Textos Reflexivos sobre Casamento
O amor também saiu às ruas
Uma crônica carioca sobre política, encontros e a estranha esperança de começar de novo.
O Rio de Janeiro tem dessas coisas: transforma qualquer acontecimento em espetáculo. Uma chuva de verão vira tragédia, um gol no Maracanã vira assunto de família, e a vitória de um presidente pode fazer da Cinelândia um lugar onde até os desconhecidos parecem ter alguma coisa em comum.
Naquela noite, o Centro estava tomado por gente. Havia bandeiras vermelhas, cartazes improvisados, vendedores de cerveja, ambulantes disputando espaço com os manifestantes e senhores de cabelos brancos abraçados como se tivessem acabado de reencontrar irmãos que a vida lhes roubara. Do alto dos prédios antigos, as janelas abertas pareciam camarotes de um teatro popular. A cidade inteira tinha descido para a rua.
O presidente de esquerda havia vencido.
Para alguns, era a confirmação de uma esperança antiga. Para outros, apenas mais um capítulo de uma história que nunca terminava como deveria. Mas, naquela noite, pelo menos entre as pessoas reunidas na praça, havia uma vontade quase infantil de acreditar que o futuro ainda podia ser diferente.
Clara chegou sozinha, depois de sair do trabalho. Trazia uma bolsa grande demais para o pouco que carregava, o cabelo preso de qualquer maneira e o cansaço de quem passara o dia inteiro atendendo pessoas que não sabiam seu nome, embora dependessem do seu trabalho. Tinha trinta e poucos anos e já aprendera a desconfiar das grandes promessas. Ainda assim, guardava dentro de si uma espécie de teimosia que não lhe permitia desistir completamente.
Não fora à comemoração por acreditar que um presidente pudesse resolver a vida de todo mundo. Fora porque precisava estar em algum lugar onde as pessoas ainda tivessem coragem de desejar alguma coisa.
Roberto estava ali pelo motivo oposto, embora talvez fosse o mesmo.
Tinha chegado cedo, carregando uma bandeira enrolada debaixo do braço e uma pequena garrafa de água no bolso de trás da calça. Durante anos, acompanhara eleições, manifestações, greves e derrotas. Já vira amigos abandonarem a militância, casamentos acabarem por divergências políticas e homens que discursavam sobre o povo serem incapazes de tratar bem o garçom que lhes servia o almoço.
Acreditava na política, mas desconfiava dos políticos. Era uma contradição que aprendera a carregar sem fazer muito barulho.
Conheceu Clara por causa de uma cerveja.
Na verdade, foi por causa do empurrão de um rapaz que passava apressado, tropeçou no pé dela e quase derrubou a bebida que Roberto segurava. Clara conseguiu se desviar, mas o líquido terminou espalhado na camisa dele.
— Pronto — disse ela, olhando a mancha. — A revolução começou e já deixou um ferido.
Roberto olhou para a própria camisa, depois para ela.
— Pelo menos não foi uma revolução armada.
Clara riu. Riu com vontade, sem aquela educação automática que as pessoas usam para demonstrar que ouviram uma piada. E Roberto, que já não se lembrava da última vez que uma desconhecida lhe arrancara uma risada assim, sentiu uma alegria desproporcional ao tamanho do acontecimento.
Ofereceu-lhe a cerveja que restava.
Ela recusou.
— Depois dessa, acho melhor você beber a sua longe de mim.
— Justo. Mas posso oferecer outra. Sem riscos para a democracia.
Foi assim que começaram a conversar.
Primeiro falaram da festa, das bandeiras, do calor absurdo que fazia no Centro do Rio mesmo depois que o sol desaparecia. Depois discutiram o resultado da eleição, cada um apresentando suas ressalvas, suas expectativas e seus receios. Concordaram em algumas coisas, discordaram de outras. Clara achava que Roberto tinha uma confiança excessiva na capacidade das pessoas de mudar o mundo. Roberto achava que Clara usava o desencanto como quem veste um casaco em pleno verão: não porque estivesse com frio, mas porque tinha medo de sentir alguma coisa.
Ela não gostou da observação.
— Você sempre analisa as pessoas assim?
— Só quando estou tentando impressionar alguém.
Clara ergueu as sobrancelhas.
— Então está fazendo um trabalho péssimo.
Ele riu, e ela também.
A multidão começou a cantar. De algum lugar, uma voz puxou uma música antiga, dessas que sobrevivem a governos, modas e derrotas. Outras vozes acompanharam. Uma senhora dançava com um rapaz que poderia ser seu neto. Dois homens discutiam perto de uma banca de jornal, enquanto um vendedor gritava o preço da água mineral. Um casal se beijava sem prestar atenção ao palanque.
O Rio continuava sendo o Rio, indiferente à solenidade dos acontecimentos.
Roberto perguntou a Clara se ela acreditava que as coisas melhorariam.
Ela demorou a responder.
Olhou para as pessoas reunidas na praça, para os rostos suados, para os cartazes escritos à mão, para aquela gente que voltaria na manhã seguinte aos ônibus lotados, aos salários insuficientes, aos patrões impacientes e às contas que não se comoviam com resultados eleitorais.
— Acho que as coisas precisam melhorar — respondeu. — Não sei se é a mesma coisa.
Roberto ficou em silêncio por alguns segundos.
— Talvez seja por isso que a gente continua vindo.
Clara olhou para ele. Havia algo de bonito naquela resposta, não pela originalidade, mas pela maneira como ele a pronunciara. Sem levantar a voz, sem tentar vencer uma discussão, sem transformar uma conversa entre duas pessoas numa oportunidade de provar que estava certo.
Naquela cidade, onde todo mundo parecia ter uma opinião pronta sobre tudo, encontrar alguém disposto a permanecer em silêncio depois de uma frase era quase um acontecimento romântico.
A noite avançou. A comemoração foi perdendo o fervor inicial, e as pessoas começaram a se dispersar pelas ruas. Alguns seguiam para o metrô, outros procuravam os amigos, e havia quem permanecesse ali apenas porque não queria voltar para casa tão cedo.
Clara disse que precisava ir embora.
Roberto perguntou se ela morava longe.
— Longe o suficiente para não voltar aqui só por causa de uma cerveja.
— E perto o suficiente para voltar por causa de outra?
Ela sorriu, mas não respondeu imediatamente. Pegou o celular, desbloqueou a tela e estendeu-o para ele.
— Coloca seu número. Se eu gostar da conversa, talvez eu escreva.
— E se não gostar?
— Você terá perdido cinco minutos da sua vida. A democracia sobrevive.
Roberto digitou o número e devolveu o aparelho.
Não houve beijo naquela noite. Nenhuma declaração, nenhuma promessa feita sob as luzes dos postes, nenhum daqueles gestos grandiosos que o cinema inventa para convencer as pessoas de que o amor chega acompanhado de uma trilha sonora.
Houve apenas um abraço rápido, um sorriso demorado e a sensação estranha de que a cidade, por alguns instantes, parecera menos imensa.
Clara desceu em direção ao metrô. Roberto ficou parado, observando-a desaparecer entre as pessoas. Depois caminhou até a Avenida Rio Branco, com a bandeira debaixo do braço e uma mancha de cerveja secando na camisa.
Naquela madrugada, Clara escreveu primeiro.
Perguntou se ele havia chegado bem.
Roberto respondeu que sim e perguntou se ela também chegara.
Ela disse que sim. Depois conversaram sobre coisas pequenas: o trabalho dela, o livro que ele estava lendo, a dificuldade de encontrar um café decente no Centro e o fato de ambos considerarem o preço do aluguel uma forma particularmente cruel de ficção científica.
Conversaram no dia seguinte. E no outro.
Duas semanas depois, encontraram-se para tomar café na Lapa. Um mês mais tarde, caminharam pela orla de Botafogo, discutindo sobre cinema. Na primeira vez que deram as mãos, nenhum dos dois disse nada. Talvez porque certas coisas, quando finalmente acontecem, dispensam explicações.
Apaixonaram-se sem perceber o instante exato em que isso aconteceu.
E talvez essa seja a parte mais curiosa da história: enquanto milhões de pessoas discutiam o significado daquela eleição, duas pessoas descobriam o significado de esperar uma mensagem, de guardar uma história engraçada para contar a alguém, de reconhecer um passo na calçada e sentir que o dia, afinal, não tinha sido tão ruim.
Não deixaram de se preocupar com a política. Continuaram discutindo o país, cobrando promessas, criticando decisões e desconfiando de discursos fáceis. Descobriram, inclusive, que o amor não torna ninguém menos teimoso. Às vezes, apenas oferece uma pessoa diante de quem vale a pena admitir que se pode estar errado.
Meses depois, quando já namoravam, Clara perguntou a Roberto se ele se lembrava do que sentira ao saber do resultado daquela eleição.
Ele pensou um pouco.
— Lembro que achei que alguma coisa poderia mudar.
— E mudou?
Roberto olhou para ela. Estavam sentados num bar pequeno, numa rua movimentada do Rio. Ao lado da mesa, um garçom tentava equilibrar três pratos; na calçada, um homem discutia com o motorista de um táxi. A cidade seguia seu curso, barulhenta, imperfeita e absurdamente viva.
— Mudou — respondeu. — Mas não exatamente do jeito que eu imaginava.
Clara sorriu e encostou a mão na dele.
A vitória de um presidente durava uma noite nas ruas e anos nos livros de história. Seus efeitos seriam discutidos durante muito tempo, entre esperanças realizadas, promessas adiadas e desilusões inevitáveis. Nenhuma eleição, por mais celebrada que fosse, poderia garantir a felicidade de um país inteiro.
Mas naquela noite, entre bandeiras, cerveja derramada e desconhecidos cantando na Cinelândia, alguma coisa havia acontecido que não apareceria em nenhuma pesquisa, em nenhum discurso e em nenhuma fotografia publicada nos jornais.
Dois estranhos tinham se encontrado.
E, por mais que parecesse pouco diante dos problemas do mundo, talvez fosse assim que certas mudanças começassem: não com a certeza de que tudo daria certo, mas com a descoberta de que, apesar de tudo, ainda valia a pena caminhar ao lado de alguém.
Porque o país continuaria dividido, os políticos continuariam sendo políticos, as contas chegariam no fim do mês e o ônibus continuaria demorando mais do que deveria.
Mas Clara agora tinha alguém para quem contar as histórias do dia.
E Roberto, que passara tantos anos procurando motivos para acreditar no futuro, descobrira que às vezes o futuro não se apresentava em palanques, não usava gravata e não precisava de milhões de votos.
Às vezes, o futuro era apenas uma mulher rindo de uma camisa manchada de cerveja, numa noite quente do Rio de Janeiro.
E isso, por si só, já era uma boa razão para voltar à rua.
Título: Angela, Meu Amor, Meu Presente de Deus
Angela, meu amor...[Introdução – Falado]
Angela, meu amor...
Desde aquele primeiro de dezembro,
minha vida nunca mais foi a mesma.
Deus sabia o que estava fazendo
quando colocou você no meu caminho.
Foi primeiro de dezembro que eu conheci você,[Verso 1]
Foi primeiro de dezembro que eu conheci você,
Uma alegria tão bonita que me fez renascer.
Você chegou de mansinho e conquistou meu coração,
E hoje eu vejo que era Deus escrevendo essa paixão.
O tempo foi passando, nosso amor só aumentou,
Construímos nossa história, nossa família se formou.
Hoje estamos casados, de mãos dadas pela vida,
Você é minha companheira, minha paixão preferida.
[Pré-Refrão]
E quando olho pra você, agradeço ao Senhor,
Pela esposa que me deu, pelo nosso grande amor.
Nas lutas e nas vitórias, não soltamos nossas mãos,
Pois Deus é o alicerce da nossa união.
[Refrão]
Angela, eu te amo, minha menina, minha mulher,
Você é meu grande amor, meu abrigo e minha fé.
Deus nos uniu nesta vida, e ninguém pode apagar
Essa história tão bonita que ainda vamos contar.
Hoje eu tenho duas mulheres que moram no coração:
Minha esposa, minha Angela, e minha filha, minha paixão!
E o Marcos, nosso menino, é presente do Senhor,
Nossa família é a riqueza, nossa vida é nosso amor!
[Verso 2]
Angela, minha querida, quantas coisas já vivemos,
Entre sonhos e batalhas, lado a lado vencemos.
Trabalhando e prosperando, construindo o nosso lar,
Com a bênção do Deus vivo, temos força pra lutar.
Você não é só esposa, é amiga e companheira,
É meu sonho realizado, meu amor pra vida inteira.
E se o tempo passar e os cabelos embranquecerem,
Vou te amar como no começo, não importa o que vier.
[Ponte – Emocionante]
Primeiro de dezembro, jamais vou esquecer,
Foi o dia em que a vida me presenteou com você.
Marcos e Kelly, nossos filhos, nossa bênção, nosso chão,
São os frutos mais bonitos do amor e da união.
E se eu pudesse escolher mil vezes, eu escolheria você,
A mulher que Deus me deu e que eu nunca vou esquecer.
Angela, minha menina, minha mulher, meu bem-querer,
Até o último dos meus dias, eu só quero amar você!
[Refrão Final – Com emoção]
Angela, eu te amo, minha menina, minha mulher,
Você é meu grande amor, minha força e minha fé.
Deus nos uniu nesta vida, e com Ele vamos caminhar,
Envelhecendo abraçados, sem jamais deixar de amar.
Hoje eu tenho duas mulheres que são parte de mim:
Minha esposa e minha filha, dois amores sem fim!
Marcos e Kelly, nossa história, nossa maior inspiração,
Angela, você é pra sempre a dona do meu coração!
[Final – Falado, voz suave]
Angela...
Eu te amava quando te conheci,
te amo hoje, como minha esposa,
e vou te amar por toda a minha vida.
Obrigado por ser minha companheira,
por construir essa família comigo.
Que Deus abençoe nosso casamento,
nossos filhos e nosso lar.
Eu te amo, minha menina...
Eu te amo, minha mulher.
Pra sempre, Angela! ❤️
O amor não se revela apenas nos dias bonitos, nas fotografias ou nas declarações. Ele se revela, sobretudo, nas escolhas que fazemos quando a vida exige mais de nós.
Amar é escolher cuidar, respeitar e permanecer. Mas é também compreender que nenhuma relação deve custar o abandono de si mesmo.
O amor se revela na permanência.
Amor é quem fica quando a maquiagem sai e a beleza já não é a mesma.
É quem permanece quando a doença chega e cuidar se torna mais importante do que qualquer palavra bonita.
É envelhecer juntos e, mesmo com as mudanças que o tempo traz, continuar encontrando um no outro amizade, parceria e companhia.
É quando, depois de uma discussão, existe humildade para reconhecer os próprios erros, pedir perdão e também perdoar.
Mas amar não é aceitar tudo. Não é se anular, silenciar a própria dor ou abrir mão de quem somos para manter alguém ao nosso lado.
Amar é desejar a felicidade do outro sem esquecer da própria.
Porque o amor verdadeiro não se sustenta apenas no sentimento, mas nas escolhas, no respeito, no cuidado e na disposição de continuar construindo uma vida juntos.
E permanecer só faz sentido quando existe amor dos dois lados.
Jenefer Ofemester
DENTRO DE NÓS EXISTEM DOIS TEMPLOS: O CORAÇÃO, ONDE CULTIVAMOS O AMOR, E O ESPÍRITO, ONDE DESENVOLVEMOS NOSSO POTENCIAL.
No templo do coração estão as bênçãos do amor, da paciência, da compreensão e do perdão. São virtudes que nos ensinam a viver com humanidade, sem perder a essência diante das dificuldades.
No templo do espírito residem capacidades que aguardam o momento certo para florescer. Desenvolvê-las exige conhecimento, humildade e disposição para aprender com as experiências da vida.
Quando unimos as qualidades do coração à perseverança e ao conhecimento, criamos condições para construir um progresso sólido e duradouro. Afinal, não basta reconhecer nossas virtudes: é preciso transformá-las em atitudes.
Respeitar o tempo de amadurecimento é importante, mas também precisamos fazer a nossa parte. Cada escolha consciente, cada aprendizado e cada esforço sincero contribuem para a nossa evolução.
O amor dá sentido à caminhada, o conhecimento ilumina o caminho e a perseverança nos permite avançar.
Cultive suas virtudes, desenvolva seus talentos e não tenha medo de experimentar o novo. A vida oferece oportunidades de crescimento a quem mantém a mente aberta e transforma o aprendizado em ação.
Porque o verdadeiro progresso não se mede apenas pelo que conquistamos, mas, sobretudo, pela qualidade do ser humano que nos tornamos.
Paz, luz e sabedoria em sua caminhada!
O QUE É O NATAL, SENÃO UM ENCONTRO DE AMIZADE, AMOR E GRATIDÃO?
É o amor que compartilhamos com nossa família, nossos amigos e com todos aqueles que fazem parte da nossa história, dividindo conosco os momentos de alegria e também os desafios da vida.
Neste Natal, se puderem, venham nos dar um abraço. Será uma alegria imensa receber vocês, compartilhar esse momento e demonstrar pessoalmente todo o carinho que sentimos.
E, se a distância ou algum compromisso não permitir esse encontro, sintam-se igualmente abraçados, com todo o nosso carinho e amor.
Porque o verdadeiro presente de Natal não está debaixo da árvore, mas nos laços que construímos e no privilégio de ter pessoas especiais fazendo parte da nossa vida.
Com muito carinho, desejamos a todos um Natal de paz, amor e união!
O LAR É ONDE O AMOR NÃO DEPENDE DAS NOSSAS VITÓRIAS.
É onde encontramos mãos estendidas quando o mundo nos vira as costas, abraços que aliviam nossas dores e corações dispostos a nos acolher mesmo quando a vida não sai como planejamos.
Valorize seu lar. Cuide da sua família. Dialogue mais, escute com o coração, abrace sem pressa e não economize palavras de carinho. Às vezes, na correria dos dias, esquecemos que as pessoas que amamos também precisam sentir o quanto são importantes para nós.
Não deixe para amanhã aquele abraço que pode ser dado hoje, o pedido de desculpas que pode restaurar uma relação ou a palavra de amor que alguém está esperando ouvir.
A vida não nos garante o amanhã, e o tempo não devolve as oportunidades que deixamos passar.
No fim, as maiores riquezas não estão nas coisas que acumulamos, mas nos laços que construímos, nos momentos que compartilhamos e no amor que deixamos florescer dentro de casa.
Porque a vida acontece agora, nos pequenos gestos, nas conversas simples e na presença de quem amamos.
Não espere a ausência ensinar o valor de uma presença. Ame hoje, abrace hoje, perdoe hoje. Amanhã é uma promessa; hoje é a oportunidade que a vida nos oferece.
natureza do amor
O vento não segura as folhas,
apenas dança ao redor delas.
O rio não exige que as pedras cedam,
aprende a encontrar passagem entre elas.
Talvez amar seja um pouco disso:
não prender, mas saber acompanhar.
Não moldar alguém à nossa imagem,
mas oferecer espaço para transformar.
Há raízes que crescem em silêncio,
há sementes que dormem no chão.
Nem tudo que parece parado
deixou de cumprir sua missão.
Que o nosso amor seja como a mata verde
livre, diverso e cheio de vida.
Que saiba respeitar as estações
sem fazer da mudança uma despedida
"Onde não existe sabedoria
não existe
paz, onde não existe paz
não existe amor e onde não
existe amor
não existe justiça: aquilo que para você é
visto como evolução, aventura
ou novidade,
para mim é percebido como repetição
vazia, superficialidade ou falta
de propósito."
Álbum: O Mundo Jaz no Maligno
(Autor-desconhecido)
Quando o amor pede um lugar
Há quem entregue o melhor de si sem medir esforços, sem economizar carinho, sem calcular a intensidade.
Ama com presença, com cuidado, com vontade de construir.
E, ainda assim, guarda no peito um desejo simples:
não ser um segredo.
Não por vaidade, nem por aplausos, mas porque todo amor merece um lugar ao sol.
Há uma paz diferente em saber que alguém não tem medo de caminhar ao seu lado.
No fim, não é sobre aparecer.
É sobre pertencer.
Sobre sentir que o amor, quando é verdadeiro, não precisa se esconder para existir.
Às Vezes, o Amor Chega Baixinho
Engraçado... o coração mudou de direção.
Já não procura quem virou solidão.
Hoje, no meio do caos, do vazio e da dor,
foi o teu silêncio que me falou de amor.
Você diz tão pouco... e mesmo assim me alcança.
Em poucas palavras, reacende minha esperança.
Eu estou gostando de você, não há mais como esconder.
Pois quem toca a alma em silêncio, faz o coração florescer.
✍🏻 Lucci Santz
SEM ROMANTIZAR
Não vou chamar de amor o que me deixa esperando,
nem chamar de escolha o que vive me descartando.
Não vou pintar de destino aquilo que me feriu,
nem dizer que foi bonito só porque um dia existiu.
Amor não é disputar atenção com um vício,
nem aceitar migalhas chamando isso de compromisso.
Não é estar ao lado e ainda se sentir sozinha,
nem pedir presença de quem já escolheu outra companhia.
Eu não vou romantizar o abandono,
nem transformar silêncio em trono.
Quem ama também precisa permanecer,
não apenas voltar quando decide querer.
E se a despedida vier sem explicação,
eu não vou implorar por uma confirmação.
Há palavras que encerram antes do adeus,
e há portas que se fecham quando alguém diz: “procure outro alguém”.
Dói.
E eu não vou fingir que não.
Mas dor não é prova de amor,
assim como permanência não é prova de valor.
Às vezes, amar também é compreender
que ninguém pode ser salvo à força,
nem escolhido por quem não consegue escolher.
Então eu sigo sem transformar ferida em poesia bonita.
Porque algumas histórias não precisam de fantasia.
Precisam apenas da verdade:
eu quis ficar,
mas não vou me perder
tentando permanecer.
Nem todo amor começa em primavera, nem todo encontro vem coberto de flor, há histórias que nascem na espera, entre espinhos, coragem e temor.
Mas quem sabe o destino esteja a dizer que o que nasce difícil pode florescer, pois há amores que, mesmo feridos, criam raízes onde outros foram perdidos. 🌹
TRISAL
Três flores se encontram num só jardim,
amor não divide, só cresce assim.
Três luas acesas no mesmo luar,
nenhuma se apaga, só faz brilhar.
Três mãos entrelaçam, ternura em ação,
na dança da vida, só pulsa o coração.
E quem desse laço quiser duvidar,
que prove rimando o poder de amar.
"Ofereci confiança, oportunidade e parte de mim em forma de negócio.
Era amor, era fé, era acreditar no outro.
E quem não correspondeu, quem não valorizou, mostrou apenas sua própria medida.
Não perdi nada: Só reconheci onde minha energia vale e onde não deve ser desperdiçada.
O valor não está no que dei, mas em quem sou.. Inteira, lúcida e inteira de novo."
O abandono dói porque rompe expectativas, mas também ensina sobre limites, amor-próprio e sobre a natureza impermanente das conexões humanas. Não é vingança nem ressentimento que traz paz; é reconhecimento..
você ainda é inteira, valiosa, mesmo quando alguém decide caminhar por outra trilha.
Dizer não também é um ato de amor.
Não por eles,
mas por quem depende de ti
e por quem tu quase esqueceu de proteger:
tu mesma.
Silêncio, às vezes, não é ausência.
É fronteira.
É o corpo dizendo “chega”
antes que a alma precise gritar.
E quem só te vê como recurso
não entende quando tu vira limite.
Desapego não é ausência de amor.
É a decisão de não se diminuir para mantê-lo.
Amadurecer emocionalmente é aceitar três coisas duras:
Nem todo sentimento vira reciprocidade.
Nem toda conexão vira permanência.
Nem todo valor é reconhecido por quem o recebe.
O erro comum é tentar “ensinar” o outro a perceber.
Mas percepção não se força. Ou a pessoa alcança, ou não.
O olhar
Carrego no peito
o olhar da mulher
que nunca quis me conhecer.
Não foi amor.
Foi ausência.
E mesmo assim, ficou.
Tatuei não o rosto,
mas o olhar.
Porque era ele que me atravessava
sem nunca me tocar.
Ela não ficou.
Não chamou.
Não voltou o gesto.
O que ficou fui eu,
com a pergunta aberta
batendo no osso.
Esse olhar no meu peito
não é dela mais.
É a prova
de que sobrevivi
ao não-ser-vista.
Hoje entendo:
não marquei submissão,
marquei memória.
E memória não manda.
Só lembra
de onde eu vim
e por que não volto.
Justa Causa da Vida
Tem gente que perde dinheiro e aprende.
Tem gente que perde amor e amadurece.
Mas perder o réu primário por justa causa da vida…
isso aí é quando o mundo te empurra pro abismo
e ainda pergunta por que tu caiu.
A verdade é que ninguém nasce querendo guerra.
A maioria só queria paz, um café quente,
uma conta paga
e alguém que não destruísse a própria sanidade.
Mas o sistema adora fabricar monstros
e depois vender moralidade em prestação de culpa.
Perder o réu primário às vezes não começa no crime.
Começa no abandono.
Na fome.
Na humilhação diária.
Na porta fechada.
No “volta amanhã”.
No olhar torto de quem nunca precisou sobreviver.
E quando a vida te encosta na parede,
até o silêncio aprende a carregar faca.
No fim, a sociedade aponta o dedo,
mas esquece que foi ela mesma
quem ensinou tanta gente
a sangrar sem fazer barulho.
