Todo Sopro que Apaga uma Chama Reacende
Nada será como antes — nem mesmo os nossos pensamentos. A cada piscar de olhos, surge uma nova perspectiva, um novo cenário, uma nova emoção.
Chegar ao ponto mais alto de uma jornada exige silêncio da alma, esforço do corpo, persistência do espírito e a coragem de se transformar.
Minhas palavras
Minhas palavras são apenas uma fração do que realmente é.
Elas enumeram um pedaço da minha história.
Meus sonhos nada mais são que meras
Loucuras dentro da madrugada.
O que eu quero dizer, na verdade,
Está muito além do que realmente é.
São palavras aleatórias que precisam
Ser unidas para formar as frases.
Que preciso te dizer.
Nem sei se serão decifradas, entendidas
Sei apenas que elas movimentam o momento.
É preciso entrar no mesmo mundo,
É preciso se desfazer em partículas,
É preciso se desligar como se desliga um interruptor,
Uma máquina, um simples fechar de olhos.
Minhas palavras são uma porção de magia
Misturadas dentro de um recipiente.
É preciso mexer para que elas comecem a se formar
E nos dizer o que queremos entender.
O coração de uma mãe possui o abrigo de que um filho precisa. Agiganta-se pela forma como acolhe e imensurável pela dimensão do amor que carrega.
O poder de uma mãe é tão influente quanto um rio que corre em direção ao mar, até tornar-se um só com ele.
"Voluntários...
Me recordo que era uma data especial
Celebrava-se, valioso e timidamente
O Dia do Voluntariado
Passei com alegria aquele meu dia
Sempre fui voluntário em causas sãs
Minimamente observadas por muitos
Abrangentemente alardada por outros
Mais, jamais pela sede de nomeada
28 de Agosto: Poderia dar certo a intenção
Dos desafortunados receberem ajuda
De um abraço fraterno a um cobertor
Ou um pouco de alimento que aplacasse a dor
Do cadeirante em situação de abandono
Ao tetraplégico, nada lhes faltavam
Mesmo que absortos em desilusões
Cada ser era a alegria de um universo de ações
E é disso que os voluntários são "construídos"
Desejos de bem, compreensões e entregas
Querubins sem asas, ferramentas de amor
Anônimos a colorirem vidas desbotadas... sem cor
A internet aboliu muitas distâncias geográficas, mas criou uma nova fronteira jurídica: a distância entre estar conectado e ser reconhecido.
Olhe para o fundo do seu coração e pergunte-se se vale a pena trocar a paz de uma consciência limpa por migalhas de maldade que só trazem ruína para a vida de quem cruza o seu caminho.
Estamos vivendo os destroços de uma sociedade que vendeu a alma ao ódio, chutou o amor para longe e escolheu caminhar de mãos dadas com a ruína absoluta.
Seja uma pessoa compreensiva o bastante para saber, inclusive, como e quando dizer 'não' — ou 'foda-se'.
Você nunca foi uma tela em branco. Desde o primeiro conceito que compreendeu acerca do mundo, cada experiência inscreveu traços que não se apagam. Você é acúmulo — de memórias, padrões, cicatrizes, insights. É, ao mesmo tempo, uma obra feita e inacabada.
O que realmente temos? Alguns microssegundos do presente e uma infinidade de passados alojados numa mente viciada em prever.
Horda Do Caos
De uma garota que ouvia musicais coloridos a um verme que é o arauto punk da desilusão e do sofrimento.
Minha alma anda parecendo o verme mais sangrento desta instituição.
O espírito sacode e treme.
Veja que lindo, veja o que você romantiza...
Como se eu estivesse à margem da sociedade, em uma rua suja e movimentada. Grafites e eu, de mãos juntas, implorando pela dignidade empática.
Do caos da matéria,
da consciência coletiva amaldiçoada: ponham as rotas em fuga, ou girem em um círculo que engole a própria cauda.
- Ramile Godon
AMAMOS, MESMO SABENDO QUE UM DIA SERÁ SAUDADE
Talvez uma das maiores coragens humanas seja amar sabendo que podemos perder. Sabemos disso desde o princípio, embora quase nunca tenhamos coragem de dizer em voz alta. Quem chega pode partir. Quem abraçamos hoje talvez amanhã exista apenas na memória. A voz que agora escutamos poderá um dia transformar-se em lembrança, e aquele rosto que conhecemos de olhos fechados talvez passe a habitar somente o território silencioso da saudade. Mesmo assim, amamos.
E talvez seja justamente nisso que o amor revele sua grandeza.
Porque amar nunca foi possuir. Possuir é desejar permanência; amar é compreender a impermanência e, ainda assim, permanecer enquanto for possível. Há uma espécie de loucura consciente no amor: entregamos partes de nós a pessoas que o tempo não prometeu conservar. Construímos casas sabendo que envelhecerão, fazemos planos sabendo que a vida poderá interrompê-los, criamos lembranças sabendo que algumas delas um dia doerão. Beijamos como se houvesse eternidade, embora saibamos que somos feitos de tempo.
E por que fazemos isso?
Porque talvez o contrário da perda não seja a permanência. Talvez seja nunca ter amado.
Quem tenta proteger-se de toda perda precisa proteger-se também de todo vínculo. Para jamais sentir saudade, seria necessário jamais ter alguém de quem sentir falta. Para nunca sofrer uma despedida, seria preciso nunca experimentar verdadeiramente um encontro. Para impedir que o coração se parta, teríamos que impedir também que ele se abrisse. E que espécie de vida seria essa?
Talvez seja por isso que o amor seja tão profundamente humano. Ele não exige garantias para existir. Ama-se sem contrato com o amanhã. Ama-se uma mãe sabendo, ainda que não queiramos pensar nisso, que um dia seu abraço poderá nos faltar. Ama-se um companheiro sabendo que nenhuma promessa pode derrotar completamente o tempo. Amam-se os filhos sabendo que eles crescerão, partirão e construirão caminhos onde talvez já não sejamos presença cotidiana. Amam-se amigos sabendo que a vida espalha pessoas por cidades, distâncias e destinos diferentes. Ainda assim, continuamos dizendo: fique. Venha. Sente-se ao meu lado. Conte-me sobre seu dia.
Isso é extraordinário.
Talvez Viktor Frankl estivesse certo ao perceber no amor uma das grandes possibilidades de sentido da existência. E talvez C. S. Lewis também compreendesse que amar nos torna vulneráveis justamente porque aquilo que realmente importa pode ferir-nos quando desaparece. Não existe amor profundo completamente protegido da dor.
Por isso não considero a saudade uma inimiga do amor.
A saudade é uma de suas consequências.
Só sentimos profundamente a ausência daquilo que um dia teve presença dentro de nós.
E há algo ainda mais difícil de aceitar: às vezes perderemos tudo.
Perderemos juventude, lugares, objetos, certezas, pessoas. Um dia outros entrarão nas casas onde vivemos. Nossos passos desaparecerão dos corredores. Nossos nomes serão pronunciados cada vez menos. O tempo continuará fazendo aquilo que sempre fez: passando.
Mas existe uma pergunta que o tempo não consegue responder por nós:
enquanto tivemos, nós amamos?
Talvez essa seja uma das poucas perguntas verdadeiramente importantes.
Não quanto acumulamos.
Não quanto conseguimos preservar.
Não quantas vezes vencemos.
Mas quanto estivemos presentes enquanto aquilo que amávamos ainda estava diante de nós.
Porque existe uma tragédia maior do que perder: perceber tarde demais que tivemos alguém ao nosso lado e não soubemos estar ali. Guardamos palavras para depois. Adiamos abraços. Economizamos “eu te amo”. Deixamos para amanhã uma conversa que pertencia a hoje, como se tivéssemos recebido alguma garantia secreta de que o amanhã nos seria concedido.
Não recebemos.
E talvez seja justamente por isso que o amor seja urgente.
Não uma urgência desesperada, mas consciente. A consciência de olhar demoradamente para quem amamos. De escutar um pouco mais. De perdoar quando for possível. De dizer aquilo que precisa ser dito enquanto ainda existem ouvidos para ouvir. De abraçar enquanto ainda existem braços capazes de nos devolver o abraço.
Amar é aceitar silenciosamente uma verdade terrível e maravilhosa:
isto pode acabar.
E, em vez de fugir por causa disso, aproximar-se ainda mais.
Talvez a grandeza do amor não esteja em vencer o tempo.
Talvez esteja em dar sentido ao tempo que nos foi dado.
Porque no final talvez percamos muitas coisas que julgávamos nossas.
Mas aquilo que verdadeiramente amamos terá participado daquilo que nos tornamos.
E então compreenderemos que algumas pessoas podem partir de nossas mãos sem jamais partir completamente de nossa existência.
Elas permanecem na maneira como falamos, nas coisas que aprendemos, nos gestos que repetimos sem perceber, nas histórias que contamos, nas músicas que ainda nos comovem, nas palavras que herdamos e até naquele silêncio inexplicável que às vezes chega quando uma lembrança atravessa o coração.
Talvez seja isso que reste quando tudo parece perdido.
Não a posse.
Não a presença.
Mas a transformação.
Amamos alguém e nunca mais somos exatamente a mesma pessoa.
Por isso continuamos amando, mesmo sabendo que um dia poderemos perder aquilo que amamos.
Porque a alternativa seria atravessar esta breve existência intactos, protegidos e vazios.
E talvez a maior derrota de uma vida não seja terminar com o coração marcado pelas pessoas que amamos.
Talvez seja chegar ao fim com o coração perfeitamente inteiro porque nunca tivemos coragem de entregá-lo.
Se uma das partes não atende aos desejos sexuais do cônjuge, a outra parte deve ceder a vontade do outro, de modo que prevaleça entre ambos, o senso, o equilíbrio e o respeito.
Eu sei que o sangue foi derramado e o preço foi pago. Por isso, quero uma vida de verdade — e consumir o meu próprio assombro.
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