Textos de poema

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⁠🌿 Jardim 🌿

A habilidade de cuidar de uma planta é algo lindo.
Cada uma tem sua peculiaridade, suas características, sua beleza.
A maneira como uma planta sobrevive é através do essencial:
a água, os nutrientes, o solo.
Algumas vivem somente pelo ar, outras só nos rios e mares...
Cada uma com suas belezas.
As cores — vivas ou não — verdes, rosas, amarelas... cores.
Tantas cores, cores.
Podem ser vistas, até mesmo por aqueles que as enxergam de formas diferentes.
Podem ser sentidas, trazendo informações, sentimentos, sonhos.
Podem ser imaginadas, criando características impressionantes.
Elas são uma expressão, uma filosofia.
Uma vivência e sobrevivência diária no cotidiano.
São como uma relação humana.
Relações estas que têm suas belezas.
Podem ser regadas ao longo do caminho, tornando-se mais fortes e resistentes.
Percebe-se que, assim como as rosas,
as relações podem ser delicadas,
mas também podem ter espinhos.
Ao contrário do que dizem — que as rosas não falam —,
elas simplesmente exalam...
o perfume.
Uma boa relação pode sim ter seus questionamentos,
mas carrega a obrigação de ouvir uns aos outros.
O amadurecimento não dá apenas frutos,
mas também fortalece as relações.
O chamado "ponto de vez"...
Assim como no nascimento,
a prematuridade pode não significar algo bom —
pode ser um empecilho.
Quando apenas um lado amadurece e o outro não,
geralmente o fruto não chega ao seu ápice.


✍️ @ondas.q.escrevem

⁠Atitude.


Andando pela rua.
Caminhando, sentindo o Sul.
Olhando para baixo, passam silhuetas.
Olhar nos rostos das pessoas.
Medo... vergonha...
Como se todos estivessem sempre me observando.
Tudo que eu podia fazer era abaixar a cabeça.
O chão... o chão era menos assustador.
Pelo menos ele não me encarava de volta.
Porém, teve esse dia.
Nesse dia, algo brilhou.
Te vi como um raio de sol em dia nublado.
Tu, com teus cabelos e corpo, se destacaram na minha córnea.
Logo pensei, sonhei, parei e imaginei
o quão bom seria poder sair com você para um restaurante,
tomar banho de mar, ir a um show de jazz.
O quão bom seria te pedir em namoro.
Como seria nosso noivado?
Como seria o dia em que você entraria naquela igreja,
com o sol passando pelo vitral do lado superior esquerdo
e batendo diretamente na mesa à nossa frente,
com as duas alianças brilhando...
Seria um sonho.
Sonho que parou quando tu passaste ao meu lado.
Nunca mais te vi.
Acho que foi um sonho.


@ondas.q.escrevem

⁠Reso.

Depois do último ataque, fiquei mais fraco. Pude sentir a fraqueza apertando meus músculos. Ao me reerguer, minhas pernas tremiam — pura tensão e fraqueza.
Olhei pra você... Estava praticamente intacto. Um inimigo... do meu nível. Um ser surpreendente.
Penso... — Será que sou mesmo capaz de te derrotar? É estranho... Seus movimentos são suaves, delicados. Tal como uma dança, deslizando no ar. Percebo que suas mãos deslizam e pairam no ar.
Meus membros estão no limite. Sinto o desgaste em meu ser, Queimando por dentro. Treinei por tanto tempo... Qual a possibilidade?
Encarar algo — alguém — como eu... É diferente. É difícil.
O suor desce em diagonal pela minha testa. Meus olhos, embaçados. O óculos... torto. O vento não é forte... Mas é frio.
O cheiro... De fogo. De suor.
Minha perna direita avança à frente do corpo, Buscando equilíbrio.
E, por um instante... No meio da tensão... O silêncio. O barulho da respiração. O gosto na garganta. A respiração pelo nariz. O coração batendo o máximo possível.
Percebo. Me lembro de alguém como você... Não só se parece comigo.
Você... Você sou eu.
Esse nível de dificuldade... Eu não esperava.
Agora entendo. Essa batalha... Não é contra você.
É contra mim.
Então, eu reso... Reso para que, no fim dessa luta, Seja eu... quem permaneça de pé. Só me resta... rezar.
@Ondas.q.escrevem

⁠Renovação.


Cheguei.
Estando aqui nessa calçada, posso observar o mar de longe. Consigo olhar para frente e observar o fim.
Não do mundo, apesar de às vezes achar que sim.
O fim, o horizonte.
Olho para baixo: degrau.
Dou um pulo e caio naquela areia morna.
Sentindo ela passando pelos meus pés.
Caminho em direção à água.
Penso em como isso é lindo e como essa água fria vai molhar minha calça de linho branca.
Dobro as pernas da calça e continuo a andar.
Paro no meio da praia e olho para cima.
Sol, nuvem, um pôr seguido por um olá para o satélite.
Esse céu amarelado, com uma miscigenação de cores — o rosa, o azul-claro, o branco indo para o obscuro — me lembra você.
Por trás dessa obscura cor, escondem-se outras luzes.
Assim como Você o sol se foi, por força maior.
Levanto o braço esquerdo e tento pegar com minha mão você.
Sol.
Abaixo a cabeça e percebo esse mar.
Abro os olhos: enxergo não as cores, e sim os sentimentos.
Transmissão
Caminho e me molho, molho com intenção de lavar.
Levar tudo, trazer um novo eu. Submergir e voltar como eu.
Um novo eu, assim como ele fez.
Voltar com mais uma proteção, dada por quem você queira.
Mas eu sei que veio daqui.
Como esperado, não veio um pássaro branco, assim como na passagem.
Mas eu vi uma gaivota.
Voo para casa.
Acho que já conta.


@ondas.q.escrevem

⁠Pétala


Existo há séculos, porém
vivo há pouco tempo.
Finitude.

Lembro de você, quando jovem:
vigoroso e amável.
Por teus feitos, és lembrado —
o grande herói.

Te homenageio com flores,
azuis, delicadas em suas pétalas.
Com elas, te coroei.
Homenagem a ti… e peço perdão.
Perdão por não ter aproveitado mais de ti.

Sinto-me frágil de uma maneira única —
sutil, delicada,
faltando um núcleo,
sou como uma pétala.

Percebo agora que o berço da vida
da minha planta…
era você.
Você era meu centro.
Tudo era mais tranquilo ao seu lado.

Mas deixei ir.
Aliás...
eu fui, e você sempre me aguardou retornar.
Eu voltei tarde demais.
Desculpe.

⁠Carta ao Meu Irmão

E aí, meu irmão, como você está?
Espero que esteja bem, em paz pra sonhar
Por aqui, todo dia é igual
Não tem Feliz Páscoa, nem Feliz Natal

O dia demora pra passar
A saudade da liberdade me faz pensar
No tempo feliz em que a gente era criança
Brincava, corria, cheio de esperança

Essas lembranças me fazem chorar
Olhando o teto, vejo o tempo passar
Ei, meu irmão, que falta a nossa mãe faz
Mesmo doente, nunca me deixou pra trás

Se eu tivesse ouvido seus conselhos
Não teria seguido o caminho errado
Ela se foi, nem deu pra abraçar
Com as mãos pra trás, só deu pra sua testa beijar

Quando eu sair daqui, eu vou mudar
Quando eu sair daqui, eu vou recomeçar

Meu irmão, eu vou mudar
Escrever uma nova história e recomeçar
Nunca mais quero voltar pra esse lugar desumano
Onde a tristeza te faz chorar
Onde o sonho não passa de ilusão
E a vontade de viver se vai sem explicação

Onde te xingam, te batem
E querem que você morra atrás das grades
Mas eu tenho fé em Deus que vou sair
E como Dimas, acredito até o fim

Essa carta eu escrevo com carinho
Aproveitei a noite, até esqueci o frio
Desculpe as letras que as lágrimas borraram
Foi a emoção que me abraçou, irmão

Quando eu sair daqui, eu vou mudar
Quando eu sair daqui, eu vou recomeçar

Inserida por MARINALDOLIMA

Minha História

⁠Minha história é igual à de muitos brasileiros,
Cheia de sonhos, esperança, lutando o tempo inteiro.
Cresci na rua, correndo pra lá e pra cá,
Jogando bola, soltando pipa até minha mãe me chamar.

Minha mãe, minha Maria, trabalhadora,
Passava o dia todo na rua,
No sol quente, com uma vassoura.
Foi assim que conseguiu criar eu e mais três,
No começo éramos cinco, mas um virou anjo, isso eu sei.

Foi triste, horrível, ver minha mãe chorar,
Mas a vida continua,
Ela enxugou as lágrimas e foi trabalhar.
Eu e meus irmãos fomos crescendo no meio da dificuldade,
Onde as amizades às vezes viram coragem pra fazer crueldade.

Foi triste, de novo, ver minha mãe chorar,
Dessa vez por ver meu irmão exilado,
Sem saber quando ele vai voltar.
Conselhos nunca faltaram,
Vi várias noites ela esperar:
"Meu filho, você estava onde?
Essa não é hora de chegar..."

Foi vendo o sofrimento dela que prometi pra mim mesmo
Que nunca mais ia fazê-la chorar.
Recusei propostas de amigos
Pra ganhar dinheiro sem trabalhar.

Entrei no esporte, fiz novas amizades,
Arrumei um trabalho, virei um homem de responsabilidade.
Aprendiz, ouvindo rap, onde o sonho é viver a realidade,
E a vida é cheia de mistério...
Hoje eu tô aqui, amanhã, só Deus sabe.

Ele sabe tanto que tirou minha mãe do sofrimento.
Fiquei triste, chorei, meu mundo caiu naquele momento.
Mas foi por ela que eu fiz meu mundo levantar,
Sei que ela queria me ver feliz,
Enxuguei as lágrimas e voltei a sonhar.

Agradeço, Senhor, por tudo que fez por mim.
Fez da minha mãe meu anjo da guarda,
Iluminou meu caminho
Pra eu caminhar do início até aqui.

Inserida por MARINALDOLIMA

⁠Não Quero Ver


Não quero ver as crianças pedindo no sinal,
Lavando carro de burguês no sol quente por um real,
Catando papelão, de porta em porta pedindo esmola,
Só pra matar a fome, nem que seja por uma hora.

Não quero ver o senhor na porta do mercado,
Implorando por um pão ou por cinquenta centavos.
Esquecido pela família, hoje ele vive na rua,
Sem aposentadoria, sem lugar no Cidade Madura.

Não quero ver meninas se vendendo na estrada,
Pra garantir o almoço, pra pôr comida em casa.
Ela não teve escolha, teve que abandonar a escola,
Vende o próprio corpo, única forma de ajudar a família agora.

Não quero ver a senhora chorando no presídio,
Pedindo aos agentes: "Não espanquem meu filho!"
Ela sabe que ele errou, mas não quer vê-lo chorar,
O amor de mãe é diferente, não dá pra explicar.

Essa é a realidade que eu vejo todo dia,
Cada vida é uma história, e a maioria sem alegria.
Eu rezo pra que um dia tudo isso possa mudar,
Pra escrever uma história feliz, onde a paz possa reinar.

São verdades que eu nem queria escrever,
Queria falar de amor, mas não vou te esconder.

Tô cansado de ver filas lotando hospitais,
Uma senhora no chão, pedindo a Deus pra não sofrer mais.
Sem atendimento, ela não vai aguentar,
Se tivesse dinheiro, talvez pudesse se salvar.

Essa é a realidade da nossa saúde,
Pessoas morrem todo dia, sem chance, sem atitude.
Pago tanto imposto e não vejo nada melhorar,
Só injustiça e sofrimento em todo lugar.

O governo não investe na educação,
Prefere gastar com propaganda na televisão.
A escola é o caminho pra um futuro decente,
Ela te ensina o certo, te prepara pra ser gente.

Mas com professor em greve, não tem aprendizado,
O menino fica na rua e segue o caminho errado.
Seu caderno, seu brinquedo, vira um trinta e oito,
Pois ninguém deu a ele a chance de aprender o certo a tempo.

Essa é a realidade que eu vejo todo dia,
Cada vida é uma história, e a maioria sem alegria.
Eu rezo pra que um dia tudo isso possa mudar,
Pra escrever uma história feliz, onde a esperança possa reinar.

Inserida por MARINALDOLIMA

Pai, Mãe e Vida

⁠Meu pai me fez honesto, me fez um homem pra luta
Me mostrou o caminho pra eu nunca parar de sonhar
Minha mãe me fez feliz em todo e qualquer lugar
A vida me ensinou a cair e levantar

Um velhinho me explicou que a vida é sem noção
Que o sentido é viver sem procurar explicação
Vejo o meu pai, que passou horas e horas
Debaixo do sol quente pra poder me alimentar
Ele quer me ver crescer sadio e diz com firmeza:
"A honestidade sempre está em primeiro lugar"

Minha mãe passou por vários perrengues na vida
Lavando roupa suja, varrendo, limpando janela
Pra me deixar feliz e nada me faltar
Trabalharam dia e noite, quase em todo lugar

E hoje eu tô aqui pra mostrar que não foi em vão
Hoje eu sou homem, buscando minha razão
Seguindo o que comecei com meus pais e seus conselhos
Que eu nunca deixei pra trás, são meus espelhos

Tentei um mundo novo e ninguém deu valor
Era só mais um sonho, que depois falhou
É como meu pai diz: “A fraqueza da vida é viver”
A gente tá sonhando e só acorda pra sofrer

Um dia um velhinho veio me falar
Que da cabeça vem o pensamento pra revolucionar
E o sistema não cai se você não estudar,
Ler, aprender, se informar, se preparar

Que somos quem somos, não devemos mudar
E seguir sempre em frente, não desistir de lutar
Que a vida é pra viver, sem deixar o tempo passar
As palavras daquele velhinho me fizeram pensar

Meu pai me fez honesto, me fez um homem pra luta
Me mostrou o caminho pra eu nunca parar de sonhar
Minha mãe me fez feliz em todo e qualquer lugar
E a vida me ensinou a cair e levantar
E o velhinho me explicou que a vida é sem noção
Que o sentido é viver sem procurar explicação

Inserida por MARINALDOLIMA

⁠Eu sou Guerreiro

Pra mim, a vida é um aprendizado.
A gente expressa o que sentir, sem medo de estar errado.
A vida é um labirinto, ninguém pode fugir.
Somos guerreiros de coração, prontos pra vir.

Seguindo sempre em frente, é difícil a caminhada,
Caindo e levantando, tirando as pedras da estrada.
Eu tenho fé em Deus, e nunca irei Desistir
Sou sonhador e isso tá em mim

A vida é traiçoeira, ela tentou me derrubar.
Levou a minha mãe, eu não quis acreditar.
Foi como uma tempestade que caía sobre mim,
Meus sonhos apagando... e eu nem aí.

Só vontade de sumir, de nunca mais voltar.
Perder quem amamos, não dá pra acreditar.
Saí pelas ruas pra poder refletir,
Pensamentos cheios, sem saber pra onde ir.

Lembrei das palavras que ela me falava:
"Não fique contra Deus, é Ele quem te salva."
A dor foi muito grande, mas eu tive que aceitar.
Deus sabe o que faz, não vou reclamar.

Só tenho a agradecer por estar aqui,
Com as pessoas que amo, que estão perto de mim.
Sou um guerreiro, e não vou parar.
Enquanto o sol brilhar, eu sempre vou lutar.

E recomeço uma nova caminhada,
Acreditando em mim, que esperança nunca acabar,
Eu sou guerreiro, e sempre vou lutar.
Vou seguir o meu caminho, e se eu cair, vou me levantar.
Porque guerreiro não pode desistir,
Luta até o fim, tá pronto pra vir.

Inserida por MARINALDOLIMA

⁠Quando te chamei, ansiava por algo
que me era precioso: o nada.
Não pensava na sua voz, no seu corpo,
o brilho do seu olhar, queria o nada.
Não queria seu amor, sua alegria ou
sua tristeza, seu riso ou seu choro.
Somente o nada.
Não pensava na sua alma ou na minha.
Queria sua presença somente para nada.
Precisava de você apenas por você.
Poderia ser no nada, eu não me importaria.
Naquele momento só tinha um pensamento:
Você. Por quê? Não sei, era para nada.
Não queria minhas desculpas nem ouvir suas desculpas.
Era o seu nome na minha cabeça e mais nada.
Como posso dizer por que te procurava?
Se eu queria você sem motivo
Se não consigo dizer o que era sentido
e qual era o sentido, não consigo dizer
Então cheguei à conclusão que esse nada
em você é mais que tudo e mais que todos.

Inserida por oriebirsocram

Velha embalagem

⁠Embalagens luxuosas fazem do insensato um soberano intocável. Uma cobertura deliciosa e delicada, com data de validade. Consumidor final iludido, disposto a pagar caro pela embalagem desprezando o produto essencial interno. O ritmo do jogo faz parte de uma nova partida entre os bons e os melhores. É na ilusão da embalagem que se perde a essência e o valor da razoável dignidade.
Seu desejo atendido foi mera coincidência passageira da moda , do gosto , da ilusão que agora não passa de uma velha embalagem...

Autor: Gilson de Paula Pires

Inserida por gilsondepaulapires

⁠Eterno Ricardo

Desde da sua adolescência
era um rapaz determinado,
Verdade que era tímido
mas era sempre focado,
o seu dom de artista
era um excelente tecladista
que o fez ser renomado.

Ele aproveitou a juventude
com seriedade e alegria,
fez da música o suporte
pra transbordar sua simpatia,
ele se apresentava com prazer
no palco deixava transparecer
o dom da sua energia.

O tempo foi passando
e o destino preparava,
um momento muito difícil
que ninguém esperava
um rapaz cheio de crença
Perdeu a vida pra uma doença
que pouco a pouco lhe calava.

Foram dias conturbados
difícil de acreditar,
que a estrela do eterno Ricardo
foi brilhar em outro lugar,
ele foi mais deixou de herança
uma linda e doce criança
pra seu reinado aqui continuar.

A saudade é grande e eterna
que você deixou entre nós,
mas você não partiu
assim diz uma maravilhosa voz,
que quem está perto de Deus
não está longe de nós.

Inserida por PoetaManoelBatista

⁠Casimiro e Maria

Vou relatar uma história
de um grande cidadão,
um homem muito querido
dentro de sua região,
na mata era ligeiro
pois esse nobre vaqueiro
tinha prestígio e consideração.

Estou falando de seu casimiro
um homem de muito valor,
que tinha como companheira
uma esposa que sempre o amou,
depois de anos de parceria
casimiro e dona Maria
uma linda história vivenciou.

Eles não tiveram filhos
pra um dia deles cuidar,
e quando a idade chegou
tiveram que se separar,
essa dupla tão querida
viveram os últimos dias da vida
aos cuidados de seu familiar.

Aos cuidados de familiares
eles viviam dia a pós dia,
Cada um no seu canto
com certeza a saudade batia,
e nessa curta distância creu
a primeira luz a brilhar no céu
foi da querida dona Maria.

Ao sentir a dor da perda
seu Casimiro ficou diferente,
Deus vendo sua tristeza
Intercedeu e foi coerente,
lhe dando a oportunidade
de viver a eternidade
brilhando eternamente,
sua jornada nunca será um passado
vc foi mas deixou um lindo legado
na vida de muita gente.

Inserida por PoetaManoelBatista

Quando a Última Luz se Apaga
⁠No silêncio que resta após a voz,
Ouço apenas o eco do que fui.
A saudade não fala — ela dói,
Como o peso de um mundo sem rui.

O tempo, esse traidor sem rosto,
Levou tudo o que me fazia viver.
E deixou um coração exposto
A lembrar sem poder esquecer.

Os risos morreram nos cantos da casa,
E os quadros, sem cor, me acusam em vão.
Cada passo é um corte que atrasa
A cura de tanta desilusão.

Eu amei com a força de um naufrago,
Gritei teu nome ao vento surdo.
Mas a vida, com seu verbo frágil,
Sussurrou: "você chegou tarde, é o absurdo".

Já não sei o que sou — sombra, poeira,
Ou só alguém que o mundo esqueceu.
Só sei que tudo que era bandeira
Hoje é trapo que o tempo comeu.

E quando a última luz se apagar,
Que não chorem, que não digam meu nome.
Pois quem morre sem mais esperar
Já morreu bem antes da fome.

Inserida por silvano_eising

A Dor Que Não Tem Nome
⁠Acordo e já estou cansado,
como se viver fosse um fardo antigo.
Cada dia pesa dobrado,
e eu sigo — mas nunca sigo comigo.

O espelho não me reconhece,
me olha com pena, com nojo, talvez.
Meu corpo é só o que permanece
de alguém que já morreu mais de uma vez.

As vozes aqui dentro gritam,
mas ninguém do lado de fora ouve.
Sorrisos forçados imitam
uma vida que há muito não coube.

Tem dias que o ar parece ferro,
e cada passo é um crime lento.
O mundo gira, eu me enterro
mais fundo em meu próprio tormento.

A comida não tem mais gosto,
a música me dá desgosto.
O toque é como espinho exposto,
e o futuro... é um céu sem rosto.

Já tentei pedir socorro
em olhares, palavras, mensagens.
Mas tudo soa tão oco e torto,
como gritar em paisagens selvagens.

E o pior não é querer morrer —
é não conseguir mais querer viver.
É ser um corpo que existe por hábito,
um suspiro vazio, um peso estático.

Se um dia eu sumir, não estranhe.
Foi só a dor que me venceu sem barulho.
A tristeza é uma água que banha
até que a alma se afogue no entulho.

Inserida por silvano_eising

⁠Habitar-se é um tipo de exílio sagrado!
Sinto como se não tivesse sido feito da mesma matéria dos outros.
Minha infância era um espelho embaçado,
onde ninguém parecia me reconhecer.
E compreensível ou não, as vezes ainda carrego a mesma sensação,
como se o mundo me oferecesse moldes
que nunca abrigaram a forma da minha alma.
Tudo em mim
sempre foi um pouco desalinhado,
como se eu dançasse um ritmo
que só meu peito escutava.
Descompassado ou não, era o espetáculo que eu entregava - sem holofotes,
Sem plateia, somente a alma.
Nunca vi como os outros viam.
O mundo me parecia um palco deslumbrante e distante
e eu, um espectador melancólico,
sentado à beira do próprio abismo,
tateando sentidos com olhos em carne viva.
Ainda assim,
sempre que alguém cruzava o meu destino,
eu me doava inteiro!
Sem reservas,
sem cálculos,
sem planos de fuga.
Investia o que em mim era força,
o que era luz,
e até o que eu sabia que me faria falta depois.
Porque amar, mesmo que em ruínas,
é para mim,
uma das formas mais sinceras de tocar a vida que se deseja.
Mesmo que por um instante,
eu me permitia vibrar naquela realidade sonhada!
Ali onde o toque era cura,
a presença era templo,
e o “agora” … bastava!
Mas depois do “até logo”,
a maré me levava de volta à margem de mim.
Fechava os olhos ao mundo
e encarava, no escuro,
as rachaduras que ninguém via.
Tentava, com as mãos nuas,
tapar os vazamentos da alma,
ainda que tudo escorresse pelas frestas do silêncio.
Às vezes parecia inútil.
Às vezes era mesmo.
Mas nunca deixei de tentar.
Nunca deixei de viver com tudo que carrego.
Porque, mesmo nos dias em que a existência dói,
ainda creio que viemos experienciar a vida!
E por inteiro!
Não só o riso,
mas também o pranto,
o vazio,
as perguntas que giram sem respostas, nem repouso.
Creio que todos os dias são bonitos.
Mesmo os que machucam,
os que confundem,
os que silenciam demais.
Bonitos porque existem,
porque me atravessam a alma,
e sobretudo, me ensinam!
Alguns chegam com flores,
outros com pedras,
mas todos me convidam a sentir.
E em todos,
me mantenho aceso.
Contudo, alguns são apenas sobrevivência,
tormenta mental sem fim triunfante,
um salto visceral para os corredores mórbidos das camadas que me compõem.
E então compreendo, em silêncio:
as partes que em mim se partiram
não pedem camuflagem,
pedem reconhecimento.
Como ensina o Kintsugi,
não é preciso ocultar a rachadura -
é nela que o ouro se deposita.
É o que rompeu que revela,
é o que feriu que desenha
a cartografia exata do que sou.
E talvez, a beleza mais honesta
não esteja na perfeição preservada,
mas na imperfeição assumida
e transformada.
Porque habitar-se é um exílio, sim,
mas é também a única forma
de não se perder
no mundo dos que jamais se permitiram sentir demais.
Nem sempre por vontade,
às vezes só por não caber em lugar nenhum.
E quando não se cabe,
volta-se.
Para dentro, para perto,
para algo que ao menos ecoe,
para onde a existência faça algum sentido - mesmo que breve.
É ali, nas entrelinhas do sentir e do viver,
no ateliê invisível do tempo,
que acolho meus cacos com reverência
e os ressignifico em arte —
não para esconder a dor,
mas para deixá-la visível,
abrilhatada com ouro,
com presença e vida.
- Por Daniel Avancini Araújo

Inserida por DanielAvancini

“Canto à Aurora de Delfos”
( Gilson de Paula Pires)

Nas montanhas sagradas de Delfos ergui-me,
Ao som do sopro do oráculo em brumas,
Ecos de Apolo, com lira em chamas,
Despertam a alma em antigas plumas.

Na pedra o fogo dança em silêncio,
O templo canta verdades ao vento,
As sacerdotisas, de olhos fechados,
Revelam o fado em sutil movimento.

Oh musa Calíope, guia minha voz,
Nos versos que tocam o tempo dos deuses.
Que minha palavra seja como o bronze,
Ecoando firme entre os altos penhascos.

Nascemos do caos, moldados por mitos,
Homens e heróis em lutas eternas,
Mas cada cicatriz é um poema vivo,
Inscrito no peito das almas modernas.

Que Zeus me escute lá do Olimpo,
E Poseidon acalme os mares do ser.
Sou filho do barro, irmão das estrelas,
Mas canto, e por isso, me torno poder.

GILSON DE PAULA PIRES.

Inserida por gilsondepaulapires

⁠"Amor em Camada de Valência"

No silêncio atômico do ser,
há um núcleo que só quer entender
por que falta algo no fim do dia,
como se a alma pedisse alquimia.

Sou ametal, um ser de atração,
não busco ouro, nem combustão.
O que me falta é só conexão,
um elétron que acalme meu coração.

Tua carga vem de longe, flutua,
como próton que à noite recua.
E eu, com fome de completar,
atraio o que tens pra doar.

Mas não é roubo, nem imposição —
é enlace, é química, é comunhão.
Compartilhamos elétrons com calma,
como quem entrelaça corpo e alma.

E se a vida é feita de ligações,
de forças fracas e paixões,
então que sejamos moléculas unidas,
pelo amor que dá sentido às vidas.

Inserida por kadulouzada

⁠Fonte

Gostaria de falar sobre a chuva
Vou passar pelas bases e mares durante minha existência
Eu me pergunto se você consegue entender...
Se o seu coração estiver perturbado, o céu ficará nublado.
Uma nebulosa de fumaça.
Um cinza especial, fica difícil de sonhar.
Amar, viver, sentir a vida por viver.

Tenho medo de chover neste mundo solitário
As gotas que não caem são as que mais molham.
O sentimento de não derramar.

Me dê a mão, vamos partir nesse mar.
Há um lugar para ser feliz, além dessa ilha que estamos
A sutileza das transparências de uma gota.

O breu do interno, a cor extravagante da máscara
O possível e o desigual.
A terra e os acontecimentos que caminham nessa brabesca noite.
O farol de sinalização que me faz sacar
Não sei como vai terminar essa noite
A sinalização da terra.
Posso correr, mas ainda estou preso.
Mas nem sempre... é isso.
Sentimento.

Esporadicamente, um poder surge.
Me consome e posso adormecer acordado, pode me ver de longe,
Pude sentir a falta de som
O silêncio, mentira.
Havia um barulho, um sequenciado, a respiração. Ela estava ali. Ainda estou vivo.

Naquele momento pude sentir.
Dessa vez, a água que escorria era doce.
Dessa vez, não era chuva, era uma fonte.
Pude chegar em uma cachoeira de emoções.
Me perdi tanto em mim que vi um lado que não sabia da existência.
Agora estou aqui.
A vida vira brincadeira, onde isso pode dar?
Vou tentar ver, afinal, nunca descartamos os dias de chuva
De nossa rotina.