Um dia a Gente Aprende Mario Quintana

Cerca de 445637 frases e pensamentos: Um dia a Gente Aprende Mario Quintana

Aparência de Vida

Não há vida.
O que sou?
Um coração que pulsa
por reflexo de um hábito ancestral,
meus órgãos em perfeito estado,
como engrenagens meticulosas
de uma máquina que opera
sem memória ou intenção,
mantendo o teatro fisiológico
de um corpo que respira
por mera obediência biológica,
como se o oxigênio
fosse um combustível imposto
e não uma escolha consciente
de permanecer.

De certa forma,
sinto-me morto,
não pela ausência de pulsação,
mas pela falência do querer,
pela insuficiência da alma
em habitar o corpo que a carrega.
Sou um vulto cotidiano,
uma sombra que vaga
nas bordas do tempo,
um espectro inacabado
que percorre os dias
como um verso esquecido
no meio de um poema
que nunca se completa.

Vivo,
mas sem a densidade
de quem ocupa o próprio ser,
de quem molda o instante
com a intenção de permanência.
É como se a pele
repelisse o próprio contorno,
e o corpo,
apesar de intacto,
fosse apenas a moldura
de uma ausência dolorosa,
uma estrutura que insiste
em se manter ereta
mesmo quando o espírito
já desabou.

Inserida por DanielAvancini

⁠Entre o Assassino e a Vítima

Quem sou eu?
Um humano imperfeito,
destroçado entre o espelho e a carne,
cometendo crimes contra mim mesmo,
atentados sutis que corrompem a alma
e rasgam a pele da consciência.

Sou vítima ou assassino
daquilo que me tornei?
Voluntário no ato de me ferir
ou involuntário na arte de desmoronar?
Sou necessidade que enlouquece,
psicose que se veste de razão,
ou um delírio lúcido que encena
a tragédia de ser quem sou?

Sou mesmo louco?
Ou a loucura é a máscara
que uso para não ver a verdade
do caos que me habita?
Sou mesmo eu?
Ou sou um espectro fragmentado,
uma nota dissonante
na sinfonia do que jamais fui?

Indizível.
Como nomear o vazio que preenche
os espaços entre meus gestos?
Como afirmar com certeza
que sou algo além do que falha
ao tentar existir por completo?

Se a dúvida me define,
sou tanto a ferida quanto a lâmina,
a mão que acolhe e que esmaga,
o vulto que se esconde atrás de um rosto
que mal reconhece sua própria sombra.

E se o espelho estilhaçado
reflete múltiplos eus
que coexistem na fissura do real?
Serei eu o caco que corta
ou o reflexo que sangra?
Sou a colisão entre o ser e o não ser,
o vértice do abismo onde a dúvida ecoa
e a própria identidade se desfaz.

Há um grito que rompe o silêncio,
uma palavra que treme na garganta,
como se nomear-se fosse desabar
e aceitar-se fosse um pacto
com a dor que me habita.

E no limiar dessa guerra interna,
sou o paradoxo que respira,
uma verdade que mente para si mesma
enquanto tenta sobreviver ao próprio fardo.
Ser é ser incompleto.
Sou a imperfeição que sobrevive
no abismo entre razão e caos,
desafiando a lógica
com um coração que ainda pulsa
mesmo quando a mente implora por trégua.

Inserida por DanielAvancini

⁠Naufrágio em Mim

Minha cama vira barco
quando a noite se estende
como um oceano sem margens,
e minhas lágrimas desenham
rotas incertas na pele
de um horizonte que nunca chega.

No grande vazio
onde o silêncio ecoa,
não sei para onde navegar.
Sou marinheiro de olhos fechados,
tateando as ondas com mãos vazias,
e a bússola que carrego
não aponta o caminho
para lugar algum.

Sinto fome,
uma ânsia que não cabe
no peito salgado de mágoas.
Dê-me de comer,
mas que seja algo
além desse vazio repetido,
além desse sal que corta a boca
e engasga meu grito mudo.

E quando tudo se perde
no mar que me afoga,
ele é meu único refúgio,
porto improvisado
nas águas turvas do medo.
Sua voz é como farol
que rompe a escuridão,
e eu, à deriva,
me deixo ser salvo
pela calma que ele traz,
pela promessa de terra firme
onde meu corpo cansado
possa, enfim, descansar.

Então, quando o calor de sua mão
toca minha pele fria,
a tempestade se dissolve
como névoa ao amanhecer.
A luz que ele lança sobre mim
é cais onde meus olhos secos
desaguam esperanças.
E no balanço desse barco incerto,
encontro o ritmo da paz
que tanto busquei
nos ventos que me arrastaram.

Naquele porto improvisado,
eu sou embarcação que cansa,
ancorando meus medos no peito
de quem não teme minhas águas.
Ele, farol e cais,
é o norte que escolhi seguir,
a promessa de que, mesmo à deriva,
há um destino além da tormenta,
um abraço onde o barco repousa
e meu naufrágio se desfaz.

Inserida por DanielAvancini

⁠Monólogo ao Mar

Às vezes, assim penso, vivo
um monólogo diário,
ecoando pensamentos soltos
pelas vielas da alma
onde não há atalhos,
apenas passos
que ressoam no asfalto molhado
de manhãs silenciosas.

Em frente ao mar,
dedico-lhe meus devaneios,
como cartas lançadas ao vento
sem, ao menos, um pingo de receio.
Discorro sobre você,
como se as ondas fossem
páginas brancas
esperando minhas confissões.

O mar, atento,
ouve com paciência de quem
já engoliu mil naufrágios
e ainda assim permanece,
se comunicando
através de suas ondas,
mergulhante, deslizante, ascendente,
um discurso contínuo
que cabe àqueles
que mantêm os olhos bem abertos
decifrar.

E eu, narrador solitário,
me vejo parte da maré,
flutuando entre a certeza
e o esquecimento,
tentando entender
se o que entrego ao mar
é o peso dos dias
ou a ânsia de ser ouvido.

O vento salgado
me corta os lábios
enquanto o mar responde
numa marola discreta,
como se dissesse
que palavras se dissolvem
como espuma,
mas sentimentos permanecem
ancorados no fundo.

Talvez ele saiba
que não há resposta certa,
pois enquanto me desfaço
em palavras e sonhos,
ele se refaz
em ciclos e ondas,
e assim seguimos,
dois monólogos paralelos
que jamais se tocam,
mas se compreendem
no silêncio que resta
após o último sopro de vento.

E então, na maré baixa,
percebo que talvez
o mar também sussurre
suas incertezas para a areia,
e que nós,
vagando por nossas marés interiores,
somos tão mutáveis quanto ele,
sempre buscando a margem
onde a alma repousa.

E enquanto observo
o encontro da água com a terra,
sinto que viver é isso:
um eterno diálogo
com o imenso e o indomável,
uma troca de segredos
entre solidão e grandeza.
O mar nada exige,
apenas acolhe,
como se dissesse
que a liberdade reside
em aceitar a fluidez
e não temer os ciclos.

Por fim, sorrio,
pois entendo que o mar
não é apenas ouvinte,
mas também mestre
de uma sabedoria inquieta,
que ensina a ser vasto
sem perder a essência,
e a permitir-se tempestade
sem deixar de ser calmaria.

Inserida por DanielAvancini

A mesma quantidade de água em um copo vista por dois indivíduos, pode identificar o otimimista e o pessimista. Para o otimista, o copo esta quase cheio para o pessimista, o copo está quase vazio.

Inserida por Valdecir

NÃO ME ESPERE


⁠Não espere por mim, fui jogar as cinzas no mar e celebrar a um renascimento.

Fui acender um inceso e pedir ao universo que receba quem parte e que fortaleça quem acaba de chegar.

Não espere, apague a luz e feche a porta... não irei voltar e ouvir lamentos e promessas manipuladoras.

Não espere nem um minuto, estou concluindo o download de atualização da nova versão de mim que você iniciou ao me magoar.

Se desejar, guarde as lembranças do que conseguiu desconstruir com a toxicidade que lhe caracteriza
e a certeza que jamais fará parte do que forjou com sua passagem furaconica.

Não espere um abraço de despedida ou mesmo um aperto de mãos, se o que merece é a distância que te apaga na linha do horizonte.

Não perca mais tempo esperando por algo que irresponsavelmente despedaçou e deixou de existir

Inserida por Jlins76

A boca, o cheiro, a química...
Naufragar em teus beijos é um prazer.
As peles marcadas pelo desejo...

Como explicar?
Algo que não se mensura ou ao
Menos se vê...
Paixão, amor, desejo...
Ahh...o amor...sentimento que arrebata!
Nada é tão poderoso quanto o amor!
Haja forças para este furacão...
Amar-te é tudo isso e muito mais!

Inserida por CAIOCAMARACESAR

Olhe nos meus olhos, tenho certeza que você jamais encontrará em outro olhar um amor maior do que eu sinto por você.

Inserida por CAIOCAMARACESAR

⁠A criança e a vida.

Incrível , como, quando você chega a um lugar e ao entrar, você olha a seu redor e parece que aquele lugar não lhe pertence mais,é a mesma sensação de querer usar aquela roupa antiga de 25 anos atrás que você insiste em usar mas ela te aperta, coça, pinica;chegando até te sufocar.

Papais e Mamães, muito cuidado com a educação e a disciplina exagerada, olhe para seus filhos com mais carinho e compreensão, uma criança é, como um artista, que está de frente para uma tela vazia e, o que mais ela precisa é, estar livre para exercer e praticar a sua criatividade e, essa tela vazia se chama VIDA!

Inserida por CAIOCAMARACESAR

⁠O homem faz um doloroso esforço para salvar – mesmo na total ausência de certeza – o mundo dos
valores em que vive e ao qual contribuiu; faz uma frustrada tentativa de vencer o Nada da dimensão temporal a fim de alcançar o universal.

Emil Cioran
Nos Cumes do Desespero. São Paulo: Hedra, 2012.
Inserida por IntoTheVoid

Meu corpo cansado, minha mente 7,4 vezes em apenas um segundo,na velocidade da luz.

Inserida por leilaboas

Ah Música do aconchego familiar e um calmante,você relaxa é fica de boa.

Inserida por leilaboas

Amo pessoas que me fazem rir.. pensar e me faz um café estilo colonial com tapioca.

Inserida por leilaboas

O respeito por minhas ideias,é a compreensão naquilo que não concordamos e um dos significado do amor.

Inserida por leilaboas

hoje estou em um estagio letárgico as palavras voam... vou ao medico ver o coração.

Inserida por leilaboas

A atitude e o veredicto do que a boca fala ...antes uma alegria da promessa,depois um rio de lágrima de decepção.

Inserida por leilaboas

Posso sentir um soluço a travesando o oceano.

Inserida por leilaboas

Não tem um lugar que eu não queira estar... tenho as estrelas debaixo dos meus pés.

Inserida por leilaboas

Como um navio ancorado meu coração transborda letras e músicas todos os dias.

Inserida por leilaboas

Estou feliz por um taça cheia.Brindemos a doçura das tuas palavras.

Inserida por leilaboas