Textos de poema
🖋️ Poema: O Reencontro
Procurei-me em tantos espelhos,
em tantos olhos que não eram os meus,
esperando que alguém me dissesse
quem eu deveria ser para ser amada.
Até que o silêncio me puxou pela mão
e me levou de volta para dentro.
Lá, encontrei uma casa empoeirada,
mas cheia de luz nas frestas.
Descobri que amar-se não é um destino,
é o caminho de volta após uma longa viagem.
É perdoar as próprias quedas,
abraçar as cicatrizes como quem conta histórias
e decidir que, daqui para frente,
minha melhor companhia sou eu.
Florescer é a minha forma de dizer: finalmente cheguei.
🖋️ Poema: O Despertar da Raiz
Não foi o sol que me chamou para fora,
foi a força do que cresceu no escuro.
Passei invernos inteiros sendo semente,
guardando versos que eram só meus,
cultivando o silêncio como quem cultiva um segredo.
Mas chega um dia em que o casulo aperta,
em que a raiz, de tão profunda, transborda.
E a gente percebe que a verdadeira cura
não está em guardar a luz dentro de um pote,
mas em ser o próprio farol.
Hoje, deixo de ser apenas o que sinto,
para ser também o que floresço.
Muito prazer, sou a voz que decidiu nascer.
Poema –Entre o Silêncio e o Pedido
O que é, afinal, um pedido de socorro?
É o grito que não sai,
ou o silêncio que ecoa por dentro?
O que é pedir ajuda?
É dizer “estou só”?
Ou é olhar ao redor
e não encontrar ninguém,
mesmo quando há tantos ali?
Há uma solidão que não se explica,
que não depende da ausência,
mas da falta de ser visto.
E então me pergunto:
como continuar?
Continuar… para quê?
Buscar compreensão?
Acolhimento?
Ou apenas um lugar
onde eu possa existir sem esforço?
Será carência…
ou é ausência mesmo?
Porque, no fundo,
acho que estou pedindo socorro.
Estou cansado de tentar.
Uma vez me disseram:
“é só viver.”
Mas como se vive
quando não se sabe o caminho?
Eu sei respirar…
mas isso não é viver.
Queria sorrir com leveza,
queria sentir que existo de verdade.
Mas sigo, como um mecanismo…
funcionando,
cumprindo,
ajudando.
E me pergunto:
é só isso?
Queria dizer que viver é simples.
Mas, às vezes,
o simples parece impossível.
Porque há dias
em que morro em silêncio,
repetidas vezes,
lembrando de tudo aquilo
que nunca saiu da imaginação.
Sonhar cansa.
Voltar à realidade cansa mais ainda.
E então retorno à mesma dúvida:
isso é um pedido de socorro…
ou só continuo existindo
para não deixar os outros caírem?
E, no meio disso tudo,
uma pergunta me atravessa
quieta, mas insistente:
será essa a vida de quem cuida?
Estender a mão
com o próprio vazio nos dedos?
Oferecer abrigo
sem ter onde repousar?
Buscar apoio…
e não encontrar?
Talvez por isso tantos silenciem,
tantos desabem por dentro,
tantos desistam sem aviso.
Uma vida dedicada a sustentar outros,
e, ainda assim,
caminhar só.
Uma vida de entrega.
Uma vida de ausência.
Uma vida de dor
que insiste em não passar
Poema musicado
Nildinha Freitas
Eu e você, Alê
Olha bem para o amor da gente
Olha como ele aconteceu! ?
Quem imaginaria juntar você e eu?
Estávamos
separadas pela linha do horizonte,
ainda assim o destino
Nos juntou.
Sei lá, talvez tenha sido amor,
desde antes de ser
Como você sempre me diz :
tinha mesmo que acontecer!
A gente se encontrou na hora certa,
depois de tanto esperar ter paz
e eu não tive medo de insistir em ficar.
Não que fosse preciso fazer isso,
é porque eu sabia
que tinha ali a conjugação do verbo amar.
E você também me queria, eu sei,
só que não sabia dizer,
não sabia expressar.
Foi acontecendo, acontecendo…
até que, de repente,
já éramos morada uma da outra.
E esse amor
Não é unilateral
Ele se revela
nos detalhes,
no zelo
E quando a gente se olha e diz :
vai ficar tudo bem no final!
Nosso encontro aconteceu
Agora é você, e essa sou eu.
Eu já não consigo imaginar
seguir minha vida sem teu abraço,
sem teu sorriso no final do dia,
sem nossas gargalhadas assistindo The Big Bang Theory
Com ou sem medo, a gente vai,
porque no final do dia a gente se tem.
Nosso amor só aconteceu
É amor entre eu e você Alê
Poema Eutes de peixes
És um sol que nunca se apaga, és a mais bela de todas estações, brilho, conforto e amor, a saudade saciada de inúmeras perguntas, perguntas que não cessamos ao nos olhar,
Tus és a privamera de todas as cores uma paisagem sem fim. É a força da raiz que resiste à tempestade, balança mas não se abala.
Luzia Delmondes
By Luzia Dellmon
Envelope lacrado - o poema
O sarampo a vacina a ignorância a cloroquina o panelaço...
Tudo de acordo com a troca de delegados que facilitassem a pistolagem.
Mortandades sem amparos. Mortes sem velórios. Abin de Dentro, Abin de Fora...
Temas contraditórios secretamente orçamentados e perpetuamente envelopados.
Tudo muito bem lacrado, sem contraordem ou palavrório.
Santo Nordeste, o Senhor livrou-me de um estado teocrático, afegão.
Que Deus vos guarde no coração.
Naquela noite, a carreata, a multidão na praça. Recuperei a cabeça.
Vendi o caixão. O mundo se renovou dentro de mim.
Na aldeia de labirintos, passou uma fanfarra.
A polícia derreteu os metais da orquestra.
Tímpanos pífios, orquestrações de fugas, helicópteros raptados aos céus de Sevilha:
muambas viajando em drogas de aviões blindados. Os mais espertos correram a Miami. Os mais otários invadiram palácios.
Perdeste, mocinha! Deu ruim para sua festa!
Que onda é essa de bíblia do mal?
Bíblias com bombas, all inclusive?
Popcorns, Escaravelhos Scor&piões... Nem o capeta entendeu.
Ações criminosas se resolvem na Papuda.
Comprei um trevo para imaginar-me pessoa de sorte. Antes que me esqueça.
Amnesty é o Caravaggio!
LAGOA AZUL...
(Autoria: Otávio Bernardes. Poema baseado no filme...)
Por um momento, eu paro
e penso em você.
Mais do que uma “lagoa azul”,
eu imagino você vindo para mim...
Acho-a linda, muito linda...
Meus pensamentos se perdem
na imensidão das águas,
buscando, procurando por você!
Olhe, meu bem, a solidão pior do mundo,
é a solidão de um ser querendo outro ser!
“Lagoa azul,” misto de pureza e inocência.
Mas, meu amor, eu não sei...
Estou revoltado, deveras chateado!
Por um momento, eu paro e penso em você.
Talvez, desaparecer por um lugar assim... azul..
Aliás, azul é uma cor que admiro muito.
Anseio um lugar só pra nós dois,
para poder te amar.
Por isso, meu amor, pra mim
a vida está vazia, bastante sem sentido...
Não encontro lugar para te amar.
O mundo apregoa tantos lugares,
mas, não encontro o ideal...
Até parece que pra você
sou “trancado,” “múmia,” ensimesmado.
E é por isso, meu bem...
Não encontro o lugar ideal
para dedicar-te o meu amor.
“Lagoa azul,” apareça, converta-se em realidade!
Eu preciso de você, do jeitinho que é,
do tamanho que você é...
“Lagoa azul,” talvez os namorados, os casais,
os que se amam possam te encontrar...
Porque a vida seria melhor
se eu, se você, se nós,
se nós que nos amamos,
construíssemos uma “lagoa azul” assim... desse jeito...
Meu bem, meu amor, saia de você,
esqueça o mundo lá fora
e venha para os meus braços,
para todo o meu ser, para a minha “lagoa azul” imaginária...
onde encontrei você!
Otávio Bernardes
A Ontologia do verso
Nem sempre um poema nasce de um incêndio na alma;
às vezes, ele brota do silêncio.
Basta sentar…
e permitir que o mundo fale primeiro.
No gesto simples de quem passa,
no vento que insiste em tocar o rosto,
na pausa entre um pensamento e outro,
ali, escondido, já existe verso.
Porque observar
é, no fundo, uma forma delicada de sentir.
E sentir…
sempre encontra um jeito de virar poesia.
Kleber Abdul Al-Nasr
Poema:
Teu sorriso não chega,
ele acontece.
Como um amanhecer calmo
que invade sem pedir licença
e muda tudo de lugar.
Há uma luz no teu rosto
que não vem de fora,
vem de dentro…
como se teu coração
soubesse exatamente
como iluminar o mundo.
Teus olhos guardam um segredo bonito,
daqueles que a gente não entende,
mas sente e quando sente,
já não quer mais esquecer.
Teu cabelo cai leve,
como se o tempo tivesse aprendido
a ser gentil só pra te tocar.
E esse vermelho…
não é só uma cor
é presença,
é intensidade,
é o tipo de detalhe
que faz qualquer instante
parecer inesquecível.
Mas o que mais me prende
não é o que eu vejo
é o que você desperta.
Porque tem gente que é bonita…
e tem você,
que transforma o simples ato de olhar
em um motivo
pra ficar.
POEMA PARA TI
AVELINO FERNANDO DO COUTO RIBEIRO
(ou quando a morte fardada de roupagens negras se transforma em cristais de lágrimas puras que nem o sol consegue secar. © Carlos De Castro)
Há poucas horas te via
Na madrugada passar,
À minha porta.
Ias cedo, para o pão ganhar
Cedo ou tarde não importa
Quando o coração tem vida
Na noite que vai parir o dia.
E sou eu nesta elegia,
Neste paradoxo sem fim
Que afirmo com precisão
Que a morte é tão cobarde,
Se não,
Era fogo que não arde
E levava-me só a mim.
Assim, fico sem tino
Sem vontade de seguir
Esta vida, Avelino.
Pode ser que ao Divino,
Já no Reino do Eterno,
Possas rogar meu menino
Para que eu amado primo,
Jamais desça ao tal inferno.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Muito Trista Por Escrever, em 06-04-2026)
Vi-te de longe,
e já eras poema,
mas faltava vida no papel.
Porque você não gosta realmente de algo só por olhar,
senão por experimentá-lo,
e eu só te entendi
no toque,
no cheiro,
no silêncio tímido
entre as tuas palavras.
O amor não é pintura,
é gesto;
Não é quadro,
é colo.
Se eu te amei,
foi porque me debrucei
sobre a tua alma
e mergulhei sem medo.
O olhar encantou,
mas foi o sentir que me prendeu.
Projeto Gotinhas de Amor
Oceanos das Marés da Adolescência: Voz, Identidade e Futuro.
Poema
Marés da Adolescência
(Letra & Poesia)
No mar da adolescência,
A gente aprende a navegar,
Entre as ondas do medo
E a esperança de um lugar.
Navegando no escuro,
Buscando a direção,
Com a força da nossa voz,
Identidade e coração.
Este é o nosso oceano! Descobrindo a coragem,
Nosso projeto de vida.
Navegando nessa maré,
Construindo a nossa rota,
Fortalecendo a fé.
Todo capitão aprende
Com o peso da tempestade,
Linha Tênue
Escrevo esse poema
entre a dor e um dilema,
sabendo que muitos vão apontar
antes mesmo de tentar entender.
Pra nós…
já virou rotina sentir demais,
carregar um peso antigo
de quem, muitas vezes,
nem pediu pra nascer.
A vida… a morte…
quem é que diferencia?
Existe uma linha tão tênue
que meus passos caminham sobre ela
todos os dias,
sem garantia.
Já tive vontade de ir embora,
não por fraqueza,
mas por não achar lugar
onde eu pudesse caber.
Desajeitado, quebrado, perdido…
como só entende
quem já perdeu tudo
e ainda tenta sobreviver.
Mas a recuperação tem algo estranho,
quase um enigma que intriga:
a mesma dor que antes nos empurrava
pro fim,
hoje nos faz implorar
por mais um dia de vida.
E chega a ser irônico…
porque antes, sem perceber,
a gente se destruía aos poucos,
roubando os próprios dias
de uma contagem silenciosa,
de uma doença incurável,
progressiva
e fatal.
Hoje eu perdi um amigo.
Não foi para as garras
da adicção ativa,
e isso, de alguma forma, conforta…
mas não apaga a dor.
Porque perder…
ainda é perder.
E a vida, que antes parecia clara,
se mostra torta,
como um reflexo quebrado
de tudo que já fomos.
Mas no meio desse caos,
existe um porquê que insiste em ficar:
ele partiu limpo,
de cabeça erguida,
carregando uma vitória silenciosa
que o mundo nem sempre vê.
Meu amigo se foi…
sem saber que, no caminho,
salvou vidas.
Sem saber que foi luz
em meio à escuridão de muitos.
E talvez seja isso…
o que me mantém aqui:
entender que, mesmo na dor,
mesmo na perda,
mesmo na saudade que aperta…
eu ainda escolho viver
mais um dia.
Forma de sentir
Não sei dizer se o que escrevo é
poema ou poesia…
acho que só sigo o que o meu coração diz.
É expressão em estado bruto.
Talvez uma prosa poética —
quando narrativa e poesia se misturam
até não dar mais para separar
onde termina uma
e começa a outra.
Eu não me preparo para escrever —
eu sinto…
e as palavras vêm.
Às vezes em silêncio,
principalmente quando estou ansiosa,
triste ou nervosa,
elas vêm em rimas,
como se a vida,
por um instante,
virasse melodia
só para me confortar.
Como um drama,
um conto
ou romance antigo —
talvez de filmes
ou de uma época desconhecida.
Escrevo quando algo transborda,
quando aperta,
quando precisa existir
fora de mim.
As palavras apenas saem —
e eu as escrevo.
Não sigo regras,
não penso demais…
apenas deixo acontecer.
As frases vêm como ondas:
às vezes calmas,
às vezes quebradas,
às vezes interrompidas…
como quem respira fundo
ou engasga com o próprio sentir.
Dou saltos —
de assunto,
de emoção —
como batidas irregulares
de um coração apaixonado.
E, muitas vezes,
quando termino,
leio de novo
com um certo estranhamento —
como se não tivesse sido eu…
mas, ao mesmo tempo,
sabendo que nunca fui
tão autêntica assim.
Talvez não seja texto.
Nem poema.
Muito menos poesia.
Talvez seja só
o meu jeito de sentir
ganhando forma. 🌙
Poema VI
"Lucro d'Alma'"
Todo tempo meu é como o vento. Passageiro me sinto a cada ano.
Ando sempre em vão me preocupando, como se fosse eu dono do tempo.
Ansiedade trás no peito só lamento, tornando nosso sonho sepulcro.
Lutando com o instinto de ser chucro eu expresso a alegria de falar.
Aprendendo a cada dia a caminhar.
Viver é Cristo e morrer é lucro.
Poema Sede Insaciável
Queria apenas um pouco de ti,
mas o pouco não me bastou...
Quis sentir mais, quis me encher,
mas o teu amor só pingou.
Como chuva rala no chão,
eram gotas que vinham e iam...
E quanto mais eu pedia,
menor elas se faziam.
Minhas folhas foram murchando,
minhas raízes se desfazendo...
Fui morrendo aos poucos,
sem o amor que estava querendo.
Autora: Mirian Maria Julia
Poema Morada.
Seu corpo no meu abraço
encaixa com perfeição...
Tens a alma cheia de luz,
e paz no coração.
Olhar sereno, voz suave,
pele macia que faz sonhar...
Queria te ter em meus braços,
e nunca mais deixar te levar.
Fazia dos meus braços
a tua casa, o teu lugar,
te abraçava pra sempre,
sem nunca mais soltar.
Autora: Mírian Maria Julia
Poema VII
"E tu quem é?"
Talvez alguém vá me perguntar:
— Por que tanta variedade?
Digo: — Visitei muitas cidades,
cada um com seu jeito de falar.
Cada músico no seu jeito de tocar,
revela em si sua cultura.
Nada tem a ver com a altura!
A riqueza habita no diferente.
Sangue do sangue, gente da gente...
O sábio se veste de loucura.
E quem lhe disse? Eu digo Ele.
E Ele quem? Eu digo o Pai.
O Pai de quem? Digo de tu.
E tu é quem? E eu insisto:
filho da luz da cruz
que morreu a Jesus Cristo.
No poema Tabacaria, de Fernando Pessoa, esse trecho me chamou a atenção e às vezes lembro dele:
"o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada".
Representa o vazio, a falta de sentido ou o destino final de todas as coisas: o esquecimento e a inexistência. Sugere que, embora a carroça esteja cheia, o caminho por onde ela transita não leva a lugar nenhum.
Será que nosso destino individual é conduzido por essa carroça e a vida é um chegar em nenhum lugar?
Sou cristão, mas confesso que escuto o silêncio de Deus. Esse tema foi explorado pelo diretor que gosto bastante, Ingmar Bergman; tem um filme em que ele fala sobre o maior sofrimento de Jesus Cristo, e ele diz que não foi o sofrimento físico, mas o silêncio de Deus: o momento em que Jesus grita na cruz: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?".
E é isso: a fé é uma batalha, dolorosa e difícil, e às vezes desesperada; às vezes a gente pensa que não tem sentido nenhum. Mas, embora pareça isso, acreditar que tudo está indo para o nada faz menos sentido ainda. A própria palavra diz o que ele é: nada, algo que não existe. Então, o nada é uma palavra sem sentido no nosso vocabulário, pois só existem coisas e tudo. Embora não vejamos todas elas e suas relações, elas existem.
Creio que a história do ser humano é criação, queda, momento em que estamos, e restauração. Quando acabar a era da queda, tudo vai ser exposto, e as coisas, as pessoas, anjos caídos, Deus e anjos, e toda a teia e cadeia de causas aparecerão. Como diz o apóstolo Paulo: agora vejo em parte, depois verei face a face.
POEMA DO ABSTRATO
O poeta não se alveja...
Pega-se ou se tem
- É um misto de beleza
E tudo que não convêm.
A histeria dos loucos...
- A insensatez dos príncipes
A fobia dos eunucos
O esmolar dos pedintes.
- Na mão do tacanha do grão.
À beleza que se mistura
Verte o riso dos pagãos
-- Junto à alma em ternura
Aufere sal da terra ao pão.
