Trechos de Livros
Rudy Steiner ficou com medo do beijo da menina que roubava livros. Devia ter ansiado muito por ele. Devia amá-la com uma intensidade incrível. Tanto que nunca mais tornaria a lhe pedir seus lábios, e iria para sua sepultura sem eles.
Coisas boas acontecem
Um dia nublado também vale
Um desafeto também faz parte
A zona de conforto te salva
Nem tudo é para ser levado a sério
Não é certo, mas no momento é o certo a ser feito
Já é tarde, mas pode ser refeito
"Só os bichos que precisam brigar pra ficarem vivos.
Os humanos, ao contrário, necessitam do convívio."
Da fábula "O Jogo dos Animais", de Sylvio Panza.
Tempo sem dinheiro = a falência... dinheiro sem tempo = estupidez... encontre o equilíbrio entre uma coisa e outra e dominará o segredo das finanças e da estabilidade confortável que todos almejam na vida.
A garota esquecida
Era uma menina?
Fazia a lição;
Era uma garota?
Passou na faculdade;
Era uma mulher?
Se casou e teve filhos;
Será que ela esqueceu?
Ou só não quer se lembrar,
de coisas desnecessárias,
Ou coisas não importantes,
Que não a interessem.
Ela faz isso de propósito?
E fica essa dúvida,
Que...
Nem mesmo ela pode responder?
Ou quem sabe ela sabe e não quer falar.
(autoral)
"Não se pode dar amor a quem se tira a liberdade."
Diálogo final entre um pássaro livre e outro engaiolado, na fábula "Sabia que o sabiá sabia assobiar?", de Sylvio L. Panza
Helen Palmer - uma Sombra de Clarice Lispector (PREFÁCIO)
Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977 – dez e meia da manhã. Quando – em decorrência de um câncer e apenas um dia antes de completar o seu quinquagésimo sétimo aniversário – a prodigiosa escritora Clarice Lispector partia do transitório universo dos humanos, para perpetuar sua existência através das preciosas letras que transbordavam da sua complexa alma feminina, os inúmeros apreciadores daquela intrépida força de natureza sensível e pulsante ficavam órfãos das suas epifânicas palavras, enquanto o mundo literário, embora enriquecido pelos imorredouros legados que permaneceriam em seus contos, crônicas e romances, ficaria incompleto por não mais partilhar – nem mesmo através das obras póstumas – das histórias inéditas que desvaneciam junto com ela.
Entretanto, tempos depois da sua morte, inúmeras polêmicas concernentes a sua vida privada vieram ao conhecimento público. Sobretudo, após ter sido inaugurado o Arquivo Clarice Lispector do Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB) – constituído por diversos documentos pessoais da escritora – doados por um de seus filhos. E diante de correspondências trocadas com amigos e parentes, trechos rabiscados de produções literárias, e algumas declarações escritas sobre fatos e acontecimentos, a confirmação de que entre agosto de 1959 a fevereiro de 1961, era ela quem assinava uma coluna no jornal Correio da Manhã sob o pseudônimo de Helen Palmer.
Decerto aquilo não seria um dos seus maiores segredos. Aliás, nem era algo tão ignoto assim. Muitos – principalmente os mais próximos – sabiam até mesmo que, no período de maio a outubro de 1952, a convite do cronista Rubem Braga ela havia usado a identidade falsa de Tereza Quadros para assinar uma coluna no tabloide Comício. Assim como já se conscientizavam também, que a partir de abril de 1960, a coluna intitulada Só para Mulheres, do Diário da Noite, era escrita por ela como Ghost writer da modelo e atriz Ilka Soares. Mas, indubitavelmente, Clarice guardava algo bem mais adiante do que o seu lirismo introspectivo. Algo que fugiria da interpretação dos seus textos herméticos, e da revelação de seus pseudos. Um mistério que a própria lógica desconheceria. Um enigma que persistiria afora dos seus oblíquos olhos melancólicos.
Dizem, inclusive, que em agosto de 1975, ela somente aceitou participar do Primeiro Congresso Mundial de Bruxaria – em Bogotá, Colômbia – porque já estava convencida de que aquela cíclica capacidade de renovação que lhe acompanhava, viria de um poder supremo ao seu domínio e bem mais intricado que os seus conflitos religiosos. Talvez seja mesmo verdade. Talvez não. Quem sabe descobriríamos mais a respeito, se nessa mesma ocasião, sob o pretexto de súbito um mal-estar ela não tivesse, inexplicavelmente, desistido de ler o verdadeiro texto sobre magia que havia preparado cuidadosamente para o instante da sua apresentação.
Em deferência aos costumes judaicos quanto ao Shabat, Clarice só pode ser sepultada no dia 11, domingo. Sabe-se hoje que o seu corpo repousa no túmulo 123 da fila G do Cemitério Comunal Israelita no bairro do Caju, Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. Coincidentemente, próximo ao local onde a sua personagem Macabéa gastava as horas vagas. No entanto, como quase todos os extraordinários que fazem da vida um passeio de aprendizado, deduz-se que Clarice tenha mesmo levado consigo uma fração de ensinamentos irreveláveis. Certamente, os casos mais obscuros, tais como os episódios mais sigilosos, partiram pegados ao seu acervo incriado, e sem dúvida alguma, muita coisa envolta às suas sombras não seriam confidenciadas. Como por exemplo, o verdadeiro motivo que lhe inspirou a adotar um daqueles pseudônimos (...)
Barroqueira do Agreste – Bahia
(Fevereiro de 1934)
A grande distância da realidade dos centros urbanos, longe de qualquer vestígio de progresso e imensamente afastada de tudo aquilo que poderia ser compreendido como civilização, Lea Leopoldina era mais uma pobre cambembe emprenhada, prestes a parir mais um predestinado sertanejo azarento. À sua volta, pouquíssima história para ser contada e nenhum tipo de adornos para enfeitar o seu xexelento pardieiro de barro batido: três cuias de água salobra, brotos de palmas estorricadas e um saco de farinha de mandioca dividiam o apertado espaço na mesa de madeira crua com sabão de sapomina, folhas de macambira e um desusado pilão emborcado numa arredondada bacineta de pedra, guardando ainda as raspas das rapaduras trazidas pelos mascates dos canaviais das circunvizinhanças.
Acima dos caibros e das varas que faziam a parede engradada de taipa, o maljeitoso telhado de ripas, com uma tira grossa de embira amarrada ao centro da cumeeira, segurava num só laço de nó um leocádio apagado bem na direção do velho fogão de lenha. E presa na memória dos seus parcos pertences espalhados naqueles quatro cantos de extrema vileza, a triste lembrança de seu companheiro: Nestor a tivera abandonado, inexplicavelmente, após tomar conhecimento da sua inesperada gravidez.
Do lado de fora, onde fumaça manava em vez de flores e onde nada germinava pelas estreitas fendas cravadas na superfície do chão estéril, pouca coisa sobrevivia da crueldade de uma duradoura estiagem. Rodeados por xiquexiques, quipás, seixos, pederneiras, juazeiros e mandacarus, formigas, besouros, calangos e lagartos escondiam-se num devastado matagal pálido e amortecido. Ao redor deles, pedregosas areias de rios secos, cisternas vazias, lavouras abolidas e ossos de animais mortos eram sobrevoados por outros tantos insetos invictos e descorados.
Caia mais um fim de tarde e o céu avermelhava-se por inteiro, levando consigo as minguadas sombras dos resistentes pés de umbu, jataí e jericó. Parecia mais um entardecer inexpressivo – como todos os outros marasmados e silentes daquele lugarejo fosco – não fossem aquelas repentinas vozes cantarolando mais alto que os cadenciados apitos das cigarras entocadas nos calhaus dos roçados e trauteando mais modestas que os finos gorjeios dos cinzentos pássaros que voavam rumo ao infindo horizonte de mato desbotado: "Nós somos as parteiras tradicionais que em grupo vamos trabalhar! Todas juntas sempre unidas, muitas vidas vamos salvar..." (Helen Palmer - Uma Sombra de Clarice Lispector (Capítulo 3).
Primeiros, as cores, depois os humanos.Em geral,é assim que eu vejo as coisas..Ou, pelo menos, é o que eu tenho
Pra que complicar?
Ser feliz é tão simples!
Nós mesmo somos culpados de nossa infelicidade,
Transformamos a vida em um labirinto sem saída, um quebra-cabeça onde a última peça nunca se encaixa, uma incógnita...
Essa vida é única...
Faça dela seu melhor momento...
Quantas oportunidades perdidas com a tristeza, fragmentando-nos, dispersando-nos, empobrecendo-nos, dividindo-nos em mil pedacinhos espalhados por aí sem identidade...
Volto a insistir – a atenção, a concentração e a alegria (grande afrodisíaco!) – misture tudo no nosso caldeirão e o resultado será uma BOMBA, pronta para explodir – há que espalhar seus estilhaços em forma de estrelas brilhantes e intensas como o sorriso escancarado e escandaloso de quem é FELIZ..
Venha comigo… Arrume a mala, coloque uma roupa confortável, prepare o serviço de bordo (aquele sanduíche básico, sucos e alguns docinhos), retoque ao espelho aquelas pequenas imperfeições, faça alguns telefonemas, vá até aquele baú de recordações, lembre pela última vez o que ele insiste em guardar e ao final se aventure gostoso pelo desconhecido...
Viver é tudo de bom!
Quando eu escuto uma musica eletrônica, eu penso alto, penso que tudo que eu passei um dia que foi triste, apenas reflito, pois a cada batida da musica só tem de acontecer alegria e felicidade!
Mantos, mentos, mintos e montos: são muitos
Eu sou feita de
pensa-mentos
Senti-mentos
Descontenta-mentos
Descobri-mentos
Conheci-mentos
Desaponta-mentos
Escondo tudo isso debaixo dos meus mantos,
mas não minto, só omito,
deles me visto, não me dispo.
Só aos prantos, me desmonto.
Seja LIVRE! Livre para fazer escolhas que não te acorrentem, livre para rejeitar o que faz mal, livre para ter opinião própria e não se guiar pelo pensamento alheio. Seja tão livre que não precise seguir a moda para se autoafirmar, livre para desenvolver autocrítica e ser capaz de questionar, seja livre para PENSAR! Falsa liberdade é aquela que te ilude com discurso de felicidade mas te prende aos vícios, te faz depender emocionalmente do outro, e rejeitar o que é naturalmente belo, então seja livre ao ponto de poder dizer NÃO! Ser livre não é apenas poder ser quem quiser, mas justamente poder escolher não ser diversas coisas. Seja livre para escolher a prudência, a justiça, a ética, a verdade, a fidelidade, livre para querer se aliançar a alguém e honrar seus compromissos. Ainda que a maioria te diga que ser livre é agir de forma inconsequente, seja livre também para não ser como a maioria!
Tinha mania de flor, se encantou por elas e não teve mais volta, em tudo procurava delicadeza, perfume e beleza. Sua forma de enxergar as pessoas também mudou, buscava perfume no outro, ainda que fosse sutil, é que preferia cavar para encontrar essência, a expor espinhos!
