⁠O QUE APRENDI A SENTIR Passei a vida... Nancy Bell

⁠O QUE APRENDI A SENTIR


Passei a vida inteira tentando sentir
o amor que eu via, mas não alcançava.
Minha mãe cuidava, e eu via o cuidado,
mas algo em mim não se aquecia.


Cresci me perguntando:
“Será que o amor existe
ou é só uma palavra bonita
que as pessoas dizem pra se sentir melhores?”


Na vida adulta, vieram alguns “eu te amo”,
vieram mãos dadas, promessas, planos.
Mas na primeira dificuldade,
o silêncio ocupava o lugar deles.
E eu aprendi.


Aprendi a amar sem me entregar inteira,
a cuidar sem criar raízes,
a ficar presente…
mas deixando uma parte de mim
sempre de mala pronta.


Com amigos, com filhos, com qualquer um:
eu amo, eu faço, eu estou.
Mas quando me distancio,
o peito não dói,
o nome não ecoa,
a saudade não vem.


Às vezes penso que sou fria.
Outras, que sou quebrada.
Mas talvez eu só tenha aprendido cedo
que sentir demais dói,
e que não sentir nada
é um jeito de sobreviver.


Hoje, olho para trás
e não me culpo mais.
Fiz o que dava com o que tinha.


E se agora eu escrevo sobre isso,
é porque uma parte de mim
ainda acredita
que é possível, um dia,
sentir o amor
e não só vê-lo passar.