Tudo Oque eu Sentia Acabou

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O mundo e quase tudo que nele existe foi criado pela palavra…
Mas é pela ironia que ele quase sempre subsiste.


Quando a polarização, acompanhando a carruagem, se reinventou, essa corja convenceu parte do povo a se armar a pretexto de segurança para não perceberem que o chicote era a Bíblia mal-intencionada em suas mãos.


Não obstante, essa ironia, demonizaram a mídia só para monopolizar sua atenção.


Hoje elas não têm pauta mais relevante, senão dar palco para o encardido que arregimentou as almas “inocentes” para salvar o país, e nunca mais parou de tentar vendê-lo para se salvar.


O diabo é um gênio!⁠

Num mundo onde quase tudo pode ser dito, mas quase nada escutado — talvez o bom ou mau-humor seja nocivo aos Donos da Verdade que não conseguem se despir da Toga do Moralismo.


Onde se fala muito e ouve-se muito pouco — o ruído é constante, e o humor se torna muito perigoso.


Talvez o bom ou o mau-humor sejam nocivos apenas aos donos da verdade, esses que vestem a toga do moralismo como se fosse um escudo contra qualquer desconforto.


Não suportam o riso porque o riso desarma, não suportam a ironia porque ela revela, e não suportam o espelho que o humor, em sua essência, quase sempre oferece.


Enquanto o mundo se divide entre os que falam e os que reagem, o ouvir continua sendo o ato mais revolucionário — e o rir de si mesmo, o mais Libertador.


Pois, para os que não conseguem rir de si próprio, as palavras perdem o dom de tocar para alimentar o vício de ferir.

Aprendi que tudo feito com muito Amor e Carinho dá certo…


Inclusive Brigar!


É raro alguém conseguir Brigar com tanto Amor e Carinho, sem deixar o pincel cair de propósito — só para rabiscar o perdão no meio da discussão.


Porque certas brigas nascem apenas para nos lembrar que o Abraço é o ponto final mais bonito…


Os abraços grandes, os memoráveis, nascem das mãos livres… e dos corações presos — ao desejo de amar.


Com carinho — à prima, Elaine Ferreira.

⁠Acreditar em quase tudo é tão fácil quanto não praticar quase nada.

Aquietai o vosso coração, tudo que a Tempestade de Fora precisa — é saber o tamanho do Deus que vive nele.


Tenha fé, aquietai o vosso coração!


Porque, por mais que os ventos lá fora pareçam berrar tragédias e anunciar derrotas, eles, nada sabem sobre o tamanho do Deus que se levanta aí dentro.


A tempestade só mede forças com o que vê; nós, porém, só caminhamos sustentados pelo quanto cremos.


Aquietai o vosso coração!


A fúria do lado de fora só precisa descobrir que, dentro de cada um de nós, habita um Deus que não se intimida com ondas, nem se retrai diante de trovões.


Ele não entra em pânico, não se atrasa e nem negocia Sua soberania.


Aquietai o vosso coração!


Porque quando o interior se alinha à paz que vem do Alto, o exterior perde o direito de comandar o medo.


E a tempestade — por maior que seja — percebe enfim que jamais poderá derrotar um coração onde Deus faz morada.


Aquietai-o, portanto — não porque tudo está calmo, mas, porque Aquele que vive em nós, é infinitamente maior do que tudo que ousa rugir lá fora.


Assim seja, amém!⁠

⁠O gosto do medo: no hospital, onde quase tudo é pouco, o que sobra é o paladar da alma tentando resistir.


Talvez, se o medo tivesse gosto — doce ou salgado — ninguém se recuperasse dentro de uma unidade hospitalar.


Pois ele seria servido em pequenas doses, mas, com efeito, prolongado, impregnando até o paladar da alma.


Ali, onde quase tudo é pouco.


Pouco tempero na comida, pouca luz nas madrugadas intermináveis, pouca cor nos quartos e corredores que parecem sempre iguais…


Poucas palavras que confortam de verdade, pouca fé que não vacila, pouca esperança que não se cansa, pouca paciência para o tempo que insiste em se arrastar.


O que quase sempre sobra é muito medo.


Medo silencioso, aquele que não grita, mas pesa.


Medo que se senta ao lado da cama, observa os monitores e faz perguntas que quase ninguém se atreve a responder.


E ainda assim, é nesse cenário de escassez que alguns aprendem a respirar e resistir.


Porque, quando tudo falta, o pouco que resta — um gesto, um olhar, uma prece sussurrada — ganha um valor imenso.


Talvez seja assim que o medo não vence: não por desaparecer, mas por dividir espaço com aquilo que, mesmo raro, insiste em subsistir.

⁠⁠Num mundo onde quase tudo se polariza, são os asseclas que têm o líder que merecem, não todo um povo.


Pois, onde quase tudo se polariza, tornou-se muito comum culpar povos inteiros pelos desvarios de alguns.


É um erro bastante confortável, porém recheado de injustiça.


Povos são plurais, contraditórios, cheios de silêncios e consciências que não gritam.


Quem grita costuma ser minoria — mas faz barulho suficiente para parecer maioria.


Os Asseclas Apaixonados, esses sim, escolhem.


Escolhem seguir sem questionar, repetir sem compreender, defender sem ponderar.


Não são conduzidos apenas pela falta de opção, mas pela abdicação do senso crítico.


O líder que os representa não surge do nada: ele se molda à conveniência dos que preferem terceirizar o próprio juízo em troca de pertencimento.


Já o povo… o povo trabalha, sofre, discorda em silêncio, resiste como pode.


Nem sempre tem voz, nem sempre tem palco.


Generalizá-lo é repetir a injustiça que a polarização produz: reduzir a complexidade humana a rótulos fáceis.


Por isso, quando um líder se revela pequeno, autoritário ou ruidoso demais, não é todo um povo que ele traduz — são apenas os que o seguem de olhos fechados.


A Responsabilidade não é coletiva por conveniência; é individual por Escolha.


E é essa distinção que impede que a crítica vire preconceito, e que a lucidez se perca nos ruídos dos extremos.

⁠A súbita e idealizada paixão política
faz quase tudo descambar para o esvaziamento medonho
do debate público.


Não é a paixão em si que corrompe o diálogo, mas a forma descarada como ela se instala: rápida demais, inflamada e, sobretudo, impermeável.


Quando a política deixa de ser um campo de construção coletiva e passa a funcionar como extensão da identidade individual, qualquer discordância soa como ameaça — não a uma ideia, mas à própria pessoa.


Nesse ponto, o debate deixa de ser uma troca e se transforma em confronto.


A idealização cumpre um papel ainda mais sutil.


Ela simplifica o mundo, reduz complexidades e oferece narrativas muito fáceis, quase reconfortantes.


Há sempre heróis irrepreensíveis e vilões absolutizados.


Mas o preço dessa simplificação é alto demais: perde-se a nuance, a ambiguidade e, com elas, a possibilidade de compreender o outro.


Sem isso, não há debate — apenas reafirmação.


O esvaziamento do debate público já não acontece por falta de opiniões, mas pelo excesso de certezas.


Quando todos já chegam convencidos, o espaço comum deixa de ser um lugar de escuta e passa a ser um palco de monólogos simultâneos.


Argumentos são substituídos por rótulos, e a dúvida — elemento essencial do pensamento — passa a ser vista como fraqueza.


Talvez o desafio não seja conter a paixão política, mas desacelerá-la.


Permitir que ela amadureça, que conviva com a dúvida, que aceite a frustração.


Uma paixão que não precise ser absoluta para ser verdadeira.


Porque é nesse intervalo — entre convicção e a escuta — que o debate pode, enfim, voltar a existir.

⁠⁠Às vezes, tudo que precisamos para cairmos nos braços do Pai é só um
tombo bem tomado.


Há quedas que ferem o corpo, outras esmagam até o orgulho.


Algumas arrancam de nós aquilo que passamos anos tentando sustentar diante do mundo: a falsa sensação de controle, a autossuficiência, a ilusão de que conseguimos carregar a vida nos ombros sem precisar de ninguém.


E talvez seja justamente aí que muitos finalmente encontrem Deus — não no auge da própria força, mas no limite dela.


Porque, enquanto tudo parece funcionar, é comum confundirmos conquistas com capacidade absoluta, vitórias com invulnerabilidade e caminhos desbravados com mérito exclusivo.


Mas, quando a vida desaba, quando os planos falham, quando a dor atravessa as certezas e o chão desaparece sob os pés, há uma verdade difícil de ignorar: somos muito menores do que imaginávamos.


E é curioso como, muitas vezes, o colo de Deus só se torna perceptível quando todas as outras seguranças falham.


Não porque Deus precise da nossa dor para se aproximar, mas porque há barulhos dentro de nós que só o silêncio do sofrimento consegue interromper.


Há arrogâncias que só a queda desmonta.


Há corações tão endurecidos pela vaidade, pela revolta ou pela distração que apenas um tombo bem tomado é capaz de fazê-los olhar para cima novamente.


Ainda assim, até na queda existe graça.


Graça por permanecer vivo…


Graça por não enlouquecer…


Graça por encontrar amparo onde antes havia apenas desespero…


Graça por descobrir que Deus continua acolhendo até quem passou anos fugindo d’Ele.


Mas existe um perigo muito tentador depois do recomeço: transformar a misericórdia recebida em troféu pessoal.


Como se a restauração fosse um certificado de superioridade espiritual.


Como se Deus tivesse escolhido alguns por serem melhores, mais dignos ou mais especiais que os outros.


Quem realmente conhece a graça entende que ela não humilha os caídos para exaltar os restaurados.


Pelo contrário: ela lembra diariamente que ninguém se sustenta sozinho.


Por isso, testemunhar o bom e misericordioso Deus exigemuita honestidade.


Exige reconhecer que foi socorrido, não premiado.


Que foi alcançado, não priorizado.


Que o milagre não aconteceu porque havia merecimento suficiente, mas porque houve amor e misericórdia suficiente da parte do Pai.


E talvez uma das principais responsabilidades de quem foi levantado por Deus seja impedir que outros pensem que a fé é recompensa para perfeitos, quando na verdade ela sempre foi abrigo para necessitados.


⁠Que todos quantos experimentarem a graça de cair no colo de Deus sejam fiéis e leais o bastante — em atos e palavras — ao ponto de não deixar ninguém confundir graça com merecimento ou sorte!


Graça e Paz!

⁠Às vezes,
tudo que um idiota mais precisa é encontrar outro mais idiota para admirá-lo.


Talvez seja essa a engrenagem silenciosa de muitas ilusões.


A incompetência, quando encontra admiração cega, deixa de se perceber como limitação e passa a se fantasiar de genialidade.


O aplauso indiscriminado não corrige erros; apenas lhes dá palco.


O problema não está apenas em quem se considera acima de tudo e de todos, mas também em quem entrega sua admiração sem qualquer senso crítico.


Afinal, toda vaidade precisa de um espelho, e toda arrogância cresce quando encontra quem a testemunhe sem questionamentos.


Vivemos tempos em que a convicção costuma valer mais do que o conhecimento, e a popularidade frequentemente pesa mais do que a verdade.


Nesse cenário, pessoas despreparadas podem tornar-se referências simplesmente porque encontraram uma plateia ainda menos disposta a pensar.


Isso serve como um alerta para todos nós.


Antes de admirar alguém, vale perguntar se estamos reconhecendo virtudes reais ou apenas sendo seduzidos por discursos, carisma ou certezas vazias.


E, antes de buscar admiração, talvez seja mais sábio buscar autocrítica.


A verdadeira inteligência não precisa de bajuladores para existir.


Ela se fortalece no diálogo, aceita ser questionada e aprende com os próprios erros.


Já a tolice, quando encontra aplausos, costuma apenas fazer mais barulho.

⁠Na Seara Política, quase tudo que se diz em meio ao desespero é prosopopeia flácida para acalentar bovinos apaixonados.


Há momentos em que a política deixa de ser o território das ideias e passa a ser o palco das ilusões.


Quando os argumentos escasseiam, a realidade se torna incômoda e o futuro parece pouco promissor, surgem as palavras grandiosas, as promessas redentoras e as narrativas cuidadosamente embaladas para alimentar a esperança de quem já escolheu em que acreditar.


O desespero político tem uma característica muito curiosa: transforma desejo em previsão, torcida em certeza e discurso em suposta evidência.


O que deveria ser analisado com prudência passa a ser celebrado com euforia.


E quanto maior for a distância entre o que se deseja e o que os fatos permitem esperar, mais sofisticada precisa ser a retórica para preencher o vazio.


É nesse terreno miseravelmente fértil que prospera a prosopopeia flácida — frases que parecem profundas, metáforas que soam épicas e declarações que, examinadas mais de perto, não sustentam sequer o peso da própria linguagem.


Não se pretende convencer pela consistência; pretende-se acalentar.


Nem se busca esclarecer; busca-se manter acesa a chama da paixão.


Mas a política do espetáculo não deveria ser religiosamente recheada de resultados previamente escolhidos.


Democracia exige a capacidade — cada vez mais rara — de reconhecer que o adversário pode estar certo, que o aliado pode estar errado e que a realidade não se curva às nossas preferências.


O problema não está em ter esperança…


A esperança é uma virtude quando caminha ao lado da lucidez.


O problema começa quando a esperança precisa ser protegida dos fatos, quando qualquer evidência contrária é tratada como conspiração e quando o eleitor deixa de avaliar acontecimentos para simplesmente defender uma narrativa.


No fundo, toda paixão política desprovida de senso crítico corre o risco de transformar cidadãos em plateia e políticos em personagens.


E uma sociedade que troca reflexão por aplauso acaba acreditando não naquilo que é verdadeiro, mas naquilo que gostaria desesperadamente que fosse.


Talvez a maior maturidade política seja justamente esta: aprender a ouvir discursos inflamados sem se deixar incendiar por eles.


Porque, na política, nem toda frase de efeito anuncia uma vitória, nem todo discurso de esperança revela um caminho — às vezes, é apenas o desespero procurando palavras bonitas para não admitir que está perdido.

⁠Não
fique querendo dar conta de tudo, a ponto de não dar conta de você.


Há uma hora em que a gente precisa entender que ser forte também é saber parar.


Que responsabilidade não pode significar abandono de si mesmo.


E que não existe vitória em conseguir sustentar o mundo inteiro enquanto, por dentro, você desaba em silêncio.


A gente se acostuma a dizer “eu dou conta”, mesmo quando o corpo pede descanso, a mente pede silêncio e o coração pede colo.


Vai acumulando tarefas, problemas, expectativas e responsabilidades, como se admitir cansaço fosse sinal de fraqueza.


Mas definitivamente não é.


Você não precisa estar disponível o tempo todo.


Não precisa resolver tudo.


Nem precisa carregar sozinho aquilo que poderia ser dividido.


E, principalmente, não precisa se colocar sempre por último para provar que se importa com os outros.


Porque também é preciso cuidar de quem cuida.


Escutar quem sempre escuta.


Abraçar quem vive abraçando.


Perguntar “como você está?” para aquela pessoa que costuma responder “está tudo bem” antes mesmo de alguém perguntar.


Às vezes, a vida não está pedindo que você faça mais…


Está pedindo que você respire, desacelere e perceba que, enquanto tentava dar conta de tudo, talvez estivesse deixando de dar conta justamente daquilo que mais importa: você.


Então, se hoje estiver pesado demais, permita-se diminuir o ritmo.


Peça ajuda.


Diga não.


Descanse sem culpa.


Recomece quando puder.


Porque você não nasceu para ser uma máquina de resolver problemas.


Você também merece ser cuidado.


Se cuida!

⁠E se a
Finitude da Vida for aMoldura Invisível que valora tudo o que vivemos?


Talvez seja justamente porque a vida acaba que cada instante carrega algum valor.


Se tivéssemos tempo infinito, talvez os abraços pudessem esperar, os encontros poderiam ser adiados, os pedidos de perdão ficariam para depois e os sonhos jamais precisariam sair do papel.


A finitude nos lembra, e muito silenciosamente, que não existe um estoque ilimitado de manhãs nem amanhãs.


É ela que transforma um café com quem amamos em memória, uma conversa despretensiosa em lembrança, um olhar em saudade.


É porque sabemos que as pessoas podem partir — e que nós também partiremos — que certas presenças se tornam tão preciosas.


Estranhamente — aquilo que nos apavora — também pode nos ensinar a viver.


A consciência de que o tempo é limitado deveria nos tornar menos econômicos com o afeto, menos orgulhosos diante do perdão, menos preocupados em vencer discussões e mais interessados em não desperdiçar encontros.


Talvez viver bem não seja tentar encontrar uma maneira de escapar da finitude, mas aprender a fazer dela uma razão para estar inteiro no que ainda existe.


Porque, no fim, não é apenas a quantidade de tempo que valoriza a vida.


É a consciência de que ele não volta.


E talvez seja por isso que algumas coisas tão simples — um abraço demorado, uma mesa compartilhada, uma risada inesperada, um “eu te amo” dito sem esperar motivo — valham tanto.


A vida não precisa ser eterna para ser imensa nem intensa.


Talvez baste que, enquanto durar, a gente tenha coragem de realmente vivê-la.

Não somos nada do que juntamos, senão um pouquinho de tudo que consumimos e espalhamos.

Passamos boa parte da vida acumulando coisas: dinheiro, objetos, títulos, fotografias, propriedades, conquistas e até certezas.

Como se, ao juntar mais, pudéssemos construir uma versão mais sólida de nós mesmos.

Mas chega um momento em que percebemos que quase tudo aquilo que chamamos de patrimônio é apenas matéria esperando pelo tempo.

No fim, não somos a casa que construímos, mas as histórias que nela vivemos.

Não somos o veículo que conduzimos, mas os caminhos que percorremos.

Não somos os livros que compramos, mas aquilo que eles transformaram dentro de nós.

Não somos sequer aquilo que conseguimos guardar, mas aquilo que, de alguma maneira, fomos capazes de oferecer.

Somos um pouco de tudo que consumimos — das palavras que ouvimos, dos livros que lemos, das músicas que nos atravessaram, das conversas que nos fizeram pensar, das dores que nos ensinaram, dos afetos que nos deram abrigo.

Somos também um pouco das pessoas que encontramos pelo caminho, porque ninguém passa pela nossa vida sem deixar alguma coisa, ainda que seja uma ausência.

E somos, sobretudo, aquilo que espalhamos.

Um gesto de gentileza pode sobreviver à memória de quem o praticou.

Uma palavra pode acompanhar alguém durante muitos anos.

Um ensinamento pode continuar sendo repetido por quem um dia o recebeu de nós.

Até mesmo uma ferida pode ser uma herança quando não aprendemos a interromper o ciclo e continuamos espalhando aquilo que um dia nos machucou.

Talvez a verdadeira riqueza não esteja naquilo que conseguimos acumular, mas naquilo que conseguimos multiplicar.

Porque as coisas que guardamos terminam ficando para trás.

As coisas que compartilhamos continuam circulando.

O dinheiro pode mudar de mãos, os objetos podem mudar de dono, os títulos podem perder o brilho.

Mas aquilo que despertamos nas pessoas — um pensamento, uma coragem, um sorriso, uma esperança — pode continuar existindo muito depois de nossa passagem.

No final das contas, talvez viver seja exatamente isso: consumir o mundo com mais consciência e devolvê-lo um pouco melhor do que o encontramos.

Somos feitos do que recebemos, mas também do que devolvemos.

E, quando tudo o que juntamos deixar de nos pertencer, talvez reste apenas aquilo que fomos capazes de espalhar.

⁠O mundo e quase tudo que nele existe foi criado pela palavra… Mas é pela ironia que ele quase sempre subsiste.


Antes de ser matéria, quase tudo foi ideia.


Antes de ser gesto, foi intenção.


Antes de ganhar forma, alguém precisou nomear, imaginar, ordenar ou simplesmente dizer: seja.


A palavra tem esse estranho poder de inaugurar realidades.


Com ela fazemos promessas, construímos pontes, declaramos amores, iniciamos guerras, criamos leis e inventamos futuros.


Uma palavra pode levantar alguém do chão ou empurrá-lo ainda mais para dentro de si.


Pode aproximar desconhecidos, separar amigos e transformar um instante em memória.


Mas há algo curioso na condição humana: aquilo que construímos com tanta seriedade, frequentemente só consegue continuar existindo porque aprendemos a rir de sua própria seriedade.


É aí que entra a ironia.


A ironia talvez seja uma das formas mais sofisticadas de lucidez.


Ela nasce quando percebemos que o mundo raramente corresponde ao que dizemos sobre ele.


Falamos em justiça, mas almejamos privilégios.


Pregamos a tolerância, mas escolhemos cuidadosamente aquilo que estamos dispostos a tolerar.


Defendemos a verdade, desde que ela não contrarie aquilo em que já acreditamos.


E seguimos…


Talvez porque a ironia nos permita suportar essa distância entre o que somos e aquilo que gostaríamos de ser.


Rimos de nossas contradições porque, muitas vezes, levá-las inteiramente a sério seria insuportável.


O homem constrói monumentos à eternidade sabendo que morrerá.


Escreve declarações de amor como se o sentimento pudesse vencer o tempo.


Cria regras para organizar o caos e, logo depois, inventa exceções para conseguir viver dentro delas.


Somos criaturas paradoxais: precisamos acreditar nas palavras que criamos, mas também precisamos desconfiar delas.


Porque a palavra constrói, mas pode aprisionar.


Um nome transforma uma coisa em conceito.


Um conceito transforma-se em certeza.


E uma certeza, quando ninguém mais ousa questioná-la, pode se transformar em dogma.


Talvez por isso a ironia seja tão necessária.


Ela abre uma pequena fresta na parede das nossas certezas.


Não necessariamente para destruir aquilo que acreditamos, mas para lembrar que nenhuma construção humana deveria ser tão sagrada a ponto de não suportar uma pergunta.


A ironia nos sussurra: olhe novamente.


Olhe para aquilo que você chama de sucesso.


Olhe para aquilo que chama de fracasso.


Olhe para as convicções que herdou e que nunca examinou.


Olhe para as verdades que defende com tanta veemência — e pergunte se ainda acredita nelas ou apenas aprendeu a repeti-las.


Talvez a maturidade esteja justamente nesse movimento: continuar usando a palavra para construir, sem esquecer que toda construção humana é provisória.


Criamos o mundo quando falamos sobre ele.


Mas também podemos recriá-lo quando encontramos novas palavras para aquilo que antes parecia definitivo.


No fim, talvez a existência seja essa curiosa negociação entre a palavra e a ironia.


A palavra diz: “É assim.”


A ironia pergunta:“Será?”


E, entre as duas, nesse pequeno espaço aberto pela dúvida, talvez esteja aquilo que chamamos de liberdade.

⁠Acreditar
em quase tudo
é tão fácil quanto não Praticar
quase nada.


Afinal, entre o Discurso e a Atitude existe um abismo que muita gente atravessa diariamente sem sequer perceber.


Somos excelentes em defender ideias que não vivemos, em aconselhar caminhos que não percorremos e em professar verdades que desmentimos com nossas próprias escolhas.


A teoria nos torna sábios aos olhos dos outros; a prática nos revela quem realmente somos quando ninguém está olhando.


É muito confortável acreditar.


A crença não exige — necessariamente — transformação.


Podemos acreditar no amor sem amar de verdade, na justiça sem renunciar aos privilégios, na humildade enquanto alimentamos a arrogância e na empatia enquanto ignoramos a dor alheia.


Podemos defender a paz com palavras e promover guerras silenciosas com atitudes.


O pensamento aceita quase tudo, mas o caráter não se sustenta apenas com intenções.


Talvez seja por isso que existam tantas pessoas cheias de convicções e tão poucas dispostas a assumir as consequências daquilo que dizem acreditar.


Porque acreditar é, muitas vezes, apenas uma posição; praticar é um compromisso.


O primeiro pode ser declarado em público, enquanto o segundo se revela nos pequenos gestos, nas renúncias necessárias e nas escolhas que fazemos quando agir corretamente nos custa alguma coisa.


Há uma diferença enorme entre admirar uma virtude e incorporá-la à própria existência.


Uma coisa é reconhecer a importância da honestidade; outra é permanecer honesto quando a mentira parece mais vantajosa.


Uma coisa é falar sobre lealdade; outra é não abandonar ninguém quando a conveniência sugere o contrário.


É justamente nos momentos em que nossos princípios são colocados à prova que descobrimos se eles são genuínos ou apenas ornamentos.


No fundo, talvez não sejamos definidos por aquilo em que acreditamos, mas pelo quanto estamos dispostos a viver de acordo com nossas crenças.


Afinal, convicções sem atitudes são apenas pensamentos bem vestidos, e discursos sem coerência são promessas que nunca encontraram coragem para sair do papel.


A maturidade começa quando deixamos de perguntar apenas no que acreditamos e passamos a questionar o que nossas atitudes estão comprovando.


Porque não basta ter fé naquilo que é bom, justo ou verdadeiro; é preciso permitir que essa fé transforme a maneira como tratamos as pessoas, enfrentamos os conflitos e conduzimos a própria vida.


No fim das contas, não é a quantidade de verdades que falamos da boca para fora que revela a nossa essência, mas a presença delas em nossas ações; da boca para dentro.


Afinal, o mundo não precisa de mais pessoas que saibam explicar o que é certo.


Precisa de pessoas que tenham coragem de praticá-lo, sobretudo quando ninguém aplaude, quando ninguém observa e quando fazer o certo deixa de ser conveniente.


Porque acreditar pode ser uma escolha íntima, mas praticar é a prova pública, ainda que silenciosa, daquilo que realmente somos.

"A infidelidade é
o ingrato punhal
do hipócrita devastando
tudo ao seu redor."⁠

Tem dias em que tudo o que a alma pede é um pouco de silêncio, um lugar tranquilo e a liberdade de simplesmente existir, sem cobranças, sem pressa e sem culpa.

Traduzo o mundo em versos.
Vivo a minha vida assim.
Não tenho tudo o que quero,
mas tô trabalhando, sim
pra ver se o sol da fama
um dia vai brilhar pra mim.

Bom dia para todos !
Meu Amado Deus,desta vez não quero pedir ,quero apenas agradecer por tudo que tens realizado em minha Vida. Te Amo!
Vamos na caminhada com Deus pois sem Ele as pedras que servem de construção ,viram de tropeção 😉