Tocar
Te amar dói
Eu te amo de um jeito que não sei explicar, como o mar ama a lua, sem poder tocar, como a noite abraça a luz do luar, como quem nasceu para ficar, mas precisa se afastar.
O meu coração te procura em silêncio, mesmo quando estar contigo me causa tormento. É que teu abraço é meu lugar preferido, mas é nele que sinto o amor mais doído.
Porque te amar é a parte mais bonita, mas estar perto de ti é uma dor infinita. É sorrir com os olhos, enquanto a alma chora, é querer que o tempo pare e desejar ir embora.
É ter você tão perto, podendo te sentir, e, ainda assim, sentir que estou prestes a te perder. É querer morar nos teus braços para sempre, mas saber que esse amor pode me destruir lentamente.
E eu não sei como se esquece alguém que o coração escolheu amar tão bem. Não sei como fugir de quem me faz querer ficar, nem como ficar perto sem, aos poucos, me quebrar.
Eu te amo. E talvez esse seja o meu castigo: querer você perto, mesmo sofrendo contigo. Porque a distância me mata, mas a proximidade também… E, no fim, dói te amar tanto sem saber se esse amor me faz bem.
“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas, ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.” (Carl Jung)
A questão principal a ser respondida, ao se escolher um ramo profissional a se seguir, não deveria se relacionar tão somente às habilidades e competências das pessoas, mas, principalmente, ao fato de o indivíduo gostar ou não de gente. Quem não gosta de lidar com pessoas deve procurar uma ocupação que possa ser realizada isoladamente, com o mínimo de interação pessoal. Isso é fato.
Quando lidamos com o público, estaremos diante de seres humanos que carregam, em si, histórias diversas e que passam por momentos que nem sempre são bons.
Quase ninguém, por exemplo, procura um médico porque está se sentindo ótimo e feliz. Quem vai a uma consulta médica está doente, sofrendo, com dor e medo, ou seja, estará fraco e vulnerável, precisando de atenção, de força e de esperança. Ninguém, em sã consciência, opta por sofrer, por ficar doente e triste. Por isso é que não dá para aceitar situações em que o médico trata mal o paciente, com uma rispidez desmedida, sem ao menos olhar nos olhos de quem sofre ali na sua frente, sem nem tocar no paciente.
Da mesma forma, dá-se o relacionamento entre advogado e cliente, uma vez que a grande maioria das pessoas que procuram por serviços jurídicos está prestes a enfrentar batalhas judiciais desgastantes, que podem determinar a qualidade de suas vidas dali em diante. Quem nunca foi maltratado ao ser atendido em algum balcão de banco, em algum guichê de serviço público, entre outros? Como entender quando um vendedor parece querer expulsar da loja quem está ali exatamente para dar lucro ao estabelecimento?
Quem atravessa tempestades e enfrenta dificuldades possui menos força para se defender, para se posicionar, haja vista a sua autoestima já se encontrar alquebrada. Dificilmente, nesse caso, essa pessoa terá como fazer valer os seus direitos mínimos de cidadão. Por isso, é covardia descontar os próprios problemas em quem não tem nada a ver com eles, desaguando mau humor e cara feia frente a quem, muitas vezes, necessita exatamente do contrário, a quem somente gostaria de alguém que o enxergasse e lhe sorrisse.
Colocar-se no lugar de quem está ali na sua frente é o mínimo a ser feito quando se lida com pessoas.
Pessoas não são robôs, não são experimentos, não são de ferro, portanto, não são obrigadas a ter que enfrentar, além das próprias escuridões, o vazio desesperançoso de quem deveria lhes ajudar. Dá para ser útil sem ter que interagir com os outros, cozinhando na cozinha de um restaurante, pesquisando em laboratórios, entre várias opções.
Somente se proponha a lidar com gente quando você souber se comportar como gente. Simples assim.
"Ninguém vai tocar em seus legados por amor, faça o mesmo, preserve-o. Só você sabe o quanto te custou chegar onde está, e por mais simples que pareça, a liberdade é o maior tesouro num
mundo de gaiolas."
O Duque
Ouço no final do corredor
Você a me chamar,
colocaste Moon River
para tocar sob a luz
do mais lindo luar.
Quem é capaz de ir
até a Lua para a paz
para o mundo pedir,
é porque pelo bem
da Terra não se cansa
e dela quer cuidar.
Sempre dizem que o fim
do mundo está próximo,
prefiro os meus ouvidos
para o absurdo fechar
seja na serra ou no mar.
Quem é bem capaz
de sentir com arte
é muito mais poesia
do que pode pensar:
não é pela metade,
é enamorado da vida.
Sempre dizem que o fim
de tudo é o recomeço,
ignoro o julgamento:
estou a rodopiar
dançando com você.
Quem é capaz de se
entregar por inteiro,
não vive sem amor
por completo e sem
apreciar um vaga-lume:
é feito do que é verdade.
Porque poetas, músicos
e artistas são eternos
mesmo que você
em nós ninguém creia,
o clima se encarrega
de crescer a cerejeira.
Beijar a Lua
Sentir teu cheiro,
tocar tua alma,
adorar tua luz,
desvendar teus segredos…
te acariciar!
Como é belo teu olhar,
como é meigo teu carinho,
como é doce teu encanto,
como é lindo teu sorriso…
Lua, deixa-me te beijar.
Lua, vem me namorar!
Chovia devagar, como se o céu quisesse tocar a memória sem machucá-la. Sobre a mesa da varanda, uma flor de plástico enfrentava a chuva com sua beleza imóvel: perfeita por fora, incapaz de sentir por dentro. Ao lado dela, havia uma ampulheta de sal, derramando grãos úmidos como se o tempo, naquela tarde, tivesse aprendido a se dissolver.
Dentro de casa, o espelho como um portal devolvia mais do que um reflexo. Quem o olhasse com calma via passagens para versões antigas de si mesmo, para ausências ainda acesas, para afetos que nunca souberam ir embora. E, acima do telhado, a estrela parecia vigiar tudo em silêncio, como uma testemunha paciente das coisas que só o coração entende.
Então veio a compreensão: viver é isso. Ser, ao mesmo tempo, chuva e permanência, delicadeza e artifício. Somos também um mar em que a água é doce, vasto e contraditório, onde a dor e a ternura se misturam sem pedir explicação, e mesmo assim fazem sentido. Porque a alma humana floresce quando aceita o impossível e aprende, com humildade, a morar no mistério.
Eu achava que sabia o que era sentir as coisas, até você me tocar pela primeira vez. Foi como se todo o meu corpo acordasse de um choque. O seu olhar não apenas me vê, ele me desarmou por completo. Toda vez que eu te vejo, meu coração não bate mais no ritmo normal. Ele corre, ele acelera, ele fica louco.Eu nunca senti essa atração com nenhuma outra mulher no mundo. É um magnetismo que mexe com todos os meus sentidos de uma vez só. O seu cheiro, a sua voz, a sua pele. Você tem o poder de virar o meu mundo de cabeça para baixo com um detalhe. Você me deixa louco de um jeito bom, de um jeito que eu nunca achei que fosse possível.Ao seu lado, descobri que o amor não é calmo. Ele é uma força viva que me preenche por inteiro. Cada segundo longe de você parece um tempo perdido. O seu sorriso virou o meu lugar favorito no mundo. Eu me sinto completo só de ouvir a sua respiração perto de mim.Isso que eu sinto é real, é puro e assusta pela intensidade. Você não mudou apenas a minha rotina, você mudou a minha forma de enxergar a vida. Prometo te cuidar, te admirar e te amar com tudo o que eu sou. Você é o meu início, o meu meio e o meu fim.
2014 📜 "Apraz-me tocar na 'Esperteza' entre aspas dos 'Espertos' idem. Apraz-me, não nego e regozijo-me!"
Na tua companhia
iremos tocar com
cada surpresa e carícia
a noite estrelada de Van Gogh,
E serei muito mais
do que por você amada,
nas tuas mãos hei de ser venerada.
Permita-me tocar
as suas emoções,
Deixa-me habitar
nas sensações,
Libera-me os teus
doces pensamentos
e os sentimentos.
Para que dancem
os deuses em ti
de igual jeito quando
a Aurora Austral
encontra o bailante
Oceano Atlântico Sul,
e sagre o romance.
Porque das cores
desta e de outras
auroras nascemos,
Vestidos e despidos
nós dois estaremos,
sempre que por amor
nos for consentido.
Reger as tuas vias dopaminérgicas
Para alçar a sensação de prazer,
Tocar no teu sistema de recompensa
Para a motivação se arrojar a fazer
Mais e melhor, como a sentença.
Para ativação intensa sem temer
O comportamento de dependência,
E colocar tudo meu nas tuas mãos
Com certeza, vontade e excelência
Afinadas numa inequívoca cadência.
Deixar que os conceitos externos
Se diluam com a chuva que cai
E rega a malva-silvestre em flor,
Para nada atrapalhar o nosso amor,
E nos permitir viver como tem que ser.
Porque julho gentil abriu a porta,
Com os jogos de sedução agora,
Sabemos que não há queda de braço
Entre dois vencedores nesta história:
É só questão de afinar passo a passo.
Com doçura, ciência e instrução afetiva.
Sistemas binários de contato
como estrelas tocar e no fundir
sob o testemunho do Universo:
Buscar o amor infinito e certo,
por mais de mil e uma noites,
assim será, e assim te quero.
Onde posso tocar com as mãos
cinquenta estrelas ou a Via Láctea
inteira sob o abrigo da Oak,
estarei de corpo e alma plena,
Há muito de mim em mais
de cinco centenas de raízes
com as glórias e cicatrizes.
Às vezes me vejo entre
o que é beat e o hippie.
Pareço não levar à sério,
não tenho e nem nunca
tive um bom relacionamento
com nenhum tipo de mistério.
Esperar a sua recíproca,
sem dizer uma só palavra,
tem sido inexplicável rotina
Perceber o teu sensorial
é razão festiva e percebida.
Porque eu sou Blues nascido
e batizado nas águas
do Delta do Rio Mississipi,
e não há nada que nos limite.
Felizes são os casais que, ao perderem o sono, encontram a graça de poder tocar a alma um do outro.
Porque há noites em que o corpo pede descanso, mas o coração pede presença.
E, quando duas pessoas se amam de verdade, até a insônia pode se transformar em um daqueles raros momentos em que o silêncio deixa de ser vazio e passa a ser companhia.
É bonito quando, em vez de cada um se virar para o seu lado, existe um olhar que pergunta sem palavras: “Quer conversar?”.
E então surgem confidências, lembranças, medos, planos e sonhos que talvez o barulho do dia nunca tivesse permitido revelar.
Tocar a alma de alguém não exige grandes gestos.
Às vezes, é apenas ouvir sem pressa, acolher sem julgamento, fazer carinho enquanto o outro fala ou permanecer em silêncio, mas deixando claro: “Eu estou aqui”.
No amor, talvez uma das maiores intimidades seja essa: conhecer o que existe por trás dos sorrisos, das certezas e das aparências, e ainda assim escolher permanecer.
Porque dividir uma cama é muito fácil.
Difícil — e até extraordinário — é dividir a vida, os pensamentos, as fragilidades e os silêncios.
E, quando a madrugada chega, o sono vai embora e duas almas permanecem acordadas uma para a outra; talvez não seja uma noite perdida.
Talvez seja a vida lembrando que existem encontros que valem mais do que qualquer hora de sono.
É preciso muita Coragem para tocar onde dói — muita Sensibilidade para não machucar lugar nenhum.
Porque nem toda dor se revela em lágrimas, nem toda ferida deixa marcas visíveis.
Há dores silenciosas, escondidas atrás de sorrisos, disfarçadas em palavras leves e abraços apressados.
Há pessoas que aprenderam tão bem a esconder suas cicatrizes que, às vezes, até elas mesmas fingem não sentir.
Tocar onde dói exige muito mais do que coragem.
Exige presença, escuta e humildade para reconhecer que nem sempre sabemos o que o outro carrega.
É preciso ter coragem para fazer perguntas difíceis, para abrir conversas necessárias, para dizer aquilo que precisa ser dito, mesmo quando o silêncio parece mais confortável.
Mas é preciso muita Sensibilidade para compreender que nem toda verdade precisa ser dita, sobretudo de qualquer maneira, que nem toda ferida está pronta para ser exposta e que nem toda dor precisa de uma explicação.
Às vezes, o outro não precisa de conselhos, julgamentos, soluções imediatas ou simplistas.
Precisa apenas de alguém que saiba permanecer ali, sem invadir, sem diminuir, sem transformar sua vulnerabilidade em fraqueza.
A verdadeira delicadeza não está em evitar todos os assuntos difíceis, mas em saber abordá-los sem destruir aquilo que ainda está tentando desabrochar.
Afinal, há uma diferença enorme entre tocar numa ferida para ajudar a curá-la e tocá-la apenas para provar que ela existe.
Talvez a maturidade esteja justamente nesse equilíbrio: ter firmeza para não fugir das conversas necessárias e ternura suficiente para não fazer delas instrumentos de sofrimento.
Porque palavras podem ser pontes ou abismos.
Gestos podem acolher ou afastar.
E a mesma mão que tem força para alcançar uma ferida precisa ter delicadeza para não aprofundá-la.
No fim, não se trata apenas de ter coragem para tocar o que dói, mas de possuir consciência suficiente para entender que estamos tocando algo que, muitas vezes, levou anos para cicatrizar — e que merece respeito, não brutalidade.
Que nunca nos falte coragem para enfrentar as verdades, nem sensibilidade para reconhecer a humanidade que existe por trás de cada silêncio.
Porque a grandeza de alguém não está apenas na capacidade de dizer o que ninguém tem coragem de dizer, mas também na sabedoria de saber como dizer, quando dizer e, sobretudo, quando simplesmente oferecer presença.
Há dores que precisam ser confrontadas, sim.
Mas nenhuma delas deveria precisar de mais sofrimento para ser compreendida.
E talvez essa seja uma das formas mais bonitas e charmosas de amar: ter coragem para chegar perto, sensibilidade para não ferir e sabedoria para entender que cuidar de alguém também é respeitar o tempo da sua dor.
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