, aproveitando-se da ignorância natural e desculpável da juventude, instilar o seu veneno cético ou agnóstico."

Deus é onipotente porque Deus pode tudo o que pode; pode, portanto, todo o possível. Ora, o não-ser (nada) é impossível. A onipotência é proficiência e não deficiência. Pecar é não alcançar a perfeição do ato; portanto, pecar é ser deficiente na ação, coisa que repugna a onipotência. Deus não peca porque é onipotente. Não se deve dizer que não pode pecar, porque, neste caso, pecar não é produto do poder, mas de deficiência de poder. Os ateístas, que repelem a idéia de Deus, por lhe notarem deficiências, fazem apenas confusão entre poder e não poder.

"Se há esperanças que se abatem e provocam em nós o desabrochar de desalentos que nos parecem invencíveis, será um erro deixarmo-nos entregues ao desespero, sem aguardar que lhe brilhe outra vez em nós uma luz de esperança nos altos valores."

O conceito de eternidade implica um conceito de duração. A duração é a perduração do ser em si mesmo, mas a eternidade é um perduração diferente de qualquer outra, porque é uma perduração do ser em si mesmo ”tota simul’’ totalmente simultânea. Não é um presente perene como muitos julgam, é alguma coisa que não é nem passado, nem presente, nem futuro, é a simultaneidade do próprio ser perdurando em toda sua intensidade perfectiva.