Todo Sopro que Apaga uma Chama Reacende

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silver lining

Dizem que existe uma estrada no interior da Inglaterra onde os postes de iluminação foram instalados próximos demais uns dos outros. À noite, quando um carro atravessa aquele trecho em alta velocidade, as sombras passam pelo para-brisa como os quadros de um filme antigo. Luz. Escuro. Luz. Escuro. Rápido o suficiente para enganar os olhos, lento o bastante para deixar a imaginação terminar o que não viu.

Foi ali que um velho frentista começou a notar um carro preto passando todas as madrugadas exatamente no mesmo horário.

Nunca abastecia.

Nunca diminuía a velocidade.

Nunca parava.

Apenas cruzava a estrada, desaparecia na curva e voltava quarenta minutos depois, percorrendo o caminho inverso como se procurasse alguma coisa que insistia em escapar.

Na décima segunda noite, a curiosidade venceu.

Quando o carro finalmente encostou, o motorista desceu sem desligar o motor. Não parecia cansado. Parecia perseguido. Os olhos não olhavam para o posto, nem para o velho, nem para a estrada. Permaneciam presos ao retrovisor, como quem espera que alguém apareça a qualquer instante.

O frentista perguntou se havia algum problema.

O homem demorou para responder.

Depois sorriu de um jeito estranho.

“Você já passou tanto tempo procurando uma pessoa que começou a esquecer o rosto dela?”

O velho riu, acreditando que fosse uma piada.

Mas o motorista continuou.

“No começo você procura porque sente falta. Depois procura porque precisa de respostas. Depois porque acredita que ainda existe alguma coisa esperando para ser resolvida. E, quando percebe, já não está procurando a pessoa. Está tentando encontrar a versão de si mesmo que existia quando ela ainda ocupava aquele lugar.”

O posto ficou silencioso.

Só o som do motor preenchia o espaço entre os dois.

O frentista olhou para a estrada vazia e perguntou por que ele simplesmente não desistia.

O homem encarou o asfalto iluminado pelos faróis.

“Porque a dúvida é muito mais resistente do que a ausência.”

Naquela noite, depois que o carro desapareceu outra vez, o velho não conseguiu esquecer aquelas palavras.

Dias depois, passou a reparar melhor nas pessoas que apareciam para abastecer.

Havia casais que conversavam sem escutar um ao outro.

Gente que desbloqueava o celular a cada poucos segundos, esperando uma mensagem específica entre centenas de notificações inúteis.

Pessoas que juravam ter seguido em frente, mas ainda sabiam de cor o caminho até a casa de alguém que não viam havia anos.

Foi então que compreendeu uma coisa curiosa.

O amor raramente termina quando a presença acaba.

Ele termina quando a possibilidade morre.

Enquanto existir uma única fresta por onde a imaginação consiga escapar, a mente fará dela uma porta.

Porque ela odeia finais.

Prefere inventar universos inteiros sustentados por uma única pergunta sem resposta.

“Será que…”

É impressionante a força dessas duas palavras.

Elas transformam desconhecidos em fantasmas.

Silêncios em promessas.

Coincidências em destino.

Fazem alguém dirigir centenas de quilômetros por uma estrada onde sabe que não encontrará ninguém, apenas porque uma parte da consciência se recusa a aceitar que algumas histórias não acabam com uma explicação, mas com um eco.

Anos depois, fecharam o posto.

Construíram uma rodovia mais moderna alguns quilômetros adiante, e a velha estrada foi lentamente esquecida. A vegetação tomou conta do acostamento, os postes enferrujaram e o asfalto começou a rachar como uma fotografia antiga.

Ainda assim, em certas madrugadas, moradores da região juram ouvir um motor atravessando a escuridão.

Não dizem que veem o carro.

Dizem apenas que escutam.

Como se algumas buscas sobrevivessem ao próprio viajante.

Talvez porque existam perguntas que nunca quiseram uma resposta.

Elas apenas precisavam de alguém disposto a continuar dirigindo.

E talvez seja esse o truque mais cruel da mente humana: convencer alguém de que está perseguindo outra pessoa, quando, na verdade, passou a vida inteira correndo atrás da única coisa que jamais conseguiu possuir completamente.

A certeza.

íbis 458

Se existisse uma rachadura no tempo, ela não teria o formato de um portal. Teria o formato de uma chave de hotel.

Não importava quantas cidades existissem, quantos anos tivessem passado, quantas pessoas tentassem convencê-lo de que seguir em frente era a única direção possível. Havia uma porta que continuava respirando dentro da memória.

Era um número comum para qualquer recepcionista. Um quarto qualquer, num corredor qualquer, de um hotel que provavelmente já havia trocado os carpetes, repintado as paredes e substituído os colchões. Mas para ele, aquele número havia deixado de ser arquitetura. Tinha se tornado religião.

Às vezes acordava no meio da madrugada convencido de que tudo aquilo era um erro de cálculo.

Talvez tivesse digitado a sequência errada na vida.

Talvez o destino não fosse uma linha, mas um elevador. E ele apenas apertara o andar errado.

Então imaginava.

E se, em vez de voltar ao 505…

…eu voltasse ao 458?

Talvez fosse ali.

Talvez fosse aquele o quarto que o universo escondera para quem insistia demais.

Na fantasia, ele atravessava o lobby sem dizer uma palavra. O cheiro do carpete era o mesmo. A máquina de gelo fazia o mesmo ruído distante. O elevador subia lentamente, como se cada andar pesasse uma década inteira.

Quarto andar.

Corredor silencioso.

A mão tremia sobre a maçaneta.

Nunca era a coragem que faltava.

Era o medo de descobrir que a esperança também envelhece.

A porta cedia devagar.

O quarto permanecia mergulhado numa penumbra azul, iluminado apenas pela luz da cidade atravessando as cortinas.

Duas possibilidades existiam.

Na primeira, o frio.

Uma cama perfeitamente arrumada.

O travesseiro intacto.

Nenhuma mala.

Nenhum perfume perdido nas fibras do lençol.

Só o ar parado de um lugar onde ninguém esperou por ninguém.

Era ali que ele compreendia que alguns lugares continuam existindo apenas porque alguém insiste em carregá-los por dentro.

Na segunda…

Ela estava sentada na beira da cama.

Como da última vez.

Os pés descalços tocando o carpete.

As mãos apoiadas sobre o colo.

Nem surpresa.

Nem felicidade.

Como se nunca tivesse ido embora.

Como se o tempo tivesse esperado apenas por ele.

Ela levantava os olhos.

Sorria daquele jeito pequeno que sempre parecia pedir desculpas ao mundo por existir.

E perguntava, quase rindo:

Demorou tanto assim?

Era sempre nessa hora que o delírio começava a ruir.

Porque ele nunca conseguia responder.

Não por falta de palavras.

Mas porque compreendia, por um instante cruel, que não era ela quem estava presa naquele quarto.

Era ele.

Ela permanecia exatamente igual porque a memória não envelhece.

Quem voltava diferente era sempre o homem diante da porta.

Mais cansado.

Mais vazio.

Mais cheio de discursos que jamais teria coragem de dizer.

Ele caminhava até ela.

Queria tocá-la.

Queria confirmar que alguns milagres ainda obedeciam à física.

Mas quanto menor ficava a distância, mais ela parecia feita da mesma matéria dos sonhos que esquecemos ao abrir os olhos.

Ela desfazia primeiro nas mãos.

Depois no rosto.

Depois na voz.

Até sobrar apenas o quarto.

Silencioso.

Frio.

Absolutamente vazio.

Foi então que compreendeu a crueldade da mente.

Ela não quer voltar ao passado.

Ela fabrica um passado que nunca existiu exatamente daquela forma, só para continuar tendo para onde fugir.

O quarto nunca foi o problema.

Nem a cidade.

Nem o hotel.

Era a esperança infantil de acreditar que existe um número certo capaz de devolver uma versão perdida de alguém.

Ele fechou a porta pela última vez.

Não porque tivesse deixado de amá-la.

Mas porque finalmente percebeu que nenhum corredor leva de volta para pessoas que só continuam vivas dentro da memória.

E enquanto caminhava em direção ao elevador, sorriu de um jeito estranho.

Como quem aceita que alguns endereços não pertencem aos mapas.

Pertencem apenas aos delírios de homens que, durante tempo demais, confundiram saudade com destino.

benta

Existe um tipo de pessoa que não entra na vida dos outros.

Ela inaugura uma estação.

Antes dela, os dias acontecem como um inverno comprido. As árvores continuam de pé, os carros continuam passando, o relógio continua cumprindo sua obrigação de girar. Mas existe uma diferença silenciosa entre viver e apenas sobreviver. Quase ninguém percebe até encontrar alguém capaz de acender as luzes de uma casa que sempre esteve habitada por sombras.

Foi assim que conheci Benta.

Os olhos mais sinceros que já presenciei em 26 anos de vida.

Bonitas eram as coisas que aconteciam perto dela.

O café parecia mais quente.

As ruas pareciam menores.

Os silêncios deixavam de ser um lugar de abandono para se tornarem um idioma que duas pessoas podiam dividir sem medo.

Ela carregava uma estranha habilidade de fazer o mundo perder o excesso. Como se passasse as mãos sobre a realidade e retirasse todo o ruído que sobrava entre um coração e outro.

Algumas pessoas chegam oferecendo promessas.

Benta oferecia paz.

E isso era infinitamente mais perigoso.

Porque promessas quebram.

Paz vicia.

Passei tempo demais acreditando que anjos tinham asas.

Depois percebi que talvez eles apenas saibam permanecer quando ninguém mais consegue.

Ela nunca precisou salvar ninguém de incêndios, tempestades ou guerras.

Bastou existir.

Há pessoas que nos dão conselhos.

Outras nos dão coragem.

Ela me devolveu uma versão de mim que eu desconhecia.

Na presença dela, eu não precisava fingir ser forte. Não precisava vencer discussões imaginárias, provar inteligência, esconder as rachaduras ou construir personagens. Pela primeira vez, existir parecia suficiente.

E isso me assustava.

Porque quando alguém nos enxerga sem as armaduras, sobra apenas a responsabilidade de não ferir aquilo que finalmente encontrou descanso.

Nem sempre consegui.

É estranho perceber que o amor também pode carregar culpa.

Não aquela culpa dramática dos romances.

Uma culpa silenciosa.

A de olhar para trás e pensar que algumas mãos aparecem apenas uma vez na vida para nos tirar da água.

E nós, ainda aprendendo a respirar, acabamos soltando exatamente a mão que nos mantinha na superfície.

Às vezes imagino que Deus distribui milagres de maneira discreta.

Não em igrejas.

Não em profecias.

Mas em pessoas.

Pessoas que aparecem sem anunciar a própria importância.

Que entram pela porta como qualquer outra.

Que riem de coisas pequenas.

Que bagunçam os cabelos com o vento.

E só depois de irem embora revelam que sustentavam um universo inteiro sem nunca terem dito uma palavra sobre isso.

Benta era assim.

Nunca precisou dizer que era luz.

A escuridão fazia esse trabalho por comparação.

Existe uma rua dentro da memória onde ela continua caminhando.

Não envelhece.

Não se despede.

Não pede que eu a siga.

Apenas continua andando, enquanto tudo ao redor floresce com a delicadeza de quem nunca soube que estava realizando um milagre.

Talvez seja por isso que algumas lembranças doam tanto.

Não sentimos falta apenas de uma pessoa.

Sentimos falta daquilo que éramos quando alguém nos fazia acreditar que o mundo ainda tinha um lugar reservado para a esperança.

Benta nunca foi uma casa.

Casas podem ser reconstruídas.

Ela foi horizonte.

Você pode atravessar continentes inteiros, aprender novos idiomas, dormir em outras camas, conhecer outros rostos.

Ainda assim, em algum momento do dia, seus olhos procuram exatamente aquela linha distante onde o céu parecia tocar a terra.

E então você entende.

Existem pessoas que passam pela nossa vida para serem amadas.

Outras, para serem esquecidas.

Mas há uma categoria infinitamente mais rara.

Aquelas que nos libertam de nós mesmos.

Que chegam quando tudo dentro parece um labirinto sem saída e, sem perceber, derrubam uma única parede.

Não mostram o caminho.

Elas se tornam o caminho.

E mesmo quando já não estão mais ali, seguimos andando por causa da direção que deixaram.

É por isso que nunca consegui pensar em Benta como uma ausência.

Ausências pertencem ao tempo.

Ela pertence ao que existe antes das palavras.

Àquela sensação inexplicável de encontrar abrigo sem precisar entrar em lugar algum.

Se algum dia me perguntarem qual foi o melhor sentimento que experimentei, não responderei com felicidade.

Felicidade é breve.

Direi que, por um instante impossível da vida, conheci alguém cuja simples existência fazia o mundo parecer menos pesado.

E desde então passei a desconfiar que certos anjos aceitam viver entre os homens apenas para lembrá-los de que a salvação, às vezes, não desce dos céus.

Às vezes ela sorri.

E atende por um nome que ninguém mais compreenderá.

Benta.

"Primeiro você acredita que há uma substância inteligente, da qual todas as coisas procedem.
Segundo você acredita que esta substância lhe dá tudo que você deseja.
Terceiro você relaciona-se a ela por um sentimento de gratidão forte e profundo.
Muitas pessoas que vivem corretamente, de uma forma ou de outra, permanecem na pobreza por falta de gratidão.
Recebendo um presente de Deus, cortam os fios que os conectam com Ele, e não tem o reconhecimento. É fácil compreender que quanto mais próximo nós vivemos da fonte das riquezas,
mais riqueza receberemos, e é fácil também compreender que a alma que é
sempre grata vive mais próxima de Deus do que aquela que nunca tem
reconhecimento e gratidão.
Quanto mais gratidão ao supremo nós tivermos em nossas mentes, ao receber as coisas boas, mais coisas nós receberemos, e mais rapidamente virão.
E a razão é simplesmente porque a atitude mental da gratidão coloca a mente em estreita proximidade com a fonte de onde vêm essas bênçãos." (Wallace Wattles)

A Constituição tem tantas emendas que mais parece uma colcha de retalhos!⁠

O descanso é um direito do trabalhador, um dever do Estado e uma obrigação do empregador!

Querer não é poder; querer é uma tendência de fazer, poder é uma influência após a ação; portanto, não se comparam aos atos.

Eu tenho uma mania engraçada. Toda vez que eu digo algo no sentido de brincadeira ou zoação, no final da frase eu tenho que dizer "nossa" de uma forma bem rápida e abafada. Tipo quando você faz "hum", um som com a boca fechada, mas usar "nossa" no lugar.

Não sei quando foi que isso começou, mas parece alguma forma de garantir que a pessoa entendeu que é uma brincadeira? Kkk não sei.

"A eternidade de uma vida não está na quantidade de pessoas que se lembram do nosso nome, mas na quantidade de amor que deixamos pelo caminho. Mesmo que um dia sejamos esquecidos, o bem que fizemos continua vivendo na história de alguém."

A pior prisão do mundo
É dentro de uma mente,
Pois tem gente preso em grades
Que vive naturalmente
E por ter a mente aberta
Sabe viver livremente.

Santo Antônio do Salto da Onça RN

⁠Velhice é como uma conta
Bancária só de lembrança
Que a gente depositou
Alegria e confiança,
Pra quando idoso estiver
Sacar tudo o que puder
Pro saldo da esperança.

Eu já peguei trem errado
E fiz uma descoberta
Quando achei tá enganado
Cheguei na estação certa.


Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN

Cuscuz é uma comida
Gostosa e resistente
E tem mais! Ele é melhor
Que certo tipo de gente.


Gélson Pessoa
Santo Antônio doSalto da Onça RN
03/01/2026

Médico cura quase tudo
Sendo ele eficiente
Mas jamais irá curar
Cegueira de uma mente.

Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
26/01/2026

PASSADO é uma Luz
Que se foi, não vai voltar
FUTURO é uma Visão
Que tá expressa no Ar
E o AGORA a Permissão
De Deus para o Melhorar.


Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
01/02/2026

O Querer é uma coisa
Parecida com a Prece
Pois quando a gente quer
O Universo requer
E o melhor nos Acontece.


Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
07/02/2026

Antes que o Tempo Passe
Envelhecer é um privilégio. Chegar à velhice realizado é uma escolha.
Não espere o tempo ensinar o que a coragem pode fazer hoje. Visite quem ama, viaje, aprenda, cuide da saúde e abrace novos desafios.
Ame sem medo. A gratidão ilumina os dias. Os sonhos que valem a pena são os seus, não os dos outros. Afaste-se do que rouba sua paz e aproxime-se do que faz sua alma crescer.
Vale a pena ser teimoso quando a felicidade exige esforço. Há conquistas que dão trabalho, pedem coragem, insistência e paciência. Mas desistir delas custa muito mais caro: custa uma vida inteira de arrependimentos.
O medo prende. A fé coloca os pés na estrada.
No fim da caminhada, o que pesa não são os erros, mas as oportunidades que deixamos passar.
Viva de um jeito que, ao olhar para trás, você encontre lembranças — e não arrependimentos.
Peregrino Nino Carneiro

Pior que uma calcinha bege é uma cueca com elástico frouxo, ninguém merece.

O dia da mentira pode ser uma grande verdade,só depende de você.

Como é dificil desvendar mistérios,
descobrir tesouros,derrubar critérios.
Queria muito ter uma varinha de condão
para trazer-te para dentro do meu coração!