Triste Despedida
Aprecio histórias de terror porque é tão simples se reconhecer nelas: enfrentamos batalhas diárias para seguir vivos. Às vezes, somos agraciados com finais felizes... outras vezes, nem tanto.
Beira a insanidade.
Contorce-se, movimenta o corpo de forma estranha e incontrolável, como se não detivesse domínio sobre si.Espasmos súbitos, ligeiros.
Fita o vazio, os olhos vagam e a mente se perde em um vão de nada.
Tem derradeiras lembranças confusas e alusões sobre o porvir, mas sem conclusões.
Parece uma overdose espontânea, cuja causa é desconhecida, indefinida.
Todo o conhecimento adquirido obscurece-se de repente, esvai-se, adormece nos recônditos cerebrais.
Frequentes são os sintomas descritos acima. Beira a insanidade.
Talvez seja um dom: desprover-se da lucidez.
Talvez, no fim, enlouquecer seja o único jeito de sobreviver.
Não sabe o que dizer.
O coração queima e acelera. Os olhos estão lubrificados por um choro que não cessa.
A emoção faz os pelos dos braços e das pernas se arrepiarem, mas a boca permanece calada.
Som algum se atreve a sair dali.
A verdade é que o silêncio, ainda que nada atrativo por aqui, agora se faz dominante e, irresistivelmente, confortável.
Numa noite silenciosa ou numa tarde de céu cinzento, o coração de quem ama gatos sangra ao saber que existem inocentes sofrendo nas sombras. É então que desejamos um mundo onde a compaixão seja a regra, onde a bondade seja o caminho. Se as pessoas ruins se tornassem boas, talvez não houvesse mais lágrimas de dor. Essas imagens nos mostram o quão belo seria um mundo sem crueldade, onde os animais pudessem viver em paz, sem o peso da maldade humana.
Eu a amo, de verdade. Mas dentro de mim tem um turbilhão que ninguém vê: inseguranças, pressões, dúvidas, traumas, crises existenciais, ansiedade, e aquela sensação constante de não estar bem.
Sinto que não consigo ser o que ela merece. Que não estou inteiro o suficiente pra dividir a vida com alguém.
E justamente por amar tanto, achei melhor deixá-la ir...
Não por desistência. Mas porque arrastá-la para a bagunça que carrego seria egoísmo.
O fim não foi por falta de amor. Foi por consciência demais... Ou talvez, medo demais.
“O presente é tudo o que temos — por isso, viva, sonhe, ame… porque amanhã é promessa, mas hoje é a única certeza.”
Se até Jesus chorou (João 11:35), quem somos nós, meros mortais, para não chorar. Então, se tiverem tristes, chorem, pois é pior guardar do que soltar.
Agora parecem só lembranças vagas de momentos felizes há muito esquecidos, levados ao fundo do poço para não surgir mais tristeza ao lembrar que esses momentos já não voltam mais.
