Textos de Saudade
A sua partida deixou uma saudade profunda,
Desfez a minha paz serena,
Transformou a alegria em tristeza eterna.Você levou meu sorriso,
o meu amor.
E a trilha da minha felicidade.Às vezes, pergunto-me se percebeu,
Que levou também minha bondade,
Minha essência mais pura. Seus sentimentos se esvaíram,
E com eles, sua própria luz,
Perdida na sombra da ilusão. Hoje, és apenas uma sombra vazia,
Caminhando
Na longa saga do silêncio.
Você insiste em alimentar uma chama que, na tua ausência, se apaga.
Continua tentando, acreditando, esperando...
Mas ela não demonstra interesse, nem afeto, nem carinho.
Enquanto estás por perto, tudo parece bem —
mas é só aparência: sustentada pela tua presença, tua entrega, tua ilusão.
Na tua ausência, o castelo desmorona.
Isso não é amor.
É vaidade, conveniência, ego sendo servido.
Acorda.
Quem te ama, te rega mesmo quando não estás por perto.
Quem te ama, mantém a chama viva mesmo no silêncio.
Valoriza-te.
Não mendigues atenção onde não há reciprocidade.
Ama-te o suficiente para partir quando o amor não é verdadeiro.
Mesmo com a distância e a tua ausência,
teu nome ainda ecoa dentro de mim.
Fico imaginando você aqui, perto,
sentindo o teu cheiro que invade minha lembrança,
o gosto do teu beijo que nunca esqueceu meu lábio.
Queria poder te tocar todos os dias,
desenhar teu rosto com a ponta dos meus dedos,
olhar nos teus olhos e revelar, sem medo,
o quanto você é amada na minha vida,
o quanto tua presença, mesmo longe,
ainda acende luz nos meus caminhos.
E assim sigo, vivendo da esperança,
guardando teu amor no peito
como quem guarda um sol que nunca se apaga.
E se o silêncio trouxer de volta o que partiu,
não será ausência, será música.
Não será vazio, será espaço fértil,
não será dor, será raiz que floresce.
Que venha como brisa,
sem urgência, sem ferida,
pois só merece retorno
aquilo que já aprendeu a ser luz.
E se o coração aceitar,
não será peso, será voo.
Não será sombra, será aurora.
Não será fim, será começo
um começo que se escreve
com ternura e coragem.
Cartinha...
Ganhei hoje um presente embrulhado em saudades
Um presente colorido em uma caixa vermelha
Em cima tinha uma fita amarelada do tempo
Estava escrito em azul! Saudades são como os ventos...
A caixa feita em forma, que parece um coração
Por ser vermelha bem forte, cor do sangue em minhas mãos
Dentro trazia uns guardados escritos com emoções
Estava no cabeçario ainda escritos a mão...
Amigo estas lembranças me saem do coração
Se posso chamar de amigo a quem quero por paixão
O tempo levou embora apenas as minhas certezas, mas deixou algo esquisito
Deixaram no peito meu que sangra nestes escritos...
Quando a caneta desliza neste papel azulado
Colocando em palavras os pensamentos espalhados
Esperando que ainda tu leias, relembrando seu passado
E do amor que te tenho neste coração guardado.
Das esperanças que tinha com ela fiz uma estrada...
Viajei pelos caminhos de mãos dadas com as saudades
Sempre amparada com a sorte minha amiga desgarrada
Mas esteve ali presente no presente desta estrada...
Tive momentos que a vida às vezes me fez te esquecer
Quando dormia um pouquinho nos sonhos ia te ver
Felicidades tão belas que levaram o amanhecer
Cheguei odiar o sol porque levava você...
Amores tentaram de tudo, rostos lindos de viver
Corpos rolaram nas camas em buscas de algum prazer
Nas lembranças do meu peito só existia você
Nestas linhas que te escrevo somente para saber
Que na vida do meu hoje e no ontem sou você...
Termino estas lembranças, deixando como certezas
Contrariando os dizeres que ouço por muitas vezes
Que o tempo tudo cura. o meu peito não aceita
Quando o amor é verdadeiro! Nem a morte ele respeita.
Assinado com saudades, saudades de uma vida inteira...
(Zildo de Oliveira Barros14/03/12)
Não há um abismo pra tua ausência
Nem uma estrada que te leve embora
Um açoite um silêncio nem indiferença
Que faça brilhar em mim uma nova aurora
As luzes me iludem com seu piscar
Os pássaros noturnos lindos carpidos
Afagam meu peito pra não amar
Fragmentos de amor que dormiu comigo
A noite dorme é como um manto
Lágrimas molham a madrugada
Fico escrevendo meu amor com encanto
Para sonhá-te na solidão alada. Leonice Santos.
E quando a saudade tem nome?
O coração ainda bate descompassado como na primeira vez.
O pensamento não vai embora e faz lembrar o cheiro, o gosto, a voz...
O calor que embalava nossos corpos, a melhor sensação da minha vida era ter você, estar em você, com você. Arrepiava.
Agora é só lembrança e vontade.
Vontade de voltar no tempo e viver tudo denovo. Tudo.
Ou esquecer.
Relendo o livro que você me deu,
Em cada página, um eco do seu ser,
Tento amenizar a saudade que é,
Sentida em meu peito, um doce sofrer.
A cada dia que passa, a distância pesa,
Mas suas palavras me abraçam, me aquecem,
São lembranças que dançam, como a brisa,
E no silêncio, seus risos me tecem.
Se o tempo é cruel, a memória é forte,
E entre as linhas, encontro seu olhar,
Nessa leitura, um refúgio, um norte,
Até que um dia eu possa te encontrar.
Devaneios Tolos
O mundo é feito de ilusões perdidas,
Vidas entristecidas e de saudade sem fim.
De amores mal vividos, de sentimentos sem sentido.
De uma fome insaciável, em ser feliz.
A vida nos guia, nos conduz,
Uma hora nos ilude e quantas outras, nos seduz.
Por vezes nos faz nascer e então, nos obriga a crescer,
De fato, um pouco nos ensina e em outras tantas, nos domina.
Um dia então nos mata, nos enterra e nos esquece.
E ali sozinho, sofre por uma espera sem fim,
Tudo na esperança de um dia, a vida volte,
A lembrar-se
- De mim!
EU SINTO SAUDADES DE BRINCAR
Eu sinto saudades de brincar, tipo brincar mesmo, inventar cenários, brincar de casinha, brigar pela cor da calda, sair cedo e voltar só quando escurece, lembra do "posso ir beber água na sua casa? Se eu voltar, minha mãe não me deixa sair mais". Pra onde foi toda essa brincadeira? Em que momento paramos? Em que momento deixamos de ser crianças? Hoje em dia a vida é tão séria, sinto saudades de brincar...
SAUDADES
A saudade que nos consome
E nos faz buscar além do horizonte...
Às vezes é unilateral
Que dói mais que uma queda quase fatal.
Às vezes é saudade do momento...
Que parece que passou com o vento,
Às vezes é saudade da gritaria
Que normalmente era por uma boba briga.
Saudade do que fizemos...
E às vezes até do que não fizemos,
Como um eterno vai e vem...
A saudade sempre habita em alguém.
Mesmo sendo triste
Fingimos parece que estamos em um filme,
Parecer feliz é mais bonito
Que estar parecendo cacos de vidro.
E mesmo fingindo...
A saudade ainda fica te atingindo
Eu só to mal.
Será simples?
Será saudade?
Será chatice?
Parece tantos motivos para me fazerem querer desabar, mas ao mesmo tempo, só um em específico.
Eu me sinto frustrado.
Eu me sinto insuficiente.
Eu me acho sem graça.
Eu me acho desinteressante.
Eu só queria conversar mais.
Eu só queria que gostassem mais de mim.
Queria ser uma bom filho.
Um bom amigo.
Um bom abraço.
Uma boa conversa.
São tantas coisas, tantas micros histórias. É uma de 3 anos, é outra de meses, e em nenhuma, eu abandono o papel de figurante, de parede.
Eu nunca pensei que me importaria de fato em ser o preferido, mas eu me importo muito. Não é que era cansativo, eu só tinha medo de desagradar, de me verem demais e perceberem que eu nem sou tudo aquilo.
Nada funciona. Eu edito minhas fotos, eu sorrio até pro vento, rio de piadas sem graças, do atenção a banalidades, estou ali, mas nunca sou eu! Ninguém me percebe completamente.
Eu nem sei mais o que falar.
(C)Oração
Que Deus me ajude a aguentar
quando em mim a saudade de ti apertar.
Que Deus me ajude a resistir
quando for a hora de a tua vida seguir.
Que Deus me ajude a te esquecer
enquanto diminui a minha vontade de viver.
Que Deus me ajude e me proteja de mim
enquanto eu assisto teu amor chegar ao fim.
Que Deus me perdoe da minha falta de sorte
para que eu possa te encontrar logo após a morte.
Que Deus ouça a minha prece,
apague do coração o que alma não esquece.
Que Deus me perdoe de todo o pecado,
já que a viver sem ti eu fui condenado.
Que Deus me ajude e te ajude também.
Nas chegadas, nas partidas...
... amém, amém.
"Essa nossa humanidade,
vive o ano todo se queixando da carência e ausência da felicidade,
e quando chega o fim do ano, festeja com fogos de artifícios e bombas uma alegria que parece mais um surto de desabafos contidos num espírito de dor."
***
(Francisca Lucas)
______________________💗
PAIS, MÃES E FILHOS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Nunca tive saudades do meu pai. Tive, sim, saudades do pai que meu pai não foi. Na verdade, saudades de qualquer saudade que teria, se a minha história e de meus irmãos com ele fosse outra.
Ao me tornar e “retornar” pai, passei a ter medo. Um medo imenso de que minhas filhas algum dia não tenham saudades do pai que tiveram, mas, do pai que não fui. Ou que tenham saudades de qualquer saudade que pudessem ter, se nossa história fosse outra. Se tivéssemos história, pelo menos que valesse a pena lembrar.
Pais e mães deveriam refletir mais a respeito disso. Deveriam se preocupar em construir com seus filhos, histórias relevantes. De amor e presença. De atenção e cumplicidade. Se houver sofrimento - e sempre há -, que o sofrimento seja compensado por esses atributos indispensáveis à relação pai, mãe e filhos.
Que seja por egoísmo. Pelo simples deixar saudades. Não tem problema, porque esse egoísmo tem a capacidade mágica de salvar os filhos de uma frustração eterna.
NOSTALGIA PATERNA
Demétrio Sena, Magé – RJ.
- Saudades de você, minha filha.
- Ué, pai; mas estou aqui todos os dias. Que história é essa?
- Saudades de você na cadeirinha da bicicleta. Pedindo para ver canoas no Rio Suruí. Feliz da vida com um presentinho de nada. Chorando porque me ouviu dizer, de brincadeira, que trocaria nossa casinha humilde por uma mansão. Dando gargalhadas gostosas por qualquer brincadeirinha boba. Deitada na rede, lendo livrinhos infantis. Pulando no upa-upa. De olhinhos arregalados, ouvindo minhas histórias. Dormindo ao som das musiquinhas que fiz para niná-la. Gostando de ser chamada de molequinha.
- Ih, pai; por que esse papo agora? Já acabou?
- Não, filha, tem mais...
- Mais o quê, pai?
- Saudades de quando você não perguntava “que história é essa”... nem dizia “ih, pai; por que esse papo agora?”.
- O que mais, pai?
- Já terminei. Agora o beijo de boa noite.
- Tá bom; pai. Beijo. Boa noite.
ESPELHO DA SAUDADE
Demétrio Sena - Magé
No momento não sei o que será,
porque sei que trocamos muitas mágoas,
mas preciso dizer que o meu amor
não rompeu essas águas nem se afoga...
Nado ainda no espelho da saudade;
a minh'alma flutua quando cansa,
levo a minha esperança no trajeto
e nem sei com que forças a mantenho...
Nada peço a não ser que me preserve
nas melhores lembranças de uma fase
que me serve de alento por aqui...
Acredite no amor que dei um jeito
de mostrar dos meus modos descabidos,
nos desvãos espremidos desta vida...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
A Quintilha da Saudade!
Na pauta da memória, o decano,
Entre brumas surge caricioso,
Sua retórica soa em afogadilho,
Eminente saudade, fulgor análogo,
Inatual chama, ardor tão formoso.
©JoaoCarreiraPoeta.
17/12/2025.
A saudade é como voltar a um
rio que já não tem peixe,
é sentar-se à sombra de uma
árvore que já não dá frutos,
mas ainda abraça com sua
quieta proteção.
Estar vivo é isso:
é sentir saudade, é temer a perda,
é compreender que tudo passa —
e que nós também passaremos.
Até lá, seguimos vivendo,
e viver exige coragem para sentir
tudo o que a alma insiste em tocar.
Minha solidão não tem nada haver com presença ou ausência de pessoas. Detesto quem me rouba a solidão sem, em troca, oferecer verdadeira companhia.
Texto de Friedrich Nietzsche
A solidão, no pensamento que atravessa essa frase, não é carência, mas território interior. Ela não nasce da ausência de pessoas, e sim da ausência de sentido. Estar só, nesse horizonte, é estar em contato consigo mesmo; estar acompanhado, sem verdadeira presença, pode ser uma forma mais profunda de abandono. Nietzsche aponta para uma solidão qualitativa, não quantitativa.
Quando ele afirma que detesta quem lhe rouba a solidão, revela que a solidão é um bem precioso, quase sagrado. Trata-se do espaço onde o indivíduo pensa sem concessões, cria sem aplausos e se confronta com suas próprias alturas e abismos. Roubar a solidão é invadir esse espaço com superficialidade, ruído e expectativas vazias. É ocupar o tempo e o corpo sem tocar a alma.
A “verdadeira companhia” não se mede pela proximidade física nem pela frequência da convivência, mas pela capacidade de presença real. É aquela que não distrai do essencial, mas aprofunda; que não exige máscaras, mas permite silêncio; que não dilui a individualidade, mas a respeita. Poucos são capazes dessa companhia, porque ela exige maturidade interior e coragem de permanecer diante do outro sem se esconder.
Nesse sentido, a solidão nietzschiana não é isolamento social, mas fidelidade a si mesmo. É a condição necessária para o surgimento do pensamento autêntico e da vida criadora. O espírito que busca elevar-se precisa, em certos momentos, afastar-se da multidão não por desprezo, mas por necessidade de escuta interior. Quem não suporta a própria solidão dificilmente suportará a profundidade do outro.
A crítica de Nietzsche, portanto, não é contra as pessoas, mas contra as relações vazias. Ele denuncia a convivência que preenche o espaço, mas esvazia o sentido; que fala muito, mas não comunica; que ocupa, mas não acompanha. Essas presenças são mais solitárias do que o silêncio.
Por fim, o texto nos convida a rever nossa relação com o estar só e com o estar junto. Talvez a verdadeira questão não seja evitar a solidão, mas aprender a habitá-la. E, a partir dela, escolher companhias que não nos afastem de nós mesmos, mas que caminhem ao nosso lado sem nos roubar o que temos de mais íntimo: a integridade do nosso ser.
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