Todo Sopro que Apaga uma Chama Reacende
- O que é o amor pra você?
- Não sei, talvez seja apenas dividir cigarros em uma noite, embriagados por vinho.
E sentir que o mundo pode estar acabando, mas você continua fumando e rindo para o outro.
Sim talvez isso seja o amor.
Cada momento, cada segundo é de um valor infinito, pois ele é o representante de uma eternidade inteira.
O perdão cai como uma chuva suave do céu na terra. É duas vezes bendito: bendito ao que dá e bendito ao que recebe.
Devaneios
Vestida para matar
Só de calçinha
Uma camisa fininha
Transparente curtinha
Olho para o espelho, mostro a língua
Mordo os lábios com ares de menina
A dança começa e nunca termina
Deito no chão com as pernas pra cima
No espelho as posições me inflamam, excitam
Depois me viro de quatro, coloco o meu rabinho arrebitado
todo empinado, enquanto nas coxas eu bato
Os olhos brilhantes, apaixonados
As mãos deslizando pelo meu corpo suado
Eu canto, eu danço, eu amo o que vejo
O desejo descontrolado, o corpo sendo surrado
Chegando ao fim as resistências do meu físico cansado
O suor escorrendo o meu corpo em êxtase
Os músculos enrijecidos, gosto de sal nos lábios
Me entrego aos DEVANEIOS até ao orgásmo.
Ter um “eu” é a mais alta dignidade que Deus concedeu ao ser humano. Os animais têm uma identidade, mas não uma consciência moral autobiográfica. Eles não podem contar sua história, confessar seus pecados e responder pelas suas ações.
TERÇA-FEIRA, 21 DE AGOSTO DE 2007
Existe sempre uma coisa Ausente - Caio F.
Paris — Toda vez que chego a Paris tenho um ritual particular. Depois de dormir algumas horas, dou uma espanada no rodenirterceiromundista e vou até Notre-Dame. Acendo vela, rezo, fico olhando a catedral imensa no coração do Ocidente. Sempre penso em Joana d’Arc, heroína dos meus remotos 12 anos; no caminho de Santiago de Compostela, do qual Notre-Dame é o ponto de partida — e em minha mãe, professora de História que, entre tantas coisas mais, me ensinou essa paixão pelo mundo e pelo tempo.
Sempre acontecem coisas quando vou a Notre-Dame. Certa vez, encontrei um conhecido de Porto Alegre que não via pelo menos á2o anos. Outra, chegando de uma temporada penosa numa Londres congelada e aterrorizada por bombas do IRA, na época da Guerra do Golfo, tropecei numa greve de fome de curdos no jardim em frente. Na mais bonita dessas vezes, eu estava tristíssimo. Há meses não havia sol, ninguém mandava notícias de lugar algum, o dinheiro estava no fim, pessoas que eu considerava amigas tinham sido cruéis e desonestas. Pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. Aquela liberdade e falta de laços tão totais que tornam-se horríveis, e você pode então ir tanto para Botucatu quanto para Java, Budapeste ou Maputo — nada interessa. Viajante sofre muito: é o preço que se paga por querer ver “como um danado”,feito Pessoa. Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio.
Enrolado num capotão da Segunda Guerra, naquela tarde em Notre-Dame rezei, acendi vela, pensei coisas do passado, da fantasia e memória, depois saí a caminhar. Parei numa vitrina cheia de obras do conde Saint-Germain, me perdi pelos bulevares da le dela Cité. Então sentei num banco do Quai de Bourbon, de costas para o Sena, acendi um cigarro e olhei para a casa em frente, no outro lado da rua. Na fachada estragada pelo tempo lia-se numa placa: “II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente” (Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta) — frase de uma carta escrita por Camilie Claudel a Rodín, em 1886. Daquela casa, dizia aplaca, Camille saíra direto para o hospício, onde permaneceu até a morte. Perdida de amor, de talento e de loucura.
Fazia frio, garoava fino sobre o Sena, daquelas garoas tão finas que mal chegam a molhar um cigarro. Copiei a frase numa agenda. E seja lá o que possa significar “ficar bem” dentro desse desconforto inseparável da condição, naquele momento justo e breve — fiquei bem. Tomei um Calvados, entrei numa galeria para ver os desenhos de Egon Schiele enquanto a frase de Camille assentava aos poucos na cabeça. Que algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede, faz parte. E atormenta.
Como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vezenquando só vai ser arrematado lá na frente. Três anos depois fui parar em Saint-Nazaire, cidadezinha no estuário do rio Loire, fronteira sul da Bretanha. Lá, escrevi uma novela chamada Bem longe de Marienbad , homenagem mais à canção de Barbara que ao filme de Resnais. Uma tarde saí a caminhar procurando na mente uma epígrafe para o texto. Por “acaso”, fui dar na frente de um centro cultural chamado (oh!) Camille Claudel. Lembrei da agenda antiga, fui remexer papéis. E lá estava aquela frase que eu nem lembrava mais e era, sim, a epígrafe e síntese (quem sabe epitáfio, um dia) não só daquele texto, mas de todos os outros que escrevi até hoje. E do que não escrevi, mas vivi e vivo e viverei.
Pego o metrô, vou conferir. Continua lá, a placa na fachada da casa número 1 do Quai de Bourbon, no mesmo lugar. Quando um dia você vier a Paris, procure. E se não vier, para seu próprio bem guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo.
O Estado de S. Paulo, 3/4/1994
A era do homem acabou
Uma escuridão chega e todas
Essas lições que aprendemos aqui
Estão apenas começando.
Tendemos a nos apegar a uma noção fixa das emoções, como se existisse uma linha entre amar e não amar que pudesse ser cruzada somente duas vezes, no início e no fim de um relacionamento, em vez de transposta minuto a minuto.
Um homem que estava desempregado entra num concurso da uma multinacional de computadores para ser faxineiro.
O gerente de RH o entrevista, faz um teste (varrer o chão) e lhe diz:
- O serviço é seu. Dê-me seu e-mail e eu lhe enviarei a ficha pra preencher e a data e hora em que deverá se apresentar para o serviço.
O homem, desesperado, responde que não tem computador e muito menos e-mail.
O gerente diz que lamenta, mas, se não tiver e-mail, virtualmente não existe, e, como não existe, não pode ter o trabalho.
O homem sai, desesperado, sem saber o que fazer. Tem somente R$ 10,00 no bolso.
Então, decide ir ao supermercado e comprar uma caixa de 10 quilos de tomates.
Bate de porta em porta vendendo os tomates a quilo, e, em menos de duas horas, consegue duplicar o capital.
Repete a operação mais três vezes e volta para casa com R$ 60,00.
Verifica que pode sobreviver dessa maneira e dedica-se a isso. Sai de casa cada dia mais cedo e volta cada dia mais tarde e assim triplica ou quadruplica o dinheiro a cada dia.
Pouco tempo depois, compra uma perua, depois troca por um caminhão e pouco tempo depois chega a ter uma pequena frota de veículos para distribuição.
Passados cinco anos, o homem é dono de uma das maiores distribuidoras de alimentos dos Estados Unidos.
Pensando no futuro da sua família, decide comprar um seguro de vida.
Chama um corretor, acerta um plano e quando a conversa acaba, o corretor lhe pede o e-mail para enviar a proposta.
O homem diz que não tem e-mail.
Curioso, o corretor comenta:
- O senhor não tem e-mail e chegou a construir este império. Imagine o que você seria se tivesse e-mail!!
O homem pensa e responde:
- Seria faxineiro da multinacional de computadores...
Uma garrafa de vinho meio vazia também está meio cheia; mas uma meia mentira nunca será uma meia verdade.
(Jean Cocteau)
Eu sou...
Eu sou o que??
Quem é capaz de responder?
Porque uma obra tão complexa
tem que sde acabar...
Se deteriorar???
Porque após tudo aprender...
Quando se está apto para viver...
Se faz necessário morrer??
Morrer será adormecer?
Ou será despertar?
Despertar sem dor...
Despertar e ver que valeu a pena
No amor acreditar...
Que a experiência com a doença...
Maldade... Traição...
Nos fez alcançar uma imensidão de paz
Um lugar onde há doçura...
Onde o tratamento é só ternura...
Não se faz presente a censura
E nem a vaidade... Pois se alcançou...
Um mundo sem maldade...
falo de um lugar
No qual acredito...
Um lugar realmente bonito...
Onde entendermos...
A razão de nossa existência...
Lá não sentirei cansaço...
Pois estarei sentindo o abraço...
Abraço com amor...
O perfume de uma flor...
A doença exterminada
A pobreza esquecida...
E lá poderemos viver
A verdadeira vida...
Que aqui se apresenta...
Jaz esquecida...
Pipokinha de boné
É infrutífero falar da contraposição entre razão e a fé. A razão é ela mesma uma questão de fé. É um ato de fé assegurar que nossos pensamentos têm alguma relação com a realidade.
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