Tristeza Passa

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morango.


Morango tem uma coisa curiosa, parece frágil, mas nunca passa despercebido.


Talvez seja a cor. Aquele vermelho vivo, quase exagerado, como se tivesse sido feito para chamar atenção mesmo quando está perdido no meio de tantas outras frutas. Talvez seja o contraste entre o doce e o azedo, entre aquilo que parece delicado por fora e aquilo que permanece na boca depois da primeira mordida.


Eu nunca gostei de morango.


E talvez seja justamente isso que torne tudo mais bonito.


Porque, antes de você, morango era só uma coisa que eu não gostava. Não fazia questão, não procurava, não sentia falta. Se estivesse na minha frente, provavelmente eu deixaria para lá.


Até você aparecer e, de algum jeito, me fazer gostar.


Não sei exatamente quando aconteceu. Talvez tenha sido aos poucos, como quase tudo que realmente muda a gente. Um dia eu provei. Depois outro. E, quando percebi, aquilo que antes eu não gostava já tinha se tornado uma das pequenas coisas que eu gostava.


E agora eu gosto de morango.


Só que existe um problema nisso.


Eu gosto de morango e lembro de você.


E talvez você tenha percebido hoje.


Ou talvez não.


Porque eu passei o dia inteiro falando de morango para você.


Morango pra cá.


Morango pra lá.


Uma hora era sobre comer morango, outra era sobre gostar de morango, outra eu simplesmente dava um jeito de colocar morango no meio da conversa.


E você não entendeu.


Achou que eu estava falando de morango.


E eu estava.


Mas não estava só falando de morango.


Esse era o jogo.


Você funciona assim pra mim, como o morango hoje.


E o morango?


Ai vem na cabeça o morango, falo sobre o morango, penso no morango, o morango hoje como foi pra você.


É como se o morango tivesse instalado numa parte lá, e fica chato, repetitivo, e porque você tá falando do morango o dia inteiro? porque você escreve sobre o morango o dia inteiro?
nem você mesma se fosse um morango iria querer ouvir falar do morango o dia inteiro.


Imagina como deve ser para as pessoas que me ouvem falar de morango.


A graça estava justamente em deixar a palavra passar pela sua frente o dia inteiro sem explicar por que ela estava ali. Eu queria ver se, em algum momento, você perceberia que eu estava tentando dizer alguma coisa sem realmente dizer.


Porque, para qualquer outra pessoa, era só uma fruta.


Para mim, era você disfarçada de fruta.


E talvez seja engraçado pensar que eu passei o dia inteiro te falando de morango sem falar de você nenhuma vez.


Ou melhor, falando o tempo inteiro.


Penso nas coisas que você gosta, nos pequenos detalhes que talvez nem perceba que deixou pelo caminho. Na maneira como certos sabores parecem ter sido feitos para você, nas pequenas preferências que foram ficando conhecidas por mim quase sem perceber.


E morango acabou entrando nesse lugar.


Talvez porque tenha a mesma contradição que você carrega. Uma coisa bonita, doce, quase delicada, mas que também sabe ser intensa. Que não precisa fazer esforço para ocupar espaço. Que basta aparecer para mudar alguma coisa ao redor.


E existe uma parte engraçada nisso tudo.


Porque eu posso olhar para um morango hoje e pensar que é só um morango. Posso cortar, comer, deixar de lado. Mas em algum momento vou lembrar que existe uma pessoa que fez aquela fruta significar alguma coisa diferente.


Você me fez gostar de uma coisa que eu nunca gostei.


E talvez você nem saiba o tamanho disso.


Porque algumas pessoas passam pela nossa vida e deixam fotos. Outras deixam frases. Outras deixam lugares.


Você deixou tudo isso, incluindo gostos novos.


Deixou pequenas preferências espalhadas em mim, como se tivesse colocado um pouco de você em coisas que continuam existindo mesmo quando você não está.


E talvez, se algum dia ler essas palavras, vá entender imediatamente.


Talvez você entenda e finalmente perceba que eu estava tentando te contar uma coisa.


Que quando eu dizia morango, eu queria que você pensasse em você.


Que quando eu insistia em morango, talvez estivesse esperando que você percebesse a coincidência.


Que eu nunca gostei de morango.


Mas você me fez gostar.


E agora eu gosto de morango.


E por gostar de morango, eu lembro de você.


Talvez seja justamente por isso que eu não precise dizer seu nome.


Porque morango já basta.


Você sabe.


Eu sei.


E, no fim, existem coisas que só fazem sentido para duas pessoas. O resto do mundo pode olhar e enxergar uma fruta vermelha, bonita, doce, comum.


Eu olho e vejo tudo aquilo que, de alguma maneira, ficou associado a você.


O gosto.


A cor.


As coisas que você gosta.


E aquela brincadeira que você não entendeu .


Talvez agora entenda.


Talvez tenha entendido e só tenha fingido que não.


Mas tudo bem.


Alguns jogos são melhores quando a outra pessoa demora para descobrir a resposta.


E a minha resposta foi simples:


morango.


Porque eu nunca gostei de morango.


Até você.


E agora, toda vez que eu gosto de morango, eu lembro de você.

Eu não pedi que você ficasse.
Há um momento exato em que o amor deixa de ser tragédia
e passa a ser apenas clima.
Como garoa em roupa esquecida no varal.
Como cheiro de cigarro preso no banco de um carro antigo.
Como aquela dor de cabeça que já não preocupa ninguém
porque aprendeu a morar no corpo.
Você arrumava as coisas lentamente
e eu pensei, com uma serenidade quase ofensiva:
ela finalmente cansou de mim.
Não de mim inteiro —
isso seria grandioso demais —
mas desse homem pela metade
que chega do hospital cheirando antisséptico e cidade,
que fala de literatura latino-americana
como quem tenta salvar alguma dignidade do mundo,
que coleciona moedas estrangeiras
porque nunca conseguiu pertencer completamente ao próprio país.
Escorei no Renault noventa e um.
O carro estalava baixo, esfriando o motor,
como um animal velho respirando durante o sono.
Acendi um tabaco ruim.
Misturei mate uruguaio no fumo.
Não por boemia.
Nem estética.
Por superstição.
Alguns homens rezam.
Outros adulteram o cigarro.
Você passou por mim sem dizer nada
e eu gostei disso.
As grandes despedidas são profundamente constrangedoras.
Ninguém deveria transformar amor falido em espetáculo.
Pensei em Manuel Bandeira olhando janela de pensão barata.
Pensei em Benedetti entendendo tarde demais
que Montevidéu sempre foi uma maneira elegante de sofrer.
Pensei em Clarice,
naquela coisa terrível dela de perceber a alma das coisas
até quando elas já estavam mortas.
E então percebi uma coisa pequena,
quase ridícula:
eu tinha sobrevivido tempo demais.
Sobrevivi aos problemas.
Às cobranças que pareciam ser infinitas.
À vergonha de pedir ajuda.
À escola sugando meus últimos gestos humanos.
À fumaça.
À exaustão.
À sensação humilhante de fracassar devagar.
Sobrevivi até mesmo à esperança,
o que talvez seja a forma mais adulta de tristeza.
Você abriu o portão.
O barulho do ferro ecoou na rua vazia
como ecoam certas decisões irreversíveis:
sem dramaticidade,
apenas definitivas.
Eu poderia dizer que ainda te amava.
Mas seria inútil.
O amor, às vezes, não acaba.
Ele apenas perde utilidade prática.
Então fiquei ali,
encostado naquele Renault cansado,
fumando um cigarro adulterado com erva estrangeira,
olhando você ir embora
como quem observa um país desaparecer pelo retrovisor.
Sem raiva.
Sem poesia suficiente.
Sem salvação.
Só aquela melancolia fronteiriça
dos homens que aprenderam tarde
que viver também é perder território.

A justiça começa quando a vítima deixa de ser apenas alguém que sofreu e passa a ser alguém cuja palavra importa.

"O imitador não passa de um parasita existencial incapaz de evoluir. Sua busca por vitórias comparativas serve apenas como um curativo provisório para a sangria do ego ferido, na vã esperança de que superar a sua marca apague o próprio vazio."

- Leandra Pinheiro

Tudo na mente é relevante. Nenhum pensamento passa sem fazer algo pro seu corpo.

Meu quarto enferruja, meus cigarros queimam e o tempo passa — mas alguma coisa em mim ainda se recusa a desaparecer

O Facebook não passa de um marketplace de demagogias, imposições e caos! É um cada um por si, numa terra sem lei!

A disciplina de cuidar da mente e manter o foco, é o que separa quem apenas passa o tempo de quem constrói o tempo .⁠

Momentos são oportunidades diárias de ter tudo aquilo que passa pela nossa mente. Talvez, quando vivemos na prática, seja um pouco diferente: às vezes melhor, às vezes pior. Talvez esse seja o grande mistério de viver: alinhar mente, espírito e a fragilidade da realidade.
Por: J. Leão

⁠o ser humano passa por muitas injustiças. Entre elas está a solidão.

⁠Só sabe o quanto dói aquele que passa pela dor.

O Novo Mundo não passa de um mar de promessas onde cada alma busca sua própria ilha, sem notar que o silêncio de Roanoke é o eco do nosso eterno desejo de desaparecer, apenas para recomeçar no instante em que nasce uma nova Virgínia.
Reno Fioraso

O tempo passa sem dor se dermos ao tempo uma estrada desimpedida. Levará ele mais tempo a passar na nossa ilusão de tempo, quando paramos tempo demais para pensarmos na vida.

A transcendência perde profundidade quando passa a depender de mediação obrigatória.

“O homem teme a morte, mas passa metade da vida fugindo da própria existência.”

O Estado começa quando a força deixa de pertencer ao indivíduo e passa a ser submetida a regras.

“O Direito começa a envelhecer quando passa a confundir tradição com verdade.”

“Toda democracia adoece quando a obediência passa a ser considerada uma virtude maior que a liberdade.”

"Quando o Direito deixa de limitar o poder, passa silenciosamente a trabalhar para ele.”

“A Justiça perde sua dignidade no instante em que passa a perguntar quem é o acusado antes de perguntar o que aconteceu.”