Um Coração Generoso
#MALANDRAMENTE
Não vacila...
Nem tenta a sorte...
Quem é do meio sabe como é...
Coração de malandro...
Bate na sola do pé...
Toda minha caminhada...
Nesse imenso mundo cão...
Com malandragem de sobra...
E liberdade para conquistar...
Caio fácil não...
E quando caio...
Logo me ponho a levantar...
Malandro que é malandro...
Sabe bem como viver...
Vou continuar assim em meu caminho...
Pelas noites de luar...
Malandro sabe onde ir...
Quando deve sair e a hora de entrar...
Sabe quando deve ficar mudo...
Sabe quando deve falar...
Já dizia o poeta...
"O mundo é dos espertos"
Malandro bom envelhece...
Pedindo força ao universo...
Não vê a morte tão cedo chegar...
Sandro Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poemas
#FERA
Em que longínquo abismo...
Em que remotos céus você se esconde?
Enquanto o seu coração de vidro bate...
Ressoa, sem alarde entre os mortais pela eternidade...
O silêncio já não lhe amordaça...
Saltam de seu olhar...
Faíscas e trovoadas...
Sonhos desfeitos...
Um vácuo no peito...
E rega a terra sob suas lágrimas...
Quem entre os homens poderia lhe acalmar?
Não se entrega à lama que lhe espera...
No ódio que lhe cerca...
Na sarjeta que o chama...
Sacrifica suas quimeras...
Necessidade de ser fera...
Se alguém se compadece...
E por você chora...
A mão que afaga também não perdoa...
E ao incalto devora...
Veste-se de saudades...
De tristeza e dor...
Dos anjos não dá ouvidos ao clamor...
É fera ferida constante...
Essa é a sua condição marcante...
Não é insano...
É um lamento...
É impávido em calado sofrimento...
Sandro Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poemas
Dono de quê?
Se nem dono de mim eu sou...
Sonhos confusos...
Almejando ao coração ressuscitar...
Com tão pouco tempo a pensar...
Devaneios em barcos de desejos a qual me entrego...
Só assim me reconheço...
Quando a vida com o látego me fustiga...
Finjo não ver a realidade sentida...
Na pura ausência das coisas...
Um palco: eu e a lua...
O terror de pensar no fim da peça...
Louvando por estar em cena...
Ainda...
Mas o futuro insiste e persiste...
Em rasgar as cortinas...
Escurecer as estrelas...
Devorar a noite...
Massacrar o dia...
Na arte de perder-se não há nenhum mistério...
A cada dia um pouco perdemos...
Embora, até o momento, não percebi o quanto tenha mudado...
Quem me quiser que me chame...
Ou que me toque com a mão...
Antes que a peça termine...
E só reste silêncio e escuridão...
Sandro Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poemas
#ECO
Meu coração arde em coisa fria...
Nem a luz...
Nem o fogo...
Nem a fome entardecida...
Ou a febre da sede dos lábios...
Ai, ai de mim...
Enquanto caminho...
É pelo corpo que nós nos perdemos...
Pertenço a quem amo...
Num profundo arremesso...
Tenho pressa de viver...
Só quero o que me é devido...
Coração diga o que sofri...
Nesses dias que embranquecem os cabelos…
Amores vividos...
Só as fagulhas voam ao vento...
É preciso partir...
Antes que tudo cubra-se de cinzas...
É preciso ficar...
Onde se é benquisto...
Cerca-me a solidão...
Tal como uma pedra escura...
É tão fria e morta...
Eu sem ti...
À sua procura...
Ninguém sabe dizer porque o eco embrulha a voz...
Mas eu sei dizer...
Que sem você...
Não vivo mais...
Sandro Paschoal Nogueira
Trago dentro do meu coração...
Todos os lugares onde estive...
Todas as minhas escolhas...
Todos os amores que tive...
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero...
Soa-me do fundo da alma...
Sonhos sinceros...
Cada homem, cada célula...
Tanta coisa...
Tanta gente...
No universo é verdade...
Nunca está só...
Por muito tempo achei que a ausência é falta...
De alegrias...
Em tempo de silêncio...
Tempo de nostalgia...
Intermináveis dias...
Ao longo das veredas...
Porque nisso está a verdade...
A vida em si...
É uma aprendizagem...
Voluntariamente abandonei...
O meu trono de sonhos e cansaços...
E aguardei com lágrimas no vento...
Mas sempre de peito aberto...
Não tenho pressa...
Pressa de quê?
Para quê?
Toco só onde toco...
Não em que desejo...
E assim sigo...
Sonhando...
Desejando...
Vivendo...
Sandro Nogueira
Desconheço...
Sou eu poeta?
Cenário dolente...
Embora me divirta...
Aqui, coração que andou entre os homens, arranco...
Ando à deriva na fonte de muitos olhos...
Movendo-me aqui e agora entre contornos vivos...
A minha prisão de viver são perfumes de pecado...
A grande inteligência é sobreviver...
Entre o murmúrio dos esgotos...
Rotina...
De longos braços estendidos...
Velhos desejos recalcados...
Espantos e receios...
Escondidos em leitos sangrentos...
Disfarçados em diálogos sonolentos...
Provisórios dias do mundo a ti pergunto:
Sou eu poeta?
Desculpai-me esta face...
Serei eu só mais um fantasma de tudo?
Sandro Paschoal Nogueira
No cetim negro das noites...
Os anjos só vem quando chamamos...
Breve é o coração acalentado pela inocência...
Que sonha e anseia...
Por viver e muito amar...
Ninguém sabe o que vai
por este mundo...
Com destino certo e sem destino aos tombos...
Cai o pó em dias assolados...
Enquanto o vento faz um rumor frio e alto...
E nada tem sentido...
Em nada que se queira ter...
Tudo são apenas momentos...
Não há nada a compreender...
Deixo que em minhas mãos cresçam os sonhos...
É o que posso fazer...
Haverá coisa que se lhe compare...
No mistério da inocência a perder?
Em vão já procurei me restituir...
O que duramente perdi...
Não sou mais que uma brisa...
Se vejo coisas que nunca antes tinha visto...
Coisas que sempre soube mas que nunca quis olhar...
Mas como se fosse o milagre pedido...
Nos destinos que não desvendo...
Os anjos me tem atendido...
Ensinando-me a sonhar...
Sandro Paschoal Nogueira
Há de viver, pastoreando...
Com coração jovem, ousado e arejado...
À coroa de espinhos dos sentidos...
Onde o luar o banha...
Suavemente ofendido...
No silêncio sob os lábios frios...
Ninguém está a escutar...
O sacro se mistura ao profanos...
O tato que devora, sem dó nem piedade...
No dispersar dos anos...
Perde a consciência...
Sem hora, nem idade...
Na madrugada que ronda...
Sem rumo, sem afronta...
Fatigado de estar, sem força, nem fumo...
Sob tudo que fez, sem glória nem fama,
Do medo que perdeu, sem dor nem chama...
Quando a noite vem...
Com sombras profundas...
Por Deus, pelos Poetas, pelo mundo, clama...
Eu a si pergunta:
-Valeu?
O silêncio responde...
E o eco da voz, sem resposta...
Se desfaz ao vento...
Que o abraça...
Em meio à escuridão...
Sem luz, nem guia...
Busca respostas...
Mas só encontra sombras frias...
Só o eco dos seus passos...
Sem destino, nem meta...
E o vazio que o consome...
Sem paz...
Sem ser clemente...
Para ele, de frente, sorri...
Na solidão da alma...
Onde sombras dançam...
Procura a luz...
Procura colo...
Mas só encontra trevas que o cercam...
E ainda assim, continua buscando...
Um sentido...
Uma razão para viver...
Para sonhar...
Para ofuscar o seu sofrer...
Sandro Paschoal Nogueira
Contei-lhe minha história e para ti fiz nascer poemas...
Coração solto em terra ímpia a florescer...
Da ilusão por mim criada só tive algemas...
Onde aprendi a sofrer...
Todas as portas já cerradas...
Todas as ruas vazias...
Vejo as estrelas a chorar...
E até, quem diria...
Não é mais bela a lua...
É só uma luz fria...
No jardim das almas...
Ninguém acompanha meu caminhar...
Saudade ou aspiração?
Deixei minhas virtudes cair ao chão...
Cansei de tanto oferecer...
Do que não há de voltar...
Do tempo que há de chegar...
Castigo inexpiável...
Tamanho é meu parecer...
Para ter meus sonhos realizados...
A quem devo obedecer?
Para quê a busca das coisas?
Quando por fim tudo acaba?
Valerá a luta da conquista...
Onde ainda se crê e se ama ainda?
Sim, é certo...
Quem eu amo...
Agora zomba e ri do meu amor…
Em tudo o que fiz pus o cuidado...
Será possível mesmo o fim de tudo?
Restando-me só ausência e dor?
Sandro Paschoal Nogueira
Árvore seca...
De coração vazio...
Anos a fio...
Não tinha cor...
Não tinha amor...
O vácuo cada vez maior...
Raízes mortas...
Não mais florescia...
Sob um sol quente e árido...
Me contou sua história...
Foi semente...
Plantada com esmero...
Por um senhor...
Velada com carinho...
Cresceu...
Nas folhagens verdejantes...
Pássaros faziam seus ninhos...
Cantavam alegremente...
Retribuía com sombra...
Muitas flores ofertava...
Fronte de belas mulheres enfeitava...
Suas folhas eram remédio...
Doença ela curava...
Foi orgulho daquele senhor ...
Que um dia a plantou...
Seresteiros à sombra dela...
A todos encantou...
Conversas fiadas ouviu...
Pessoas que chegavam na cidade...
Um ou outro que já partiu...
O banquinho ao seu lado...
Foi ponto de encontro...
De amigos e de enamorados...
Quando o vento levou o senhor...
De tristeza a árvore chorou...
Me disse que se fechou no silêncio...
Que de saudades suas folhas cobriram o chão...
Não tinha mais forças para então florir...
Sua aurora tinha ido embora...
Sua madrugada chegara...
Sua hora findou...
Hoje...
Triste...
Seca...
Morta...
Ainda conta sua história...
Da saudade que ficou...
Do tempo que passou...
Sandro Paschoal Nogueira
Árvore, pata-de-vaca, branca, que meu pai plantou, em frente de minha casa.
Homenagem póstuma Scylla Dias Nogueira
— em Conservatória, Rio De Janeiro, Brazil.
Ás vezes a pessoa nos magoa sem saber o que se passa em nossas vidas, ás vezes nosso coração está sangrando por dentro e mesmo assim deixamos que outras pessoas nos pisem, não é para mostrar a elas que somos superiores, e sim para mostrar que mesmo em meio as atribulações que passamos somos capazes de esboçar um sorriso e seguir em frente sem precisar magoar ou ofender alguém...
O medo de amar paralisa,
impede o coração de voar
em todas as direções.
E de pousar na flor
mais linda do jardim.
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