Traição dos Sentimentos
se o seu amigo te trair esqueça ele como são esquecidas as coisas
perdidas é descarte-o como uma fruta podre
Amiga anaconda
Encantei-me por uma anaconda
Acabei por adotá-la
Alimentei-a com animais inofensivos
Vivos.
Com o tempo fui me aproximado
Toquei-a, escamosa e fria,
Grande, aconchegante,
Era tudo que eu queria.
Começamos as nos enroscar
Eram toques suaves sem malícias.
Nesses anos de convivência
Encontrávamos sempre a luz do dia.
Numa noite fria ela veio até a mim
Como o remanso de um rio arrefecido
Lento e vagaroso
Esfregando sua textura
Como um gato preguiçoso.
Deixei-a enrolar em meu corpo,
Que de mansinho sentia a suas carícias.
Fui sentindo-a bem devagar
E encontrei-me em ardilosa companhia.
Seu abraço estava ficando cada vez mais apertado
Meus pelos ficaram eriçados
Os ossos com uma sensação desagradável.
Ei! Amiga anaconda! Gritei!
Foi um lapso, não te alimentei.
E ela não perdoou
O meu engano involuntário
Pela falta de comida.
Os poemas não são seus
O meu descuido é um só...
Ao abrir meu correio eletrônico
Deparei-me com dois lindos poemas de amor,
Perdi-me por horas a fio.
Lembro-me a data, recente
20 de junho de 2014.
Foi um deleite e tanto
De minutos em pranto
A satisfação me dominou.
Os minutos pareciam horas
Dada a felicidade que me causou.
Até então, achei que era
Criação do remetente
Do homem que enviou.
Que ingenuidade a minha
De perder tempo nas entrelinhas
Dos poemas de amor.
Senti-me como uma goiaba madura
Que do alto se desprende
E se espatifa ao encontrar o chão.
A queda foi uma surra.
Um dos poemas da Lilian Menale de São Paulo
do Recanto das Letras
O outro da Gisela, dospoemasdagi.
Agradeço a essas senhoras
Que me afagaram por horas.
Portanto, me odeio tanto
De poder pensar um dia
Que pudesse tal criatura
Crocodilo parecendo emocionado
Que derrama lágrimas ao consumir suas presas,
Enviar-me poemas que fossem
De sua autoria.
E eu que fui pensar em como a pessoa teve coragem de me fazer mau assim, logo eu que só fiz bem a pessoa, descobrir que cada um dar o que é e isso não tem como esconder.
Carta de Desabafo
Você sabe… eu nunca pensei que precisaria escrever isso.
A gente abre a porta da casa, mas principalmente a do coração. Acredita, confia, entrega… E quando é amizade de verdade, não há medo, não há testes. Só que algo dentro de mim, não sei explicar, pediu silêncio e atenção. Então fiz algo pequeno — deixei um pote com dinheiro sobre a mesa. Saí cedo, como sempre, para comprar pão. Uma rotina comum… em uma casa que já não era só minha, era nossa.
E quando voltei, o pote tinha sido mexido.
Não foi só o dinheiro que sumiu. Foi a confiança que escorregou pelos dedos. Foi a imagem que eu tinha de você que desmoronou sem fazer barulho. No corredor, ouvi passos — passos que sempre reconheci, mas naquele dia soaram diferentes. Não eram de amigo. Eram de alguém que rastejava… como quem foge depois de fazer algo errado.
E ali, parado no meio da casa, eu entendi. E doeu.
Doeu mais do que eu esperava. Não pelo que foi levado, mas pelo que foi quebrado. E o pior… eu calei. Não disse nada. Decidi observar. Esperei. Mas cada dia que passou depois disso só afundou mais a mágoa dentro de mim. Porque o silêncio também fala, e o seu silêncio me disse tudo.
Fico aqui tentando entender: em que momento a amizade virou interesse? Quando foi que meu carinho virou descuido? Será que fui ingênuo? Ou será que você nunca esteve por inteiro?
Hoje eu escrevo não pra cobrar, nem pra confrontar. Escrevo porque preciso tirar isso de dentro de mim. Porque o que dói não é o que foi levado da mesa… é o que foi arrancado do meu peito.
Espero que um dia você entenda o peso do que fez. E que saiba: mesmo decepcionado, eu ainda torço pra que você aprenda. Porque quem trai por tão pouco… vive perdendo o que tem de mais valioso.
Mas eu? Eu sigo. Com menos gente por perto, talvez. Mas com mais verdade nos olhos.
— Hercules Matarazzo
Não se engane, todos sabem que você é infiel, apenas estão envergonhados demais por você para falar na sua cara.
Na minha queda, gravei na memória quem estendeu a mão e quem, com frieza, me empurrou ainda mais para o abismo.
Intuir a verdade dói
Desespera o coração
É uma triste sensação
De saber o que não sabe
Mas que é a pura a verdade
Intuição
Arma da cabeça que atira no coração
Que brota, que apodrece que entorpece
Intuição
Dizes que é exagero, coisas da minha cabeça
Dizes que não há com o que se preocupar
Quando intuindo estou sentindo, devagar e sempre toda traição
Droga de intuição
Sinto a verdade
E a dor que a precede
Intuição é para os sensíveis
Para os bons, para os puros
Que sentem o mundo
Para quem de fato merece…
Quando abaixo a guarda é por que quero saber se quem está perto de mim é confiável, mas não se engane, sou MUITO bom em esquivar-me nessa condição e obviamente não ser atingido. Você ficará exposto...
TRAIÇÕES JUSTIFICADAS
Não dá para entender teu novo jeito
de demonstrar-me amor. Ele não tem
qualquer sentido dentro do conceito
do que é, a meu ver, amar alguém.
Quando contigo em nossa cama deito,
sempre espero o carinho que não vem,
e em conjunção carnal fico sujeito
ao básico, privado de ir além...
Sinto-me insatisfeito, mas me aguento,
fingindo crer ainda em teu amor,
e apesar desse teu comportamento
frígido, poucas vezes te traí
para buscar em outras o fervor
que não me deixas mais achar em ti.
"Quanto à 'raça cornuda' (como dizem por ai), é preciso refletir sobretudo o seguinte: não existe, que eu saiba, um 'chifrudo' ou uma 'chifruda' sequer sem que antes exista, de um lado ou do outro, um autêntico ou uma autêntica canalha."
A falsidade é apenas um pequeno reflexo do mau-caratismo. Não há por que se surpreender. Faz parte da conduta de qualquer mau-caráter mesquinho, invejoso e infeliz, é coisa esperada.
É fácil culpar quem explode em gritos, mas quem destila seu veneno em silêncio quase sempre passa por inocente. Assim como a cobra, que não avisa antes de atacar.
Mágoa
Quebrou-se em mim
Um coração cheio de dúvidas
Que se estendeu pelos tendões
Pelas mãos, pelos pés, pelos sapatos e luvas
Tentei curar, tentei conter
Mas um organismo foi formado
Um instinto de defesa
Que me pergunta o que devo fazer
Eu tento. Tento viver, tento acreditar
Eu tentei, tentei de tudo que é jeito
Mas algumas coisas morrem por completo
Quando morrem dentro do peito
Enguiço
Talvez ninguém saiba e ninguém imagine
Mas eu ainda não sei lidar com isso
Infelizmente pra mim e pra muitos
Morreu em mim parte do meu compromisso
Eu sei, era pra eu saber
Era pra eu viver
Era pra eu superar
Mas confesso que me tornei um pouco omisso
Não mais sinto, se sinto não demonstro
Se demonstro, evito demonstrar por completo
Tenho medo de apegar em alta velocidade
E me deparar com um novo precipício
Todos dizem que isso é passageiro
Eu também acho que é
Mas espero que chegue logo essa passagem, pra bem longe
Pra esse tal enguiço
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