Tudo Oque eu Sentia Acabou
Quem poderá?
Titubeio.
As palavras já não se fazem mais.
Tudo está coberto por uma luz fraca.
Os passos vão para frente, voltam para trás.
Desencontros… descompassos.
O pulso palpita,
A alma grita.
Não há mais saídas.
O espelho reflete um corpo
alquebrado.
Olhos estatelados.
Não há mais dúvidas.
Sobraram apenas as certezas.
A calamidade da certeza me assombra.
Um corpo sem sombras.
Uma mente sem dúvidas.
Quem me poderá desanuviar a mente?
Quem me ensinará a ver a verdade em quem mente?
Minha prece
Os morros lá longe
na escuridão da noite que desce…
desaparecem.
Tudo, há pouco, era tão verdinho.
Aos poucos, tudo em cinza se transforma.
Tudo parece mudar sua forma.
Chuva fininha que do céu desce.
Anoitece.
Tudo umedece.
Pelo mundo todo faço minha prece.
Um novo dia – muita paz, saúde e alegria.
Um futuro sem medos.
Vidas sem desassossego.
Um mundo que não mais adoece.
Faço, por todos, minha prece.
(A)mar
Lá no alto o luar tudo a clarear.
O brilho brilhante das estrelas a ofuscar.
E cá embaixo estou eu a te esperar.
Enquanto não vens o vem e vai das ondas do mar estou a acompanhar.
Vem... e a areia da praia a água salgada a encharcar...
Vai... a onda de volta pro mar o abraçar.
Assim tu longes de mim...
Quem vou eu amar?
Amor de praia...
Falta de ar...
Eu eternamente a te esperar...
Sentimento a me atormentar.
(A)mar... mar... quem vou amar?
Outono
Outono... as folhas das árvores a cair.
Tudo se prepara pra ser fecundado.
No frio do inverno... tudo a se congelar.
Semente no calor do interior da terra
espera o momento de do solo desabrochar.
Folhas secas no ar a esvoaçar...
Eu pelo outono outra vez a me apaixonar.
O outono de novo a me ensinar...
De certas coisas é necessário se desapegar.
Desapegar... pra outras coisas o lugar tomar...
Outono: sim, é necessário se renovar.
Tudo o que nasce morre
Apagam-se da minha mente memórias.
O caminho sinuoso à minha frente vai deixando o presente para trás.
Na dor do momento tudo o que nasce... morre.
Uma lágrima corre.
Enquanto uma onda vem... outra vai.
Abismo profundo onde toda esperança cai.
Equilibro-me no fio da vida.
Sei por onde entrei...
Não me dizem onde e quando vou encontrar a saída.
Sigo o caminho sinuoso aos meus pés.
Era... agora já mais é.
E fim.
Uma enorme dor
Uma fração de tempo
…apenas.
E tudo se esvai... tudo embora vai.
Não há aviso prévio.
Clica um botão – uma divindade que não se vê... que não se sabe onde está – e para o coração.
Último respiro.
Nada levamos.
Todos os choros e risos a nada reduzidos.
Antigas lembranças... lembrar pra quê?
O exemplo é o que deixamos.
Dor a muitos causamos – não porque queremos.
Um pouquinho de nós em outros se preserva.
E isso, juro, me enerva.
Há você
Há você.
Além de tudo há você.
O Sol a tudo aquecer.
E há você.
As flores a tudo perfumar.
E há você.
As borboletas a tudo leve tornar.
E há você.
Os sonhos a me embalar.
E há você.
A chuva a tudo refrescar.
E há você.
As estrelas... a Lua a tudo iluminar.
E há você.
Vá e não volte
Vou até ali na frente e não volto. Na vida, tudo deveria ser assim... vá e não volte.
Não volte, porque se voltar pode se perder outra vez. Todo mundo deveria nascer sabendo disso. Viver é seguir em frente... não ficar dando voltas, andando em círculos...
Lembra como era antes da sua última partida?
Você cansava de mim e partia... eu, por dentro, sorria. Sabia que você voltaria. Só que de tanto você partir e eu sorrir... os sorrisos acabaram... agora, quando você parte, eu choro. Só choro.
E eu não quero gastar o meu choro... eu não quero chorar até não ter mais lágrimas... então, por favor, vá e não volte.
Agora a cada partida sua, atravesso desertos dentro de mim. Você volta... um oásis... até que enfim.
E quando eles tiverem fim?
Então, vá e não volte.
Não quero os desertos, nem os vales de lágrimas...
Se você gosta de mim um pouquinho só... então, vá e não volte.
A dor do outro
Sei, sou parte disso tudo.
Mas quantas vezes não me encaixo...
Procuro-me, procuro-me e não me acho.
Sou parte disso tudo.
Tenho de estar sempre em alguma parte.
É estranho essa capacidade de desamor que vejo por aí.
O outro caiu e se machucou.
‘Bem feito!”... foi o que ouvi.
Acho que amo demasiado.
Acho que amo além da conta.
Por isso me espanta essa gente demente... que com a dor do outro fica contente.
Vertigem
Vertigem... o mundo dando voltas - e sem parar... pra me dar um tempinho do colocar tudo de volta no lugar - ... o mundo está dando voltas e cada vez mais rápidas.
Ah sim! Dantas diz que ' o mundo é uma vertigem'... não há balaustrada... só um vazio que não se preenche com os afazeres de todos os dias... com a correria que 'parece' não deixar a vida vazia.
Um redemoinho... um fundo sem fundo... sim assim é o mundo.
Cada manhã, antes mesmo de abrir meus olhos, eu fixo o pensamento em Deus. è a minha segurança. É o mundo, que mesmo dando voltas, deixa tudo no lugar... é o redemoinho, que tudo desconserta, que me mostra a estrada certa.
Seu eu consigo discernir tudo e levar a vida numa boa? Nem sempre... uma montanha treme... uma lava que escorre... um fogo que arde, queima e destrói... um tsunami dentro de mim... e aí eu olho ao redor e só vejo o vazio... sinto frio... meu corpo também treme.
Às vezes acho que o vulcão sou eu...
Do futuro
Hoje – é tudo o que você tem.
O momento em que estás é único que podes desfrutar.
O amanhã? Bem, sorria e espere pelo nebuloso amanhã...
Suas alegrias... ou tristezas, ele mesmo trará... e...
A você, se adaptar, caberá.
Às vezes a vida é cheia de bobagem.
Chuva demais.
Estiagem.
Às vezes a vida é bem colorida...
Noutras... de um cinza opaco se veste a vida.
Há como adivinhar... o que o amanhã trará?
Não... nem cartas, nem búzios
E arte de adivinhar observando as serpentes –a Onicomancia –, que bela bobagem... a maior viagem...
De onde se tirou que se pode prever o destino de alguém pela observação das suas unhas – a Oniromancia?
Já houve outras mil maneiras de querer se adiantar... saber pelo que se vai passar...
E hoje, tal como em tempos passados, as pessoas, cada qual ao seu modo, têm necessidade de saber o que sucederá nas suas vidas.
Antigamente se recorria a uma grande variedade de objetos e situações, pra ‘descobrir’ o que trariam as novas estações....
E hoje?
Pelas cartas de Tarôt, astros, velas, números, búzios, moedas, runas, e pouco mais.
Podem eles predizer o que nos irá acontecer?
Eu... no presente sempre estou... o passado pra mim já passou... o futuro virá com o que tiver de vir....
A arte de adivinhar o futuro menos refinada, ou então mais oculta do que nunca!
Isso realmente não me ocupa a mente nunca...
Mas, se pra você, o futuro nas cartas pode ver... torço que só coisas boas veja acontecer 😉
Eh... Definitivamente, Ainda que tenhamos tudo em bons caminhos. Sem amor, Sem alguém ao nosso lado. Nada faz sentido!
É preciso entender aquilo que Deus nos fala, para tudo há um propósito; Quem tiver ouvidos, ouça. É tempo de adorar!
Apegue-se ao desapego de tudo aquilo que lhe faz mal. Não se perca em uma relação frustada, A felicidade existe e é acessível para todos; Valorize-se e serás valorizado!
Retirar-se
Se retirar por um instante
Até organizar a mente
Acalmar o coração
E tudo voltar pro devido lugar
Retirar-se, até se reencontrar
Pensei que você fosse meu...
uma esperança enorme
guardei no coração
mas foi tudo em vão.
Agora vejo o quanto você
me enganou,
o melhor do meu tempo roubou.
Hoje eu estava olhando o mar...
e me veio uma impressão
de que pra você o respeito é pura ilusão...
não existe de verdade,
e que você não conhece sinceridade...
Tudo bem você viver assim,
mas não faça com os outros
tamanha maldade...
O que faço
com tanto espaço
com tanto tempo
bem que tento
tudo completar...
mas há tanta vida a sobrar.
São 24 horas por dia
eu bem que podia
mais tarde acordar,
ou mais cedo dormir...
ou mesmo no espaço sumir...
Tantas dúvidas me assaltam,
não sei nunca o que fazer
acordar,
dormir,
desaparecer?
"Na dúvida, durma.,"
sem dúvida
é o melhor a fazer
Cartão de crédito
E assim a humanidade segue num mundo alienado de tudo... de todos... cada vez mais.
De olhos bem tapados pra não ser visto. De ouvidos bem tapados pra não ser ouvido. De mãos atadas pra tudo... pra todos... pra ter desculpa pra não fazer nada.
Os óculos bem escuros, o boné que cobre a visão, os fones nos ouvidos.... tudo pre-me-di-ta-do pra não ter que acenar a mão. Ah! e a música bem alta pra alienar a própria emoção.
Que mundo é este que está nos levando a total alienação? Cada um vai carregando sua vidinha muito alienada na própria mochila... num caminho que vai dar em nada... neste mundo que dá voltas e mais voltas... mas parece que está sempre parado.
E a síndrome do Fantástico? Amanhã você vai trabalhar de cara feia, num trampo que não gosta, que não lhe dá o menor prazer... por quê? Porque tem de sobreviver... alienado.
E o salário vai direto pra sua conta, porque pro empregador é melhor não olhar pra sua cara e ter de dar de cara com o que não é de sua conta... A conta é você quem vai pagar... com o cartão de crédito - pra não ter de fazer conta, pois o troco é de sua conta... e o credor pode não saber fazer conta e o troco errado dar.
E o salário dar conta é de sua conta...
So sorry :(
Tudo igual...
Os dias seguem todos iguais
anormais...
Um pouco de paz...
pouca paz,
depois falta paz.
Cada dia se encarrega
de a janela fechar
pra mais trevas não deixar entrar.
E a noite com seu manto escuro
cobre o dia,
com sussurros fica a suplicar,
‘por favor, não me deixe mais uma vez
sozinha na escuridão ficar’.
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