Tudo Oque eu Sentia Acabou

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Cuido da minha vida, sou o que eu quiser, e não tento fazer do costume alheio o motivo para ostentar minha fé.

Para 2026, eu decidi que vou começar com o pé que me der vontade de pisar primeiro.
Não vou deixar de adquirir algo de quem gera milhares de emprego e renda e contribui ativamente para a economia Brasileira por causa da ignorância de ninguém.

Prefiro eu mesmo traçar o plano existencial da minha vida. Diante de hospitais lotados, da fome e de tragédias globais, é de uma vaidade cega crer que Deus pausaria o cosmos para mimar o meu amanhã, enquanto tantos clamam por socorro imediato. Assumo meus passos para que a providência divina se ocupe de quem realmente precisa."
Recuso-me a sentar e esperar o que Deus 'está preparando' para mim. Supor que o Criador prioriza o meu conforto individual enquanto ignora o clamor dos inocentes não é fé, é egocentrismo disfarçado de piedade. Prefiro eu mesmo gerenciar minha existência e poupar a divindade de caprichos, pois o mundo transborda de dores reais implorando por auxílio."

Não terceirizo meu destino a um Deus que tem o mundo inteiro para socorrer.
Prefiro eu mesmo governar meus planos existenciais; afinal, em um planeta devastado por flagelos e injustiças, o privilégio individual de esperar o amanhã de braços cruzados é uma afronta ao sofrimento alheio.⁠

Deus deve olhar para o Brasil e pensar: 'Eu dei o livre-arbítrio e vocês me
põem no meio de santinho político?"⁠

Amor


Línguas ousam definir-te
como um sentimento.


Eu, intrigado,
pus-me a conhecer-te.


Percebi, então,
que esse amor
de que tanto falavam
era apenas o fogo
de uma chama
de pavio frouxo.


O que resta do amor
quando é consumido
pela chama do desejo?


Essa luz projetada,
ilusória,
que simula
um tênue conforto,
já não satisfaz
o coração de um sábio.


Amor,
assim te chamo.


Recolhe os fragmentos
que ficaram pelo chão.


Vulgarizado
pela língua humana,
esqueceram
que foste
a consciência
de uma construção
que transcende
a vaidade.


Não há confusão.
Não há para onde fugir.


Para ser amado,
basta permitir
que o Amor
bata à porta.


Lança-te
na incerteza.


Jamais me senti
tão livre
quanto ao tornar-me
escravo
d'Aquele que transborda.


O Amor
que me acolhe,
não por quem fui,
nem por quem sou,
mas por aquele
que ainda serei.

Ecos do Passado

Na mocidade, eu amei correndo,

como quem teme a perda.

Agora amo em silêncio...

como quem entende a eternidade.




O tempo passou, e me deixou vazia de palavras, mas cheia de histórias.

O que foi desejo, agora é gratidão...

o que foi silêncio, agora é palavra.




Havia poesia nos meus silêncios, versos não escritos, noites desperdiçadas...

agora, a caneta se ergue, tardia, mas cada palavra é um eco do que fui.




Não procuro os fantasmas do ontem...

nem lamento as perdas que me moldaram,

não é saudade nem lembrança...

é algo maior, silencioso e real.




O que sinto hoje é amor pela vida...

amor pelas mãos que me seguram...

pelo instante que pulsa entre meu peito, e o mundo que ainda me espera.

Que eu nunca deixe de sentir gratidão por aquilo que um dia pedi em silêncio.

A queda me desmontou, só para eu me montar melhor.

Antes eu pensava que precisava de muito,

de conquistas, de bens, de aplausos do mundo.

Hoje percebo que o simples ato de acordar

já me faz inteira, já me faz profunda.

O vazio tentou me convencer do contrário,

mas descobri que até o silêncio tem valor.

Sou feliz por existir, por respirar,

e sei que muitos desejariam estar em meu lugar.

A autoestima, antes frágil, agora é sentença,

registrada em cartório, sem possibilidade de recurso.

Minha alegria é cláusula pétrea,

ninguém pode revogar o que é luz no meu curso.

O amor, em todas as formas, é meu advogado,

a esperança, meu juiz imparcial.

No tribunal da vida, fui absolvida,

por excesso de fé no essencial.

Hoje sou feliz sem precisar de muito,

sou feliz porque despertei outra vez.

E se a vida fosse contrato eterno,

minha assinatura seria: gratidão e paz.

Se a sua paz depende de eu ser menor do que sou, essa paz nunca foi real.

Das minhas poucas certezas ... é que o NÃO eu já tenho.

Eu prefiro carregar o peso da verdade do que o conforto da mentira.
A verdade pode incomodar hoje, mas ela sempre encontra um jeito de aparecer.⁠

Eu respiro o universo.
E ele me respira.


Meire Moreira

Às vezes eu luto tanto para convencer todo mundo que até esqueço que estou certo, e isso é o mais importante.

Melancólico


Eu tenho um gosto meio cinza
ando zonza e enjoada.


As vezes escolho ser como as nuvens
ninguém as sente, mas podemos vê-las
e assim, sou eu


Vazia, mas muito densa
as vezes transbordamos e os outros
fazemos sofrer


Mas outras vezes abrimos caminhos
até tarde, ao escurecer.


Então volto a lhe dizer,
ainda sou bastante cinza, e mesmo assim
tem dias que não faço chover.


Queria ser, às vezes
um pouco azul


talvez roxo,
amarelo
e até vermelho.


Mas continuo sendo
Cinza.

Eu sou efêmero. Escutei essa frase, ela é muito forte. Efêmero significa: tramsitório, temporário, passageiro - Mas geralmente usamos no sentido de pouca duração. O que escutei dizia em um contexto do ser humano ter uma duração, sua finitude. Pensei bem a respeito, a frase pode fazer sentido em relação à nossa existência; contudo, depende da referência do que seria essa "pequena durabilidade". De qualquer forma, pode ser importante nos lembrar disso, para ressignificar nossos horizontes, mas só de vez em quando para não nos afetarmos dolorosamente.

eu te amo porque você me faz ver graça na vida de novo

Eu construo.
Eu destruo.
Eu reconstruo.
Porque nada em mim aceita permanecer igual.


Eu construo.
Eu destruo.
Eu reconstruo.
Não por fraqueza — mas porque evolução exige ruína.


Eu construo.
Eu destruo.
E toda vez que algo em mim morre, algo mais forte ocupa o lugar.


Eu me refaço antes que o mundo tente me refazer.


Como aço eu me desfaço, como espada eu renasço.

Carta que nunca te entreguei


Eu sei que você me amou do jeito mais limpo que alguém pode amar.
Sem jogos, sem fuga, sem meio-termo.
E talvez por isso tenha doído tanto.
Eu ouvi quando você disse que me amava.
Ouvi uma, duas, tantas vezes que perdi a conta.
Cada palavra sua era casa, era futuro, era permanência.
E dentro de mim havia vontade, sim,
mas havia também um peso antigo,
um cansaço que não nasceu em você
e uma resistência que eu não escolhi ter.
Existe um muro em mim.
Não foi levantado contra você,
nem para te ferir.
Ele só estava lá antes.
Toda vez que você dizia que me amava,
algo em mim queria correr na sua direção.
Mas outra parte, menor e mais antiga,
batia desesperada por dentro desse concreto,
pedindo que nada fosse aberto.
Você chamava de amor.
Eu sentia como risco.
O problema nunca foi você.
Nunca foi falta de amor.
Foi excesso de medo dentro de mim.
Quando você falava de futuro, algo em mim se fechava.
Não por desprezo,
mas por pânico.
Como se amar significasse perder a mim mesma outra vez.
Porque deixar alguém entrar
sempre significou desmoronar depois.
Existe em mim uma vontade imensa de ser amada assim,
desse jeito inteiro, sem reservas.
Eu sei que mereço.
Mas hoje eu não consigo corresponder
sem me violentar por dentro.
Eu queria sentir só o amor,
mas sentia o medo junto.
Queria ficar,
mas meu corpo gritava para não prometer
o que ainda não sei sustentar.
Você me ofereceu paciência,
futuro, permanência.
E eu sei que isso é raro.
Mas o problema do muro
é que ele não cai com promessas.
Ele cai com tempo.
E eu ainda não tenho esse tempo dentro de mim.
Eu me irritava, me afastava, me culpava.
Não porque você errava,
mas porque eu ainda não sei receber cuidado sem desconfiar.
Você merece alguém que te ame sem hesitar,
sem se irritar sem motivo,
sem carregar fantasmas que não são seus.
Merece descanso, não dúvidas.
Te deixar ir foi uma forma torta de respeito.
Porque te amar pela metade
seria mais cruel do que te perder inteira.
Talvez um dia eu aprenda a amar sem esse nó no peito.
Talvez um dia o futuro deixe de me causar náusea
e passe a parecer escolha.
Hoje, amar você exigiria
trair o silêncio que ainda me protege.
Se eu fui embora,
não foi por falta de sentimento.
Foi porque ainda estou aprendendo
a distinguir abrigo de prisão,
amor de sobrevivência.
Um dia, talvez,
esse muro vire porta.
Hoje, ele ainda é o que me mantém de pé.