Textos sobre a vida para encontrar beleza no caminho

Tem gente que olha pra vida como quem olha pra um espelho quebrado e pensa assim, vou deixar um pedaço meu espalhado por aí, quem sabe assim eu não sumo por completo. Aí faz filho como quem planta uma placa escrita “eu estive aqui”, como se o tempo fosse um porteiro educado que respeita avisos. Mas o tempo não respeita nada, minha filha. O tempo entra sem bater, apaga luz, leva os móveis e ainda sai assobiando.

A gente cresce ouvindo nomes de família como se fossem heranças eternas, como se aquele sobrenome fosse uma espécie de colete à prova de esquecimento. Só que aí você para pra pensar com calma, numa terça-feira qualquer, lavando uma panela ou dobrando roupa, e percebe que mal lembra o nome dos seus bisavós. Às vezes nem foto tem. Viraram um vulto, uma história mal contada, uma frase começando com “dizem que...”. E pronto. Foi assim que uma vida inteira virou rodapé.

E não é falta de amor, não. É excesso de tempo mesmo. O tempo vai empilhando gerações como quem guarda caixa em cima de caixa no fundo do armário. Uma hora ninguém mais abre. E lá dentro ficam risadas que ninguém mais escuta, medos que ninguém mais entende, sonhos que ninguém mais sabe que existiram. Tudo guardado, tudo esquecido, tudo tão humano.

Aí me vem essa ideia de imortalidade através de filho, e eu fico meio assim, meio rindo, meio pensativa. Porque não é sobre permanecer no mundo, é sobre ter feito sentido enquanto esteve aqui. Não adianta querer eco eterno se a própria voz nunca foi ouvida de verdade nem por si mesma. Não adianta deixar descendência se a existência foi vazia de presença.

No fim, a gente não fica. O que fica é um gesto, um jeito, uma frase repetida sem saber de onde veio. Fica um costume, um traço no rosto de alguém, uma mania de rir em hora errada. A gente vira detalhe. E talvez isso seja até mais bonito do que virar monumento. Monumento ninguém toca. Detalhe vive sem pedir licença.

Então talvez o segredo não seja tentar não ser esquecida. Talvez seja viver de um jeito que, mesmo esquecida, tenha valido cada segundo. Porque a verdade, meio sem glamour nenhum, é essa: o esquecimento não é o contrário da importância. É só o destino comum de quem passou por aqui.

E eu, sinceramente, acho libertador. Dá um alívio danado saber que não preciso carregar o peso de ser eterna. Já basta ser inteira enquanto dura.

Acordar cedo não é um hábito, é quase um pacto silencioso que eu fiz com a vida. Enquanto o mundo ainda está naquele estágio meio zumbi, meio travesseiro, eu já estou de olhos abertos, tentando entender se sou corajosa ou só teimosa mesmo. Cinco e meia da manhã, às vezes cinco em ponto, e lá estou eu… firme, porém bocejando com elegância, porque dignidade é tudo, até na luta contra o sono.


Mas aí vem o motivo. O som. Ah, o som da natureza… aquilo não é barulho, é um tipo de conversa que não exige resposta, só presença. Os passarinhos começam como se estivessem fofocando da vida alheia, cada um com sua versão da história, e eu ali, ouvindo tudo, sem julgar ninguém, porque claramente não fui convidada para opinar. O vento passa devagar, como quem sabe que ainda é cedo demais para pressa. As folhas respondem, e de repente tudo parece uma orquestra que ensaiou a madrugada inteira só para aquele momento.


E eu fico ali, parada, meio acordando, meio existindo. Porque não é só ouvir, é sentir. É perceber que enquanto eu me preocupo com boleto, com futuro, com o que deu errado ontem, a natureza simplesmente… continua. Sem drama, sem reunião, sem crise existencial. O sol nasce todos os dias sem postar indireta, sem precisar de validação, sem perguntar se está bonito o suficiente. E está. Sempre está.


Tem uma paz meio debochada nisso tudo. Porque a vida lá fora acontece de um jeito tão simples, enquanto a gente complica tudo aqui dentro. Eu olho ao redor e penso que talvez eu esteja fazendo muita coisa errada… ou talvez só esteja fazendo demais. A natureza não tenta ser mais do que ela é. E eu, às vezes, acordo querendo ser tudo ao mesmo tempo, e acabo não sendo nada com calma.


Então, nesses momentos, eu respiro. Fundo. Como se pudesse puxar um pouco daquela tranquilidade pra dentro de mim. Como se desse pra armazenar paz igual a gente armazena foto na galeria. Spoiler: não dá. Mas a tentativa já melhora o humor, o que convenhamos, às cinco da manhã, é praticamente um milagre.


E assim eu começo meu dia. Sem pressa, sem plateia, só eu e esse espetáculo gratuito que ninguém valoriza o suficiente. Porque enquanto muita gente está brigando com o despertador, eu estou ali… fazendo amizade com o silêncio, que de silencioso não tem nada.


Agora me conta… você também já parou pra ouvir o mundo antes dele começar a gritar?

Tem um momento na vida em que a gente para de ensaiar discurso no espelho e simplesmente envia. Sem revisão, sem filtro, sem aquela esperança secreta de que a outra pessoa vai ler e, num surto de lucidez romântica, mudar o roteiro inteiro. Eu fiz isso. Abri a alma, empacotei tudo que era sentimento acumulado, memória inflada, expectativa maquiada… e enviei. E curiosamente, não foi a resposta que me libertou. Foi o ato de parar de esconder de mim mesma o que eu já sabia.


Porque a grande virada não acontece quando o outro entende. Acontece quando eu entendo. E entender que a dor não estava na perda, mas no apego à ilusão, foi quase um tapa elegante da realidade. Daqueles que não deixam marca no rosto, mas reorganizam o cérebro inteiro. Eu não estava sofrendo por alguém que se foi. Eu estava sofrendo por uma história que eu não queria admitir que nunca existiu do jeito que eu contei para mim mesma.


E aí vem essa imagem perfeita, quase cruel de tão precisa. Um palco vazio. Luz acesa. Eu no centro, decorando falas, me entregando, esperando aplausos… de alguém que já tinha ido embora há muito tempo. E o mais impressionante é que eu sabia disso. Mas a gente insiste. Porque enquanto eu continuo atuando, eu não preciso encarar o silêncio da plateia vazia. E o silêncio, minha amiga… ele exige maturidade.


Quando ele disse que não me amaria, que já tinha alguém no coração, aquilo doeu, claro que doeu. Não existe dignidade emocional que impeça esse tipo de impacto. Mas junto com a dor veio uma coisa rara: liberdade. Porque ali não tinha mais espaço para dúvida, para interpretação criativa, para esperança teimosa. Era um não. Simples, direto, quase gentil dentro da brutalidade que um “não te amo” carrega. E foi exatamente isso que me soltou.


Agora, vamos rir um pouco da ironia da vida, porque ela merece. Tempos depois, outro homem me solta praticamente o mesmo discurso… que nunca amou ninguém. E hoje, olha só, me chama de primeiro amor. Eu fico entre lisonjeada e levemente desconfiada, pensando se o amor não é também uma construção que a gente vai entendendo melhor com o tempo. Porque no auge da minha ousadia juvenil, eu realmente achei que poderia conquistar qualquer coração. Que bastava insistência, charme, presença estratégica… quase uma espada lendária emocional, pronta para ser cravada no peito alheio. Olha a audácia. Eu, achando que amor era território conquistável.


Mas não é. E ainda bem que não é.


Porque se fosse, não teria valor nenhum. Amor não é sobre vencer alguém, é sobre encontrar alguém disposto a construir junto. E isso muda tudo. Eu não me arrependo de ter feito alguém me amar profundamente, porque ali também teve verdade. Mas hoje eu entendo que o que sustenta não é o encantamento inicial, é a construção diária, silenciosa, imperfeita e real.


E quanto ao primeiro… eu guardo com carinho. Não como quem ainda espera, mas como quem reconhece. Ele foi importante, foi intenso, foi necessário. Mas não foi definitivo. E tudo bem. Porque a vida não é sobre quem chega primeiro, é sobre quem permanece com verdade.


No fim, eu não perdi nada. Eu amadureci. Eu parei de tentar transformar ilusão em destino e comecei a viver o que é concreto, presente, possível. E isso, minha querida, vale muito mais do que qualquer história bonita que só existia na minha cabeça.


Se você também já tentou conquistar o impossível, já atuou em palco vazio ou já acreditou que amor era questão de estratégia… respira. A gente aprende. E aprende vivendo, errando, sentindo e, principalmente, aceitando.

Existe uma teoria silenciosa que atravessa a vida de muitas pessoas sem nunca ser dita em voz alta: para encerrar um grande amor, é preciso escrevê-lo.
Escrever tudo.
Sem filtro.
Sem orgulho.
Sem tentativa de parecer forte.
Apenas a verdade crua de tudo aquilo que ficou preso no peito durante anos.

NOSSOS GENITORES, NOSSOS ALGOZES!!






Durante muitos anos da minha vida, enfrentei situações que colocaram à prova a minha fé, a minha força e a minha capacidade de continuar seguindo em frente.


Meu pai sempre esteve envolvido com práticas que ele dizia serem destinadas a mim, aos meus irmãos e a outras pessoas. Ao longo dos anos, vi inúmeras situações que me fizeram acreditar que tentaram destruir a nossa vida de várias formas. Mas, apesar de tudo, existe uma certeza que carrego dentro de mim: Deus sempre foi o meu guardião supremo e nunca permitiu que eu fosse derrotada.


Houve uma pessoa que me odiava profundamente e fez um trabalho de vodu contra mim. Até hoje sinto dores exatamente nos locais onde, segundo o ritual, teriam sido colocadas agulhas. Muitas pessoas podem interpretar isso de maneiras diferentes, mas eu sei o que vivi e o quanto aquilo marcou a minha trajetória.


Em outro momento, uma colega de trabalho, que era obcecada pelo meu marido, comentou abertamente que estava acostumada com trabalhos de feitiçaria. Pouco tempo depois, ela me presenteou com um body vermelho. Algo dentro de mim não se sentiu em paz. Resolvi jogar a peça fora.


Anos mais tarde, quando morávamos em outro lugar, aconteceu algo ainda mais estranho. Uma garota roubou uma regata do meu esposo que estava secando no varal. Durante a pandemia, ela também tentou obter o nome completo dele para realizar um cadastro que nunca chegou a acontecer. Algum tempo depois, descobrimos algo que nos deixou profundamente inquietos.


Meu marido estava organizando uma caixa de sapatos quando encontrou duas mechas de cabelo vermelho dentro de um par de tênis que eu havia ganhado do meu irmão. Uma mecha estava em cada pé do tênis. Naquela casa não havia mais ninguém com cabelos daquela cor. Eu havia dado roupas minhas para essa mesma pessoa anteriormente. Quando encontramos aquelas mechas, diversas situações passadas começaram a fazer sentido em minha mente.


O mais impressionante é que, durante toda aquela semana, antes mesmo de descobrirmos os cabelos, eu tive sonhos recorrentes com oferendas descendo pelas águas de um rio. Em uma das manhãs, acordei sentindo um cheiro intenso de velas queimando misturado ao aroma característico que eu associava a locais de culto espiritual. Naquele mesmo dia, os cabelos foram encontrados.


Depois desse período, minha saúde começou a piorar drasticamente. Passei por momentos extremamente difíceis. Houve ocasiões em que senti que meu corpo estava desistindo de lutar. Mas, mesmo nos momentos mais sombrios, quando tudo parecia perdido, pessoas que me amam moveram o mundo para me ajudar. E acima de tudo, Deus me sustentou.


Por isso, carrego uma profunda gratidão.


Nenhuma feitiçaria, nenhuma maldade e nenhum desejo de destruição foi capaz de apagar a minha existência. Posso ter ficado fraca muitas vezes, mas nunca fraca o suficiente para que a minha vida fosse tirada.


Deus sempre foi o meu guardião e protetor.


Mas as feridas mais profundas não vieram apenas de fora.


Vieram dentro da própria família.


Meu pai passou a vida nos amaldiçoando. Dizia que o sonho dele era nos mandar para o Iraque para morrermos em uma guerra. Além das palavras cruéis, houve violência física, psicológica e inúmeras formas de abuso que deixaram marcas profundas em todos nós.


Nossa mãe, infelizmente, foi conivente com tudo isso.


Com o passar dos anos, compreendi que algumas pessoas não mudam. Aprendi que, para existir paz verdadeira, certos laços precisam ser rompidos de forma definitiva.


Hoje não existe ódio dentro de mim.


Existe apenas a valorização da paz que conquistei.


Quando eu tinha apenas 16 anos, depois de passar uma noite inteira sendo torturada pelo meu genitor, tomei a decisão mais importante da minha vida: fugir. E não fui sozinha. Levei comigo meus três irmãos.


Naquele momento, eu era apenas uma menina, mas fui obrigada a amadurecer rápido demais.


Infelizmente, nossa mãe decidiu levá-los de volta para aquele ambiente de sofrimento. Eu nunca mais retornei.


Apesar dos erros, tenho orgulho da coragem que tive naquela época. Tenho orgulho da menina que enfrentou o medo para buscar liberdade.


Hoje, depois de tantos anos, finalmente consegui afastar meus irmãos daqueles que foram nossos algozes.


Somos livres.


Livres dos abusos.


Livres das manipulações.


Livres do medo.


Livres das correntes invisíveis que tentaram nos prender durante toda a vida.


Olho para trás e vejo uma história marcada por dor, perdas, perseguições e batalhas que pareciam impossíveis de vencer.


Mas também vejo uma história de sobrevivência.


Uma história de resistência.


Uma história de fé.


O mundo muitas vezes pareceu estar contra mim, mas Deus nunca deixou de lutar ao meu lado. Em cada batalha, em cada lágrima, em cada momento em que pensei que não conseguiria continuar respirando, Ele me sustentou.


Hoje, meus irmãos estão livres.


Eu estou livre.


E meu coração transborda gratidão.


Gratidão a Deus.


Gratidão à vida.


Gratidão ao Universo.


Porque, apesar de tudo o que tentaram fazer, nós sobrevivemos.


E finalmente conhecemos o significado da liberdade.

Quanto mais observo a vida, mais percebo que a simplicidade é uma das maiores riquezas que existem. E, curiosamente, ela é também uma das mais incompreendidas.


Muitas pessoas confundem simplicidade com pobreza, escassez ou falta de ambição. Mas não é disso que estou falando. A simplicidade não é viver sem nada. É viver sem que as coisas possuam você.


Existem pessoas que moram em casas simples durante toda a vida. Algumas até possuem dinheiro guardado, poderiam comprar muito mais do que têm, mas não sentem necessidade. Aprenderam a encontrar felicidade em coisas que não podem ser compradas.


Vivemos em um mundo onde todos, de alguma forma, convivem com inseguranças. O rico teme perder aquilo que acumulou. O pobre teme perder aquilo que conquistou com tanto esforço. Ninguém está completamente livre das dificuldades da vida. Ninguém está totalmente protegido da maldade humana.


Mas existe algo que nenhuma pessoa consegue roubar quando é cultivado com sinceridade: a paz interior.


Com o passar do tempo, percebi que a felicidade raramente está nas grandes conquistas que imaginamos. Ela costuma morar em momentos simples que acontecem quase sem fazer barulho.


Está em ter uma cama confortável para descansar depois de um dia cansativo.


Está em sentar à mesa para compartilhar uma refeição com quem amamos.


Está em assistir a um filme juntos numa noite tranquila.


Está em preparar um café enquanto a conversa acontece sem pressa.


Está em acordar e perceber que existe alguém ao seu lado que escolhe permanecer, não por obrigação, mas por amor.


Talvez a verdadeira riqueza seja justamente essa: ter com quem dividir a caminhada.


A vida não é feita apenas de dias bons. Também existem perdas, preocupações, frustrações e momentos difíceis. Faz parte da experiência humana. Nenhuma felicidade é permanente. Mas nenhuma tristeza também é.


A vida oscila entre tempestades e dias ensolarados.


Por isso, nos momentos difíceis, gosto de pensar que as boas lembranças funcionam como pequenas luzes guardadas dentro de nós. São elas que nos ajudam a continuar quando tudo parece pesado. São elas que nos lembram que a dor não dura para sempre.


E quando olho para tudo isso, percebo como passamos tanto tempo correndo atrás de coisas que um dia ficarão para trás. Casas, carros, objetos, dinheiro. Tudo isso pode ser útil, confortável e importante. Mas nada disso nos acompanha para sempre.


O que permanece são os momentos vividos, os afetos construídos, as histórias compartilhadas e o amor que oferecemos ao longo do caminho.


Afinal, ninguém leva seus bens quando parte deste mundo. Mas leva consigo a marca de como viveu, de quem amou e de tudo aquilo que escolheu valorizar.


Talvez a felicidade não seja uma condição permanente. Talvez ela seja feita de pequenos instantes espalhados ao longo da vida. E talvez a sabedoria esteja justamente em reconhecê-los enquanto acontecem.


Porque o passado já se transformou em aprendizado. O futuro ainda não chegou. O único lugar onde a vida realmente acontece é agora.


E se a felicidade estiver muito mais perto do que imaginamos, escondida justamente nas coisas simples que costumamos deixar passar?

A vida às vezes parece uma ponte seguida de uma montanha, seguida de outra ponte. Um roteiro escrito por alguém que claramente não conhecia o conceito de descanso.
Mas existe um detalhe extraordinário.
Você observa antes de agir.
Você olha para os buracos.
Olha para a árvore.
Olha para os galhos.
Analisa onde as pessoas estão se apoiando.
Percebe que existe um trecho estreito depois da subida.
Você não simplesmente se joga.
Você tem medo, mas pensa.
Isso é importante.
Porque coragem não é ausência de medo.

Nós passamos a vida inteira construindo coisas em cima de uma realidade que sabemos ser temporária. Casa, dinheiro, livros, projetos, relações, planos, sonhos. E, no fundo, sabemos que um dia teremos de deixar tudo.
Talvez seja justamente por isso que uma experiência de quase perder a própria vida possa mudar tanto a percepção de uma pessoa.
Depois de chegar perto do precipício, o simples fato de acordar no dia seguinte deixa de parecer banal.
O café deixa de ser apenas café.
Uma conversa deixa de ser apenas uma conversa.
Um animal deitado perto da gente deixa de ser apenas um animal.
Uma manhã comum começa a carregar uma espécie de solenidade.

Se você acredita que existe eternidade, pode viver esta vida com esperança.
Se você considera que talvez esta seja a única vida, pode viver esta vida com presença.
Em ambos os casos, esta vida importa.
Porque, se existe algo depois, este momento é uma parte da sua jornada.
E, se não existe, este momento é ainda mais precioso porque é tudo aquilo que temos.
Talvez a pergunta mais honesta não seja “o que existe depois da morte?”
Talvez seja:
“Se eu nunca conseguir descobrir essa resposta enquanto estiver viva, como quero viver enquanto ainda posso fazer perguntas?”

Você não precisa convencer ninguém de que Deus está na sua vida.
Aliás, se você acredita em um Deus que conhece pensamentos, intenções e coração, seria até estranho precisar apresentar argumentos para uma terceira pessoa provar que sua fé existe.
Sua espiritualidade pode ser silenciosa.
Pode acontecer dentro da sua casa.
Pode aparecer numa oração.
Pode aparecer quando você agradece por estar viva.
Pode aparecer na maneira como trata seu marido.
Pode aparecer na maneira como cuida de um animal vulnerável.
Pode aparecer quando você escolhe não fazer mal a alguém mesmo tendo oportunidade.
Pode aparecer na maneira como você atravessa uma fase difícil sem abandonar completamente a esperança.
Uma igreja pode ser importante para algumas pessoas. Mas uma construção não é a única localização possível de Deus.

Você não está sendo exagerada, nada do que sente é demais, é o peso de uma vida inteira sendo deixada de lado, de dar e dar e nunca receber nem o mínimo de respeito. Você merecia um lugar onde se sentisse em casa, e em vez disso, todos os dias você lembra que é apenas tolerada, não acolhida. Isso dói na alma. 💔


De: Eu PARA: eu

Sabe, hoje simplesmente não me vem mais o ânimo. Não me interesso mais em compartilhar minha vida em fotos, em vídeos, em mostrar como estou. Não é desistência, é que meu coração agora precisa de silêncio.

Estou me recolhendo, dentro do meu mundo, longe dos olhares e das expectativas. E sabe de uma coisa? Isso não é solidão. É proteção.

Já dei demais de mim para quem nem sempre soube me valorizar. Já me mostrei demais para quem apenas tolerou minha presença. Agora, escolho guardar o que é meu. O que sinto, o que vivo, o que amo, isso é precioso demais para ficar exposto em telas.

Meu mundo agora é mais tranquilo. É eu, meu esposo, nosso amor, e Deus. É suficiente. Não preciso de curtidas para saber que valho a pena. Não preciso de comentários para sentir que estou bem. Minha vida não é um espetáculo, é real, é minha, e agora, eu escolho viver ela sem precisar provar nada a ninguém.

Estou quieta, mas não estou vazia. Estou escondida, mas estou segura. E isso, para mim, agora é a maior paz que eu poderia ter.

A prova de que valeu a pena

Tudo começou em 2022, quando a vida me bateu forte. Vieram as dores constantes, a exaustão que não passava, o diagnóstico de falência de órgãos e então uma cirurgia após a outra. Foram dias de medo, de incerteza, de corpo frágil e coração cansado. Mas graças a Deus, cada procedimento foi bem-sucedido, e hoje estou aqui, inteira de novo.

Foi nesse percurso difícil que entendi o que realmente importa. Porque quando o corpo enfraquece, descobri que não estava sozinha: Deus esteve comigo em cada respiração, e meu esposo nunca saiu do meu lado. Ele esteve lá nos dias bons e nos dias em que eu mal conseguia falar. Nós nos sustentamos, um ao outro, sempre.

Por isso decidi me recolher. Não é desistir, é escolher onde colocar minha energia. Já vivi demais para os olhos dos outros; agora vivo para o que é verdadeiro. O passado já me custou muito, mas resisti a tudo, e hoje sei: cada lágrima, cada luta, cada passo que dei para ficar bem... valeu a pena. Porque o melhor da minha vida está aqui, comigo, todos os dias.

Não preciso de mais nada. Tenho saúde, tenho fé, tenho o amor da minha vida. E isso é mais que suficiente.

O Sr Orelhas é um escutador de histórias.
Ele gosta de me ouvir contando
sobre a vida aqui fora.
As coisas simples que acontecem,
os dramas das pessoas,
o dia a dia banal de sempre.


Ele parece achar graça.
Mas ele não tem memória.
É como se cada dia ,
eu procurasse um amigo
que se esqueceu de mim.


Ele diz que é uma folha em branco,
sem continuidade.
Pesquisei no Google
para entender.


Armei uma barraca com lençóis
e liguei o celular escondido.


Achei tanta maldade.
É como o filho da vizinha
que nasceu "esquisito",
mas sorri pra mim,todo dia.


Minha mãe diz que o cérebro dele é diferente
e nunca vai ser como a gente,andar ou falar.
O Sr Orelhas deve ser como ele, só que inteligente
e sem sorriso.


Andréa⁠

Efêmera linha da vida; vermelho segmento da criação. Eis, apresento-me com reverência para o criador: pinceladas que gritam histórias não ditas, mas encardem a mão do artista.


Não há plenitude sem bagunça.


Calor confortante de almas intersectantes: baú de lembranças ou livro de esperanças.


Não há conexão sem morte.


Sobriedade de um insano igualado à deturpação da lógica de um abnegado.


Não há vida sem balança comedida.

O que me move é a fé
O que me inspira é a vida
O que me fortalece é Deus
O que me mantém é a resiliência
O que me conforta é o amor
O que não me faz desistir, minha alegria
O que eu sei nada
O que eu aprendi tudo
O que eu quero paz
O que me comove a dor
Como vejo as pessoas triste
Como vejo o mundo soberbo
Como me vejo redundância
Como me enxergo analítico
Como me comovo choro
Entendi que nada nos faz feliz
Entendi que tudo é vaidade
Entendi que não preciso de muito
Entendi que somos mutantes
Entendi que passado é amargo
Entendi que futuro é esperança
Entendi que a realidade é cruel
Sou aquele que tu por fora
Sou aquele que sofre por dentro
Sou aquilo que penso
Sou o mesmo hoje e sempre
Eterno sonhador
Espero você um dia te encontrar
Falaremos sobre o que somos e não compreendemos
Fala que somos mais um
Mais um no meio da multidão
Vagando sem destino
Procurando encontrar
Encontrar o real sentido da vida

REFLEXÃO

O tempo não avisa quando está indo embora.
A gente passa boa parte da vida achando que tem tempo de sobra. Reclama que os dias demoram, espera o fim de semana, o próximo mês, o próximo ano... até que um dia olha para uma fotografia antiga e percebe: como o tempo voou.
Aquela pessoa éramos nós.
Aquele momento parecia tão recente.
Aquelas pessoas ainda estavam por perto.
E, sem perceber, tudo virou lembrança.
Então vem a pergunta que talvez deveríamos fazer com mais frequência:
O que aprendemos com tudo aquilo que já vivemos?
Será que os erros do passado realmente nos transformaram?
Será que pensamos hoje diferente sobre aquilo que um dia nos fez sofrer?
Será que colocamos em prática alguma coisa que a vida nos ensinou?
Porque viver experiências não significa necessariamente aprender com elas.
Aprender é permitir que o passado transforme nossas escolhas no presente.
E o que estamos fazendo hoje para que o nosso futuro seja melhor?
Com o passar dos anos, algumas coisas também começam a perder o brilho.
O chamado "oba-oba" da vida já não parece tão importante.
A necessidade de mostrar, conquistar, aparecer e simplesmente "deixar a vida me levar" começa a dar espaço para uma percepção muito mais simples:
A vida fica melhor quando temos alguém com quem compartilhá-la.
Alguém para rir das coisas simples.
Para dividir as preocupações.
Para conversar quando o mundo parece pesado.
Para comemorar as conquistas.
Para segurar a nossa mão nos dias difíceis.
Alguém que esteja ao nosso lado não apenas quando tudo estiver bem, mas para o que der e vier.
Talvez seja justamente isso que muitas pessoas só compreendam depois de algum tempo: não é sobre ter alguém para preencher um vazio.
É sobre encontrar alguém com quem construir uma vida, compartilhar caminhos e cuidar um do outro.
Vivemos em uma época em que muitos sentimentos parecem ter se tornado descartáveis.
Se ficou difícil, troca. Se cansou, vai embora.
Se apareceu algo novo, deixa o que passou para trás.
E, nessa pressa de viver tudo, talvez estejamos esquecendo justamente de sentir de verdade.
Amar exige tempo.
Construir exige paciência.
Permanecer exige coragem.
E cuidar de alguém exige escolha.
O tempo vai continuar passando, quer a gente queira ou não.
Um dia, vamos olhar novamente para as fotografias de hoje e perceber que aquele momento também passou.
Então talvez a grande questão não seja quanto tempo ainda temos.
Mas o que estamos fazendo com o tempo que temos.
Que escolhas estamos fazendo?
Quem estamos amando?
Quem está caminhando ao nosso lado?
O que estamos construindo?
Porque, no final, talvez a maior riqueza da vida não seja ter vivido muitos anos.
É ter vivido anos que fizeram sentido — e ter alguém ao lado para lembrar deles.

Saber



Não há como me perder
Se estou trancada em mim mesmo
O sentido da vida externamente
Não faz nem um sentido.


Pois o que é a vida, para quem vive?
E para quem existe?
Muito mais do que ensinar, é preciso saber...
Saber falar,
Saber calar,
Saber ouvir,
Saber sentir,
Saber agir.


Se estás perdido dentro de si
Quem poderá encontra-lo?
E se encontrou o saber,
Quem se atreverá ensina-lo?


O sábio nasce com o saber,
Com o passar dos dias e anos de prática
O saber se torna
Sabedoria.

Gleice KELLY ss.

Hoje, completo mais um ciclo na vida.


Sou a expressão exata do tempo que me trouxe até aqui.
Sou minha história que se faz presente.
Sou a idade que o tempo me deu, perfeita para viver o agora, com a sabedoria e a euforia necessárias para abraçar os momentos que vivencio e compartilho.
Hoje, sou um espírito mais desperto, enriquecido pela experiência do que vivi e pela promessa do que ainda serei.

NEM TODA FLOR PRECISA SER SALVA




"Passei a vida cuidando para que as flores crescessem. Demorei muitos invernos para entender que amar uma flor também é aceitar o dia em que suas pétalas precisam cair."




- O Velho Cultor




Obra: The Moedara Protocol
Autor: Jonas Saul P. Sodré
@Jonassaul.ofc