Textos de Saudade de Falecido
As vezes, muitas, talvez,
A poesia foge de mim,
Aperta antes a minha garganta,
Embarga-me a voz, parece o fim...
Reajo com firmeza, sou guerreira,
Mas a deixo aos poucos, partir,
Sei que um dia, de qualquer maneira,
Voltaremos, aqui ou em outro plano a nos unir...
Seremos unas, alma e coração,
Linhas, letras, saudades e amor,
Nada separa quem sente a emoção
De ser poeta e ao parnaso dar valor
Rua toda torta, de velhas casas e muros,
janelas quebradas, musgo nos jardins,
quantas memórias em suas fachadas,
muitas das quais, tatuadas em mim
Minh''alma vaga de porta em porta,
meio perdida na companhia do vento,
sem bagagem, olhos e ouvidos abertos,
percebendo murmúrios antigos do tempo
Devo ter sido dessa rua, reconheço,
cada passo, cada sonho e realidades,
esperanças, lutas, desassossegos,
onde plantei sementes que se chamam saudade
Em 15/ 03/ 2.009
E agora ?
Assim perguntava a menina para a sua mãe. Isso era rotina, a qualquer problema ou dúvida, ela corria para a saia da progenitora, pedindo ajuda, mesmo que fosse apenas um sorriso de aquiescência ou pela graça do fato. Nem sempre obtinha respostas, mas tentava, sem saber que a cansada mãe não sabia tudo. Cresceu e aprendeu muita coisa por conta própria, experiências boas e ruins a fizeram entende melhor a vida. Este é o caminho - abrir as asas e voar sozinha - enfrentando tombos e sequelas, mas tendo o porto seguro na hora do pouso: o colo da mãe.
Saudade da minha que foi embora há pouco tempo, está em paz e sei que se eu tiver tropeços, ela ainda tem um sorriso maroto como a dizer: filha, bem que avisei...
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Cadeira de balanço
Num canto da varanda
em meio a vasos e pilastras
a cadeira de balanço mágica
onde vovó tirava a sesta
Momento único do dia
onde tarefas diminuíam
um luxo ali ficar um pouco
cochilando em venturas mil
Velha cadeira de balanço
em seu molejo natural,
impressão de que a vida era só aquilo,
um espreitar o céu e sonhar
viajando entre nuvens
ouvindo passarinhos na tarde
que dengosa seguia
ah...vovó que saudade imensa
desse tempo onde tudo era apenas
despreocupação e magia !
Vamos transformar braços em asas,
o céu alcançar em voos rasantes,
olhar do alto a cidade e suas casas
e alcançar talvez as estrelas mais distantes?
Isso tudo chama-se sonhar,
são momentos que fazem bem
nos ajudando a desestressar
dos problemas que a vida tem
Neusa Marilda Mucci - poetisa
Canto a tarde
Lá vou eu cantando a tarde, para com ela seguir mansamente meus passos. Sim, eu canto a tarde, faço-lhe serenatas junto ao vento, colho algumas flores, que este, impetuoso, teima em desfolhar e assim oferto-as, jogando-as pelo espaço e a tarde sorri para mim. Fica mais leve, mais doce e perfumada. Parece até que demora mais a ir de encontro ao horizonte, para que o dia descanse e amanhã volte a nos encantar. Namoro sim com a tarde, quando do campo, uma revoada de passarinhos vem comigo duetar e felizes vamos pelas horas, num canto primaveril, enfeitando o momento vespertino, que é vida aos que o observam e que pode ser noite linda, depois da alquimia de um sol já posto. A tarde traz lembranças boas, outras nem tanto, mas suas nuances de esperança pintam meu caminho e enchem de paz meu coração. Sei que em algum lugar, alguém com olhos de tarde morna, também assim a fita e então somos iguais em alma. Isso basta-me para ser feliz.
O tempo foi passando
inexorável e sem dó,
aos poucos, deixando ver
que um adeus se faria
numa tarde mansa
de um dia qualquer
Um gesto, um olhar esquivo,
uma palavra sem nexo,
tudo mostrando que acabava
o sentimento maior
De repente o adeus se fez,
sem surpresa, sem nostalgia,
deixando apenas atrás de si
um coração já desfeito
que para a solidão
uma taça de saudade
já oferecia
Apesar de todos os anos que passaram juntos, a moça ainda se impressionava com a atitude que o rapaz tinha para tomar decisões. Sem conhecer os lugares, sua determinação o levava do Oiapoque ao Chuí só para realizar os sonhos de ambos.
"Você não tem medo de acabar se perdendo nessas viagens de trabalho?", ela sempre o questionava, triste na despedida, vendo-o abrir a porta e partindo pela centésima vez, de costas e com ombros pesados por saber que era seu dever. Ele parou na porta, olhou para trás sorrindo e disse: "Você vai estar de braços abertos me esperando?"
Sem pestanejar respondeu: "sempre e pra sempre". Aquele rapaz olhou novamente pra frente, e antes de ir ele falou: "então mesmo que por instinto, perdido ou não, volto pra você".
E partiu...
Casulo Efêmero
A alma, imortal e etérea,
Em casulo se abriga, exulta,
Como se na terra, efêmera,
Preparasse a sua volta.
Como o casulo que se forma,
A vida passa, se transforma,
Deixa marcas e ensinamentos,
Nos corações, em sentimentos.
E ao deixar a casca vazia,
A alma alça voo, serena e livre,
Deixando um legado para os seus,
Que ao longo da vida gerou e viveu.
Deixa para trás a morada,
E segue com a alma lavada,
Pois viveu plenamente, deixando marcas,
Nas almas tocadas, nas vidas abarcadas.
Borboleta que encanta, brilha,
É a alma que agora voa, trilha,
Transformada pelas asas do amor,
Em um ser de luz, com cheiro de flôr.
Assim, a morte não é fim,
É uma nova fase, um recomeço,
A alma livra-se do casulo enfim,
E segue sua jornada com apreço.
Que possamos entender a mortalidade,
Como uma oportunidade de crescimento,
Aprender, deixar saudade,
E viver cada momento com sentimento.
Que a borboleta de cada alma,
Deixe rastros profundos na história,
E que a morte, não seja só um trauma,
Mas uma passagem para a eternidade da glória.
Convivendo com o luto.
A dor da perda é insuportável!
Porém poucos pensam que todos nós um dia iremos perder alguém. Haverá para todos o dia da separação, será algo que todos temos em comum, mas de forma incondicional em todos.
É impossível não sofrer pela morte, mas imprescindível nos permitir esquecer que está em nós sofrer pela vida, e não apenas se prender ao sofrimento, mas se abrir e que caiba em nossas emoções diárias a luta e a gratidão exatamente pelo simples fato de estarmos aqui.
Cabe a cada um como iremos encarar as perdas, as mudanças.
Pensar em tudo isso dói, mais dói tanto que desejamos não pensar, nos condicionando a uma farsa imaginária onde tudo não acontecerá, a dor não vira, as perdas não aconteceram e talvez quem sabe as coisas sejam diferentes. Mas isso não é um filme de romance com uma bela história no final. Aqui raramente os finais são felizes, e o tal “ Felizes para sempre” jamais deveria ser dito, pois o para sempre pode ser agora, exatamente entre piscar de olhos, tudo pode e muda realmente instantaneamente.
E quando você aprende o que é respirar é no exato momento onde já quando se dói tanto que não se pode respirar.... alguns os mais fortes neste instante duela com a dor e sobrevive.
Enquanto você está lendo este texto tenha certeza que alguém estará lutando, clamando, chorando, e tendo consciência que o seu maior pesadelo se tornou realidade.
Porém como sobreviver a uma dor continua?
Existe algum tempo para o luto?
Eu particularmente considero que não pois só quem convive com a ausência possui a capacidade de olhar para o tempo e viver em seu tempo a sua dor.
Podemos fazer algo? Absolutamente não!
Então o melhor é termos a honestidade de sermos verdadeiros com nossos próprios fantasmas!
Pois não temos o controle, não temos a chave , então é se permitir sentir toda dor e ir aprendendo dia após dia como suporta-la, tendo a certeza que quando você achar que tudo passou, tudo foi superado ela voltará e poderá vir a doer muito e tudo de novo.
Mas uma única coisa é certa em qualquer circunstância o luto em cada um de nós trará estágios distintos, que caberá a cada um discernir e se enxergar, serão eles a negação, irá, a infame mas veraz tentativa de barganha, a depressão e a aceitação.
Tudo isso fará parte de seus dias e noites.
Tudo mudará constantemente em você e verá que os cinco estágios poderão estar dentro de ti em instantes, por dias, alguns permaneceram por um longo e indeterminado tempo.
Re Pinheiro
Texto e imagem: Re Pinheiro (Copyright©) -
Texto protegido pela Lei do Direito Autoral nº 9.610/98 - Por favor, reposte com o crédito! Imensamente grata
Ansiedade da insegurança!
E quando eu nao me acho o suficiente para você, e abrir a conversa no WhatsApp e escrever a mesma mensagem, pensar escrever… e após tê-la escrito mais de doze vezes diferentes encontrar talvez a mensagem certa, mas mesmo assim não enviá-la.
E o sentimento de estar incomodando alguém que amo, por não ter a certeza de ser clara mas sendo completamente transparente em tudo.
Não há que nos perturbe mais que o desejo de fazer, mas a inércia diante do fato.
E carregar um peso descomunal de culpa por algo que tem que ser feito, e nos tornamos reféns e os próprios ladroes de nosso tempo.
Neste instante gostaria de estar em qualquer outro mundo, com qualquer outra pessoa que não fosse eu mesma.
Porque os meus eus estão sobrecarregados, até meus nervos tremem diante desta insegurança de não estar segura dentro deste corpo onde minha mente de tão acelerada paralisa, por medo de encarar uma realidade prevista, mas dolorida demais para o nosso ego suportar, e por talvez sentir que tudo não foi um mero acaso, mas o prenúncio da óbvio querendo gritar.
Ao acordar nos depararmos que temos tantas coisas para fazer, e nossos compromissos não trarão alegria, mas é nesta angústia, na aflição e na insegurança que olhamos para nossa condição de dependência e carência de afetos, do colo que te acalme e que te faça ouvir no silêncio que tudo irá passar.
Re Pinheiro
Sim você entrou em minha vida!
Mas o que fez com minha vida?
Que porcaria toda e está de não saber amar?
Exatamente isto!
Você nunca soube o que era amor.
Você roubou de mim a possibilidade de ser feliz!
Você roubou de mim a única certeza que tinha.
A que você ser para todo sempre tua!
Não adianta olhar para o céu e me procurar numa estrela.
Porque eu apaguei!
Perdi o que brilhava em meu peito.
Perdi a capacidade de confiar no amor.
Um dia você me jurou fazer a mulher mais feliz porque você se sentia o homens mais especial do planeta por me ter a seu lado.
Re Pinheiro
Preciso muito te ver só pra falar um "oie, como você está?"
Mas queria te ver longe de outras pessoas pra quando você partir poder te abraçar e lhe beijar a face..se é só isso que posso receber aceito de bom coração
Quero poder guardar isso comigo...nem que eu nunca mais te veja
Você não tem ideia do quanto você mecheu comigo, balançou minha estrutura e modificou pra sempre minha mente e coração
Sei que a reciprocidade não é a mesma isso não necessariamente me machuca mas não posso invadir seu espaço e estar longe é o que mais dói
Você disse uma vez que não queria me machucar mas a sua distância machuca mais
Tudo isso vai passar...provável que logo mais eu precise me afastar e as coisas vão se ajeitar pra mim e pra você
Penso será que foi um erro pedir seu telefone?
Não.. não foi...preciso da sua amizade você se tornou importante demais pra eu te perder...
Acho incrível como as pessoas mudam rápido...
Algumas delas se aproximam de você por causa do que você tem ou pode oferecer. Conseguiriam, te esquecem num de piscar de olhos.
Amizade para ser verdadeira, não se faz necessário estar colados 24h, e sim vibrar toda vez que o outro progride ou vence obstáculos, estar sempre apoiando quando o outro necessitar, sentir a falta do outro quando em algum momento venham as recordações.
Amigos verdadeiros não são muitos. Nem todos os que sorriem pra você, o são. Saiba reconhecê-los!
UTOPIA
revê-la depois desta longa separação
e encontrar, intactas, a conexão e a ternura
dos velhos tempos, feito alguém que
se depara com uma música na rádio
após vários anos sem escutá-la
e percebe que ainda a sabe de cor
e sente a avassaladora emoção da descoberta
no ato de redescobrir.
Minha Morena do Sertão
Lá no cantinho do mato, onde o sol beija o chão
Tem uma moça que encanta, dona do meu coração
Cabelos negros ao vento, sorriso que é tentação
Ela é flor que não se arranca, minha morena do sertão
Ô morena, vem pra mim devagar
Tô com saudade do teu jeito de me amar
Teu cheiro tá no meu lençol, no café da manhã
Vem ser pra sempre a minha estrela da manhã
Ela dança na varanda com vestido de algodão
Canta moda de viola, bate forte o violão
Com ela tudo é poesia, tudo vira inspiração
Nem o céu tem mais beleza que a minha paixão
E quando a lua se esconde e a saudade me invade
Eu lembro do teu beijo doce, do teu colo de verdade
Nenhuma cidade grande tem o brilho do teu olhar
Morena do sertão, é com você que eu quero ficar
Mãe, você consegue ouvir a minha voz?
Chamando, através do denso ruído branco.
Eu tenho perseguido sonhos e estrelas,
Em um longo caminho pra não perder meu coração.
Se eu me sentar sozinha,
Ainda às vezes, eu posso sentir você aqui
Onde as ruas me levam de volta para onde estou presa;
– Na saudade tua.
Da casa
Morei numa casa,
Feita de cal, madeira e planta.
Tinha facho de velas,
E raios numa porta debruçados.
Minha mãe nos ensinava,
A fazer um pão chamado sonho.
Por vezes tínhamos que fermentar com mais vigor.
Mas por fervor ou insistência, crescia.
Nessa casa se contavam estórias.
Como a luz que ficou presa na sombra,
Até que o vento a libertasse.
Ou da lagoa que desaguava no mar,
Porque ele por ela estava encantado.
Tinha uma que ninguém entendia.
Revelar-se-ia mais tarde na travessia.
Era de uma voz que somente se ouvia,
No agudo silenciar, tomado na profundeza.
A casa inda lá continua.
Minha mãe ajuntou-se noutro tempo.
Só agora, enxertado de silenciamentos, aquela voz ecoa.
Abre-se na boca do menino que se avizinhou da saudade.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas
Poetamento
Meu simples poetamento, pouco explica em seu rumar.
Faz parte dessas ruelas que sempre surgem,
Como meus pequenos passos a marear.
Insinuando trilhas, avistando mapas, a orbitar.
As palavras servidas, além do que, tanto perguntam.
Como guardar o beijo que será efervescido?
Como carregar os pedaços dos que nos faltam?
Como desalumiar os pirilampos da saudade?
Meu palavrear não tem controle de custos.
Pode arquejar no tempo, não estar imune,
Ficar laçando luares, impávido escapulindo.
Querendo partilhar em si, fugaz raio da vivência.
Minha confabulação desmerece acanhamento.
Anda indócil, quase sempre nua, a entregar-se a um riso.
E quando eu pouco me descompasso, num alvoroço,
Sem qualquer anúncio, faz surgir estelares num pingo d’água.
Carlos Daniel Dojja
QUANDO TE SONHO
Quando me aposso da noite do sonho,
Os pés do mar correm em ondas,
E querem se aformosear em teus passos.
Tornam-se seixos encravados em tua espera.
Na terra os braços do vento te acariciam.
Matizam-se de cores para ornar teu ventre.
Tua boca me incita,
Ao não desver o querer imaginado.
Não desperto. Cubro-me de ousadia.
Continuo te inventando,
Antes que desenleie o dia da saudade,
Entre uma e outra possível eternidade.
