Textos sobre a vida para encontrar beleza no caminho

Tenha fé, porque tudo aquilo que você almeja na vida pode ser alcançado através do esforço, da dedicação e da perseverança.


Ouça palavras que possam inspirar seus sonhos e fortalecer o seu coração.


Como diz uma sábia palavra:


Quem estuda, sabe.
Quem vê, entende.
Quem faz, aprende.


Tudo é possível para aquele que se esforça e luta.
Não permita que o medo e o desânimo sejam maiores do que os seus sonhos.


Acredite em você, persevere e continue caminhando. Porque muitos sonhos começam apenas com uma coisa: a decisão de não desistir.

Já vivi vários amores na vida
mas nenhum se compara a você.
Tive amores de verão,
curtos, intensos, que passaram voando.
Tive amores de lição,
que doeram, mas me ensinaram.
Tive quase-amores,
promessas pela metade,
beijos que foram bonitos,
mas não ficaram de verdade.
Aí você chegou.
Sem barulho, sem pressa,
e fez o que nenhum outro fez:
ficou.
Se antes eu amei,
agora eu entendo.
O resto foi ensaio.
Você é o que eu quero vivendo.

Há uma tensão difícil de ignorar: alguém que se declara religioso pede por anos uma vida melhor, reconhece que o próprio entorno não melhorou como esperava e olha com inveja para lugares que tiveram resultados melhores sem ter adotado o mesmo campo político.

Mesmo assim, em ciclo após ciclo, volta a votar no mesmo grupo que já esteve no poder por muito tempo.

Isso não prova que a fé é falsa.

Provoca outra pergunta: a lealdade partidária está acima do critério que a própria pessoa usa para julgar resultado.

NOITES E VIDA


Há um silêncio cortante na noite sombria,
súplicas de almas clamam pela luz do dia.
Corações dilacerados, em meio à escuridão,
clamam por socorro, por alívio e salvação.


Até que, de mansinho, o sono chega aos olhos,
levando pouco a pouco os temores e os abrolhos.
E então adormecem, entregues ao descansar,
esperando que a aurora venha tudo renovar.


A certeza que temos, em meio às densas trevas,
é que Deus prepara o amanhecer que nos espera.
Por mais longa que seja a noite em seu pesar,
sempre haverá promessas quando o dia despontar.


Sempre haverá um Deus que vela por seus filhos,
que permanece presente em todos os caminhos.
O socorro vem chegando ao romper da aurora;
Deus enxuga nossas lágrimas e a nossa dor consola.


Que importam as dores que enfrentamos agora?
Se Deus continua sendo Deus, noite afora?
Ele ainda é o mesmo, fiel em Seu favor;
a Ele entrego a vida, minhas lágrimas e minha dor.


Nas noites desta vida, quando tudo parecer findar,
há um Deus que permanece e não deixa de cuidar.
E quando a noite passa e nasce um novo dia,
renasce a esperança, floresce a alegria.


Cícero Marcos

Psiu! Se você compreender isso, sua vida nunca mais será a mesma. E o mais incrível: será impossível não impactar e transformar a realidade das pessoas ao seu redor.



O vinho novo exige uma nova mentalidade


A Bíblia diz: “Ninguém põe vinho novo em odres velhos.” Essa palavra carrega uma revelação profunda sobre crescimento e mudança. Muitas vezes pedimos a Deus uma vida nova, novos resultados, novas oportunidades e novos começos, mas insistimos em permanecer com a mesma mentalidade, os mesmos hábitos e os mesmos ciclos que nos trouxeram até aqui.


Enquanto refletia sobre isso, percebi algo: talvez o maior erro de muitas pessoas não seja a falta de capacidade, de talento ou de oportunidades; talvez seja desistir antes de tentar mais um pouco. A maioria para quando está cansada, frustrada ou sem enxergar resultados imediatos. Mas aqueles que alcançam a vida que sonharam geralmente possuem algo em comum: recusam-se a permanecer no mesmo lugar.


Isso vale para todas as áreas da vida: saúde, relacionamentos, finanças, família, profissão e estudos. Crescimento exige mudança, e mudança exige coragem. O vinho novo representa aquilo que Deus deseja derramar: novas experiências, novos níveis, novas conquistas e novas direções. Mas para recebê-lo, é preciso abandonar estruturas antigas que já não suportam aquilo que está por vir.


Talvez hoje você esteja pensando em desistir porque nada parece estar acontecendo. Talvez o processo tenha sido mais longo do que imaginava. Mas algumas vitórias acontecem justamente depois da tentativa que muitos não tiveram coragem de fazer.


Por isso deixo este conselho: não desista agora. Continue. Persista. Renove sua mente, fortaleça sua fé e siga em frente. Porque às vezes a mudança que você espera não está em tentar algo novo apenas, mas em se tornar alguém novo para viver aquilo que está chegando.

Aurora da vida


Oh, que saudade da infância,
Da aurora da minha vida,
Tempos que ficaram à distância,
De uma rotina florida.
Dos pés descalços que convidam
A uma lembrança querida.


Os primeiros raios de luz no rosto
Que trazem calor e cor devidos,
O orvalho frio e úmido exposto
Aos passos inocentes da vida.


Gotas de sereno na grama
Mostrando pureza e inocência.
O canto dos pássaros chama,
O sol brilha em nossa existência.


Aqueles dias longos para brincadeiras,
As horas que não importavam,
Apenas as peladas em meio à poeira,
Nos deixam lembranças que marcam.


O olhar de espanto e encantamento
Ao descobrir coisas simples da vida,
Como as borboletas ou o formato das nuvens
Que pintam figuras de beleza colorida.


O colo dos pais é chamego,
O cheiro da terra molhada,
A sensação de um mundo seguro
São lembranças que ficaram no passado.


Crescer também é importante,
Pois a vida segue sempre em frente,
Quando adultos, trabalhamos bastante,
Num destino que se faz constante.


Raimundo Nonato Ferreira
Setembro/2026

Sonhar


Não se vive quando não se sonha.
A vida tem surpresas para o hoje e o futuro,
É preciso sonhar, não ter vergonha,
Ainda que pareça impossível e prematuro.


O sonho é essencial para a vida,
Ainda que venha a incerteza que nos ronda,
E as expectativas precipitadas da lida
Frustrem o desejo que abunda.


Ainda assim valeu a pena sonhar,
Pois é destino de cada um.
Viver é livre, é só acreditar,
Pois o amanhã começa ao despertar.


Imagine grande, deseje alto,
Não há barreiras para alcançar.
Então vamos lutar até realizar.


Raimundo Nonato Ferreira
Agosto/2026

A armadura


Armadura que o mundo usa para amarrar
Refere-se a um sistema de vida
Habilitado em nós para nos ancorar.


Essa armadura se torna uma bandeja,
Limita movimentos e embota a mente.
As habilidades em nós se tornam uma peleja.


O mundo cria estruturas de confiança
Que ao mesmo tempo nos prendem
Com falsa sensação de segurança


Armadura correta é a armadura de Deus
Nos reveste e nos livra do mal
Santifica nossa vida de forma real.


Não podemos jamais nos acovardar
Fomos colocados no mundo não como um peso.
E nossos dias não nos trazem desprezo


Armadura do mundo vai sempre limitar
Na armadura de Deus podemos confiar
Vai nos proteger e na verdade nos santificar.


Raimundo Nonato Ferreira
Abril/2026

Quando a gentileza faz morada


Tudo começa
quando a gentileza
faz morada em nossa vida.


E, com ela,
a transformação acontece
sem que pudéssemos perceber.


Até que, um dia,
nos damos conta
de que estamos respingando nos outros
aquilo que há de bom em nós.


Porque a gentileza não termina
em quem a pratica.


Ela alcança.
Ela transforma.
Ela permanece.


E talvez seja assim
que o cuidado com o outro começa:
quando aquilo que cultivamos dentro de nós
encontra espaço
na vida de alguém.

A vida é dura, mas não é infiel, O homem é fraco, por vezes cruel. A gente é culpado por tanto se culpar, E, às vezes, põe no outro a culpa Só pra de si mesmo escapar.


O que seria da vida Se o barco não tivesse vela? Se as montanhas não tivessem vista, Nem horizontes nas passarelas? O que seriam das alturas Se não houvesse escadas para subir? Qual seria a graça da vida Se não existisse o risco de cair?


De onde viria o apoio emocional Se não houvesse alguém que já sofreu Para ensinar, com a própria dor, Aquilo que a vida lhe ofereceu?


De onde viria a esperança Se nunca houvesse destruição? Como reconhecer o amor Sem conhecer a solidão?


De onde viria o médico Se ninguém precisasse de cuidado? E de onde viria a terapia Se nenhum coração tivesse se quebrado?


Que sentido teria a cura Se não houvesse uma ferida? Que valor teria o recomeço Se não houvesse uma despedida?


Para onde iríamos Se tudo fosse feito só de amor? Se não conhecêssemos a ausência, O sofrimento e o dissabor?


Talvez não compreendêssemos A grandeza da criação, Pois até mesmo na tristeza Há lições para o coração.


Fomos feitos pelo Criador, À Sua imagem, com amor, Mas, entre a pureza e a imperfeição, O homem se perde em sua própria contradição.


Não conseguimos apenas ser, Sem sentir, sem nos ferir, Pois até quem carrega amor no peito Tem suas sombras para descobrir.


O homem pode ser cruel, Pode ferir, julgar e condenar, Mas a vida, em sua própria justiça, Ensina que é preciso plantar Para um dia poder colher, E que nem toda dor é castigo, Nem toda queda é o fim, Pois até no chão mais frio Deus pode fazer nascer um jardim.


A vida não promete ausência de dor, Nem caminhos livres de espinhos, Mas, mesmo quando o homem falha, Deus não nos deixa sozinhos. Porque a maior prova de amor Não é viver sem sofrer, Mas, mesmo diante da crueldade, Não deixar de amar e de crer.


- Camila Rescaroli

CASA DA ALMA


Às vezes a vida me pergunta em silêncio:
“Você se sente viva?”
E eu respondo com o peito apertado:
“Quero sentir, não só existir.”
Quero pertencer a este mundo
como a raiz pertence à terra,
como o rio sabe que o mar o espera.
Não me bastam palavras soltas no ar.
Quero o amor que se sente na alma,
que aquece sem precisar explicar.
Quero amar profundamente,
mas também ser amada na mesma medida,
como duas marés que se encontram
e não sabem mais onde uma termina
e a outra começa.
Quero alguém que me faça sentir saudade
quando o silêncio ocupar o espaço do seu nome.
Alguém que seja minha casa,
não de tijolos, mas de presença,
onde eu sempre queira voltar.
Quero ter alguém para admirar em silêncio,
alguém que não seja só “meu amor” na boca,
mas “meu abrigo” no peito.
Não sei se existe outro ser humano
que sinta essa mesma necessidade.
Mas sei que, enquanto espero,
continuo inteira em meu desejo,
porque quem sente tão fundo
já carrega, em si,
a prova de que o amor é possível.

⁠O QUE APRENDI A SENTIR


Passei a vida inteira tentando sentir
o amor que eu via, mas não alcançava.
Minha mãe cuidava, e eu via o cuidado,
mas algo em mim não se aquecia.


Cresci me perguntando:
“Será que o amor existe
ou é só uma palavra bonita
que as pessoas dizem pra se sentir melhores?”


Na vida adulta, vieram alguns “eu te amo”,
vieram mãos dadas, promessas, planos.
Mas na primeira dificuldade,
o silêncio ocupava o lugar deles.
E eu aprendi.


Aprendi a amar sem me entregar inteira,
a cuidar sem criar raízes,
a ficar presente…
mas deixando uma parte de mim
sempre de mala pronta.


Com amigos, com filhos, com qualquer um:
eu amo, eu faço, eu estou.
Mas quando me distancio,
o peito não dói,
o nome não ecoa,
a saudade não vem.


Às vezes penso que sou fria.
Outras, que sou quebrada.
Mas talvez eu só tenha aprendido cedo
que sentir demais dói,
e que não sentir nada
é um jeito de sobreviver.


Hoje, olho para trás
e não me culpo mais.
Fiz o que dava com o que tinha.


E se agora eu escrevo sobre isso,
é porque uma parte de mim
ainda acredita
que é possível, um dia,
sentir o amor
e não só vê-lo passar.

O que é a vida?
Talvez não seja resposta, mas travessia.
Não um sopro passageiro, nem um teste de perfeição,
mas a chance diária de crescer em consciência.
Nem tudo será compreendido,
e está tudo bem.
Que sejamos lúcidos, gentis e corajosos,
porque não caminhamos sozinhos .
Deus habita o processo.

Crie seu próprio caminho sem padrões estabelecidos.
A vida possui suas próprias organizações em um código ético que não inclui obediência a regras sem fundamentos.


O consumo no mundo hoje ultrapassa em muito a capacidade de produção do planeta, e a maioria das coisas não passa de tralhas que não agregam valor. O dinheiro investido em propagandas para nos convencer de que precisamos dessas coisas é exorbitante.


De forma inconsciente, dizem nos conhecer melhor do que nós mesmos, fazendo-nos sentir inferiores se não utilizarmos determinado produto e gerando em nós um falso sentimento de pertencimento. Assim, ficamos à mercê do sistema, escravos das dívidas, obrigados a trabalhar sem descanso para pagar compras que acabam entulhadas em algum canto da casa.


O poder de convencimento do sistema é tão grande que transforma pessoas em robôs programados. A angústia e a insatisfação de viver em uma falsa liberdade geram uma fome emocional que nos leva à compulsão alimentar, causando desequilíbrio no funcionamento natural do organismo. O mal-estar nos leva ao uso de medicamentos para aliviar sintomas, e então ficamos presos ao sistema de saúde para tratar doenças.


É de extrema urgência quebrar o feitiço do encanto do sistema, desprendendo-nos desse mundo caótico e sem controle, para criar nosso próprio caminho — sem padrões impostos sobre como devemos ser, o que vestir ou o que comer. Gastamos dinheiro que não temos para comprar coisas de que não precisamos.


Para que a vida seja bem vivida, deve haver equilíbrio, de modo que os seres humanos e as organizações estejam adequados ao todo que constitui a existência. É preciso aprender a questionar o que realmente precisamos em contraste com o que apenas desejamos, para romper o encantamento que nos torna escravos da matéria. Só assim deixaremos de ser uma praga biológica e passaremos a viver de verdade, com saúde e bem-estar.

Deus deu uma vida para cada um cuidar da sua


Seu cansaço não nasce apenas da sua própria caminhada, mas do fardo que outros deixam cair em suas mãos.
É o filho adulto que não assume suas escolhas e você corre para resolver.
É o parente desorganizado e você vira cofre.
É o colega que abandona a tarefa e você carrega o trabalho dele.


Quando você disser “não”, alguns vão se afastar.
Não porque você errou, mas porque perderão o conforto de ter alguém que sempre segurava suas responsabilidades.
Eles confundiram sua bondade com obrigação, sua presença com servidão.
E, ao se afastarem, revelarão que não buscavam parceria, mas dependência.


Ajudar é diferente de carregar nos braços, de viver a vida do outro.
Falar de você, falarão sempre — seja pela sua luz ou pela sua sombra.
Mas lembre-se: o Criador entregou a cada ser humano uma existência para cuidar.
Você não é Deus e não salvará o mundo.


Esse peso não lhe pertence: devolva ao verdadeiro dono.


Respire.
Aceite que alguns irão embora quando você colocar limites.
E caminhe apenas com o peso da sua própria vida.

Bruxas...


Somos pessoas diferentes, gente que ama a vida com ternura e espalha doçura por onde passa.


Compreendemos os animais e desvendamos os segredos dos lugares, das plantas e de tantas outras coisas que a natureza guarda.


Ouvimos a voz do vento e brincamos com os elementos...


Não somos vingativas. Somos almas antigas, nem sempre compreendidas, porque não permitimos invasões. Mas, diante dos infortúnios da vida, podemos ser a solução.


Nossa visão vai além da aparência... Vivemos na essência.


Vento, fogo e ar, venham nos ajudar diante das questões do mundo e, por meio dos rituais, abrir os portais.


Entregamos nossos pedidos à Mãe Lua, confiando que serão ouvidos e atendidos.


Seguimos com coragem e boa vontade, buscando ajudar a humanidade com carinho e devoção, para que todos possam trilhar o caminho da evolução.

A vida é breve, o tempo não espera, Nem todo inverno termina em primavera. Há dias de luta, de dor e solidão, Mas nunca se abandone por qualquer desilusão.


Aprenda a viver por você, A se escolher, a se entender, A não depender de outro alguém Para descobrir o que a vida tem.


Aprenda a se amar sem ter que provar, A reconhecer quando é hora de ficar. Não se perca tentando agradar, Quem não sabe o valor que você tem para dar.


Seja seu abrigo, sua direção, Cuide com carinho do seu coração. Nem todo adeus significa o fim, Às vezes, a vida devolve você a si.


Não espere flores de outra pessoa, Plante seu jardim, faça a vida boa. Seja sua paz, seu próprio lugar, Pois quem aprende a se amar Também aprende a recomeçar.


E quando a vida pesar sobre os ombros, Não se entregue aos próprios escombros. Você é muito além da dor que sentiu, É tudo aquilo que ainda não descobriu.


Viva por você, sem medo de ser, Ame sua essência, escolha viver. Pois, no fim da estrada, ao olhar para trás, Que você encontre em si tudo aquilo que buscou nos demais.






- Camila Rescaroli

A vida é uma montanha-russa, De curvas, quedas e velocidade, Se todos soubessem o peso da dor, Não fariam da maldade uma realidade.


A justiça tarda, mas não falha, O tempo revela cada sentença, E quando ela bate à porta, Não pede licença, nem dá advertência.


Pois tudo aquilo que se planta Um dia se colhe, pode acreditar, A vida tem suas próprias leis, E ninguém delas pode escapar.

FIGURAS CINZAS

Quando a ausência ganha a cor da memória.

Talvez a vida seja como um álbum.

Nascemos com algumas páginas praticamente vazias. Não sabemos quantas existirão, quantas pessoas passarão por elas ou quais histórias serão escritas ao longo do caminho.

Então começamos a preencher.

Primeiro aparecem aqueles que já estavam conosco antes mesmo de compreendermos o significado da palavra família. Pai, mãe, irmãos, avós. Depois chegam os tios, primos, professores, colegas, amigos, amores, filhos, vizinhos e tantas outras pessoas que, de alguma maneira, encontram um espaço em nossas páginas.

Cada uma delas é uma figurinha.

E, enquanto está conosco, é colorida.

Algumas ocupam páginas inteiras. Outras aparecem discretamente em algum canto da nossa história. Há aquelas que permanecem durante décadas e aquelas que passam rapidamente, mas deixam uma marca que não desaparece.

Há figurinhas que trazem alegria.

Outras carregam ensinamentos.

Algumas nos fazem rir.

Outras nos fazem chorar.

Existem aquelas que nos abraçam e aquelas que nos ferem.

Algumas nos amam.

Outras nos decepcionam.

E há aquelas que simplesmente passam por nós sem perceber que, por algum motivo, deixaram uma pequena parte de si em nossa história.

É assim que o álbum vai crescendo.

Página após página.

Ano após ano.

Até que descobrimos uma coisa que ninguém nos ensina verdadeiramente a compreender:

o álbum também muda de cor.

Um dia, uma das figuras coloridas se torna cinza.

Não porque perdeu sua importância.

Não porque deixou de ser amada.

Não porque sua história deixou de ter valor.

Ela se torna cinza porque sua presença terminou e sua memória começou.

É o momento em que alguém parte.

Um avô.

Uma avó.

Um pai.

Uma mãe.

Um irmão.

Um amigo.

Um amor.

Alguém que, talvez, acreditássemos que estaria sempre ali.

E então descobrimos que algumas pessoas não desaparecem exatamente.

Elas apenas mudam de lugar.

Saem do espaço onde podíamos encontrá-las e passam a ocupar outro lugar, muito mais silencioso: a memória.

É por isso que algumas figuras ficam cinzas.

Não são figuras apagadas.

São figuras encerradas.

A história chegou ao seu ponto final.

E talvez seja justamente isso que torne a perda tão dolorosa.

Porque a morte não leva apenas uma pessoa.

Ela leva também a possibilidade de escrever novos capítulos com ela.

Não haverá mais aquela conversa.

Aquela ligação.

Aquele abraço.

Aquela discussão.

Aquela risada.

Aquele conselho.

Aquela presença aparentemente comum que, depois da partida, descobrimos ser extraordinária.

É então que sentimos saudade.

E a saudade talvez seja uma das formas mais silenciosas de amor.

Porque sentimos falta justamente daquilo que teve importância.

Ninguém sente saudade daquilo que nunca significou nada.

A dor da ausência é, de certa forma, a prova de que houve presença.

Talvez por isso devêssemos olhar para nossas figuras cinzas com um pouco mais de ternura.

Elas não representam somente aquilo que perdemos.

Representam também aquilo que tivemos.

Um dia aquela pessoa esteve ali.

Um dia houve convivência.

Houve histórias.

Houve abraços.

Houve conflitos.

Houve perdão.

Houve amor.

Houve vida.

E talvez essa seja a primeira grande lição das figuras cinzas:

não devemos permitir que a tristeza pelo fim apague a beleza do que existiu.

O ponto final não torna inútil a história.

Uma história não perde seu valor porque terminou.

Pelo contrário.

É justamente porque sabemos que ela terminaria algum dia que cada capítulo deveria ter sido vivido com maior intensidade.

A criança que brincou com o avô talvez não soubesse que um dia sentiria falta daquela voz.

O filho que achava cansativo ouvir os conselhos dos pais talvez um dia daria qualquer coisa para escutá-los novamente.

O amigo que sempre esteve por perto talvez só tenha revelado seu verdadeiro valor depois de partir.

A vida possui essa estranha capacidade de nos ensinar o valor das coisas muitas vezes depois que elas deixam de estar disponíveis.

Por isso, talvez devêssemos olhar mais para as figuras coloridas enquanto ainda estão coloridas.

Abraçar enquanto podemos.

Dizer “eu te amo” enquanto a pessoa pode ouvir.

Pedir perdão enquanto ainda existe tempo.

Perdoar enquanto ainda existe oportunidade.

Visitar enquanto a porta ainda pode ser aberta.

Ligar enquanto ainda existe alguém do outro lado da linha.

Porque não sabemos em qual página a cor vai mudar.

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Com o passar dos anos, nosso álbum fica cheio.

E, inevitavelmente, algumas figuras coloridas começam a ficar cinzas.

Isso pode nos assustar.

Quando somos jovens, pensamos que viver é acrescentar pessoas.

Mais tarde descobrimos que viver também é aprender a conviver com as ausências.

Talvez amadurecer seja exatamente isso.

No começo, queremos preencher páginas.

Depois aprendemos a preservar páginas.

E, finalmente, compreendemos que algumas das páginas mais importantes de nossa existência são justamente aquelas que guardam pessoas que já não podemos abraçar.

O álbum da vida não é composto apenas pelas pessoas que permaneceram.

Ele também é formado por aqueles que partiram.

Somos, de certa maneira, uma coleção de pessoas.

Carregamos expressões que aprendemos com nossos pais.

Gestos dos nossos avós.

Conselhos de professores.

Histórias de amigos.

Manias de irmãos.

Lembranças de antigos amores.

Feridas deixadas por algumas pessoas.

Perdões oferecidos por outras.

Somos também aquilo que recebemos daqueles que passaram por nossa vida.

Talvez sejamos um pouco de cada pessoa que realmente nos tocou.

E, nesse sentido, as figuras cinzas continuam participando do álbum.

Elas já não podem acrescentar novos capítulos à própria história, mas continuam influenciando a nossa.

O avô que partiu pode continuar ensinando através de uma frase que repetimos.

A mãe pode continuar presente em um gesto que aprendemos.

O pai pode continuar vivendo em uma maneira de trabalhar, cuidar ou enfrentar dificuldades.

O amigo pode continuar provocando um sorriso quando lembramos de determinada história.

A pessoa que amamos pode continuar existindo na forma como aprendemos a amar.

É assim que a memória desafia a ausência.

Ela não devolve fisicamente quem partiu.

Mas impede que tudo aquilo que aquela pessoa representou desapareça completamente.

Enquanto alguém se lembrar, alguma parte daquela história continua existindo.

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Talvez seja por isso que o cinza não deva ser entendido apenas como a cor da tristeza.

O cinza também pode ser a cor da permanência.

É a cor de uma presença que deixou de ser física, mas não deixou de ser significativa.

É a cor da memória.

E memória não é o contrário da vida.

É uma das maneiras pelas quais a vida continua dentro de nós.

Existe, então, uma esperança escondida nas figuras cinzas.

A esperança de que aquilo que foi verdadeiro não seja completamente perdido.

A esperança de que o amor não termine simplesmente porque o abraço terminou.

A esperança de que uma história possa continuar produzindo frutos mesmo depois de seu último capítulo.

Talvez a morte encerre uma existência, mas não consiga apagar todas as consequências de uma vida.

Uma pessoa pode partir e ainda permanecer na maneira como alguém pensa, educa, ama, trabalha, perdoa ou enfrenta o mundo.

Nesse sentido, algumas pessoas continuam vivendo através daqueles que deixaram para trás.

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Imagine, então, alguém chegando ao final da própria vida e abrindo seu álbum.

Haverá muitas figuras coloridas.

Mas haverá também muitas figuras cinzas.

Algumas provocarão lágrimas.

Outras trarão risos.

Algumas despertarão arrependimento.

Outras, gratidão.

Talvez algumas páginas sejam difíceis de olhar.

Talvez existam pessoas que gostaríamos de encontrar novamente.

Talvez existam outras das quais gostaríamos de nos despedir melhor.

Mas todas elas terão alguma coisa em comum:

fizeram parte da história.

E talvez, naquele momento, seja possível compreender algo que levamos uma vida inteira para aprender.

O objetivo nunca foi manter todas as figuras coloridas.

Isso seria impossível.

O objetivo era viver.

Amar.

Conhecer.

Errar.

Perdoar.

Aprender.

Construir histórias.

Preencher páginas.

E, quando algumas figuras inevitavelmente mudassem de cor, ter memória suficiente para olhar para elas e dizer:

“Eu tive você na minha vida.”

Talvez essa seja uma das maiores formas de gratidão que podemos oferecer aos que partiram.

Não apenas chorar porque eles se foram.

Mas agradecer porque um dia estiveram conosco.

Porque, quando transformamos a lembrança em gratidão, a ausência começa a dividir espaço com a esperança.

E então percebemos algo ainda mais bonito.

O álbum não terminou.

Ainda existem páginas vazias.

Ainda existem pessoas que não conhecemos.

Amizades que ainda não começaram.

Abraços que ainda não demos.

Lugares onde ainda não estivemos.

Amores que ainda podem chegar.

Histórias que ainda não foram escritas.

E, principalmente, ainda podemos ser a figurinha colorida na vida de alguém.

Talvez seja essa a grande responsabilidade de estar vivo.

Enquanto nossas páginas ainda estão sendo preenchidas, precisamos cuidar da cor que deixamos nas páginas dos outros.

Porque um dia, para alguém, também seremos memória.

E quando esse dia chegar, talvez não sejamos lembrados pelo tamanho da nossa casa, pelo dinheiro que acumulamos, pelos cargos que ocupamos ou pelas coisas que possuímos.

Talvez sejamos lembrados por uma conversa.

Por um abraço.

Por uma ajuda.

Por uma palavra.

Por uma presença.

Por um momento em que fizemos alguém sentir que não estava sozinho.

No fim, talvez seja isso que realmente permaneça.

As coisas passam.

As pessoas partem.

As páginas viram.

As cores mudam.

Mas algumas histórias continuam.

E talvez a vida seja exatamente isso:

um álbum que começa vazio, se enche de cores e, lentamente, vai adquirindo tons de cinza.

Não devemos temer o cinza.

Porque o cinza nos lembra que houve cor.

E se ainda dói olhar para determinada figura, talvez seja porque aquela pessoa ainda possui um lugar dentro de nós.

Por isso, quando sentir saudade, não pense apenas na ausência.

Volte à página.

Olhe a figura.

Lembre da voz.

Lembre do sorriso.

Lembre da história.

E agradeça.

Porque nem todos têm a sorte de possuir uma memória que ainda dói.

Às vezes, a dor da saudade é simplesmente o coração dizendo:

“Isso foi importante.”

E talvez seja essa a esperança escondida nas figuras cinzas.

Algumas pessoas deixam de estar ao nosso lado, mas nunca deixam de fazer parte de quem somos.

O álbum continua aberto.

Ainda há páginas.

Ainda há cores.

Ainda há vida.

Preencha-as.

⁠Tempo de amar

Verdade, a vida é um sopro, não avisa o seu fim,não nos prepara nem avisa quem vamos perder. Entre um espaço e outro da batida dos nossos corações existe um breve intervalo de tempo o qual determina a nossa existência. Em um compasso absoluto de harmonia nos impulsiona a evoluir e a buscar nossos sonhos e correr atrás de sentimentos. Então viva, mas viva marcando cada milésimo de segundos com o dom do amor, da fé e do perdão. Pois Nunca saberemos quando não haverá mais espaços entre as batidas do coração.