Textos de poema
Minha voz é tão pequena
quanto o canto triste
do Sabiá-Laranjeira,
centelha sobrenatural que
flameja e que traz
na beira do rio do destino
uma verdade tão feroz
que beira o desatino.
Igual a flor do Ipê-amarelo
levada pelo vento,
este peito se assemelha,
sagra-se o amor em paciência
para o quê é preciso ser dito.
Não por vontade nossa,
o suor do meu povo sofrido
pode vir a armar tropas
e aumentar o derramamento
do sangue do povo palestino.
Eu me recuso que isso seja
realidade e se for verdade
que seja desistida a maldade
no meu Brasil que é minha
Pátria de solo e sangue
porque tal dissabor não
pode vir jamais a ser permitido.
Caminho dos Anjos
Cercado pelo verdejante
Médio Vale do Itajaí
o Caminho dos Anjos
esplende romance
ao grato alcance
dos nossos olhos,
Você virá me ver
e juntos caminharemos
não apenas por ele,
e sim por toda Rodeio,
que é rincão de aconchego
perfeito para o teu peito.
Boi de Mamão paranaense
O meu Boi de Mamão
paranaense nasceu
para dançar com toda a gente
que por aqui chegar
a dança do Pau-de-fitas,
Se você não vê
encanto e poesia nisso,
Chega mais escolha
a sua fita de cor favorita
sabendo que vou te ensinar
e na hora que começar
parado com a mesma
você não vai ter como ficar.
Chimarrão verdadeiro
O meu coração é feito
das cinco regiões
do meu Brasil Brasileiro,
minha Pátria de sangue,
destino e meu amor primeiro.
Eu sou poetisa do Sul,
as minhas rimas são do Sul,
a minha poesia é do Sul,
e por entre elas vive
perpétua a América do Sul.
O meu espírito e meu corpo
são feitos das cinco regiões
do meu Brasil Brasileiro
que encontram contentamento
na Craibeira que dá sombra
e a visão sublime enfeita.
Eu sou poetisa do Sul Brasileiro
que só tem o espírito saciado
com Erva-Mate Tradicional
para o meu Chimarrão bem feito
porque a qualquer hora ele é perfeito.
Em mim moram as cinco regiões
e toda minha poesia também
mora em cada uma delas
e esperando o florescer as Craibeiras,
a hora da colheita da Erva-Mate
para que o Chimarrão de verdade
jamais falte nas nossas mesas.
Quebra-Mana
De sapateada boa e de valsada leve acompanhados por violas potentes
e com as nossas palmas animadas,
Vamos nessa Quebra-Mana
mostrar com força como se dança
e com a música do coração que
do amor jamais se cansa e sem
se importar com a desesperança,
sempre acaba fazendo festança.
Da Caatinga ao Pampa
Timbaúba é querida,
dela se faz brinquedo
que traz infante alegria,
Timbaúba maravilhosa
com suas cascas e frutos
levam ao banho que ergue,
que jamais me esqueço
que como toda árvore dá
sempre aquilo que cada
um precisa e por isso é
sempre digna de respeito.
Rio Grande do Sul
O céu chora sobre
a Pátria Pampa
os efeitos dos limites
ultrapassados,
Encontrar as causas
e as faltas
é importante porque
sempre existirão
aqueles que fingem
que é melhor não ver,
O importante é salvar
os vivos para daqui
para frente e prevenir
para que dilúvios,
e os infortúnios
não sejam repetidos.
As auroras austral e boreal
são as danças dos deuses,
do nossos hemisférios
elas derrotarão os reveses.
Mesmo que ninguém creia
estão escritas nas estrelas
as evidentes exegeses
aos que sabem bem lê-las.
Dizer não à guerra ainda
inspira mesmo que uns
não tenham mais fé na vida.
Tirar o sapato apertado
para andar com os pés
descalços é o urgente apelo.
Aurora Boreal
No Hemisfério Celestial Norte
há um festejo de cores
que rende os corações de amores,
Na apoteose da Aurora Boreal
quando se transforma
no oceano verde da Via Láctea
ou na floresta sinantea
dependendo de onde a vê
é neste momento que olhará
para me encontrar a paz em você.
As enchentes
são as lágrimas
da terra fadigada
que não pode
ser mais negada
e deve ser resgatada
O cavalo no telhado
da paciência
provou o heroísmo
por muitos esquecido
em tempos de peitos
desapontados e doridos
As falsas notícias
tornaram o curso
do rio da vida ainda
mais dificultado,
fato que não pode
jamais ser negado
Com cada herói revelado,
como povo deslocado,
e lado a lado de tudo
o quê não pode ser ocultado
no ritmo imparável
das boleadeiras da angústia
Com rebanhos inteiros
por muitos desconhecidos,
meus galopes paralisaram
e outros submergiram,
resisto no anonimato
como o cavalo ainda por ti olvidado.
Batuque
Dançadores deste terreiro
do chão batido deste nosso
bonito Brasil Brasileiro
onde toca o Tambu fortemente
que ao povo contagia,
onde Quinjengue com energia
toca para o povo que não
perder a sua fé nesta vida,
onde toca a Matraca imparável
e o Guaiá infinito,
todos nascidos para nos unir
neste Batuque com o Divino.
Abolição da Escravatura
Forças internas lutaram
pela Abolição da Escravatura
e a luta tomou outras formas e continua,
A Princesa Isabel assinou
a Lei Áurea que foi decretada
no dia de hoje e as chagas provocadas
pelo Colonialismo ainda persistem,
Somos uma Pátria que prossegue
pela sua própria liberação
porque os efeitos do mal da escravidão
prosperam por parte de alguns
que praticam a luz do dia a negação,
Uma Nação que corrige e aprende
com o passado é uma Nação
que está predestinada a ter futuro.
Fandango de Tamanco
Escutar a viola de dez cordas,
a sanfona de oito baixos
e os tamancos estalar
após a colheita do arroz
é neste Fandango de Tamanco
que só os homens podem dançar,
E nós as damas descansamos
da labuta para gentilmente apreciar,
Te encontrar foi o presente
mais lindo que eu pude ganhar.
Ciranda
Da Zaranda que virou Ciranda
lembro-me da primeira
dança da minha infância
que enraizou-me na terra
de tal maneira que virei poeta
que cirandeia com as letras
enquanto as pega emprestadas
com a Lua enquanto escuta
e canta as cirandas de Lia
protagonizando a interminável
com toda a possível Poesia.
Não tenho receio
de me orgulhar
de coisas de mulher,
se você me trouxer
uma generosa
polpa de Caju,
uma gentil farinha
de Mandioca,
uma Castanha de Caju
bem e um bom Mel,
Faço um Cajuzinho original
que pelo tempo tem sido
por muitos esquecido,
Dizem que ele nasceu
nortista ou nordestino,
Para mim ele é filho
do Canjirão nordestino,
Só sei que ele do jeito
que é nascido da minha
afetiva memória
até hoje não foi esquecido,
E essa história que ele
nasceu doce que nunca
levou caju não passa de mito.
Os teus lábios têm um
quê convidativo de doçura
de Rapadura de Jaracatiá,
É neles que desejo
da amargura deste
mundo os meus adoçar,
E esquecer de tudo
em nome do melhor
que virá onde o imperativo
há de ser amar ou amar,
porque não há outro destino
para a gente se encontrar.
Um Canjirão bem feitinho
com amor, carinho e cortado
em quadradinhos adoça
ainda mais com sabor
os lábios do meu benzinho
que já nasceu doce por natureza,
No mais ficar por conta
da imaginação e tudo aquilo
que o amor pode trazer
ao coração com muito
denguinho e muita fineza.
Ciranda do Nordeste
Deixando-me levar pela música,
poesia e dança de roda
da Ciranda do Nordeste
até a viração da noite
para a madrugada ainda busco
ser amada nesta Zona da Mata
pedindo à Nossa Senhora
que me traga um bom marido
seja caixeiro ou vaqueiro
e que queira viver bem comigo
neste mundo que não tem
o luxo de ser como Pernambuco
que faz fez para tudo
cantando e fazendo roda de Ciranda
para superar e agradecer ao Criador.
Ganhadeiras de Itapuã
Ouvindo as cantigas
antigas das lavadeiras
da Lagoa do Abaeté
e o Samba de Mar Aberto
pelas vozes infinitas
das Ganhadeiras de Itapuã,
Sem receio admito
que ainda aguardo o destino
colocar os teus olhos
na direção dos meus,
os teus passos cruzando
no ritmo dos meus
e semeando os mesmos sonhos.
Minh'alma atlântica
e inteiramente nua
rimando com Lua
capta de longe a sua
que se encontra longe
do Médio Vale do Itajaí,
sem estar comigo
remando no Itajaí-açu,
sem estar colado
dançando com a orquestra
do silêncio em Rodeio
e mesmo assim ainda
encontrando espaços
quando fecha os olhos
para te encontrar nos sonhos.
