Textos sobre Tempo
Colher o fruto la do alto da arvore, onde eu quase pensei que não alcançaria. E com ele nas mãos retiro a pele. Separo e dou o melhor pedaço da fruta madura para você, saborear. Alegro me com o doce da seiva do fruto e da flor que aviva seu olhar infantil de muitos sonhos frente ao mar.Ouvir baixinho seus suspiros. Orar e rogar aos anjinhos dos caminhos que sempre haja flores silvestres, passarinhos cantadores e borboletas de todas as cores por onde você nesta vida passar.Descobrir que o sentimento mais puro de querer bem vem por doação espontânea e não por qualquer tipo de troca, permuta ou reciprocidade. Afinal tudo acontece do seu próprio modo e no seu tempo e local particular. Amar.
Difícil encontrar disciplina de produção no processo criativo na arte propriamente dita, existe sim jornadas de montagens de terceiros ajudantes na montagem de uma ideia e instalação como também na produção do artesanato ou nas artes contemporâneas que se utilizam das plataformas das artes de ofício, marcenaria, tapeçaria, tecelagem, cerâmica, gravura, escultura, entre tantas outras criativamente diferenciadas das obras e objetos de produção.Sempre senti uma distância muito grande do artista entre as horas certas, os prazos determinados e o tempo do compromisso.Distância está tão grande que admito ser mais como uma abstração ilustrativa e/ou uma teorização meramente conceitual de ofício.A arte precisa da liberdade e o artista em sua maioria do caos mas não para ordenar o caos mas sim torna lo compreensível e visível a partir de uma nova linguagem e/ou de um novo ponto de vista.
Temos pelo menos dois tipos básicos de interpretação e aprendizado da arte em nossa vida.A primeira como um opção de ocupação, que demanda conhecimento de uma técnica e um controle de administração do tempo.E a segunda como a opção de expressão que demanda a sem fim pesquisa incessante de todas às técnicas e uma total liberdade inovadora criativa sem fim e sem começo, uma inquietação muito além de qualquer tempo.
Ter idade avançada não significa ser respeitoso; ser inteligente não significa ser sábio; ser belo não significa que é bom; ter conhecimento não significa ter discernimento. Como outras coisas, não adianta ter ou ser legal se nada de bom se faz com isso. Tempo onde muitos têm e são muitas coisas, mas não passam de um enorme vazio.
Matéria, espaço, tempo, apenas três elementos para que se sucedam as leis naturais, as quais regem o coral que conduz a formação da existência, que por sua vez se revela em um contínuo ciclo de infindáveis deteriorações e reformulações da matéria dentro do espaço, através dos tempos. A lei é o regente dessa orquestra que não dá vez à sentimentos, pois é firme e direto, promovendo a música da morte. Esse é "o brilhante, estrela da manhã,Lúcifer". Mas nem tudo está perdido na existência, pois como por um milagre, um outro regente se reverbera em todos os cantos, dentro e fora do espaço natural conhecido, onde as leis imperam, com a sua orquestra divina. Com Ele as leis já não são mais o todo, onde o natural é como o nada, e a matéria se desfaz em si mesma. Este regente está entoando o cântico dos cânticos, fazendo aquilo que as leis não proporcionam, a misericórdia, a paciência e a maior das leis que não é natural, mas divina, o amor. E assim, entoando o som que emudece todos os outros, ele triunfante agora neste exato momento está tocando o hino da vitória, o verdadeiro som que traz o equilíbrio à existência, que é o da vida. Esse é Javé, "Aquele Que Faz Que Venha a Ser".
Esse corpo que por mais cuidado que receba, têm sim um tempo limite de utilização. Tempo este definido por uma complexidade tão grande quanto entender a palavra 'complexo'. É mesmo um vaso que utilizamos por empréstimo, e até que vaso não possa mais ser. Que nele cultivemos só o melhor, desgastando-o só com o que faz bem!
Desde muito tempo, através de tudo e todos, histórias e fatos, vamos aprendendo que o mal na unidade é tão ou mais forte quanto o bem na coletividade. Mal este muito identificado como se vindo de um só, enquanto a força do bem só existe se vier de vários. Se o mal sozinho é tudo isto que pregam, que continuemos a mostrar o bem e a força adivinda de Nossa União.
Refletir bastante sobre os acontecimentos que me cercam, que me envolvem e tudo o que acontece e está a minha vista, ao meu alcance e em eu. Vejo que o tempo não retrocede, por nada nem por ninguém, mas sou feliz por sentir ele abraçar-me instante após instante, dia após dia, e me permitir estar a refletir.
Correndo o tempo, em apenas um segundo, esbarrei em uma lembrança que me levou até algo, até um lugar, até um tempo que já se foi... Senti aquele cheiro de flores, daquele campo multicor e de repente me vi correndo com aquela sacolinha transparente, aberta entre as mãos, junto às flores e ao final do correr a segurava ainda aberta, só para ver as borboletas multicoloridas saírem para se lançarem novamente às flores. Esbarro no tempo e me vejo aqui novamente, ciente acreditava naquele tempo eu me sentia dono daquele espaço e muito seguro, tudo por falta de conhecer os verdadeiros males deste mundo. Tudo isso em apenas um segundo.
Quem dera fosse um destes vampiros que não têm medo do tempo, pois este não é o seu maior inimigo. Destes que não se preocupam com o dinheiro, pois o seu tempo infinito não lhe faz preocupar-se com tão pouco. Um destes em que o medo jamais bateria em sua porta, pois sabes têm todas as chances que o tempo, o dinheiro e a falta de medo podem lhe dar.
Socialmente, pelas atitudes, muitos nasceram para a feiúra, mas com o passar das experiências alguns conseguem ficar lindos. Uns outros não se incomodam com a sua feiúra, pois acreditam essa é sua única possibilidade de ser. Outros nascem lindos e vão ficando maravilhosos com o tempo. Aos que nasceram ou ficaram lindos em uma sociedade cheia de motivos para se ser feio, e insistem em ser lindos, parabéns, vocês sim são os verdadeiros heróis desta sociedade.
Em um reino distante, em tempo também distante, entenderam a realeza que continuar como eram não seria bom, devido também as mudanças nos sistemas de poderes fora dali. Assim, decidiram implantar um sistema de governo que pudesse ser agradável a todos, onde todos seriam donos daquele reino, mas no fundo não queriam perder o poder que tinham e apesar que tenham dado à todos o poder da escolha, dividiram essa escolha em duas partes, garantido desta forma a permanência no poder apenas daqueles que sempre os possuíram. Porém, passado um bom tempo, o povo, de esquerda do poder, parecia saber como jogar o jogo do sistema, mesmo sendo sempre quem está abaixo do poder lutando para tê-lo. Ainda que quem assume o poder sempre, sempre se confunde com algumas das essências de quem o possuía, pelas beiradas ou imperceptível, passa à direita. Talvez este seja sim um problema do poder, mas o capitalismo é sem dúvidas uma incrível saída política, pois, ainda que da riqueza à pobreza ou da pobreza à riqueza em um piscar de olhos, a crença de que a culpa de tudo é tida por diligência ou desleixos individuais, faz com que este sistema jamais seja questionado, e assim, seus ideais cúpidos passam despercebidos da maioria, e talvez este seja mesmo um problema do sistema...
Têm gente que procura mesmo é ser pouco, pessoas que não vale a pena contrariar, ruins no existir e que gostam mesmo é de ser mal. Contra essas, tranquilidade, o tempo também é juiz, pois os carniceiros morrem engasgados com a própria carne, os mentirosos pela própria língua e os sanguinários se afogam no próprio sangue.
O tempo traz à alma a oportunidade de amadurecimento, mas algumas em contradição ao natural tendem a se enrijecer, parecendo mais uma sólida estátua que o que deveriam ser, um ar fresco, brisa ao vento, orvalho indicando o nascer do sol ou a noite, mostrando assim a vida e não a falta desta. Como o peso, a leveza da alma é uma escolha e não o destino, pois cada um cuida da sua como bem quer.
Em tempo de adolescência se concluiu uma grande separação. Se separou, motivo havia, ainda que familiares, causa de vida que entendo melhor resolvida pela vontade de ganhar. Não muito tempo depois, embora um tempo de velhice, uma nova separação, feita também pela liberdade, mas novamente por força bruta. Hoje, gerações à frente ainda somos perfeitamente forjados com grilhões. Gritar é pouco, cada área o seu jargão, assim desejo melhor que separar, melhor que ressignificar, seja a arte de compartilhar.
Que a distância entre os corpos que gostariam de estar perto, mas estão longe uns dos outros seja encurtada, seja inexistente através da grandeza do desejo do bem um para com o outro. Aos que estão perto, aproximem-se mais, e que os distantes saibam que o amor além de não temer o tempo ou a distância, em nada se preocupa com a falta de ter, pois persiste apenas em ser, pois é amor.
Não fossem as dificuldades restaria apenas o conforto, porém, se não há mudanças quando em conforto, que progressos viriam sem os obstáculos, senão e apenas a passagem do tempo? Se o conforto toma conta da existência, o tempo com fluidez destrói as expertises necessárias ao combate às complexidades. Valorize as suas dificuldades, essas sim mais estáveis que o seu conforto, casual, frágil e desajuizado.
O tempo existe justamente para que possamos lutar e exercitar tudo o que é possível ao viver. De todos os deuses regentes de sua existência, tenha este como amigo, pois, essa é a melhor das escolhas para que ele não aplaque todas as tuas conquistas com um simples ‘não valeu a pena’.
Para o Bom Deus a maior parte de nós em nosso ínfimo tempo neste sistema de coisas, não passam de crianças mimadas capazes de realizar muitas coisas que pedimos Ele realize. Deveríamos ter Deus ou o Diabo apenas para decidirmos um lado em estar, um caminho a seguir, mas os temos para ficar culpando um ou outro pelo que escolhemos ser e fazer. Nosso maior erro é acreditar que um ou outro é culpado pelo que nós somos e fazemos.
Muitos me erram e também causam danos, muitas vezes tento entender os seus motivos e eventualmente até mudo, mudo eu, tento perdoar e ajudo se for necessário, gastando muita energia e tempo na causa. Mas eu também erro, inclusive com eu mesmo. Se perdoar aos outros é um objetivo, perdoar-me deve ser uma prioridade.
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