Um Cavalo Morto e um Animal sem Vida

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Minha mente é como um universo em expansão:
A partir de uma explosão de ideias
Que se espalham feito cacos de vidro no chão.
E aqui vou eu, em minha solitude
Catando fragmentos e devaneios
De pensamentos criados em vãos
De breves júbilo e vigor
Que me dão um vislumbre de futuro
Que se esvai na auge
Da minha escuridão.

Cansado de viver em um mundo onde acordo antes do sol para trabalhar e retorno apenas depois da lua.
Cansado de seguir padrões que em nada me favorecem, moldes que não me cabem.
Cansado de um mundo típico, estruturado para a repetição, mas não para a minha sobrevivência.


Tudo o que desejo é o contrário — e isso soa como loucura.
Mas louco, de verdade, é perceber que a multidão que me julga por pensar e ser assim
carrega, em silêncio, os mesmos desejos que eu

Persistência

Procuro a promessa
de um dia que talvez seja meu,
mas tropeço na dúvida
de sequer me pertencer.

Habito a solidão que me assusta,
e nela acredito — injustamente —
que não mereço ser amada.
Será?

Falta-me o ar.
As palavras me dizem verdades
nas quais já não sei crer.
Adormeço.

E só no amanhecer
desperta o gosto amargo
de desejar o que não existe.

Persisto
na indiferença que me move,
no gesto automático de seguir.

Que sentimento é esse
que não sei nomear,
não sei acolher,
nem resignificar?

Sou prisioneira do tempo
que insiste em provar
que mereço ser vista.

Por que amar
e ser amada
me aflige tanto?

Então retorno
à vida constante:
compromissos, horários,
dias previsíveis.

Ali, onde o amor não pesa,
eu me convenço:
sou feliz.

Desamparo

Eu só queria
alguém que cuidasse de mim.

Um colo.
Um abrigo contra o mundo
que me expõe
como pele sem defesa.

A solidão chega sem ruído,
instala-se aos poucos,
ocupa os vazios,
faz morada no peito
— e dói.

Dói como peso contido,
como um aperto
que não encontra saída.

O ar falta.
Afundo devagar,
sem resistência,
como quem desce ao fundo do mar
em silêncio.

Ainda assim,
há em mim uma consciência:
preciso voltar à superfície.

Retorno.
E nada mudou.

A solidão permanece.

Então pergunto,
não em voz alta,
mas por dentro:
vale a pena?

Se vale,
revela-me o porquê.

O silêncio se estende
como um vento que uiva
sem me tocar.
Há um vidro invisível
entre mim e o mundo:
vejo o movimento,
a correnteza,
mas não posso atravessar.

Estou presa
num espaço estreito,
insonoro,
onde a ausência de saída
me torna cativa.

Desperto.

E ao me reconhecer desperta,
compreendo:

ainda estou só.

R. Cunha

Insuficiente

Dizes-te presente —
mas permaneces?

Há um vazio que não se cala.
E ele pergunta
com a voz que não tens.

Se te ofereces,
por que não te revelas?
Se te dizes suficiente,
por que te ausentas
no gesto?

Não peço excesso.
Peço constância.
Um corpo que fique.
Uma presença que não oscile.

Alguém capaz de preencher
o espaço vasto
que se abriu em mim
e aprendeu a chamar-se morada.

Se és esse alguém,
não tardes.
O tempo aqui é lâmina.
Age.
Socorre-me.

Estou à beira
de um abismo que não promete retorno.

E se não vens,
se não és,
se não ficas —

Adeus.

R. Cunha

O ego e o orgulho não são ruins por natureza.
Um busca se proteger, o outro se afirmar.
O problema surge quando um fica muito inflado e o outro, frágil demais.

Sombra e luz


Dizem que todos nascem com a semente da sombra, um traço silencioso escondido no fundo da alma.
Mas eu me pergunto por que regá-la, se também carregamos luz?
Caminho entre rostos e gestos,
vendo bondade e crueldade dividirem o mesmo peito.
Há mãos que acolhem
há mãos que ferem
e ambas pertencem à mesma humanidade.
Às vezes me pergunto se realmente pertenço a este lugar.
Talvez eu seja apenas um anjo cansado
não expulsa,
mas enviada.
Não vim salvar nem julgar…
apenas observar
Observar os excessos, a frieza disfarçada de força,
os absurdos humanos, a dor atrás do orgulho, a pressa em ferir, o medo,
a escolha constante entre construir ou destruir.
Se todos carregam a sombra,
também carregam a luz.
E talvez minha existência seja só isso:
lembrar, em silêncio,
que nem toda sombra precisa virar escuridão

Só encontramos o propósito quando desistimos de encontrar um propósito e nos movemospara o mundo a fim de servir aos outros, com alegria. Nesse cenário, o propósito talvez nos
encontre.

Quanto mais esperto um homem é, mais ele precisa que deus o protejs de pensar que ele sabe tudo.

Na natureza tudo retorna ao ponto de partida, revelando que o fim é apenas um novo começo.

Muito pior do que cometer um erro, é tentar justificar. Quem justifica não aprende; e quem não aprende, repete.

A brisa e o vendaval
Um manso rio e a fúria de um temporal
Tudo tem o seu lado bom como também o mal.


Morte e vida se complementam, uns para viver dependem de outros a morrer.


É um ciclo fatal, como também algo tão natural.


Vida e morte faz parte do teatro existencial.

Se de fato existe um deus, ele deve estar rindo de todos nós.

Eu não sei se talvez.
Se um dia haverá compromisso
ou se tudo vai continuar exatamente como está:
no meio do caminho, sem nome, sem promessa.
Não vou oferecer o meu ombro
nem pedir que me ajude a dividir o peso.
Cada um carrega o que escolhe carregar.
Silêncio também é escolha.
Não te cobro presença,
mas também não aceito ausência disfarçada de liberdade.
Sentimento não é rascunho
pra ser deixado na gaveta quando aperta.
Se for pra ficar, que seja verdadeiro.
Se for pra ir, que seja honesto.
O que cansa não é a dúvida —
é permanecer onde nunca se decide.

CARTA ABERTA PARA O IMPOSSÍVEL AMOR
​Parei para te escrever e te pedir um tempo,
Não o tempo que afasta, mas o que faz lembrar.
Mergulha um pouco no que fomos, no nosso momento,
E veja se ainda existe espaço para a gente habitar.
​Busco em você uma nova oportunidade,
O destino reescrito, sem rascunhos ou dor.
Queria que o "nós" fosse a nossa única verdade,
E que o mundo lá fora perdesse o valor.
​Posso não ter mais o toque das tuas mãos,
Mas guardo o suor da luta que travei por ti.
Meus dias são ecos da tua voz nos vãos,
Do amor que, mesmo em silêncio, nunca esqueci.
​Não olhe apenas para o rastro do que pode quebrar,
Nem se prenda ao medo de quem possa ferir.
Olhe para o brilho de quem você pode alegrar,
E descubra, enfim, qual caminho te faz sorrir.
​Dói saber que o seu afeto tem dois endereços,
Pois quem ama por inteiro não sabe dividir.
Eu queria ser o fim de todos os seus tropeços,
O único motivo que te fizesse ficar, em vez de partir.
​Queria que este nó fosse apenas um sonho ruim,
E que o sol de amanhã desatasse essa dor.
Que a sua entrega fosse sincera, voltada para mim,
Sem as sombras de um outro, sem restos de amor.
​Sinto muito por te deixar, e por me abandonar no caminho,
Por não ter o verso certo que te fizesse estacionar.
Sinto por cada silêncio que te deixou sozinho,
E por não ter a voz que te convencesse a ficar.
​Lamento por te ouvir pouco, ou por te amar demais,
Por tentar te esquecer e, no erro, te lembrar.
Sinto por não ser o porto onde você encontra paz,
E por não ter o brilho que te faz querer tentar.
​Guardo os momentos que tivemos, como um tesouro gasto,
Se foram poucos, o tempo dirá o que restou.
Mas não suporto o peso desse sofrimento vasto,
De habitar um lugar que o seu amor nunca ocupou.
​Te deixo ir, pois o amor não sobrevive de dúvida,
E aqui não é o seu lar, se o seu peito chama outro cais.
Sinto que me ama, mas é uma chama pálida e tímida...
Que não queima o suficiente para não te deixar partir jamais.⁠


CARLIANE ARAUJO 💜

Se ser mãe é padecer no paraíso, ser pai é trocar um paraíso limitado por outro tão rico em descobertas que nenhum dos dois conseguiria explorar sozinho.

⁠A alma está em contato com o essencial. É simples, é lenta, é silenciosa. Para a alma, um
simples olhar, sorriso espontâneo ou gesto de carinho pode ter mais valor do que as mais
complexas construções linguísticas.

Ame seus desafios e cresça com eles. Ter problemas é um privilégio que pertence apenas aos vivos.

Um casal encontra seu fim quando um dos dois decide parar de crescer.

A busca por culpados ou por entendimento é na verdade um substituto para a solução