Um dia a Gente Aprende Mario Quintana

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Você me deixou como um passarinho com asas quebradas, fraca demais para voar. Mas hoje eu voo, querido, eu voo alto, como gaivotas sobre o mar.

Ele ficou me esperando como um cavalheiro e isso fez com que eu me derretesse por ele. Ele conversava animado sobre as pessoas à nossa volta, mas eu não ligava para elas. Na verdade, eu queria congelar todas as pessoas ali exceto nós e beijá-lo até o coração se revirar do avesso, as pernas fraquejarem e eu me derreter tipo manteiga no chão do estacionamento.

Ele é só um garoto e há tantos por aí. Ele é só um garoto e eu preciso de um homem, mas preciso sem precisar. Preciso para me sentir bonita e amada de vez em quando, mas não que a conveniência seja uma necessidade, porque não é. É que é idiotice e até masoquismo condicionar nossa felicidade a uma pessoa, porque uma não depende da outra; a felicidade só depende de nós mesmos. É como naquele filme, "o diário de uma adolescente" em que a protagonista diz: "Talvez ninguém me ame. Talvez ninguém nunca me ame, mas talvez não se trate de ser amada por outra pessoa". E essa frase é verdade, pois trata-se de se amar, de sentir o vento bagunçar os cabelos e o sol aquecer a pele. Trata-se de viver como se não houvesse amanhã, de viajar e seguir seu caminho sem olhar para trás. Trata-se de abrir o coração e de perdoar, por mais difícil que seja, de rir, mesmo que de modo escandaloso e deixar a alegria te inundar de dentro para fora. Trata-se de sentir saudades, mas não deixá-la criar raízes em você. Trata-se de dançar, mesmo que pareça ridículo, e de se deixar levar pela música. Trata-se correr na chuva, sentir o perfume das flores e não abrir mão dos amigos. E finalmente, trata-se de ler muitos livros e viver infinitas vidas em uma só e fazer dessa vida algo extraordinário.

Eu era um misto de ansiedade, medo e estresse e me entreguei a essa viagem como um herege que se atira ao fogo, como quem dá-se ao carrasco, esperando, aguardando ver minha alma queimar. No entanto, minha alma não foi consumida pelas chamas,minha alma, não sei se por influencia dos rios ou das marés, aprendeu a virar água e submetendo-se às adversidades,apagou quaisquer chamas que pudessem existir, Eu descobri que viajara para buscar, não para fugir. Eu viajei para buscar e achei. Achei minha desorientação como resposta e não como pergunta e isso me encheu de paz, como se a resposta fosse fluir tal qual a água, como G.H no romance de Clarice Lispector.

⁠Eu gosto disso, gosto deste cuidado. Gosto de ele me dizer para pegar um casaco porque esfriou e ele não quer que eu passe frio porque se preocupa comigo. Gosto da sensação de ter alguém cuidando de mim e de me sentir protegida e de pensar, secretamente, que eu gosto de pertencer a algo ou alguém, mesmo que ele não saiba disso. E nem vai. Ele não precisa saber o quanto povoa meus pensamentos ou o quanto eu gostaria de estar com ele neste momento, nem que fosse para fazer algo simples como ouvir uma música e olhar o pôr do sol, algo que eu amo fazer.

Eu o amo com um amor que me queima a alma, mas eu não posso te pegar no colo a vida toda

Esses dias, eu fui ao trapiche da beira-mar despachar um adoçamento que fiz para você e, assim que vi o papel desaparecer e afundar no mar, senti paz. Foi como se, simbolicamente, tivesse jogado suas cinzas ao mar. Não entenda mal, eu não quero que você morra, mas, simbolicamente, estou te matando no meu coração. Eu enterro vivo esse amor, tranco-o numa caixa escura e o deixo morrer de fome, sede e falta de luz solar.

Vai doer, vai deixar um buraco no peito, mas vai passar. Se nenhum amor dura para sempre, nenhuma dor também.

A partir disso veio a raiva. A raiva absurda por ele ainda viver e respirar, a ânsia de que um rolo compressor passasse por cima dele. Desejei que ele morresse, perdesse o dinheiro, o carro, o cargo. Desejei que ele experimentasse a própria perdição. Senti o veneno acinzentar meu coração e regozijei ao imagina-lo perder tudo que ele considerou mais importante que eu. Então senti de repente que morrer já não era o bastante para ele. Ele tinha que viver para sofrer. Ele precisa viver para que me veja alçar voos mais alto, alcançar objetivos que ele nunca será capaz. Ele tem que me ver crescer, viajar, ser nomeada, brilhar, prosperar, casar, ter filhos e pensar que poderia estar ao meu lado vivendo uma vida infinitamente mais feliz.

Quando você tem consciência da sua dor e dá um nome à ela, ela diminui e você cresce.

"Um coração que tem prazer em admirar sua própria amargura, balança igualmente quanto um coração cruel."

Ainda sinto um certo prazer de ver o que seria, mas devo viver o 'que será' realmente do meu futuro nas atitudes interiores que tomo no presente.

Um pequeno vacilo é suficiente para falhar todo o progresso

O quanto me importa um futuro feito por mim sem o destino?

Algumas ilusões são como um banho refrescante que te faz suportar os problemas do cotidiano.

Na sua opinião, o que é mais provável: um jumentinho sustentar um homem ou um corvo? Eu sei que você dirá um jumentinho. Eu também diria isso, mas para minha e sua confusão, Deus usou um corvo, ou corvos, para sustentar o profeta Elias. Amigo, quem pode impedir a maneira estranha como Deus atua na Terra?

É mais fácil convencer um homem desanimado do que um homem saturado.

Não queira ser uma pedra de tropeço no caminho de um homem avarento, porque os avarentos são capazes de tudo.

Leve Deus a sério, e Deus te fará um homem sério.

É mais fácil adestrar um cão Pitbull do que levar um homem à oração.