Textos eu Preciso
Eternidade do Nada
(Letra original por Maycon Oliveira dos Santos)
Eu vi o tempo se curvar diante dos meus pensamentos,
Transformei o silêncio em direção.
Há mil verdades presas no vento,
E eu aprendi a ouvir a contradição.
Eu sei o que é cair em ruínas e erguer castelos com o olhar,
Sei quando o mundo cala, é hora de falar.
Porque eu faço da ausência, presença,
Da dor, uma promessa que ascende.
Eu crio eternidade do nada,
E transformo o vazio em chama ardente.
Eu faço da sombra, luz,
E do fim, um novo início — consciente.
Aprendi a amar o caos como um velho amigo,
Ele me ensina onde a ordem se esconde.
Há beleza no perigo,
Quando a alma não se rende ao que não responde.
Eu sei quando o medo tenta se disfarçar de paz,
Mas minha mente é o fogo que jamais se desfaz.
Porque eu faço da ausência, presença,
Da dor, uma promessa que ascende.
Eu crio eternidade do nada,
E transformo o vazio em chama ardente.
Eu faço da sombra, luz,
E do fim, um novo início — consciente.
Se o tempo apagar meus rastros,
Que apague tudo, menos minha intenção.
Pois quem ama com lucidez,
Transforma o destino em criação.
Eu faço da ausência, presença,
Da dor, o mapa da existência.
Crio eternidade do nada,
Sou o eco da própria consciência.
E no fim, quando tudo silencia,
É lá que minha alma começa.
— Por Maycon Oliveira Dos Santos
Eu posso fazer um contrato contigo
Em troca do meu bem mais precioso
Eu quero a riqueza
A riqueza mais procurada
Algo que muitos procuram, mas não acham
E por meios hediondos, eles farrejam
Eu posso te dar a minha alma
Em troca da felicidade
Mesmo que seja curta
Mesmo que isso seja um pecado
Eu mesma estarei sujando a minha alma
Mas, por pouco tempo
Eu quero me lembrar como é
Enquanto o eco dos versos passavam, se dissipando no ar úmido da noite, eu me arrastava para o sofá puído, onde o tempo se esticava como uma goma velha e mastigada. A amizade, esse amor disfarçado que ela cantava, não passava de uma piada amarga para mim agora, vazio em um quarto sem janelas. Preguiça? Ah, ela era minha companheira fiel, enrolando-se em mim como uma cobra sonolenta, sussurrando que o esforço era para tolos, que o mundo lá fora girava sem precisar do meu olhar.
Sozinho, via o céu como túmulos de sonhos esquecidos, inalcançáveis aos meros preguiçosos e fracos. O tigre flamejante rugia distante, o gatinho gritava em vão? Eu nem me mexia. Por que lutar contra o medo, contra o tempo que devora tudo? Deixei o relógio ticar, o amor passar como um trem que nunca para na minha estação abandonada. Amargo era o café frio na xícara, solitário o silêncio que engolia minhas risadas antigas, preguiçoso o corpo que se recusava a levantar.
E assim, continuei a história, ou melhor, a falta dela. Deitei ali, esperando que a morte, essa preguiçosa rainha, viesse me buscar sem pressa, sem drama. Pois no fim, o que restava? Somente o vazio, o amargo gosto de nada, e a solidão que se estendia como um dia infinito sem sol.
Meu caro pai, por ter sido criado desse jeito e e eu ter atrapalhado a sua adolescência, O senhor nunca aprendeu a lidar comigo
No futuro aprendeu com meu irmão. Mas a idade que você tinha quando eu crescia não justifica o amor que nunca demonstrou
Eu espero que um dia você pense ou ao menos passe na sua cabeça que eu sou um ser que dá pra sentir um pingo de orgulho. Independente das minhas ações a sua face era sempre a mesma. Desgoto
Meu velho
Eu te amo
E amo de braços abertos
Para lhe abraçar
E beijar.
Eu te amo
E amo com muito
Amor, e nada mais.
Eu te amo sem maldade
Alguma, eu te amo
Muito.
Eu te amo e componho
Essas palavras.
Eu te amo e sempre
Amarei.
Eu te amo e amo
De verdade
Eu te amo meu bem
Com muito amor e carinho
Meu velho sapato
Azul marinho.
Eu queria ter um pouco mais da afinidade com a morte. Quando ela parece estar perto ou quando você se conforma em encontrá-la é muito mais aprazível e reconfortante cortejá-la.
Eu queria ter a oportunidade de fazer isso. Estou errado. Oportunidade todos nós criamos e eu gostaria de criar, mas não posso. Não quero.
Ainda gosto de viver. Não sei ainda oque me atrai aqui. Mas não quero descobrir. Tenho medo de não gostar do que ainda possa me atrair.
Hoje eu vi um filme de um garoto que nasceu com a deformidade no rosto e logicamente não tinha amigos pois tinha vergonha do que era. Mas quando resolveu não ligar para o que os outros diziam, conseguiu vários amigos verdadeiros, que gostavam dele como ele era. Gostavam dele sobre o que ele era e não tinham mais vergonha dele e sim orgulho de tudo o que ele significava.
Eu gostaria de dormir agora em uma mansão assombrada para ver o que iria acontecer. Gosto de lugares sombrios e assustadores. Isso me atrai. Não sei se é porque eu não acredito em espíritos malignos ou qualquer coisa parecida, mas acho esses lugares muito poéticos.
Não sei se é porque a lenda urbana diz que isso é um pouco conectar-se com outro mundo. É engraçado que não tenho medo de nada disso pela minha descrença e também gosto de desafios.
Mas eu acho que é o mais lúdico que eu posso chegar perto da morte. As outras hipóteses, por enquanto estão fora de cogitação. Pois ainda tenho muitos comprimidos que sustentam minha vida e alegria.
As vezes parece sombrio, mas acreditem não é. É quando voce começa a perceber que voce não é imortal e não que um dia a sua morte é um possibilidade. E voce se pega pensando quem iria em seu enterro caso isso acontecesse.
Mas sabe o que pode ser mais perturbador? É voce ver um filme, como o descrevi nesse texto e chorar no final, porque voce olha para o lado e percebe que voce não possui amigos e ninguém que ame voce do jeito que voce é. A solidão começa a te assustar e a carência emocional de pessoas verdadeiras ao seu lado atinge o ápice quando voce fica viciado no seriado de “The Big Bang Theory” e tem inveja daquela turma de amigos. São poucos, mas verdadeiros.
Então eu vou para o meu quarto, tomo o meu remédio para dormir e espero o sono chegar.
E então descubro que não são espírito
Rui Miguel Trindade dos Santos
s malignos ou mansões assustadoras que me assombram. Mas a solidão que me rodeia e me expõe o fantasma da minha realidade. E isso realmente me assustaR
Milton Nascimento, Bituca.
Eu tinha vinte e poucos anos e ele cantou pra mim, com essa voz de anjo militante e eu descobri que também queria tudo isso...
“Quero a utopia, quero tudo e mais
Quero a alegria muita gente feliz
Quero que a justiça reine em meu país
Quero a liberdade, quero o vinho e o pão
Quero ser amizade, quero amor, prazer
Quero nossa cidade sempre ensolarada
Os meninos e o povo no poder, eu quero ver...”
E ele continuou cantando e me revelando a força da Arte e do Querer.
Eu tinha sonhos imensos, queria engolir a Vida em grandes porções; nunca gostei de saborear em pequenas doses, e ele foi cantando pra mim, enquanto eu compreendia esse jogo estranho de existir sem manual, sem bussola, “sem uma câmera na mão”, mas com uma ideia na cabeça e a trilha sonora perfeita... para minha busca de sentido, ou minha caçada...
“Por tanto amor, por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz, manso ou feroz
Eu, caçador de mim”
Aí hoje eu leio que o Bituca foi diagnosticado com Corpus de Lewy, a mesma doença do meu pai.
E de repente percebo que os meus amigos estão velhos, os meus heróis e ídolos estão morrendo, ou adoecendo... e eu também.
E de repente eu também descubro, que esse é só mais um desafio do jogo da vida, significa que passei para o próximo (e último) nível – aprenda com o passado, viva o agora e continue apostando nos sonhos e paixão.
Assim como ele, existem milhões de velhos demenciados, milhões de cuidadores assustados, esgotados e doentes, uma multidão invisível que sustenta com seu trabalho gratuito e exaustivo, a dignidade e a vida de quem ama.
Quem sabe a doença do Bituca não será mais um grito de resistência e denúncia, mesmo que não seja gritando com essa voz de anjo, tomara que você seja a voz de quem envelhece e adoece escondido em algum canto da casa.
“Vou seguindo pela vida
Me esquecendo de você...”
Você é gigante, vai esquecer isso, mas nós não esqueceremos!
“Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada...”
A estrada continua, e nem precisa esperar aquela madrugada, porque ela virá, a estrada estará sempre ali à espera do caminhante e a gente aprende que nada disso depende de nós, tudo isso só existe para que realizemos plenamente nosso propósito, para que a vida tenha significado, mesmo que nunca saibamos qual é esse propósito, ou inventemos significados, para que o tédio e a solidão não esmaguem nossa paixão e fé.
Além disso, uma certeza eu tenho...
"Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão"
Esse ninguém tira de você.
Ao filho que vai cuidar, eu tenho um conselho...
“Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura”
Você terá apoio, amigos, respeito de uma multidão, condições de oferecer o melhor tratamento... mas cuidar de alguém amado, que vai saindo da nossa vida aos poucos, ainda que o corpo permaneça conosco é a experiência mais assustadora, solitária e visceral que você vai experimentar.
É um mergulho na fragilidade, impermanência e impotência humanas. Isso quebra todas as nossas certezas e a arrogante sensação de que temos algum controle sobre a Vida.
Você vai bater o pé no fundo do poço, sozinho... e quando voltar, será um ser humano muito melhor e mais preparado para realizar o sacro oficio de existir.
”E assim chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega é o mesmo trem da partida
A hora do encontro é também despedida...”
Obrigada Milton por continuar me inspirando.
“Mas é preciso ter força, é preciso ter raça
É preciso ter gana sempre”
Hoje eu estava correndo e tive uma percepção.
Meu cadarço estava desamarrado, e alguém me avisou:
“Seu cadarço está desamarrado.”
Porém, eu já havia percebido. Agradeci e continuei a minha corrida.
Logo mais à frente, outra pessoa me informou:
“Moça, seu cadarço está desamarrado.”
Mais uma vez, eu agradeci e continuei correndo, sem parar para amarrar.
Sabe por que eu não parei para amarrar?
Toda vez que eu paro no meio de uma corrida para amarrar o cadarço, é muito difícil voltar.
Fico com o cardio completamente exausto, meu condicionamento físico cai.
Porém, eu tinha consciência de que, com o cadarço que eu estava, ele não ia enroscar no tênis, pois era curto.
A corrida estava confortável e segura naquelas condições.
Ou seja, eu tinha percepção do porquê não queria parar, das condições do meu cadarço e, principalmente, de qual era o momento adequado para parar.
As pessoas que estão do lado de fora sempre vão dar palpite sobre a sua caminhada.
Nem sempre é por mal, mas, na visão delas, querem contribuir com a sua jornada, mesmo sem você pedir.
Se você tem um objetivo e sabe para onde vai, sabe também os momentos de fazer suas pausas.
Você passa a ter consciência de que a opinião do outro, que está de fora, não interfere.
O outro não conhece suas dificuldades, suas dores, suas limitações e muito menos a sua corrida.
A pessoa que está de fora tem uma perspectiva diferente, um ponto de vista baseado nas próprias experiências.
Assim como na corrida, na vida também precisamos definir a nossa trajetória.
Entender que, muitas vezes, há momentos e obstáculos que te convidam a parar.
Mas, se você tiver clareza sobre para onde vai, a jornada passa a ser leve e satisfatória, mesmo com tantos desafios.
Onde você deseja chegar?
Sua mente é o seu único limite.
Cuide bem dela.
16/04/2022 19h32
Karina Megiato
Recentemente eu ouvi que eu precisava de uma bolsa de grife,
porque elas davam outra realidade para o meu look,
mostravam uma aparência melhor.
Disseram que as pessoas reparam,
que você é mais valorizada por estar com uma bolsa de grife.
“Assim que puder, adquira uma pra você.”
Em um mundo de aparências,
talvez parecer ter seja melhor do que ser.
Pagar absurdos em juros de um financiamento que nem pode ter,
para parecer...
14/09/23 19h51
Karina Megiato
Tic Tac
O tempo passa,
as pessoas falam,
eu olho —
mas não enxergo.
Escuto —
mas não ouço.
Como se tudo fosse silêncio
e eu, um eco esquecido.
Estar presente ou não,
já não faz diferença.
Invisível,
me tornei sombra
de mim mesmo.
Quem sou eu?
O que sou eu?
Quem devo ser?
Quem quero ser?
As perguntas antes iam,
agora ficam.
Martelam.
Perturbam.
Enlouquecem.
No peito,
bate a falta.
Falta de algo,
de alguém,
de um gesto,
de um olhar,
de um abraço,
de um toque,
de um sorriso,
de uma palavra.
O peito está vazio.
Todos levaram o que havia.
Um amor?
Já não existe.
Uma felicidade?
Se foi.
Resta um corpo,
vazio,
com uma máscara sorridente
trincada,
empoeirada,
cansada.
E ainda assim,
ele anda.
Como se tudo não estivesse mudo.
Como se tudo estivesse bem.
O peso de ser eu.
É tão difícil ser eu…
É tão difícil ser eu,
mas, ao mesmo tempo, muitos queriam ser.
Não precisar trabalhar e somente estudar…
Mas no fundo ninguém sabe o quanto isso nos cobra.
O quanto as pessoas à nossa volta nos cobram,
o quanto é cansativo, estressante, deprimente.
Todos colocam a culpa em outra pessoa,
sendo que, na verdade, a culpada é você mesma.
Você não tem mais força pra continuar,
sempre nada, nada… e morre no seco.
É frustrante, vai passando, e tudo parece se tornar insignificante.
A dor se torna insuportável.
Nem amigos tenho mais,
a privação é tenebrosa.
O mundo à minha volta continua,
e eu me sinto parada.
Como continuar,
se sempre que consigo algo vem a desmotivação?
Se sempre que algo dá certo, ao mesmo tempo, dá errado?
É terrível…
Mas é a verdade.
— Fiuza, M
Às vezes me pergunto se algum dia serei capaz de te esquecer
Porque eu ainda lembro de tanta coisa sobre o que nós vivemos
Mas, eu esqueci o som da sua voz
Será que algum dia, serei amada de novo
Ou será que perdi a minha chance de amar
Será que perdi a minha chance de ser feliz
Será que existe um outro alguém pra mim
Além de você, porque você foi Tudo na minha vida
E quando você se foi, deixou um rastro de destruição no meu universo
Doeu e tem dias que ainda dói tanto
Que às vezes acredito que não serei capaz de suportar
Apesar de estar destruída eu continuo com a minha vida
Porque não há outra opção, eu sou a única que não pode desistir de mim mesma
Eu preciso acreditar que sou boa o suficiente
Que eu mereço sim, ser amada, ser feliz
Que eu terei um futuro cheio de alegria, amor e prosperidade
Que o meu dia vai chegar, só preciso continuar sendo paciente e resiliente
Que um dia irei entender, porque tivemos que seguir por caminhos diferentes
Que os melhores dias estão chegando
E o que eu sempre desejei será a minha única realidade
E quando a hora chegar, serei muito grata a você por ter me deixado sozinha
Para que eu encontrasse outra pessoa que desperta a minha melhor versão
Que faz com que eu seja uma pessoa melhor, que juntos somos melhores
Que juntos somos perfeitos um para o outro
Que juntos temos um propósito
Que juntos temos a mesma visão desse mundo insano
13 de Outubro de 2025
Decepção
Hoje não vou escrever sobre como alguém que eu amei, me depcionou
Mas, como eu me tornei a decepção da minha mãe
Decepcionar alguém é muito pior do que ser odiada
Porque você se sente um lixo, olhar pra pessoa que magoamos por não agirmos de acordo com os princípios e valores que lhe foi repassado
É muito triste, porque não foi dessa maneira que fui educada
Eu não sei porque fui tão irresponsável e imatura
Eu não deveria ser assim, o que há de errado comigo?!
O vício é muito pior do que a depressão, porquê quando somos irracionais e simplesmente nos deixamos controlar pelo vício
Tentamos incansavelmente suprir um vazio que jamais será preenchido
Sempre irá faltar uma parte de mim, porquê acho que nasci pra não ser completa
Nasci para não ser o suficiente, existe algo faltando na minha mente
Eu sinto muito por ser uma decepção
23 de Outubro de 2025
se você estivesse triste, eu ficaria com vc a noite toda, olhando e orando por vc.
Mas vc me perdeu antes mesmo de me ter.
Eu sei que vc está feliz mas não precisava matar a minha esperança.
Deu um dia segurar a tua mão.
Mas me é merecido ,ninguém deveria procurar amor num campo onde o cupido lança flechas de.
Pq vc não me deixou sonhar?
Sou apenas uma menina.
Não precisava transformar-me numa mulher tão cedo.
Conhecendo uma dor que via apenas em olhares de mulheres que odeiam homens.
EU POETA
Gosto do silêncio
Sentindo a brisa passando
Uma pausa, um cafezinho
A inspiração vai chegando.
Lá de dentro uma voz
Explode num momento
São versos querendo parrir
O mais belo sentimento.
Numa sintonia mágica
A poesia pede espaço
Entre o lápis e papel
E agora, o que faço?
Deixo o pensamento vagar
Vou juntando frases vadias
Aromatizadas com paz
Perfumando os meus dias.
Irá Rodrigues.
Dúvida
Tu deixas-me em dúvida
Será que eu te deixei viúva?
Eu ainda sinto o meu corpo dançar na chuva
Não posso te ter deixado viúva em noite de núpcias
Tu deixas-me em dúvida
Será que eu te deixei viúva?
Ou será esse cenário que te assenta que nem uma luva?
Eu preciso saber agora mais que nunca!
Tu deixa-me em duvida
Será que eu te deixei viúva?
Mesmo que fosses a última
Nunca te deixaria nas ruas da amargura
Tu deixas-me em duvida
Será que fui eu que te deixei viúva?
Continuo firme na luta
Para tentar entender qual é a tua
Meu perdão
Eu me perdoo porque não tive quando criança a estrutura necessária.
Eu me perdoo porque culpei por muito tempo pessoas que achava ser necessário quando na verdade não eram.
Eu me perdoo porque por um tempo não conseguia ver a beleza da vida nos detalhes.
Eu me perdoo porque me isolei achando que seria o melhor.
Eu me perdoo porque me vesti com uma capa de fúria achando que era a solução.
Eu me perdoo porque amei pessoas mas do que a mim mesma.
Eu me perdoo porque falhei com a minha essência.
Se Um Dia Eu Fosse Poeta
Se um dia eu fosse poeta
Comporia a tua imagem
Recitaria teu sorriso
Declamaria teus suaves movimentos
Poria em versos teu cheiro
E inspirar-me-ia em ti;
Em teus toques em mim.
Se um dia eu fosse poeta
Morreria de amor por ti
E, mesmo assim,
Ainda viveria contigo
Além de tudo, da vida,
Do que mais possa existir.
Se um dia eu fosse poeta
Falaria com o vento
Domaria tempestades
Acalmaria multidões.
Pararia o frio
E aqueceria o teu,
Tão meu, coração.
Mas, se um dia eu fosse poeta
Vestir-te-ia de ternura
Cobrir-te-ia de doçura
Cantar-te-ia amor sem fim.
Ah, se poeta eu fosse um dia
Se um dia eu fosse poeta...
Tudo em mim, pra ti,
Seria só poesia.
Que em meus dias...
Não conto quantos anos se passaram, quantos 365 dias eu vivi. Porque, apesar de fazerem parte da minha vida e da minha história, eles se foram e nada posso mais fazer pra mudar ou para alterar o que aconteceu, nem o que não aconteceu. É tão natural dizermos: tudo passa. E isto é fato incontestável. Do bom ao ruim, do doce ao azedo, da alegria à tristeza, tudo passa. A relativização do que seja bom pra mim e do que seja ruim pra mim é equivalente: tudo passa na mesma proporção do passar, do ir embora, do se transformar num passado inalterável. A cada primeiro de janeiro, teremos mais um conjunto de 365 dias, novamente. Desses dias, tem-se o ano. O que você fez no ano que se foi, já foi. Mas, o que você irá fazer no ano que se inicia? Nunca se sabe! Planos, sonhos, desejos, todos nós temos. Realizações e fracassos, conquistas e frustrações todos nós iremos ter. Entretanto, está em nossas mãos o que fazer com tais resultados. Podemos escolher! Importante entender que tudo que nos acontece, tem o seu motivo, uma razão. É de extrema relevância sabermos separar o joio do trigo, como também compreendermos as entrelinhas de cada evento que ocorre. Assim, enquanto o sol chega pra clarear, as estrelas vêm pra brilhar. Enquanto a neve nos promove buscar dias aquecidos, o calor nos lança ao frescor das sombras. Enquanto o nascimento chega para nos fazer esquecer a morte, a morte nos faz lembrar que é preciso viver em vida. Enquanto a guerra vem pra separar, a paz vem pra juntar. Enquanto o amor é transformador, amar nos transforma no que melhor podemos ser. Portanto, que em meus dias e em todas as idas e vindas da vida, eu tenha levado amor e trazido amor comigo. Este é o único sentido de viver. Este é o meu sentido de ser feliz!
Eu quebrei a minha capela.
A capela onde eu fazia minhas orações belas,
onde ficavam quentinhos e quase seguros os grandes sonhos que eu cuidava com zelo, carinho, e aquele brilho inocente que só uma criança tem.
Era o meu pequeno templo secreto,
guardado dentro de mim
como quem protege uma chama que nem sabe ainda que pode apagar.
Mas lembro.
Lembro das primeiras vezes em que arruinaram as estruturas da minha capela.
E dói ainda hoje, como se o eco daquelas pedradas não tivesse parado nunca.
Eu era só uma criança.
Uma criança com uma capela tão linda, tão cheia de cor, cheia de futuros possíveis…
e tão frágil.
Tão absolutamente vulnerável a mãos que eu amava demais para esperar que fossem elas as primeiras a golpear.
Foi na véspera de Natal
aquela mistura de cheiros, luzes, risadas e expectativas
que a primeira grande pedrada voou.
Não sei se foi por descuido, por ignorância
ou por uma crueldade que os adultos não assumem nem pra si mesmos.
Mas foi certeira.
E quebrou a vidraça da frente mais bonita da minha capela.
E ninguém sabe como ela era linda.
Ninguém nunca viu.
E o mais triste é que nem eu consigo lembrar direito da cor daquele vidro,
da forma da luz que entrava por ele.
É terrível perder até a memória do que te fazia brilhar.
A gente espera pedradas de estranhos,
de quem passa na rua sem olhar na nossa cara.
Mas nunca de quem a gente ama.
Nunca de mãos que deveriam construir, não destruir.
Como dói.
Cada pedrada doeu.
Cada pichação.
Cada pequeno vandalismo que parecia bobo, mas arrancava um pedaço gigante do que eu sonhava ser.
Me acostumei tanto à dor
que quase achei que ela fosse parte da arquitetura.
E eu tentei manter.
Tentei demais.
Pintei, repintei, redecorei,
segurei paredes com as próprias mãos,
me apoiei nos restos de mim mesmo pra continuar de pé.
Eu era só uma criança tentando restaurar uma capela que parecia uma catedral inteira
com as ferramentas imaginárias que tinha no bolso.
Mas o tempo não perdoa rachaduras.
Nem tempestades.
Nem vozes que gritam e comparam ou humilham mais do que acolhem.
E sempre vinha uma nova chuva,
alagava tudo,
desbotava meus sonhos até eles perderem cor, cheiro e sentido.
Tentei tapar os buracos.
Tentei erguer o teto.
Tentei pôr de pé o que já tinha morrido em silêncio.
Mas o teto caiu.
E junto, eu.
Salvei alguns sonhos,
os que ainda respiravam,
mas estavam tão feridos que muitos desistiram no meu colo.
Outros sumiram sem deixar rastro.
Outros morreram sem eu entender quando.
E mesmo assim eu fiquei ali,
esperando a chuva passar
como quem espera que o tempo um dia devolva o que levou.
Mas o tempo nunca devolve.
Ele só leva.
E às vezes leva tudo.
O sol veio e queimou o que sobrou.
Me queimou também.
E cada queimadura levava mais um sonho com ela.
E quase que me levou inteiro também.
Quando o vendaval de setembro voltou,
as paredes que restavam já não tinham força nenhuma.
Eu tentei segurar, desesperado,
mas cada rajada levava embora outro sonho,
como se fossem folhas secas que eu não tinha como manter comigo.
Hoje, mais cedo,
o último deles partiu.
E eu chorei como nunca chorei na vida.
Chorei de um jeito que parecia que eu estava desabando junto.
Sentia tanta culpa e uma absolvição que nunca vinha.
E então quebrei a última parte da minha capela.
Deixei cair.
Deixei ruir.
Deixei virar pó.
Apenas assisti sem forças.
Ali agora só resta um sepulcro.
Meu próprio cemitério de sonhos.
Sonhos que nunca viram a luz do dia,
nunca foram celebrados,
foram desencorajados, silenciados, humilhados, mal comparados, envergonhados.
Foram destruídos enquanto ainda eram sementes.
Saí de lá há alguns dias,
me arrastando,
em direção ao vale dos sonhos quebrados,
um vale enorme, cinza, preenchido de ecos que ninguém quer ouvir.
Um vale onde tantos outros chegaram como eu:
com seus templos destruídos, suas janelas partidas,
suas crianças internas chorando.
Eu vejo todos.
Mas não sei se eles me veem.
Ou se se importam.
Talvez cada um esteja preso na própria ruína.
Alguns riem,
mas é um riso vazio.
Um riso que não ilumina nada.
Tudo ali é frio, sem propósito.
Eles brindam com copos vazios,
como se comemorassem ausências e desapego
Alguns preferem ficar no frio e sozinhos
Outros se olham no espelho,
mas ignoram o relógio
e esquecem que o tempo é um fio curto,
tão curto que às vezes não dá pra dar um nó.
Ninguém parece amar de verdade ou temem a vulnerabilidade disto
Só querem parecer algo,
querem impressionar sombras que fazem com suas velas acesas num bar.
Eu não encontrei ali um lar.
Então, mesmo cansado,
subi em direção à montanha.
No caminho encontrei o Oráculo do Tempo.
Ele me disse que dali em diante,
cada passo custaria mais tempo.
Eu não entendi.
Mas ao olhar nos olhos dele,
vi uma linha inteira de existência passando em um sopro.
Minha vida coube em um instante,
num piscar de olhos que nem piscou direito.
E eu percebi:
não importa quanto tempo passe por fora,
por dentro a primeira vidraça quebrada
nunca envelhece.
As dores não respeitam cronologia.
O trauma é atemporal.
Ele mora no mesmo lugar,
com o mesmo impacto,
com o mesmo corte.
E eu ainda estava lá:
no vale dos sonhos quebrados,
preso, me sentindo menor, ferido,
tentando reconstruir com as mãos sujas de pó.
E então… veio a parte que mais doeu:
percebi que a criança que fui,
aquela que segurava uma capela inteira com as mãos pequenas,
ficou presa no momento das primeiras pedradas.
E eu cresci ao redor dela,
como uma casa construída em volta de um escombro
que ninguém nunca teve coragem de remover.
Ela ainda está lá.
Sentada entre ruínas.
Chorando baixinho para não incomodar.
Esperando que alguém
quem quer que fosse
voltasse e pedisse desculpas, que não era verdade
Mas ninguém voltou.
Ninguém nunca volta no ponto certo da dor quando a gente mais precisava.
Então eu continuei andando,
carregando um tempo que pesa demais,
olhando pra trás como quem busca algo que nunca teve chance de existir.
No fim, o Oráculo do Tempo disse que todo passo tem um preço
porque a gente, no fundo, não caminha no espaço,
a gente aprende forçadamente a caminhar dentro das próprias feridas na esperança que elas cicatrizem de forma sutil, sem marcas expostas que nos deixem feios.
E quanto mais longe tentamos ir,
mais percebemos que você nunca abandona a criança que chorou no início de tudo.
Ela segue lá.
No vale.
Com a capela destruída.
Me chamando sem voz,
pedindo para ser salva
como eu tentei salvar meus sonhos.
E talvez a maior tragédia
não seja ter perdido a capela,
nem os sonhos,
nem o tempo.
Talvez a maior tragédia seja saber
que eu nunca consegui voltar por ela.
Matteus R Lopes
