Textos sobre Tempo

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⁠Ilusão.

Acontece numa tarde linda
de um tempo que talvez
Não tenha vindo ainda
Meu mirante é o alto da colina
e de lá eu posso ver a todos os lugares
Lá, vivemos todos
Uma coisa que eu creio que esteja
um degrau acima, talvez dois
da mera esperança em todos sermos
Algo que a vida obrigou
a deixar pra depois
Eu vejo o início da estrada
E também onde termina cada uma
Posso ouvir desejos e orações
Sentir a dor no coração de quem detém cada pedido
E cada medo
Cada medo de viver a vida a esmo
Consumidas no miasma que as consome
O medo em libertar a dor guardada
Aquela que em cada manhã lhes invade
Enorme e em segredo
Medo até do fogo eterno
Enquanto a chama interna os queima em vida
Cada imagem de espelho
Todo dia tem lhes revelado
A miragem refletida atrás de si
As almas não se reconhecem
Por receio de olhar-se
Se fogem de molhar na tempestade
E todos vão vivendo a própria vida
Em seu mundo perfeito
Aqui nesse lugar a noite nasce feliz
Cada estrela onde quis estar
A lua, linda, vem dizer
Que esse dia não chegou
e novamente eu desço
ao degrau da esperança
esperando que algum dia seja realmente
Essa tarde tão linda
de um tempo que talvez
não tenha vindo ainda.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Sonhei com a simplicidade
Não sei quanto tempo levou
Mas o instante durou
O tempo que a vida leva
Qual fosse um novelo de lã
Num castelo de cordas que se transforma
Um menino amarelo que amanhecia
Pra depois anoitecer mil vezes
Era o cravo, era a treva
Vento leve, uma brisa
Que sopra a verdade em seus ouvidos
Tempestade chega de repente
Semente de tempo que a vida leva
Sonhei que a vida era coisa singela
Era um doce com calda de caramelo
Que se vê na infância e não se prova
Não se esquece, que renasce como nova, todo dia
Porque o viu numa fotografia amarelada
Sonhei com a simplicidade
Que de simples que era
Passa a vida inteira e não se alcança
Desiste de esperar e de querer
Como quem não quer nada
Mas a alma
De seu jeito teimosa ela era
E ainda a espera calmamente
Porque
Sonho e vida são coisas que não se junta
E tudo se torna muito
Muito diferente, quando a gente acorda
Pode ser que eu só tenha sonhado
Que essas coisas todas não tivessem
Esse lado esquisito
Essa forma torta como a coisa é dividida
Onde há o feio e o bonito
O lado de cima, o outro lado
O disforme e o quadrado
O errado e o quase certo
Porque sempre que uma vez desperto
Tudo fica complicado
A verdade e a realidade
Contrastando outra vez com a pureza
Da simplicidade que eu sonhava
Onde tudo era caro ou barato
Era claro ou escuro
Mas não tinha passado
E nem futuro.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠O Tempo.

O tempo é a nossa faculdade
De poder sentir o peso do abstrato
E faz saber que o inexistente existe
Não pelo amor, não pelo olfato
Talvez pelo eriçar, pelo arrepio
A milimétrica estrada
O serenar de toda rebeldia
O vento que a todos circunde
Um velho ribeirão
Que ainda circule ao nosso lado e ninguém veja
O dia a dia
O nada que a tudo esfria
Um bule no fogo apagado
Um deus impiedoso e exigente
Que leva da gente uma imagem de espelho
Nos põe de joelhos...nos tira
Todo sangue, todo riso e toda poesia
Todo mal necessário
A tudo que for fundamental
Mas que não for preciso
Uma alternância inevitável entre calor e frio
É alguém que vemos mais de perto
Quanto maior for a distância
É montanha e desmorona, e que se faz ravina
O vento a varrer as rochas
O rio que não se acumula
O findável que não tem fim
E que é, enfim, a toda graça da vida
Quando o olhar um dia aprende a ver sua medida
Pois não há régua que o meça
É água lenta, sem pressa
Assim é o tempo que se passa.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Toda ela feita só de tempo
Do tempo que transforma a pedra em pó
A vida, ela é composta de momentos
Alegrias, risos e lembranças
Lembranças, como as cartas de um baralho
Confusas, imprecisas
Um par de olhos indecisos
Há sempre um par de olhos
Diferentes da poética cegueira
Diferentes da cegueira
Diferentes da poesia
Um par de olhos céticos
Diante da eternidade
Dessa eterna alternância dos dias
Um par de olhos que se vê no céu
Na escuridão, na solidão da madrugada
Que nos vê quando não podem ser vistos
E que a gente os vê, se não nos vêem
A vida é toda feita de momentos
E um par de olhos, que ela sempre tem.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Este mundo anda sem tempo
Anda sem vida, anda sem alma
Este mundo anda sem voz
Anda sem antes, sem vez, sem após
Este mundo anda sem ama, anda sem gosta
De olhos e olhares vazios
Esperando pelas respostas que virão no vento
O tempo passa e venta e só faz frio
Este mundo anda bem triste
E por demais distante
Ao arrepio de tudo que a luz garante
Porque o tempo não responde
A quem não sabe nem ao menos a pergunta
O conceito de perto ou longe
Não junta o efeito à causa
Quando abrange para aquém do que se pode
Por ora, não se pensa em saber
Este mundo anda bem rude
Anda sem tempo e atenção
Nem mesmo para uma pausa, atitude ou reflexão
Enquanto isso o mundo passa
Este mundo anda sem graça
Sem poesia, sem melodia, sem quadra
Comprometido
Com qualquer ausência de compromisso
A beleza que não se vê, não vale
Aquele viço que se vai no dia a dia
Esse valia
É cão que ladra
É chão sem chão
O formato sem conteúdo
Eis o tudo que interessa
É pura espera por nada
Métrica quadrada
É tarde : breve e esquálida
Esférica ilusão
Colher o que não plantou...bem depressa
As respostas soprando no vento
Numa tarde linda, cujo vento ainda nem soprou
Nos momentos de silêncio
Em que as estrelas da noite conversavam
Num tempo em que se sabia
A maneira mais ou menos certa
De tentar fazer perguntas
Mas o mundo anda sem jeito pra formulá-las
Se esvazia, falando ao meu redor
Pior
Que tem falado de amor
Mas é que tem gritado tanto
E cada um, tão ocupado
Sentado num canto, pensando em pensar ou não
Este mundo anda sem chão
Mas voa através do universo
Um som que só faz sentido
Se ouvido no vácuo
Sem harmonia ou melodia
Um desenho sem vida
Num constante movimento de partida
Fraco de luz
Sem verdades, sem lume
Não chega em lugar nenhum
Anda perdido
Sob as dobras do tempo
No cume da ignorância
Que o traz e o carrega
Este mundo anda bem assim
Mas, enfim, isso não tem mais importância
Nem faz a mínima diferença
Quem não tem tempo pra pensar
Não pensa.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠O tempo que te faz pensar
No tempo que te resta, pra poder pensar
Pensar naquilo que te faz doer
Que te faz, de vez em quando, ver
Na paz que nos traz a cegueira
À hora costumeira, quando a vista falha
Que se enxerga de tudo ao avesso
Que se faz de cego a tropeçar nas tralhas
O tempo que te faz seguir a própria trilha
Compreender que há um preço a se pagar por tudo
Desde as pétalas aveludadas
Da rosa, cujo tempo há de fazer em espinho
A laje pesada de pedra moída
A lousa apagada, o senhor da razão que a escreveu
Mãe de todas as virtudes
O ninho, o caminho, a alegria e a vida
A areia da praia, que a gente sonhou pisar
Sozinhos, de mãos dadas, cada qual a seu tempo
Um sonho a se sonhar
Quando um beija-flor te fala, só de vê-lo
Batendo-te as asas
Te chamando a partilhar o mesmo teto
A mesma casa
Um repetitivo e eterno som que vem de perto
Olhando ao redor, é deserto...é tão longe
Na vida, quem pode te mostrar o errado ou certo?
O tempo que passa, que corre e morre junto
À graça da vida
Grata, ingrata vida
Que tanto um dia pediu
Pra ser assim, por igual dividida
E ela foi, porém...pra mal.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Eu tenho um coração tão livre
Que tem horas que sinto
Apesar de não saber voar
Ainda dá tempo de aprender
Pois eu tenho a alma solta
E vem do tempo que eu sonhava
Eu tive um tempo de sonhar
Só não consigo te explicar como é se sentir assim
Saber que o tempo é breve
E eu tenho um coração tão leve
Como num circo de domingo à tarde, cujo ingresso é livre
Mas que é preciso um par de asas para entrar
Porque ele voa ao vento
Voa lento e espera uma notícia boa
Mas há momentos em que ele se fecha
Quem quiser sair, ele deixa
Quem não quer entrar, não precisa
Pois a vida é tão breve; um sopro...uma brisa
Leve como a sensação de liberdade
Que não se sabe que tem e deixa ir num medo que sonhou
Não guardo o peso de nenhum segredo
Nem medo de batalha ou de acordar mais cedo
A vida é um folguedo que passa depressa
Um fogo que se apaga
Eu tenho um coração bem livre e só
Isso é tudo que eu tive.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Não me lembro bem que ano era
Tem bem mais que muito tempo
Era só mais outra primavera
Mas setembro tem o dom dessa saudade
Tinha um sapo que cantava à toa
Sua voz tinha o som de piano ou de sanfona
E tinha a sapa, que valsava
E tinha uma canção, que vinha no vento
O sapo era tão vagabundo
Que esperava a balsa pra ganhar o mundo
E tinha a rã, com cheiro doce, de hortelã
Porém, a sapa era do mês de agosto
A marrafona era mulher sem rosto
E eu ainda era criança
Mas o tempo passa e sempre tem setembro
Trazendo essa saudade, essa lembrança
Uma coisa boa, uma verdade que é so minha
E não me lembro muito bem que ano que era
Nem qual idade que eu tinha.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Baila, tempo.
Corre pra longe
Morre em outra dimensão
Vai lá, nos confins da última madrugada
Mostra o nada que são nossas vidas
E depois volta pra cá
Vem mais depressa que a luz
E depois nos entrega
A cada qual nossa cruz
A cada mal que se oculta
Em cada bem que carrega
Vem pra perto e se desfia
Desfila o nada bem diante dos nossos olhos
Nossos duros e imaturos corações
Quem sabe, assim que se enxerga
O quanto é incauto quem te desafia
Cada qual com sua bússola insular
Que faz perder, que desnorteia
Às vezes um soar de sino
Anunciando o sândalo da noite
Tu, que és tão forte, que derrete a neve
De sorte que cada segundo passa a ser tão breve
Leva contigo a marca da idade deste mundo
Só tu tens lugar no sem fim
Desembarca, tempo
Conta pra nós nossas vidas
E baila e dança e não descansa e depois volta
Vai lá, tempo velho e nos desaponta
Desponta lá no longe
Afronta esse universo e cada estrela sem porteira
Sem eira nem beira e tribeira e tão rico e tão leve
Livre, como o sol da primeira manhã
Tão forte, que move o moinho que mata a fome
Não negue que mata o homem que mata a morte
Leva minha vida nas mãos
Vai, que eu fico igual a todos
Entregue à própria sorte.

Edson Ricardo Paiva.
Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Vejo a estrela cadente
Na viagem que o universo abrange
Pelo tempo que o infinito, se o souber
Há de apenas te dizer que é longe
O lado mais bonito disso tudo
É que a passagem pela minha vida
Só perdura um breve instante
Me convida ao pensamento
Às vezes conclusivo, embora conflitante
Tão confuso quanto o amor baldio e mudo
É dor pra qual não tem remédio
O nada inexistente, ao arrepio do sentido
Se tudo que vejo é o momento presente
A chuva aumenta, lenta e tristemente
Deus alegra a vida, evoca a arte
Parte a luz à esguelha
A cor da rosa em sustenido; vermelha
Espelha o céu no chão
Põe pássaros à telha
Saudade, que morreu de velha
Dizem que foi desde ontem
Não há como o saber nem alcançar
Calou, deixou passar, consente
Estrela, leve em ti
O nosso breve olhar veloz, sem voz
Leve mormente
Nem que morra em alguma neve
Se tens mesmo que partir
Leve esse olhar
Guarda pra ti.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Aproveita o tempo agora
Enquanto o coração chora à toa
Enquanto o fruto cai perto
Olha em volta o teu deserto
Pois nem sempre o vento sopra para o lado certo
Ajeita a vela da vida
O caminho todo é pensamento, é hora boa e passa lenta
O tolo pensa em ser feliz, desorienta
Aproveita a hora triste, enquanto a tristeza é passageira
Molhe as plantas na janela
Escolhe a cor da escuridão futura
Pois nem sempre o vento sopra pro deserto
Corre, enquanto as pernas obedecem
Pise forte as pedras, elas esquecem
Olhe isento as coisas lá do alto
A descida toda é só momento, grite alto
Lá do alto, onde subiste
Deixa o vento carregar a voz
As vozes de todos nós
Tão velozes quanto a vida em direção
A um lugar onde o tempo inexiste.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠O Tempo está Correndo.

Daqui onde estou
Eu vou olhando a vida
Rindo pra mim de mim também
Não cabe a ninguém me compreender
Muita coisa, atrás do muro, sob o céu
Só sabemos sobre ele
Depois de muito imaginá-lo
Por detrás de escuro véu
Um dia, a vida te convida a compreender
Que a sorte te vem nas escolhas
Caminhos, verdes folhas
A graça da vida, escondida
Não em tudo que ela traz
A alma é algo limitado
E pode transbordar
Daqui onde estou
Eu vou olhando a vida
Sorrindo pra mim apenas
Porque vejo nas coisas pequenas
Veleidades, orgulho, a vaidade
O tempo que evapora
A graça que a vida nos tira
Quando a hora era de rir
Deixar que caíssem as folhas
Manterem-se as poses
Lustrarem-se as máscaras
Renovarem-se as mentiras
A vida era só brincadeira
Mas não era
Não existe sorte nas escolhas
Só escolhas
A alma é algo que transborda um dia
Pode ser que, de tristeza ou de alegria
Não existe talvez
Uma vez escolhida.
Aqui, de onde estou
Vou sorrindo pra vida
Amanhã pode chover
Há de ser um lindo dia!

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Um Texto sobre a Poesia da Relatividade.

Enxergamos despedidas
Tempo e lugares distantes
Borboletas antigas
Buscando uma pétala vaga
Pra descansar as velhas asas
Vagando sobre flores desbotadas
Que recobrem um resto de alegria
Que flutua na memória
Uma pintura
Uma palavra do Mestre
Arte rupestre do acender das luzes
Traz de volta à vida outras luas passadas
A felicidade primordial, rudimentar
A única que foi real
Vem romper com a ruptura
Em formato de palavra dura
E mostra uma flor que não víamos naqueles dias
Provando que o tempo não retrocede
Senão como saudade
Que nem mesmo a sede, uma vez saciada
Há de voltar às nossas vidas
Se despede, se despe de nós
Vai zunir nas asas de uma velha abelha
Fazer morada nas telhas
De uma casa há muito demolida
Tudo está pra sempre lá
Porém velho, desbotado e sem vida
Talvez seja essa a relatividade do tempo
A velha roseira ao meu lado
Sempre trará flores novas
A roseira nova do passado
Não há provas que tenha existido.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

As Ilusões que a vida traz pra gente.

⁠Ilusões
Há um tempo assim
Em que a criança a tudo alcança
Finge pra si mesma ser outra pessoa
Meu Deus, que coisa boa era o fugir contente
O brincar inocente
Consciente que era aquilo tudo só imaginação
Esperava o dia
Em que era tudo de verdade e pra valer
Realidade ilusória
Existe um tempo assim também
Amanhã há de ser um novo e lindo dia
Fingir ser a mesma pessoa
Iludido no pensar incoerente
de que é o tempo ilimitado
Meu Deus, que coisa incrível
Eu me pensava indestrutível
O tempo passa e traz
Ilusões pertinentes
Era a razão de prosseguir
De confiar em mim somente
De tentar alcançar, com sorte, ao menos o suficiente
Pois o tempo é premente e amanhã é só mais outro dia
Meu Deus, que coisa triste
Pensar que as ilusões se foram
Era mais outra ilusão
Sentir-se impotente
Diante das desilusões que a vida traz
Pior era a outra parte
Aquela, de se deixar ficar, simulando a paz ausênte
Ilusões perdidas
Há também um tempo assim
Há quem pense ter vencido a vida
O tempo o alcança e a vida vence
Meu Deus, que coisa à toa era pensar
Compreender que o tempo da ilusão
De fingir ser quem não era
Depois de uma vida de espera
Se revela o tempo da felicidade verdadeira
Consciênte, feliz, altaneira
E, jamais uma ilusão
Foi o único tempo dessa vida
Que a gente fingiu ser quem não era
Sendo apenas quem era
Fingir não era opção
Eis toda ilusão
Os outros fingiram tão bem
Que pareceu ser verdade
Era tudo, a vida e tudo mais
O tempo todo
Bem mais frágil
Que a Ilusão primeira.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Quando eu era criança os sinos tocavam
Num tempo em que as igrejas os tinham
e que valia à pena ir à igreja
Num tempo em que as águas eram limpas
Um tempo de gente distinta
E até as assombrações tinham respeito
Hoje olho e não vejo mais jeito
Não há mais mistérios
O mistério é descobrir
Como eles puderam existir ?

Inserida por edsonricardopaiva

Nada na vida muda tanto a gente
quanto este tal de tempo
Algo abstrato, algo que não se mede
Porém, mente estratosfericamente
Quem diz que os sentimentos
são inatingíveis quantitativamente
Nunca mais pude me expressar tão bem
como quando era criança
e podia ignorar as regras
"Mãe, eu gosto de você até no céu"
"Minha amizade por você é maior que o mundo"
Todo mundo morria de rir
enquanto eu vivia chorando
mas me vinha aquela ideia de vez em quando:
Quando crescer, serei poeta
e quanto mais souber escrever
menos usarei a forma correta
criaram tanta regra pra gente
me impedindo de ser feliz,realmente
Três toneladas de felicidade
dez quilômetros de alegria
quinhentos graus de entusiasmo
porém a justa forma
transforma tudo em marasmo
desisti de ser poeta
usando as unidades de medida
de forma correta
E enquanto o tempo eu media
os anos me consumiam
enquanto os dias contava
o tempo me transformava
nada muda tanto a gente quanto ele.

Inserida por edsonricardopaiva

Moça bonita, há muito tempo que eu espero
não é mentira, você pode acreditar
Que eu preparei estas palavras com esmero
eu esperei por muito tempo pra falar
Quero que saiba que não quero pedir nada
saiba que eu quero tudo lindo pra você
saiba que eu nunca te esqueci nenhum minuto
Eu sei que nunca te ganhei pra te perder
Agora vou embora mais tranquilizado
a vida inteira eu vou lembrar que te falei
que a vida inteira eu só quis ser teu namorado
que a vida inteira o seu sorriso eu esperei
Quero que saiba que não quero pedir nada
saiba que eu quero tudo lindo pra você
saiba que eu nunca te esqueci um só minuto
e eu sei que nunca te ganhei pra te perder
agora eu vou embora mais tranquilizado
a vida inteira eu te deixo pra lembrar
que a vida inteira eu só quis ser seu namorado
Amor tão grande nunca mais você verá

Inserida por edsonricardopaiva

Minha vida foi algo tão breve
que nada que vivi foi esquecido
talvez tenha sido apenas
tempo perdido
e eu tenha angariado novas penas
minha vida foi algo tão leve
que esmagou o corpo e massacrou a alma
coisas que passei, coisas pequenas
pequenas alegrias
tentativas plenas
tempestades sem telhado
palavras sem atenção
dizendo sempre sim
ouvindo sempre não
minha vida foi algo assim
terminou no inicio
começou no fim
eu disse tanto ao mundo
e não pensei em mim
caminhei buscando água
no lugar mais fundo
não via que chovia
e sempre olhei pro céu
vida breve, vida perdida
vida alegre, vida sentida
alma alegre
alma sem vida.

Inserida por edsonricardopaiva

Em vez de viver minha vida
eu passo o tempo procurando
dizer o que nunca foi dito
fazer o que não pode ser feito
encontrar o que o tempo esqueceu
desvendar o que a vida escondeu
procurar o que é preciso perder
em vez de viver simplesmente
quero entender o que aflige tanto a gente
e consertar o que incomoda tanta gente
desativar o que controla tantas mentes
falar, onde o tempo se cala
desamarrar onde a corda prende
dormir, enquanto o mundo acorda
discordar quando você concorda
caminhar enquanto a Terra se abala
calar, sempre que o Mundo fala
ouvir, sempre que um mudo cala
Lembrar, no lugar de esquecer
morrer ao invés de viver

Inserida por edsonricardopaiva

Numa hora você achava
que ainda havia tempo
não percebia que ele passava
o tempo corria
correu dia-a-dia
as decisões que hoje adia
haverão de cobrar-te um dia
perdendo tempo sem conta
não vê que a vida desmonta
nenhum dia na vida volta
o tempo passa, você se revolta
e reclama que a hora não chega
perde a hora, perde tempo, perde a chance
chega no lugar antes da hora
e reclama que o tempo demora
ainda há tempo...
não tenho mais tempo
acho que não vai dar tempo
tempo amigo, me dê mais tempo
e o tempo passou
que é que faço agora
agora que o tempo acabou?

Inserida por edsonricardopaiva