Tiago Frases
Minhas poesias são reflexos das minhas dores, talves se não as tivesse, eu seria um escritor encéfalo.
Sei que vai parecer clichê, mas o futuro é incerto. Digo isso em meu caso particularmente, com 33, cheio de dores, físicas e mentais. Lá na frente, só consigo enxergar o que vivo no presente.
Meus pensamentos são pequenos rabiscos, letras soltas em linhas incertas. Talvez ninguém nunca os leia, talvez seja uma forma de ajuda, para quem ler e entender esses rabiscos.
O problema da depressão não é o que os outros acreditam ou não.
O grande problema da depressão, é o portador dela também não acreditar que está doente.
Aqui eu ouço os que assim como eu, já caminharam entre a dor e a fé.
Assim como eu, tiveram a infância roubada, mas que ainda à esperança e que persistem.
E a todos os que, mesmo em silêncio, continuam lutando para existir.
Escrever é sangrar sem sujar o papel.
Cada pensamento que nasce aqui brota de dores antigas,
de vivências que nunca pediram licença,
de cicatrizes que o tempo insistiu em manter abertas.
Estas linhas rabiscadas são um espelho trincado, quem lê, talvez enxergue ali os próprios fragmentos.
Minha história é isso, uma colcha de retalhos emocionais onde fé, dor, memória, solidão e lucidez coexistem como os fios que sustentam uma alma ferida, mas viva.
O mal semeia a intolerância até florescer em domínio; então, emudecido o bem, faz-se senhor do silêncio.
Minha autossuficiência vacila diante do medo de não haver quem me chame pelo nome. Ainda assim, ao me lançar na solitude, descobri forças que o silêncio guardava em segredo.
Se dói, exclua. Se incomoda, evite. Se chateia, ignore. Se faz mal, afaste-se. Não mudamos os outros, mas podemos escolher como viver.
Aprendi a me afastar dos olhares que ferem, não mudo o outro, mas escolho onde repousa minha energia. Preservar-me, às vezes, é dizer adeus ao que já foi essencial.
Não sou frio, sou triste.
Mas tristeza profunda não faz barulho. Ela aprende a se disfarçar em silêncios longos,
em olhares vazios que já desistiram de explicar.
Aos olhos dos outros, pareço indiferente, como se o mundo não me tocasse. Mas é o contrário: ele me atravessa inteiro, e eu apenas aprendi a não demonstrar, porque quase ninguém sabe o que fazer
diante de uma alma que sangra devagar.
Carrego uma dor antiga, dessas que não gritam,
apenas sussurram e mesmo o sussurro pesa.
Não desprezo o mundo... Eu apenas temo desmoronar na frente dele.
Minhas lágrimas não caem, se acumulam por dentro, como rios represados, até virarem pedra.
E cada silêncio que ofereço
é um lamento que não teve lugar para existir.
