Textos de Reflexão
Eu descobri que cultivar plantas no quintal é uma forma sofisticada de enlouquecer com elegância. Porque veja bem, enquanto tem gente colecionando problemas, eu coleciono folhas, raízes, frutos e uma esperança diária de que a vida, pelo menos ali, obedeça algum tipo de lógica. E obedece. Planta não mente. Ou ela cresce, ou ela morre. Simples, direto, quase ofensivo de tão honesto.
No meu quintal tem de quase tudo, e eu falo isso com o peito estufado de quem virou praticamente uma fazendeira de um metro quadrado. Tem fruta que eu mesma já nem lembro quem plantou, se fui eu num surto de motivação ou se foi o vento sendo mais competente que muita gente. Tem erva pra chá, e a minha querida cidreira que, diferente de certas pessoas, me acalma de verdade. Basta eu chegar perto, amassar uma folhinha e pronto, já sinto como se o mundo tivesse pedido desculpa por existir.
E o mais curioso é que cuidar dessas plantas me ensinou mais sobre a vida do que muita conversa profunda por aí. Planta não cresce no grito, não responde à pressa, não floresce porque você está ansiosa. Ela cresce no tempo dela, no silêncio dela, na teimosia dela. E eu ali, regando, observando, aprendendo a esperar, coisa que a gente detesta, mas precisa.
Tem dias que eu converso com elas, confesso. Não por achar que vão responder, mas porque, de certa forma, já respondem. Quando brota uma folha nova, quando dá fruto, quando resiste a um sol de rachar ou a uma chuva sem aviso, é como se elas dissessem bem baixinho: continua. E eu continuo.
No meio desse mundo barulhento, onde todo mundo quer tudo pra ontem e ninguém sabe direito o que está fazendo, eu vou lá pro meu quintal, sujo a mão de terra e lembro que a vida de verdade não acontece na pressa. Ela acontece ali, quietinha, crescendo sem alarde.
E no fim das contas, talvez eu nem esteja cultivando só plantas. Talvez eu esteja cultivando paciência, presença, e um tipo de felicidade que não faz barulho, mas preenche tudo.
Eu descobri sem querer que sou uma espécie de fazendeira clandestina de mamão. Não dessas de chapéu de palha e cerca branca, mas daquelas que um dia simplesmente olham pro quintal e pensam “e se eu só… jogar isso aqui e ver no que dá?”. Foi assim, sem planejamento estratégico, sem planilha, sem tutorial de internet. Só eu, um mamão comprado no mercado e uma teimosia silenciosa que mora dentro de mim.
Joguei as sementes como quem joga um segredo no vento. Sem cerimônia. Sem promessa. E fui viver a vida, como se nada tivesse acontecido. Seis meses depois, o quintal virou uma espécie de floresta tropical em miniatura, um congresso internacional de mamoeiros, cada um erguido com aquela dignidade de quem nasceu pra dar fruto. E deram. E continuam dando. Como se tivessem combinado entre si: “vamos alimentar essa mulher até ela não aguentar mais olhar pra mamão”.
E eu colho. E cada mamão colhido não é só um fruto, é um ciclo completo, é quase uma filosofia embalada numa casca amarela. Porque dentro dele vêm novas sementes, novas possibilidades, novos começos. Eu abro o mamão e é como abrir um cofre cheio de futuros quintais. E lá vou eu de novo, jogando sementes, espalhando vida, como se fosse a coisa mais natural do mundo. E talvez seja.
Hoje eu tenho mamões infinitos. E não é exagero de quem gosta de dramatizar a própria rotina. É infinito mesmo, no sentido mais simples e mais bonito da palavra. Sempre tem mais vindo. Sempre tem mais crescendo. Sempre tem mais surgindo onde antes era só chão.
E aí eu fico pensando nesse hábito estranho que a gente tem de jogar sementes fora, como se fossem lixo, como se não carregassem dentro delas um potencial absurdo de alimentar alguém, de virar sombra, de virar sustento. É quase uma ingratidão silenciosa, um desperdício disfarçado de normalidade.
Se não tiver quintal, tudo bem. O mundo não acaba no muro de casa. Tem canteiro na rua, tem beira de rio, tem terreno esquecido que só precisa de uma chance. A cidade inteira pode ser um grande quintal disfarçado, esperando alguém com coragem suficiente pra sair plantando sem pedir permissão pra ninguém.
No fim das contas, plantar virou mais do que um hábito. Virou uma resposta. Uma resposta simples pra um mundo complicado demais. Enquanto tem gente discutindo o futuro, eu tô ali, jogando sementes no chão e confiando que alguma coisa vai nascer. E nasce. Sempre nasce.
Agora me diz, quantas florestas você já jogou no lixo hoje sem perceber?
Eu descobri uma coisa simples que parece pequena, mas muda o rumo do meu dia inteiro, como quem muda a direção de um barco só girando levemente o leme. Eu acordo, ainda meio sonolenta, com aquele pensamento automático de já pegar o celular, ver o mundo, ver a vida dos outros, ver o que nem é meu… mas aí eu me lembro de mim. E paro. Só paro.
Fecho os olhos. E pronto, o espetáculo começa sem precisar de tela.
Tem o passarinho que canta como se estivesse anunciando alguma novidade urgente, que na verdade nunca chega, mas ele insiste. Tem o vento que bate nas folhas como se estivesse fofocando segredos antigos da terra. Tem um cachorro lá longe que resolve participar da orquestra sem ser convidado. Tem até o silêncio, que não é ausência de som, é um som mais profundo, mais honesto, quase tímido.
E eu fico ali, quieta, como se estivesse assistindo a vida sem interferir nela. Sem pressa, sem cobrança, sem aquela lista mental que vive me perseguindo. Só ouvindo. Só existindo. Só sendo.
É engraçado como a gente passa tanto tempo procurando paz em coisas grandes, caras, distantes… quando ela mora ali, encostada na manhã, esperando só que alguém feche os olhos e escute. Não é sobre ter tempo, é sobre escolher parar. Nem que seja um pouquinho. Nem que seja um minuto roubado da correria.
E quando eu abro os olhos de novo, o mundo continua o mesmo. Mas eu não. Eu volto mais leve, mais inteira, como se tivesse lembrado quem eu sou antes de virar obrigação.
Se eu pudesse dar um conselho, daqueles simples e teimosos, eu diria: faz isso também. Fecha os olhos de manhã e escuta. A vida fala baixo, mas fala o tempo todo. E quem aprende a ouvir… nunca mais se sente tão perdido.
Existem histórias que as pessoas escutam e têm dificuldade de acreditar. Não porque sejam impossíveis, mas porque ninguém deveria precisar viver algo assim.
Parte da minha história começou antes mesmo de eu ter idade para formar lembranças. Minha mãe me contou que, quando eu ainda era um bebê, fui amarrada e submetida a maus-tratos durante horas pelo homem que deveria ter me protegido. Ela dizia que assistiu a tudo tomada pelo medo. Ao longo dos anos, ela me contou diversos episódios da minha infância que eu jamais poderia recordar sozinha, mas que ajudaram a explicar muitas marcas que carrego até hoje.
As primeiras lembranças que tenho são de medo.
Lembro de acordar muito pequena, com cerca de três anos de idade, ouvindo uma briga dentro de casa. Havia gritos, desespero e violência. Em meio àquela confusão, fui puxada de um lado para outro enquanto minha mãe tentava escapar. Naquele momento, senti um medo que uma criança não deveria conhecer.
Curiosamente, a única coisa que me lembro de ter pensado foi uma frase que eu ouvia minha mãe repetir quando passava por situações difíceis:
"Deus, me ajuda."
Eu nem compreendia completamente o significado daquelas palavras. Apenas as repeti dentro de mim.
Essa lembrança me acompanha até hoje porque foi uma das primeiras vezes em que senti que precisava me agarrar a algo maior do que eu para continuar.
Anos depois, já com oito anos de idade, vivi outro episódio que jamais esqueci. Eu costumava levar uma menina menor para a escola. Certo dia, almocei na casa dela e acabei chegando mais tarde em casa. Lembro de sentar em uma cadeira depois de voltar. O que aconteceu em seguida desapareceu da minha memória. O próximo momento de que me recordo foi despertar assustada em meio a uma situação de agressão e punição.
Foi uma das primeiras vezes em que percebi como o medo podia surgir sem aviso e transformar um dia comum em um dia inesquecível.
Também me recordo de outra situação envolvendo meu tio, que tinha idade parecida com a minha. Nós éramos apenas crianças. Havíamos sido encarregados de uma tarefa, mas acabamos nos distraindo brincando. O resultado foi uma punição extremamente severa.
Naquela época, eu não entendia por que crianças eram responsabilizadas daquela forma por comportamentos que eram próprios da infância.
O que ficou em mim não foi apenas a dor daquele momento, mas a sensação de injustiça. Eu era apenas uma menina tentando viver a infância que toda criança merece viver.
Outra lembrança marcante aconteceu quando cheguei da escola e encontrei meus irmãos reunidos em um ambiente tomado pelo medo. Recordo do clima de tensão, das palavras assustadoras, das ameaças e da sensação de impotência. Naquela noite, quase não consegui descansar. O medo parecia ocupar todos os espaços da casa.
Durante muitos anos, essa foi a realidade que conhecemos.
Minha mãe fugia.
Depois voltava.
Nós fugíamos.
Depois éramos levados de volta.
O ciclo parecia não ter fim.
Uma das lembranças mais fortes que guardo aconteceu durante a adolescência. Eu já trabalhava como estagiária e havia recebido meu primeiro salário. Cheguei em casa feliz, trazendo comida para a família e entregando parte do dinheiro para minha mãe.
Eu queria ajudar.
Queria construir algo melhor.
Mas aquela noite se transformou em mais um capítulo de sofrimento.
Foi a partir daquele momento que compreendi que, se eu quisesse sobreviver emocionalmente, precisaria partir.
Saí levando apenas o essencial. Algumas peças de roupa, minha coragem e a esperança de construir uma vida diferente.
Eu tinha apenas dezesseis anos.
Mesmo sendo tão jovem, sentia que precisava tentar salvar não apenas a mim mesma, mas também meus irmãos.
Conseguimos sair juntos. Encontramos um lugar para recomeçar. Durante alguns dias, acreditei que finalmente estávamos livres.
Mas, pouco tempo depois, minha mãe decidiu retornar para aquele ambiente.
Foi nesse momento que compreendi uma das lições mais difíceis da minha vida: nem sempre conseguimos salvar quem não está preparado para romper com aquilo que o machuca.
Hoje, quando olho para trás, percebo que muitas lembranças se perderam no tempo. Existem acontecimentos que já não consigo recordar com clareza. Existem cicatrizes cujo momento exato de origem desapareceu da minha memória.
Mas as marcas permaneceram.
E, de certa forma, elas contam uma história.
Não apenas a história da dor.
Mas a história da sobrevivência.
Porque apesar de tudo o que vivi, eu continuei caminhando.
Apesar do medo, continuei acreditando.
Apesar das feridas, continuei amando.
Apesar de todas as tentativas de me destruir, construí minha própria liberdade.
E talvez essa seja a maior vitória de todas.
Eles marcaram partes da minha história.
Mas não conseguiram definir quem eu me tornaria.
Hoje, eu não sou a criança assustada que vivia esperando a próxima tragédia.
Sou a mulher que sobreviveu a ela.
Ela construiu um castelo tão bonito na imaginação que passou a acreditar que era real
Para todos, mostrava flores nas janelas, sorrisos nas fotos e declarações que encantavam quem olhava de fora. As pessoas admiravam aquele conto de fadas e diziam: “Que relacionamento perfeito!”
Mas dentro do castelo, as paredes estavam rachadas.
Cada lágrima era escondida atrás de filtros. Cada ferida era coberta por uma nova publicação. Cada humilhação era justificada como prova de amor.
O tempo passou, e ela já não sabia mais distinguir a realidade da fantasia que havia criado. Mesmo machucada, continuava defendendo a história. Mesmo sendo destruída por dentro, insistia em mostrar que estava tudo bem.
Porque admitir a verdade significaria perder o personagem que criou para a sociedade.
E assim ela escolheu preservar a imagem, enquanto perdia a si mesma.
Até que um dia entendeu que status não cura feridas, aplausos não substituem paz, e nenhuma plateia merece o preço da própria felicidade.
Porque viver uma mentira bonita continua sendo viver uma mentira.
Tudo é uma crença, e eu estou sempre acreditando em algo — até quando penso que não acredito em nada, estou, na verdade, acreditando que não acredito. Não há como escapar das crenças, porque até na tentativa de fugir delas, estou acreditando que estou fugindo. Mesmo quando digo que não acredito em nada, estou, na verdade, acreditando que não acredito em nada.
A única coisa que eu posso fazer é mudar minhas crenças. E, no fundo, isso também é uma crença: a crença de que eu tenho o poder de transformar aquilo em que acredito. Cada crença que tenho, seja consciente ou inconsciente, muda a minha realidade. Ao alterar essas crenças, mudo não só o que penso, mas também o que sou e como vejo o mundo. E isso, por si só, é um ato de transformação.
Assim, percebo que a liberdade não está na ausência de crenças, mas no poder de escolher quais crenças adotar. O simples fato de acreditar que posso mudar minhas crenças já é uma crença poderosa, capaz de transformar minha perspectiva de vida.
Nem tudo mau, nem tudo bom.
Um certo sábio reduziu toda a sabedoria ao caminho do meio. Levar o certo longe de mais e ele se torna errado. A laranja espremida ao máximo dá só amargor. Mesmo no prazer não devemos ir a extremos. A própria inteligência se esgota se exigida demais, e se ordenhamos uma vaca em excesso teremos sangue por leite.
"Primeiro você acredita que há uma substância inteligente, da qual todas as coisas procedem.
Segundo você acredita que esta substância lhe dá tudo que você deseja.
Terceiro você relaciona-se a ela por um sentimento de gratidão forte e profundo.
Muitas pessoas que vivem corretamente, de uma forma ou de outra, permanecem na pobreza por falta de gratidão.
Recebendo um presente de Deus, cortam os fios que os conectam com Ele, e não tem o reconhecimento. É fácil compreender que quanto mais próximo nós vivemos da fonte das riquezas,
mais riqueza receberemos, e é fácil também compreender que a alma que é
sempre grata vive mais próxima de Deus do que aquela que nunca tem
reconhecimento e gratidão.
Quanto mais gratidão ao supremo nós tivermos em nossas mentes, ao receber as coisas boas, mais coisas nós receberemos, e mais rapidamente virão.
E a razão é simplesmente porque a atitude mental da gratidão coloca a mente em estreita proximidade com a fonte de onde vêm essas bênçãos." (Wallace Wattles)
Parabéns para quem adora passar vergonha em dobro: primeiro, ao acreditar e espalhar uma mentira barata; segundo, ao achar que continua sendo uma alma evoluída enquanto apoia e defende o lixo alheio.O espelho de vocês deve ser feito de plástico,
porque se fosse de vidro já teria quebrado.
Passei anos acreditando que viver era apenas uma forma lenta de a matéria aprender a apodrecer. O amor sempre caminhou alguns passos à minha frente, como um desconhecido educado que nunca teve a intenção de bater à minha porta. Dentro desta carcaça enferrujada, o que chamam de alma tornou-se apenas um depósito de ferrugem, nicotina e memórias que recusaram o privilégio do esquecimento.
Há manhãs em que até o sol parece um erro antigo insistindo em repetir-se. Acordar costuma ser apenas mais uma derrota silenciosa contra a noite. Nada me convence de que exista qualquer sentido em permanecer respirando quando o próprio tempo se alimenta daquilo que ama destruir.
No entanto, hoje aconteceu uma pequena traição contra o absurdo.
Antes que o mundo me recordasse o peso da existência, pensei em você.
Foi um pensamento breve, quase tímido, mas suficiente para desorganizar o meu desespero. Não porque tenha devolvido esperança — essa palavra sempre me pareceu um luxo inventado para quem nunca contemplou o vazio por tempo suficiente —, mas porque, durante um único instante, a vida deixou de ser apenas uma sentença e transformou-se numa pergunta.
Talvez seja esse o seu maior encanto: não salvar ninguém. Apenas fazer com que um homem que já se considerava uma ruína hesite, por alguns segundos, antes de continuar chamando a morte de única certeza.
A Fé Além da Porta
Ter fé é acreditar que, quando a hora divina chegar, Deus fechará a porta e removerá as paredes.
Porém, muitos que dizem ter fé permanecem condicionados, esperando que a porta se abra, sem olhar ao redor, sem confiar que Deus só trabalha com abundância — e que Seus milagres não são apenas mágicos, são extraordinários.
Relação com o Mundo
Descobrimo-nos não apesar do mundo, mas através da nossa forma única de o habitar.
Ser pleno não é ser ilimitado, mas ser conscientemente limitado. E ser autêntico não é ignorar as influências, mas orquestrá-las conscientemente.
A ipseidade não se encontra, constrói-se, dia após dia, escolha após escolha.
Quando olhei aquela foto
Algo diferente percebi
Demorei um certo tempo
Até que descobri
O olhar era de menina
A personalidade de mulher
A postura de uma dama
E o semblante de alguém que sabe o que quer
Parecia ser um desenho feito a mão
Mas nenhuma mão seria capaz de tanta beleza
Só podia ser então
Um capricho da natureza
Cada detalhe minha mente deixou anotado
O cabelo, o anel
O morango a ser degustado
O rosto de menina
Misturado ao olhar de mulher
Foi como uma flecha no meu peito
Chegou rápido ao coração
Entorpecendo esse sujeito
Evito sentir inveja
Mas ao ver aquela foto
Esse sentimento em mim despertou
Como não sentir inveja daquele morango
Que sua boca tocou
Tem gente que faz de tudo para ver você desistir. Quer que você acredite que precisa mendigar atenção, respeito ou oportunidades.
Mas a verdade é outra: quem nasceu para vencer não depende da aprovação de quem torce pela sua queda.
Tem gente que primeiro te adoece, destrói sua confiança e te abandona. Depois, quando vê que você conseguiu se levantar sozinho, aparece oferecendo ajuda, não por bondade, mas porque não suporta ver alguém florescer sem dever nada a ela.
O mais curioso é que, mesmo quando tentam te deixar na lama, sempre haverá quem enxergue o seu valor e o seu progresso. A luz incomoda quem vive na escuridão, mas continua brilhando do mesmo jeito.
*ASAS*
Houve um tempo
em que eu acreditava
que o destino de uma árvore
era morrer no inverno.
Porque eu ainda não conhecia
a primavera.
Então você chegou.
Não como chegam as tempestades,
que arrancam galhos
e deixam lembranças violentas.
Você chegou como chega a manhã.
Sem pedir licença.
Sem fazer barulho.
E, de repente, descobri
que dentro de mim havia janelas
que nunca tinham sido abertas.
Foi estranho.
Passei tantos anos
aprendendo a ser muralha,
que esqueci
que algumas casas
foram feitas para ter varanda.
Você não me ensinou a amar.
Seria injusto dizer isso.
O amor já morava aqui.
Apenas dormia.
Você só acendeu a luz.
E eu vi.
Vi um homem
que escrevia versos escondido da própria voz.
Vi mãos fortes
capazes de tocar o mundo
sem precisar apertá-lo.
Vi que coragem
também podia ser delicadeza.
E que firmeza
não precisava vestir armadura.
Depois...
A vida fez aquilo que a vida faz.
Mudou os caminhos
sem pedir nossa opinião.
Por muito tempo
achei que a dor era você indo embora.
Hoje sei.
A dor era acreditar
que você tinha levado comigo
a parte mais bonita de mim.
Mas ela ficou.
Quietinha.
Esperando que eu percebesse.
Levei anos.
Anos para entender
que ninguém leva embora
aquilo que ajudou a revelar.
As asas
não pertenciam ao vento.
Pertenciam ao pássaro.
Você apenas apontou para elas.
Hoje ainda penso em você.
Há dias em que seu sorriso
atravessa minha memória
como um raio de sol
atravessa uma casa antiga.
Não para machucar.
Mas para iluminar
a poeira que o tempo deixou.
E eu sorrio.
Não porque deixou de doer.
Mas porque finalmente compreendi
que algumas pessoas
não entram em nossa vida
para permanecer.
Entram
para nos apresentar
a alguém.
No meu caso...
A mim.
Agora sigo.
Não correndo.
Não fugindo.
Não esperando.
Sigo como quem conhece a estrada.
Porque aprendi
que o amor nunca foi um lugar.
Era a forma
como eu caminhava
quando me sentia inteiro.
E hoje...
Mesmo sem sua mão na minha,
continuo andando.
Não para longe de você.
Mas para perto
de quem eu descobri ser.
Obrigado por não ter sido o fim da minha história.
Obrigado por ter sido o capítulo em que descobri que eu também sabia escrever.
YOU AND ME REBIRTH...Por muito tempo, acreditamos que as cicatrizes que carregamos são sentenças definitivas. Aprendemos a caminhar com cautela, medindo os passos e protegendo o peito, convencidos de que o amor é um terreno perigoso onde é melhor não se arriscar muito. O passado, com suas promessas partidas e finais dolorosos, nos ensina a erguer muros altíssimos.Mas a vida tem um jeito curioso de contrariar os nossos medos. Quando menos esperamos e geralmente quando já paramos de procurar , ela nos apresenta alguém que não vem para cobrar ou exigir, mas simplesmente para ser um espaço seguro.Encontrar você foi perceber que meu coração não estava morto, estava apenas em silêncio, guardando a sua força para este momento. Nós não apenas recomeçamos. Nós renascemos para o amor, entendendo, de uma vez por todas, que o passado inteiro precisou quebrar para nos reconstruir, exatos e inteiros, no abraço um do outro.Você me pertence eu te pertenço.
_Enzo Ruchell_
A crença que eu acredito é o óbvio...
Não vejo sentido algum ir para uma igreja buscar "Jesus", sendo que Jesus tá em mim, dentro de mim, e pra mim, Jesus é amor.
Não vejo sentido algum ir para um centro espírita "limpar as energias ruins", sendo que qualquer energia "ruim" que eu tenha, sou eu mesmo inventando isso dentro de mim.
Não vejo sentido algum fazer "terapia" com psicólogos e psiquiatras, sendo que minha melhor terapia é questionar minha própria vida e ir mudando o que tá ruim.
Não vejo sentido algum "meditar", sendo que eu medito toda vez que eu durmo.
Não vejo sentido algum buscar "alguma ajuda" externa, sendo que toda minha cura, é interna.
O externo, é só pra lembrar, o que já vive em mim, depois que eu lembro, não é mais tão necessário assim...
Aconselho a todos e todas, que busquem a sabedoria, para que o conhecimento te farta de entendimento, para entendermos que nossa mente é um poço sem fundo, que nunca enche, mas que, quanto mais se esgota a ignorância, mais brota água Cristalina, que jorra em abundância, a essência pura do Divino Espírito Santo, que está em nós, que cura e liberta em todos os aspectos da vida.
Natalirdes Botelho
FINJA!
Finja que não está vendo o que acontece na sua sociedade!
Acredite que ver as pessoas jogadas como lixo nas ruas é algo comum...
Ache normal você escravizar sua vida trabalhando até os 60 anos enquanto seus direitos básicos de sobrevivência são roubados!
Agrade sua família, seus amigos, a sociedade e o mundo, menos você! Vista uma capa, uma aparência, uma vaidade, mantenha sua máscara para o mundo, enquanto você mesmo é deixado de lado.
Se importe com o que os outros acham ou pensam de você, não faça nada, não se mova, fique parado, quieto, calado, não seja ninguém, seja normal, indiferente, não viva!
Tenha medo de ser taxado de "louco(a)", tenha medo de ser você mesmo, seja "louco(a)" apenas dentro da sua cabeça, enquanto você finge ser "normal" para as pessoas à sua volta.
Deixe o tempo passar, viva apenas finais de semana, férias, viva de esmolas do tempo, camufle as angústias, o tédio, a falta de sentido na porta do boteco, do bar, em baladas, bebendo para disfarçar aquele pensamento de mudar, não procure trabalhar no que você ama, seja escravo de qualquer coisa, viva atrás de dinheiro, de conforto, de riqueza material.
Seja orgulhoso(a), teimoso(a), não enxergue isso também, finja que também não entendeu, que não está vendo, mantenha-se dia após dia fingindo, até envelhecer, e a morte se aproximar, finja que vive!
Engatinhando...
Foi engatinhando que eu aprendi a amar.
Descobrir o poder transformador desse sentimento me apresentou novas perspectivas sobre a vida, sobre o mundo.
A momentos sobre o inicio dos acontecimentos que são totalmente velozes e vorazes e vão desde os instantes do engano, passam pelo breu das adivinhações e permeiam até os acolhedores conchavos da segurança, tipo aquele abraço quente no meio do inverno congelante.
Quando a vida começa a contar as suas próprias historias de amor , ela encontra uma criança vivendo seu melhor momento no espaço/tempo de cada brincadeira oferecida por esse tão sensível aprendizado.
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