Textos Reflexivos sobre Crianças

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Quando criança, vivia buscando maneiras de brincar, jogar, me divertir. Não importava com quem estava, o importante era buscar o novo.


Quando adolescente, vivia buscando maneiras de me provar, maneiras novas de sentir as coisas. Era uma constante busca pelo novo e feliz.
Mas nessa época me dei conta das primeiras dores da minha infância, e as buscas começaram a ser para escapar disso.


Quando adulto. Busco interminavelmente maneiras de fugir do passado, busco efêmeras meios de fugir do presente. Mãos trêmulas, coração disparado, mente tormentada... Cada vez mais tenho medo do futuro, não por medo da morte, e sim medo de continuar sendo quem sou.

A roda está aberta




Quando eu era criança,
o mundo não explicava nada,
apenas acontecia.


As árvores falavam baixo,
os rios riam alto,
e o céu trocava de roupa
sem pedir opinião.


Eu acreditava.
E isso bastava.


Os antigos sabiam:
em algumas aldeias do Sahel,
as crianças nascem velhas
e vão ficando leves com o tempo.
Entre os hopis,
elas chegam trazendo histórias
que os adultos esqueceram de escutar.


Por isso brincam.
Para lembrar.


Quando virei jovem,
o sangue quis correr mais rápido que o destino.
Aprendi com Inanna
que descer aos infernos
também é iniciação.
Com Oxum,
que beleza é força em estado líquido.
Com os gregos bêbados de Dioniso,
que o corpo pensa
quando dança.


Errei muito.
E cada erro
abriu uma janela.


Os astrônomos da Babilônia diziam
que o céu é um livro em movimento.
Os povos do Pacífico navegavam
lendo ondas invisíveis.
Eu também aprendi a me orientar
pelo que não se vê.


Hoje caminho como anciã
mesmo rindo como menina.
Carrego o tempo dobrado nos bolsos.
Sei que o mundo nasce, quebra,
renasce torto
e continua.


As avós da floresta dizem
que a morte é só uma mudança de canto.
Os xamãs da neve
sabem que o silêncio também ensina.
Os griôs guardam universos inteiros
numa pausa bem colocada.


Dentro de mim,
todas as idades conversam.


A criança puxa minha mão
para correr atrás de borboletas.
A jovem acende fogueiras
onde disseram que era perigoso.
A velha sopra brasas
e chama isso de bênção.


E eu canto.
Mesmo sem afinação.
Eu danço.
Mesmo sem plateia.
Eu celebro.
Porque estar viva
é o maior segredo já contado.


Se você chegou até aqui,
não é por acaso.
Os antigos dizem
que quando um texto toca o peito,
é porque ele te reconheceu primeiro.


Então entra.
A roda está aberta.
Tem riso, tem tambor,
tem vida passando agora.

Se soubesse criança como passa o tempo.
Voltavas a brincar.
Continuava sorrir.
Aproveitava o viver.
A vida adulta é pura lamúria.
Tudo tem cheiro de saudade.
Queria ter ainda a confiança do abandono.
Quando me esquecia nas mãos de Deus.
Hoje que cresci e assumi o controle, não vivo.
Tudo é se der,
tudo é quem sabe.

Ser criança de novo, esquecer do relógio, esquecer do meu medo


por: Felipe Uzzires


papo reto?
não era pra ser tão pesado assim.
Com 20 poucos anos nas costas e um cansaço que não combina,
eu só queria voltar pra onde o mundo era pequeno.


ser criança de novo,
esquecer do relógio,
esquecer do meu medo.


Tem dia que a gente acorda e já tá devendo até coragem.
Sorriso forçado, passo arrastados,
e lá dentro, bem quietinho,
o moleque que fui quieto e cansado chama meu nome querendo.


ser criança de novo,
esquecer do relógio,
esquecer do meu medo.


Eu sinto falta de tropeçar sem medo de cair,
de errar e rir, de errar de novo e rir mais alto ainda.
Hoje qualquer erro parece um peso eterno,
como se a vida não perdoasse mais ninguém,
como se eu fosse invisível,
como se fosse impossível.


ser criança de novo,
esquecer do relógio,
esquecer do meu medo.


Talvez eu nunca volte de verdade, né?
Talvez crescer seja isso mesmo:
carregar as saudades, de desapegos, pessoas indo, e outros voltando,
Mas ainda assim eu queria.


ser criança de novo,
esquecer do relógio,
esquecer do meu medo.

Desde criança eu carregava um mapa
que ninguém via
uma casa aberta no meio do mundo,
gente chegando cansada
e saindo com um pouco mais de vida.


Enquanto os outros sonhavam viagens,
eu sonhava abrigo.
Sonhava mãos dadas,
cadeiras puxadas pra perto,
um lugar onde ninguém fosse peso.


O tempo passou
e disseram que crescer
era esquecer essas ideias grandes.
Mas meu peito nunca aprendeu a ser pequeno.


E então a vida colocou pessoas no caminho
que acenderam o desenho antigo.
Não como salvação,
mas como espelho:


“olha, isso ainda mora em você.”


Conhecer alguém
não criou o sonho
só deu nome à coragem
de tirá-lo da gaveta.


Meu instituto não é prédio,
é promessa.
É a criança que fui
estendendo a mão pra adulta que sou
e dizendo:


“a gente ainda pode.”


Quero construir um lugar
onde a dor não seja vergonha,
onde intensidade seja força,
onde gente quebrada
descubra que ainda é casa.


Se um dia isso existir
não será milagre.
Será soma:
de quedas,
de encontros,
de amor que não coube em mim
e precisou virar mundo.

Ensinar Física,
para uma criança do Ensino Fundamental.
Mesa, cadeira, janela, porta.

Eu, não sei.

Aprender, e entender; cansa.
Insistência. Perseverança.
Intervalos.
Hoje é um dia, amanhã é outro.
Não acabou. Não terminou.
Continua.
Aí. Sentir, a dor. É assim.
Disfarça.
Pensar positivo. Ser otimista.

Antes mesmo de começar à escrever,
Aprendi à temer.

Quando não passava de uma criança,
Cheia de esperança,
Que brincava de boneca, e sonhava em ser princesa.

Aprendi cedo demais,
Que de fazer maldade, qualquer um é capaz.

Que não precisa ser estranho, pra nos roubar a infância, e impedir de ser criança.

Cresci com o peito doendo,
Tentando curar uma ferida
Que eu nem sabia de onde vinha.

Vivia com uma culpa que não era minha, E um peso tão grande que minhas mãos tão pequenas não sabiam como carregar.

Não conseguia lutar, e ninguém eu tinha pra fazer isso por mim.
Todo mundo me dizia:
"Deixa isso passar!"
E assim, deixei.
Mas o que foi embora, não foi a dor.
Fui eu mesma quem ficou pra trás.

Ninguém ensina
Como crescer direito
Depois de ter a sina
De ser roubada a inocência.

Ninguém me contou
Como se vivia
Depois de ter sido objeto
Antes de sequer poder lembrar
Que eu existia.

Me disseram que o tempo cura,
Mas esquecerem de dizer que o tempo também cobra.
E que se uma ferida não for cuidada, O tempo cicatriza torto, e a dor nunca vai embora.

Hoje, já cresci.
Mas não cresci inteira.
E sim, com um pedaço de mim faltando.

E por isso, carrego comigo um grito antigo.
Que não foi ouvido, mas sim abafado..
E isso antes de eu sequer poder entender o que, e por que tinha acontecido.

E eu sei que não é justo comigo
Carregar sozinha
Algo que nunca foi culpa minha.
Mas ainda sim, fico em silêncio.
E quando a dor chega com força,
Eu pego meu caderno e escrevo.

Por que essa dor
Não vai embora, só ameniza.
Por que não tem como não doer,
Sendo que eu nunca vou saber
Quem eu poderia ter sido.
Se eu não tivesse temido,
Antes de ao menos ter a chance de aprender escrever.

-Victória Licodiedoff Lemos

Despertar

Abra os olhos vagarosamente,
veja a vida te convidando a viver.
A vida é criança perfeita,
que renasce a cada amanhecer.

O ontem levou consigo as oportunidades perdidas,
não se prenda a ele,
veja novas oportunidades,
sendo oferecida.

Se perdestes o tempo de um sonho que a circunstância lhe roubou,
a vida é mãe carinhosa ,
outro sonho lhe ofertou.

A vida é um presente,
que só se vive no presente,
não se sinta descontente,
com o que o ontem lhe roubou.

Autor. Cícero Marcos

Serei Como Criança



Enquanto eu estava andando na rua, uma criança sorriu para mim.

Nesse dia eu estava cabisbaixo e, depois que eu vi aquela criança

com o sorriso verdadeiro que no seu rosto estava estampado,

eu, naquele exato momento, percebi que minha tristeza havia evaporado.

E nesse dia eu decidi ser sempre uma criança,

ser sincero e verdadeiro em cada ato.

Minha missão agora é espalhar amor e alegria,

e como uma criança serei luz até onde as trevas dominam.

Serei feliz até nos momentos ruins, como as crianças da periferia,

que fazem com que a zona de guerra seja o lugar onde se empina pipa.

Vamos pegar um balde de tinta

e, nesse chão onde só se jorra sangue,

vamos desenhar uma amarelinha.

Serei criança, porque elas são anjos

que são blindados da maldade do mundo cruel.

E nessa brincadeira de amarelinha peço a Deus que me espere,

pois falta um pulo para que eu volte para o céu.

Gentileza

" Diga bom dia para o seu vizinho
sorria para uma criança
no transito seja gentil
cultive bons hábitos
Gentileza gera gentileza
todo o bem que você direcionar a alguém
voltará para você também
lembre de quem está precisando de ajuda
são nossos irmãos
generosidade e fraternidade
tornam o mundo um lugar melhor de se viver
faça algo fora do comum
visite um hospital
uma casa de repouso
propague o bem
confie na força do sorriso
e ajude a florir nosso amanhã
um bom dia logo cedo é quase uma declaração de amor
pela vida...
Bom dia.

Gotas de lágrimas

Quando eu era criança presenciei inúmeras vezes a minha mãe chorar, horas para pedir a clemência de Deus, horas para agradecer pela clemência que Deus concedera a ela.

Presenciei inúmeras vezes suas lágrimas ocasionadas pelo preconceito que ela sofria por conta da vida humilde que ela tinha, quantidade de filhos que sustentava, e por que ganhava a vida sozinha.


Zombavam da sua casa simples Que era feita de alvenaria sem estrutura, enquanto minha mãe chorava de felicidade por sair da tapera cujo teto e as paredes eram feitas de tapete.

Sem entender o motivo de suas lágrimas, por conta da pouca idade que eu tinha, me perguntei inúmeras vezes porque tantas lágrimas caia.

Hoje eu sendo mulher, mãe de dois filhos e sozinha, vejo os mesmos motivos das lágrimas da mãezinha.

E como ela chorou, eu também posso chorar horas para agradecer a Deus por tanta clemência, horas para pedir de Deus clemência.

Nesse momento eu me calarei, não direi uma só palavra, deixarei que minha lágrima caia,
Que fale por mim como as lágrimas da minha mãe falavam.

E como inúmeras vezes por tanta clemência agradecem as minhas lágrimas, por clemência elas rolam de novo, molhando meu rosto pouco a pouco.

Não tenho mais palavras, nesse momento tudo que tenho são gotas de lágrimas.

O último ano das coisas


Quando se é criança, não pensamos muito bem
Que daqui a algum tempo, algo vai acontecer


Quando se é criança, pensamos no momento
Brincadeiras
Risadas
Desenhos
Piadas


A escola é legal
Os amigos mais ainda
Professora gentil
Atividades divertidas..


No quinto ano, o medo bate
Vou pra escola de gente grande
Será que ainda vou ter amigos?
Será que ainda vai ser divertido?


Passamos as férias ansiosos,
Com medo de errar escrevendo de caneta pela primeira vez
Medo de não dar conta, por ter muitas lições de casa


Medo de vários professores, quando antes eram apenas um ou dois
Matérias novas e...
Quando acontece, tudo fica diferente, mas não é ruim


Depois de uns anos a gente percebe que aquele medo era bobo, e que tá tudo bem
Mas em pouco tempo da confirmação de que tá tudo certo, acaba o fundamental


Agora eu sou a tal "gente grande"
Ensino médio? Socorro
Mais matérias
Mais trabalhos
Mais professores..


Aquele medo antigo volta de novo
E os meus amigos?
Eu vou dar conta?
E agora?


Um ano depois, já está tudo bem de novo
"Que medo besta eu tinha"
E mais um pouco.. menos tempo... 3° ano


Ferrou,
Vestibulares, cursos, profissões, responsabilidades
O medo retornou, mais uma vez..


A partir daqui, eu não sei o que acontece
Estamos juntos nessa
Mas olhando o padrão, como aprendemos muito..
Podemos perceber, que não vai ser tão diferente do que já foi


(Obrigada, do fundo do meu coração.. 9C, e 3B)


Fe Vaz ~ 06 de outubro 2025

O que restará do mundo sem seu olhar? Quem protegerá as crianças, a natureza, os frágeis valores que defende? Seus projetos, seus grupos, seus gritos e músicas desaparecerão no silêncio? Sua birra, sua marra, sua casa, seu poder e até sua pretensão ...
Afinal, o que é você sem tudo isso que chama de "seu"? Talvez a resposta não esteja no que deixa, mas no que é quando nada o define. Sem as referências, descobre que sua essência é anterior a qualquer posse ou papel. E que, talvez, o mundo seguirá, ...

Na primeira página, a criança escreve com a tinta da certeza absoluta. O mundo é simples, concreto e real como seu próprio corpo. Ela não duvida do que vê e toca.


Na segunda página, o adolescente vira-se para dentro. É o sonhador. Precisa entender o furacão de seus sentimentos antes de entender o que está lá fora. É um mundo de ideias e descobertas.


A terceira página pertence ao adulto, o prático. Ele aprendeu a perguntar. Duvida dos caminhos, para não se perder neles. Sabe que os planos podem mudar, e por isso mantém a mente leve, pronto para corrigir a rota.


A última página é do Idoso, que desenha com a pena da serenidade. Ele olha para trás e vê que a vida é feita de sorte e acaso. A lógica falha, o inesperado acontece, e a paz está justamente em aceitar esse mistério. Ele contempla o que foi e o que ainda virá, e ali encontra seu descanso.

O perfeito louvor sai dos lábios de uma criança, onde o coração é puro, sem maldades ou desejo de vingança.

Muitos acham vivem no engano e ilusão, achando que louvar é interpretar um arranjo musical, expressar em voz a letra de uma canção.

Louvar é fazer a vontade do Altíssimo e Soberano Pai Celestial, Deixar os vícios e caminhos mal.
É expressar a todo o tempo o verdadeiro desejo em praticar o bem, servir e ajudar o próximo sem importar a quem.

Louvar a Deus não é segurar o microfone na congregação e fazer uma linda apresentação. Vai muito além de dominar as técnicas vocais e se apresentar também.

De que adiantar louvar com os lábios e manter o coração tão distante do Senhor?
Qual proveito tem se glorifica com a boca, e o coração vazio do verdadeiro louvor?

Louve ao Senhor, em espírito e em verdade, não importa onde estiver, seja no campo ou na cidade.
Exalte ao Senhor Jesus, nosso único e verdadeiro mediador, o elo perfeito entre nós humanos e o Eterno e Altíssimo Pai criador.

Tudo o quanto tem fôlego, Louve ao Senhor.

Halleluyah!!!

Criança é ser especial! É o verdadeiro brilho da realidade.
E a ânsia de ser feliz, de buscar no desenho do giz a sua verdade;
Ser criança é ir além, é sentir o infinito como mais ninguém.
Ser criança é se fazer inteiro, é ser o primeiro e nada vale pela metade;
Criança! Seu nome se espelha a Esperança;
A pura autenticidade e festança, que compõe a nossa felicidade.
Nara Nubia Alencar Queiroz

Criança, joia rara;
Trem-bala que o tempo não para; leveza, clareza, sabedoria, bela pureza!
Criança, entoa riso em tudo que é preciso; é energia, é alegria, e é sempre clara.
Criança é carinho, é caminho, é semente que brota e desabrocha pouco a pouco do nosso ninho;
Criança é gigante, faz do simples núcleo, um feliz universo avante.
Criança, fase mutante e curta;
Aceite e aproveite! E nunca a esqueça na remanescente estação adulta.

⁠A vida de uma mulher não é disputa
“Ele desferiu os tiros na frente da criança. Ela presenciou a mãe sendo quase morta, tornando esse crime ainda mais cruel.”
— Evelyn Lucy Alves da Luz, sobrevivente de tentativa de feminicídio
O feminicídio não é apenas um crime — é o reflexo de uma cultura que ainda normaliza possessividade, controle e violência. Cada mulher assassinada carrega sonhos interrompidos, histórias não contadas, afetos que jamais se realizarão. Cada ato de agressão é um lembrete silencioso de que a sociedade falha quando desrespeita a humanidade feminina.
Olho para trás e vejo histórias que ecoam até hoje: mulheres perseguidas nas caças às bruxas na Europa, escravizadas e abusadas nas Américas, violentadas nos horrores do Holocausto, e lutadoras como as sufragistas britânicas, presas e maltratadas por simplesmente querer existir em igualdade. E, ainda hoje, jovens vítimas de feminicídio em cidades que fingem não ver.
Nós, mulheres, precisamos nos enxergar e nos reconhecer nesse mundo que insiste em medir valor pelo poder que outros exercem sobre nós. Homens precisam olhar para si mesmos. Violência não surge do nada. Ela cresce em olhares que julgam, palavras que diminuem, comportamentos que confundem amor com posse. Ignorar isso é compactuar. Cada silêncio, cada justificativa, cada minimização alimenta padrões que podem levar à tragédia.
Como dizia a pedagoga e educadora Maria Montessori, “A primeira tarefa da educação é ajudar a vida a se desenvolver em todo o seu potencial”. Educar é, portanto, também confrontar nossas próprias sombras e reconhecer o que toleramos dentro de nós e na sociedade.
A psicologia nos ensina que comportamentos violentos muitas vezes nascem de traumas, inseguranças e padrões aprendidos desde cedo. A psicanálise aprofunda essa compreensão. Como afirmou Anna Freud, “O ego precisa aprender a distinguir entre desejo e realidade”, lembrando que reconhecer nossos impulsos, frustrações e desejos é essencial para não projetá-los no outro.
E como destacou Karen Horney, pioneira da psicanálise feminista:
“A cultura que reprime e desvaloriza o feminino cria conflitos internos que refletem violência no mundo exterior.”
Negar essas forças internas não as elimina; apenas transfere o conflito para fora, e quem sofre é sempre o mais vulnerável.
A biologia reforça essa perspectiva: somos seres sociais, moldados para empatia e cooperação. Como disse Jane Goodall, etóloga e bióloga:
“O cuidado, a observação e o respeito pelas relações sociais nos mostram o quanto a compaixão é essencial para a sobrevivência.”
A neurocientista May-Britt Moser, ganhadora do Nobel, lembra que nossos circuitos cerebrais estão profundamente conectados com o mundo ao nosso redor — um alicerce biológico da empatia que nos liga às outras pessoas e nos alerta sobre o impacto de nossos atos.
E a filósofa feminista Carol Gilligan nos desafia:
“A ética do cuidado amplia a compreensão humana, conectando responsabilidade e relação ao invés de dominação e divisão.”
O feminicídio não começa no ato final; ele nasce no cotidiano — na cultura que ensina homens a dominar, na indiferença que permite que pequenas agressões passem despercebidas, na normalização de atitudes que desrespeitam e diminuem mulheres. Cada escolha de respeito é um passo em direção à humanidade; cada escolha de silêncio é um passo para o crime.
A grandeza não está em dominar, mas em proteger.
Não está em justificar, mas em questionar.
Não está em controlar, mas em compreender.
O limite da humanidade não está na violência cometida, mas na complacência que permitimos.
O feminicídio não é um problema apenas das mulheres. É um problema de todos. Cada gesto de cuidado, cada ação consciente, cada palavra que ensina respeito é resistência. Cada indiferença é cumplicidade.
O ser humano se expande quando escolhe observar, escutar e respeitar.
Se retrai quando ignora o impacto de suas ações.
Avança quando enfrenta suas próprias sombras.
Transcende quando integra consciência, instinto e emoção.
Cada escolha que fazemos — silenciosa ou visível — constrói o mundo que teremos amanhã. Cada um de nós carrega a responsabilidade de agir antes que seja tarde. Respeito, cuidado e empatia não são apenas escolhas éticas; são expressão da nossa própria humanidade.
A vida de uma mulher é valiosa, e a responsabilidade de preservá-la é de todos nós. Não há justificativa, não há indiferença possível. O limite da humanidade é a empatia que deixamos de praticar.
E então percebemos — quando a rotina parece normal, quando o mundo finge não ouvir — que a verdadeira pergunta não é se agimos para proteger, mas quanto da nossa indiferença diária estamos dispostas a carregar sem perceber, e que talvez, um dia, o preço dessa inação seja inevitável.
O silêncio, que parecia tão confortável, se torna incômodo.
O olhar que desviamos, se torna pesado.
E a consciência, que evitamos confrontar, permanece ali, insistente e viva, lembrando que cada gesto ignorado tem consequências que não podemos mais apagar.
Verso final:
“Cada olhar que desviamos, cada silêncio que aceitamos, constrói um mundo que já carrega a dor que poderíamos ter impedido. A grandeza humana não está em dominar ou calar, mas em reconhecer, cuidar e agir — pois é nas escolhas diárias, pequenas e silenciosas, que se mede se seremos verdadeiramente humanos ou cúmplices da indiferença.”

A criança não guarda rancor...
Devemos fazer o mesmo, pois quem guarda coisas que não presta é lixeira...
E o nosso coração não é lugar de lixo...
É lugar para sentimentos bons...
Guardar mágoa é manter a sua alma em cárcere...
È trazer infelicidade e doenças para o corpo...
Para resgatar o coração de criança que um dia habitou em nós precisamos nos livrar da raiva, da mágoa, dos sentimento de vingança, e do pior deles o ódio! Precisamos principalmente exercitar o perdão acima de tudo...

Saudade do tempo de criança


Saudade do tempo de criança
quando corria na chuva
ou brincava no barro
sem medo de se sujar


saudade do tempo de criança
dos pés descalços no quintal
do vento no rosto
e do cheiro de terra molhada


saudade do tempo de criança
da bola correndo solta
na rua de terra
do interior
onde morava a felicidade


e da bicicleta velha
que parecia voar


saudade do tempo de criança
das noites calmas
com grilo cantando no escuro
e o céu vermelho
se despedindo da tarde


saudade do tempo de criança
quando criança queria ser grande


engraçado


quando cresceu
deu saudade de ser criança


saudade daquele tempo
em que tudo que se imaginava
parecia possível


porque tem coisas
que o tempo não apaga


a criança ainda mora aqui


nos sonhos guardados
na esperança teimosa


em tudo aquilo
que um dia a criança sonhou


e que ainda pode acontecer


porque no fundo


a criança nunca foi embora


ela só ficou ali


quietinha


esperando a gente lembrar dela.