Textos sobre Tempo
DESAFIO
O cordão rompeu antes
Que a bolsa desse sinal de tempo
E formou-se um temporal
Um nascimento
De uma nuvem espessa
No quintal.
E caíram mangas maduras
E ficaram marcas nos joelhos
De quem ajoelhado rezou.
E foi um berro enchedor
De alguém que se segurava
E não emergia no poço,
E passaram-se horas,
Passaram-se séculos
Até se decidir,
Se vê depois....
Mas depois era muito depois
Do tempo marcado.
E as marcas em suas mãos
De gladiador,
Já faziam sangue pelo quarto
E nada de querer,
Nada de amar,
Só pelo que via
Debaixo, um buraco.
COMPANHIA
Tudo chega ao mesmo tempo
À mesma hora.
Lembranças repetidas
Nas suas ordens de chegada.
Quando me quieto,
Depois do ritual de preparar-me
Para deitar.
Quando ponho a cabeça
E aqueço os panos por entre o corpo
Tudo chega,
Lembranças tuas, lembranças.
Que vêm como pássaros buscando ninho
Aquecer os filhotes
Que ao dia receberam visitas rápidas,
De borboletas, restos de insetos,
Que só receberam ao bico,
Mas nenhum beijo.
E tudo chega e todos se deitam.
A cama é estreita,
Faltam lençóis pra nós.
E eu vou pegar.
Se pelo menos eles dormissem
E me deixassem solto em sonhos
Ou pesadelos de os machucar,
Rolar por cima,
E sob o meu peso,
Deles quebrarem-se
De desistirem e não mais voltarem.
E eles vem, instintivamente rindo,
Em todas as noites,
Quando da minha investida
De deitar sem ti.
De contar-me só
Num espaço hostil.
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naeno*comreservas
Idealizei e a conquista não se deu, mas se dará, é uma questão de tempo. Ser feliz... Sob quais circunstâncias, Deus me aviará.
Deus dará o sinal.
Bondade, discernimento, reconhecimento da igualdade entre todos os seres.
O meu sonho confunde-se com o sonho de todos e assim, de Deus. Ver os homens vivendo o presente com os olhos de uma criança na véspera do natal, esquecidos do passado, até do que aprenderam, para que a vida se torne uma eterna didática e o futuro a certeza de se aportar sem correr perigos, plenamente, já em estado de presente.
E de onde vem o meu sonho, se sempre estive tão atento a tudo, preocupado e encandeado com o cair de um galho esguio de uma árvore desproporcional ao vão aéreo em que ele se precipitaria?
Ouvia uma cigarra nos finais de tarde como quem ouve Mozart numa cantata de piano e violino, ou um Chico Buarque, extremamente melancólico em suas palavras de saudade explícitas, ou algo dos Beatles lá do tempo de todos de minha idade.
Meu sonho vem das noites em que estive plenamente sonolento, com as mãos pendendo fora do pano da rede no prazer de ver as palhas do teto de minha primeira casa se transformando em uma entrada de mar tomada de ondas brancas. Chama isto, o sonhador, o sonho que não incomoda e nem nos guarda e nem nos revela, não que entendamos. Com um pouco mais de esforço vê-se o menino sentado à frente da TV assistindo a um programa cibernético, ou o simples pousar leve, sereno, esperado, no meio de tantas nuvens, onde se colocam aqueles que ainda não formaram uma idéia ou um estereótipo para Deus nem para os anjos. Confunde céu com nuvens, com luzes de um início de uma quermesse, quando mil foguetes explodem tornando o alto, fulgurante, iluminado por todos os lados.
naeno*comreservas
O tempo se vai, tão depressa pra uns, devagar demais pra outros.
O fato é que ele sempre se vai.
E como se não bastasse vai sem se despedir, nos deixando lembranças, nos privando de alguns sonhos, às vezes até deixando cicatrizes.
Murcham-se as flores, caem-se as folhas, botões se abrem, galhos secam-se, sementes brotam. Cada qual no seu tempo porque 'tudo há o seu tempo determinado.
TEMPO
O tempo tece a roupa que vestimos
É o destino suas mãos habilidosas,
Que em tudo muda os feitios, as aparências.
E o acabamento, a amarração firme
Dos pontos atravessados, nó por nó.
É este denominado assim porque,
Não é sujeito e também sujeito a nada
Mas tudo rege elevado da gente
E a cada um sente tirar, sente faltar.
Não é preciso um tratado de filosofia
Pra se chegar à conclusão efusiva
Que uma tesoura corta lágrimas
Que uma agulha segura a mão
A mão de acalmar, de diminuir a enxurrada
O tempo urde, enquanto o tear manipula
E a catapulta armada,
A vontade de cortar desertos,
Sobrevoar mares, ir mais que o tempo
Dele se iludir, e se enganar de novo.
Caçadas dentro de mim, já risquei fósforos
Iluminado o teu olhar me aquieta
Quando me diz é por ali a estrada,
Sinto-me desmotivado, me sinto imortal.
Se o tempo esconde os presságios bons
Os alentos das dores, que não nos põe na mão,
As duas feridas, de uma ferida a outra
Quatro chagas dissipando-se nos dois lados.
O tempo impune, não sei o quê,
Aprendi chamá-lo com este nome falso
Mas que existe e na passagem rouca
Pensa-se tudo, se corre da estrada.
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naeno*comservas
Preciso de um tempo para mim
Ser o centro da minha atenção
Buscar o que me agrada
O que dá prazer...
ouvir música...
soltar o corpo numa dança...
ou a imaginação em um livro...
dirigir sem destino...
cuidar do corpo e da alimentação...
curtir um hobby...
pintar...
Preciso de um tempo para mim
Um tempo para nutrir minha alma
Um tempo para ouvir meu coração
Um tempo para conversar com DEUS...
Retorno à Inocência?
Às vezes, eu viajo no tempo.
Não há máquinas ou naves:
Apenas o meu pensamento.
E estas viagens são suaves.
Sigo as ruas da lembrança.
Basta uma brisa, um sopro,
E, súbito, o ido me alcança.
Então, não sou eu, sou outro.
Muito mais doce, puro e leve.
Exemplo: lembro de um celeiro.
E sinto uma paz quente, breve,
Além da carícia do vento-norte.
Ouço cantigas, até candeeiros.
E percebo: que minha, a sorte...
UMA TENTATIVA
Revolva-se o bom do tempo,
Todo silêncio.
Estanque-se os batimentos dos corações,
As pancadas das águas no fim do mar,
Silencie a abelha em sua arquitetura
Doce, doce.
Clareia e o mundo guisa, e faz barulho.
Quando não se emudece com o teu grito.
Tempo, para o silêncio,
Ou dá uma trégua
Da comoção de se estar vivo.
Vivo e só.
Morto e vivo, uma contracena,
Mentiras reveladas ao vento. Deus,
Feridas sem o vermelho rubro,
Tampa que não cobre a extinta morada.
De vertentes escorra, repúdio –
Tal como acostumaram a morte.
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naeno*comreservas
PROCISSÃO
Empurro o tempo com a barriga,
E será mesmo assim,
Que se conduz o andor tão delicado?
Não os paus nem a mão da fortaleza
Mas a imagem frágil da Santinha.
E aonde é que vai dar
A procissão comigo à frente,
Se daqui pra trás é que minha alma tende.
E deixo dia frouxo pra correr,
De mim que bulo em nada,
Nem sou incriminado por um exagero.
Santo leve que aos paus se engancha,
Se a correnteza for, como não espero,
Medonha.
Ligo os meus pensares numa linha tênue
Que faz que me liga
Mas à ponta pende,
Meu corpo monstruoso, indelicado espera,
Não me preparei pra morrer na véspera.
E sigo e toco e vou apartando o povo,
Procurando à frente, o que deixei atrás.
A na discórdia dos corpos do espaço,
Perco o meu provento,
Me perco do tempo,
Que já empurra com sua frente larga,
Do meu pé não deixa,
Minha vida não larga.
´´A vida responde às nossas atitudes``
Afinal tudo tem seu tempo. Se aceita que Deus não erra, deve saber que o melhor momento para nós é o hoje, o agora.Acredite sempre em sua felicidade e pense nela todos os instantes,somos livres para fazer o que quisermos e para cuidar de nossa felicidade. Isso é uma conquista e ela só depende de nós .Só se vence na vida quem acredita na vitória.Diga sempre o que pensa, faça oque lhe dá alegria, pois ninguém é vitima, a não ser de si mesmo. Esqueça as frases feitas, os preconceitos e evite interferir nas ideias alheias, saiba que as pessoas são livres para escolherem o próprio caminho, nunca esqueça que o orgulho é o maior obstáculo á felicidade.Ilude, infelicita, destrói...Cuidado com ele.Quando você dá força a pensamentos tristes, pensando no mal, está atraindo mais malefício a sua vida , e a vida não é apenas o mundo onde estamos agora.O universo é imenso e nosso espirito é eterno. Se quiser encontrar felicidade aqui na terra, devemos começar a esquecer as ofensas. Perdoe a todos pelo mal que lhe fizerão, compreedi com minha maturidade que a humanidade encontra-se dividida em dois grandes grupos: os que sabem e os que ignoram ou seja, os que já entenderam e os que estão cegos. Só o perdão liberta, constrói e nos leva à felicidade almejada.Tudo é escolha nossa,mas , muitas vezes nós revoltamos quando ao toque da desilusão, o reflexo de nossas escolhas atinge-nos o coração e ai é preciso sofrer pelo risco de perder, para que se aprenda o verdadeiro sentido de valorizar pedaços do cotidiano.O destino de cada ser é a própria felicidade; é o programa com o qual Deus individualizou e a vida exige que respeitemos o direito do outro, bem como sua liberdade. Quando a vida escolhe, tudo esta certo da maneira como é. Deus jamais erra ou comete injustiças. Lembre-se sempre Deus esta no leme de tudo.Entregue-se ao amor DELE e aconteçerá o melhor.Ele só não estara conosco se fugirmos dele.
A fé quando é sincera é muito poderosa.
NATAL
por um tempo eu vi toda a alegria
que podia o mundo.
Era um Deus menino a falar baixinho
De um amor profundo.
E nesse momento de contentamento
Do meu coração
Me senti tão perto de meu Deus presente
E elevei as mãos.
E naquele tempo era tão comum
Tantos reis na terra
A obediência de um homem pra o outro
Até matar na guerra.
Foi assim que Deus
Ao julgar violada toda sua lei
Não mandou profetas, todos ofendidos
Ele mesmo veio.
E chegou tão simples
Numa manjedoura, num leito de feno
Mas era o mais bonitos
E todos O olhavam, como a um Deus supremo.
E quando eu me lembro
Que aquele Menino foi tão diferente
Me angustia a alma
Por saber que os homens foram tão ausentes.
Quizera que o mundo
Só por um segundo O visse de novo
E deixasse Ele, como sempre quiz
Conduzir seu povo.
Eis aí o meu servo
A quem eu amparo por todo caminho
Sobre Ele eu faço repousar meu braço
Todo o meu carinho.
O tempo vai, o tempo vem
Como a verdade e o mar
O mundo dá o que o mundo tem
A liberdade e o luar
E o brilhar
O céu não nasce azul, não
E um pássaro voou
Deixem que esta mão se bata por mim
Já não há razão pra que nada seja assim
Não é a dor que é cruel
É o amor que rasga a pele e
Grita, sente, o meu corpo junto ao teu até morrer
Prende, quente, o meu rosto de guerreira e de mulher
Grita, sente, o meu corpo junto ao teu amanhecer
Prende, quente, o meu corpo junto ao teu até morrer
Grita, sente... de guerreira e de mulher
Prende, quente... junto ao teu até morrer
Grita, sente... de guerreira e de mulher
Prende, quente... junto ao teu até morrer
Grita, sente....
Foi cansando assim que percebi que meu tempo é particular. Não controlo nada e muito menos tenho poder para decretar quando será a hora certa. Ele tem cautela quando quer. Sabe estudar o terreno em que está entrando e não perde nenhum detalhe. Sempre olha pela janela e tenta sugar todas as informações antes de concordar com alguém que quer roubar minha atenção. Jamais permite que entrem sem bater e assim ele é vagaroso, indeciso, tomando muito mais tempo do que seria para desejar.
Ai surge um motivo que faz com que ele perca o controle. Tempo, tempo, tempo... Não existe mais tempo. Existe urgência de ser ali e agora. Já não existe cuidado. Existe pés fora do chão e descaso com o resultado. Ah, já não há mais medo e sim a vontade de cometer erros e imprudência sem razão. Ele não se importa com mais nada e só quer viver naquela rapidez. Mal olha o terreno antes de entrar e só pensa no momento em que vai desfrutar de cada lote daquela boca.
TEMPO
O tempo tece a roupa que vestimos
É o destino suas mãos habilidosas,
Que em tudo muda os feitios, as aparências.
E o acabamento, a amarração firme
Dos pontos atravessados, ponto a ponto.
É este denominado assim porque,
Não é sujeito e também sujeito a nada
Mas tudo rege elevado da gente
E de cada um sente tirar, sente faltar.
Não é preciso um tratado de filosofia
Pra se chegar à conclusão efusiva
Que uma tesoura corta uma lágrimas
E que uma agulha segura a mão
De acalmar, de diminuir a enxurrada
O tempo urde, enquanto o tear manipula
E a catapulta armada investe-nos
À vontade é atravessar desertos,
Sobrevoar mares, ir mais que o tempo
Dele se iludir, e se enganar de novo.
Caçadas dentro de mim, já risquei fósforos
Iluminado o teu olhar me aquieta
Quando me diz é por ali a estrada,
Sinto-me desmotivado, me sinto imortal.
Se o tempo esconde os presságios bons
Os alentos das dores, que não nos põe na mão,
As duas feridas, de uma ferida a outra
Quatro chagas dissipando-se nos dois lados.
O tempo impune, não sei o quê,
Aprendi chamá-lo com este nome falso
Mas que existe e na passagem rouca
Pensa-se tudo, se corre da estrada.
INFÂNCIA
Quando eu era menino
A vida era minha namorada.
E foi o tempo da melhor amada.
A vida também era menina,
E brincávamos de viver,
Desfazíamos tudo
Só para acomodar de novo.
Tínhamos tempo para tudo,
Até que a vida e eu fomos mudando
Eu me esticando
E ela se encurtando.
E por desavença, numa dessas brincadeiras,
Bati nela com uma cadeira,
E desencadeou-se um desencanto.
Duas caras de espanto.
Do meu lado, eu a desfazia,
Do seu, ela me agoniava
Com seus achaques de pura raiva.
E nunca mais nos demos bem,
Embora nos abracemos todos os dias,
Não passam de normalidades,
Um fala e o outro responde.
De mim, não há um amor que volta,
Dela recebo beijos à toa,
Acho que nos esquecemos, um do outro.
É tempo de seguir....
Hoje eu acordei para o NADA que eu significo
Dei-me conta do quanto não tenho valor algum para determinadas pessoas.
O quanto eu sou facilmente “esquecível”.
E totalmente substituível
Confesso que me senti uma tola.
Usada...
Porque por muitas vezes dei muito valor a essas mesmas pessoas.
Por muitas vezes persisti no relacionamento. Mas eu estava errada.
Porque é FATO, não adianta insistir.
Bater na porta de quem não quer e não vai abrir é em vão.
O que nos resta na verdade, é sair de frente a porta e seguir o caminho.
A vida anda mesmo que você esteja machucado, quebrado, dolorido.
Mesmo que fulano ou siclano que foi tão importante para você, hoje nem sequer lhe dirija a palavra
Infelizmente as atitudes do nosso próximo, não estão sobre nosso controle.
A gente pode tentar fazer com que eles enxerguem o quanto gostamos deles, o quanto somos amigos, amamos...
Mas em um determinado momento. Isso não nos compete mais...
Porque nós ja batemos o suficiente em suas portas.
Já expusemos demais nossos sentimentos.
Já nos “humilhamos” o quanto podemos.
Agora é tempo de deixar-los em paz.
É tempo de nos permitir seguir...
FAZ TEMPO
Tanto tempo faz,
Tempo já demais
E este tempo jaz
No meu coração.
Tempo que eu nem conto,
E este contraponto,
Dado em minha vida,
Sem mostrar saídas,
Tempo que me assusto
Dava tanto assunto,
E eu nem sei ligar,
Uma coisa a outra.
Se a vida é autora,
Desse meu penar,
Se a vida tem
A ver com esse desfecho,
O preço é muito mais,
Do que avalio e penso,
O tempo não se ausenta,
E eu larguei de contar.
Contar as desventuras,
Minhas amarguras,
Vou te suportar.
UMA TENTATIVA
Revolva-se o bom do tempo,
Todo silêncio.
Estanque-se os batimentos dos corações,
As pancadas das águas no fim do mar,
Silencie a abelha em sua arquitetura
Doce, doce.
Clareia e o mundo guisa, e faz barulho.
Quando não se emudece com o teu grito.
Tempo, para o silêncio,
Ou dá uma trégua
Da comoção de se estar vivo.
Vivo e só.
Morto e vivo, uma contracena,
Mentiras reveladas ao vento. Deus,
Feridas sem o vermelho rubro,
Tampa que não cobre a extinta morada.
De vertentes escorra, repúdio –
Tal como acostumaram a morte.
Meditando...
Entreguei-me a reflexão de mim mesma...
Parei o tempo...
Senti todos os processos físicos...
Vivenciei todos os processos mentais...
Até que por fim...
Encontrei-me com meu mais profundo ser...
Ser sagrado, esquecido, mas persistente a minha espera...
Como um velho amigo, relatei todos meus sentimentos mundanos...
E como uma luz divina existente em mim, que até então não sabia existir...
Purificou-me destes sentimentos...
Momentos de profunda comoção...
Mas, como o tempo fora de mim ainda existia... passaram-se os 60 minutos da meditação...
Ao abrir os olhos, percebi que não havia perdido a conexão deste ser habitado em mim, foi então que constatei, este ser sou eu...
Em toda minha vida, até aqui... vivi como uma máquina ligada ao automático...
Com atos e pensamentos impulsivos vindos na minha máquina que é denominada corpo...
Tudo o que provem desta máquina são puramente instintivos... são completamente o externo...
Não vem deste ser que somos nós realmente, a Alma...
Que deriva do anima...o principio que dá movimento ao que é vivo...
Por tanto, é de onde deve vir as ações, os pensamentos e sentimentos...
A alma é o que somos...
De dois seres habitando um mesmo corpo... agora passamos a formar um só...
TEMPO TEMPO
O tempo continua sua contagem e ninguém sabe,
A que alturas já está, em seu dedilhar acertado,
Se o que me resta ainda sonhar, me cabe
O querer mudar em mim a sorte, que delicado.
Eu ignoro desde quando fazes tuas contas
Mas consciente de que a cada dia aponta,
Essas mudanças que me fazem afrontas,
Pois recontar nos dedos, sabe-se dele pronto.
Ah tempo das discórdias resolvidas, mas
Ah tempo das feridas inda hoje abertas,
Ah tempo destemperado, frágil fugaz,
Considera meus ais, nas tuas contas certas.
Tempo em que posição estais agora, finda,
Em mim o tormento de querer saber de ti,
Mostra-me o teu rosto e verei ainda,
No crepúsculo um vulto a se espargir.
Conta-me de ti, que tudo de nós já sabes,
Acertas tuas contas, o que levastes a mais,
Ou o que deixastes menos, do que a ti cabes
Deixa-me quieto, passa, são só meus ais.
