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Eclipse

Olho no espelho
E não me vejo
Não sou eu
Quem lá está

Senhores
Onde estão os meus tambores
Onde estão meus orixás
Onde Olorum
Onde o meu modo de viver
Onde as minhas asas negras e belas
Com que costumava voar

Olho no espelho
E não me vejo
Não sou eu
Quem lá está

Senhores
Quero de volta
Os meus tambores
Quero de volta

Os meus orixás
Quero de volta
Meu Pai Olorum
Em seu esplendor sem par
Quero de volta
O meu modo de viver
Quero de volta
As minhas asas negras e belas
Com que costumava voar

Olho no espelho
E não me vejo
Não sou eu
Quem lá está

Séculos de destruição
Sobre os ombros cansados
Estou eu a carregar
Confuso sem norte sem rumo
Perdido de mim mesmo
Aqui neste lado do mar
Um dia no entanto senhores
Eu hei de me reencontrar.

Raízes

Estou de volta pra casa
Estou de volta a meu lar
A vida aqui tem sentido
Aqui é que é meu lugar

Oxum passeia na praça
Xangô conversa no bar
Hoje de volta pra casa
Convivo com os Orixás

Estou de volta pra casa
Aqui tudo é natural
Té felicidade é fruto
Que se consegue alcançar

Enfim reencontro a fonte
Donde axé jorrando está
Estou de volta pra casa
Estou de volta a meu lar
A vida aqui tem sentido
Aqui é que é meu lugar

Aqui tem congada samba
Batuque pra se dançar
Tem mulheres lindas lindas
Lindas feito Iemanjá
Mulheres de largas ancas
E doce encanto no olhar

Estou de volta pra casa
Estou de volta a meu lar
A vida aqui tem sentido
Aqui é que é meu lugar

Agora livre de abismo
Livre pássaro a voar
Aqui tenho vida plena
Com a benção dos Orixás

Estou de volta pra casa
Estou de volta a meu lar
Hoje vivo como vive
Caracol no meu quintal

Soturno como o amenizar da alvorada
Jaz moribundo em meu quarto
As volúpias que me enfeitiçava as ideias
Sem ter mais seus lábios vaporosos!

Cismando em meu consciente pesaroso,as estrelas!
Até minhas d' alvas não brilham em meu coração.
O que me resta? A penumbra para mim é mais bela
Leviano pelos próprios pensamentos.

Ignoto,ah! Como sou, malfadado não sabes nada
Sou uma pluma sem penas um sol sem raiar
No alto do céu há uma colcha prata
Nem mesmo ela brilha para mim, o que me restas?

Me restas ti, mas venha logo para diante de mim!
Para que eu possa aterrissar minha fronte em teu sorriso
Para que minha alma escura vire penumbra
Alma pura! Não demore mais, venha para perto de mim!

⁠Como posso ter tudo se não tenhonada

Quando não tenho nada tenhotudo

É ignorância agir sem sertudo

Ese acovardarquando tem nada


Ter meu sotaque asqueroso

Ter toque de romantismo

Ser romântico impaciente

Ser impaciente para amar


Viajar no horizonte de ideias

Dos ideais que proporcionam

Dores conjugadas de moradia

Subentendida e incompreensíveis


Por tudo que vivemos hoje

Será impresso no fundo da gaveta

E pelo prazer que une a paixão

Há pedaços de mim que deixarão

⁠Gosto de escrever

Eu gosto de escrever
Eu não sei o porquê
Fico encarando o papel
Sem saber o que fazer
Fico encarando o celular
Sem saber o que digitar

Eu gosto de escrever
Ainda não sei bem porquê
Tenho muita coisa na cabeça
Que preciso despejar
Eu não devo esquecer
Eu não devo ignorar
Eu preciso registrar
Eu preciso escrever

Nenhuma idéia é inútil
Não há conhecimento fútil
Tudo é importante
Tudo é potência
Tudo é constante
Sempre em desenvolvimento
Sempre em crescimento
Como as idéias na cabeça
Giram como um cata-vento

Eu gosto de escrever
Não sei bem porquê
Só sei que sei escrever
Só sei que sei ler
Não sei se sei entender
Compreender as idéias do autor
Ver não é ler, ler não é entender
Entender não é compreender
Compreender não é aprender
Aprender não é conhecer

Ler a escrita é ler a mente
Ler a mente é ler o coração
O coração da gente
Tão impulsivo e ardente
É ler alma do agente
Que escreveu o sermão

Eu gosto de escrever
Eu não sei porquê
Mesmo se não há nada pra escrever
Escrevo mesmo assim
Um poema bem simplório
Que nasceu dentro de mim

⁠Postes Laranja

Avenida barulhenta
Se cala na sarjeta
Postes Laranja
Na beira da falência

Gasolina fedorenta
Poluição da grande empresa
Postes Laranja
Ignoram sua presença

Cidades isoladas
Vidas isoladas
Postes Laranja
Invadem nossa mata

Progresso é o que se diz
E escreve com um giz
Postes Laranja
Se espalham como chafariz

Está ficando estrelado
Está ficando clareado
Postes Laranja
Apagam o estrelato

Eu preciso ficar calmo
Fugir do urbano no marasmo
Postes Laranja
Me perseguem por todo lado

Postes Laranja
Postes Laranja
Postes Laranja
Postes Laranja
Por onde eu vou não tem mais vermelho
Verde, azul, amarelo
Roxo, branco, preto,
Cinza, marrom ou caramelo
Tudo o que vejo na distância
São apenas Postes Laranja

⁠Grosseiramente Selvagelmente

Acho meio estranho
Como geralmente
As conversas mais legais
São feitas sem a mente

Sim, raciocino quando converso
Sim, memorizo & observo
Mas os papos mais divertidos
Os papos mais descontraídos
Vem da emoção
Vem do coração

Não pense que é só por paixão
Nem pense que é falta de razão
Na verdade, deve ser meio óbvio
Talvez eles enxerguem enquanto uso óculos
Mas se pensa demais
Acaba tendo medo
Medo de falar o que não devia
Medo de não falar e ficar na fria

Usar a razão leva tempo
E é tudo o que não deve fazer
Demorar, deixar passar
Gastar neurônios inutilmente
Com variáveis que mentem
Sobre sua capacidade
De não trazer felicidade

É questão de personalidade
Se tem caráter ou é um covarde
Pois não deve se mascarar
Bolar um jeito de falar
Deve se expor, se mostrar
Mostrar quem é de verdade
O você sem medos, sem ressentimentos
Se criar um outro eu
Será mais complicado, não?

É questão de instinto
Só vá e faça um novo amigo
Sem pensar se vai falhar
Se vai se enrolar

Não seja quem não é
Não se iluda, não seja a mentira
Senão o você pode virar a ilusão
Sem graça tentando, divertindo quem engana
Não chame atenção, seja a atenção
Não siga modinhas, seja a modinha

Sim, estou te pedindo pra agir naturalmente
Grosseiramente, selvagelmente
Não quer ser reconhecido
Como alguém que tem um apelido
Só desligue a cabeça
Deixa que vá
Deixe rolar

⁠Para meu Pai...
Hoje comemoramos seu dia...
Data muito especial!
Quero dizer que você foi muito importante e especial em minha vida! Pois, com você aprendi a valorizar tudo que nos cerca e acreditar na importância do amor e da felicidade.
Com você aprendi a dizer sim para a vida e me permitir ir rumo ao novo.
Por isso, receba minhas orações e permaneça na luz que vem do céu, onde tudo é graça, paz e perfeição. Permaneça na mesma Luz que envolve os Anjos de Deus.
Obrigada pela oportunidade de ser sua filha!

⁠A você, mãe
O brilho deste dia é especial...
Pois é seu aniversário.
É no seu jeito maravilhoso de ser que encontramos a simplicidade do que realmente importa para nossas vidas, você merece ser muito feliz em todos os dias.
Que neste dia o amor e a ternura acalentem seu coração com alegria de quem faz de cada minuto vivido um gesto de confiança e fé na vida!
És uma mãe muito querida.
Mesmo na distância você se faz presente em meu coração. Por você eu disse Sim à vida e digo com muito certeza, mãe, adorei nascer! Gratidão...
Faço votos de saúde, amor, paz, sucesso, prosperidade e proteção divina.
Dedico estas palavras a você, mãe com todo amor do mundo!

Oh,

⁠Peguei caderno e caneta, comecei a escrever,

Poeta pensa muito, e eu só penso em você,

Fico parado te olhando, feito um bobo apaixonado,

Só seguro em sua mão, pra caminharmos lado a lado,

É tão lindo seu olhar, seus lábios delicados,

E eu um idiota, sem jeito, desengonçado,

Eu peço até desculpas, por ser um cara careta,

Você é especial, coisa de outro planeta,

Ti elogio muito, me desculpe, isso é costume,

Acontece que te amo, da pra ver em meus ciúmes,

Quando fico com ciúmes, mudo logo o meu jeito,

Mas tudo se resolve, quando provo do teu teu beijo,

Ficar longe de ti, muitas vezes é cruel,

Teu beijo é gostoso lembra o mais doce mel,

O amor tudo sofre, tudo crê, o amor tudo suporta,

E eu estarei contigo, na vitória e na derrota,

Engraçado relembrar, como começou a fita,

Me tornei o Super-Man, e você a "Criptonita".

No alto

O lobo sobe a colina
Uiva para a Lua
Que de cima brilha
Os outros observam
Mas não sabem o mistério
Como chegou no alto
Não foi um ato mágico
Com garra e destreza
Força e resistência
Ninguém notou
O caminho percorrido
Como os obstáculos
Foram enfim vencidos
Mas ele guarda
Dentro de si
Sabendo que não foi
Fácil chegar ali
Lutando contra desistir

"Lá vem ela!!
A mais bela mulher
A mais pura, não uma qualquer
Lá vem ela!!
Um encanto de primavera, possui as cores da aquarela
Gente, lá vem ela
Com uma força gigantesca
Mas também com uma delicadeza que somente ela tem.
Lá vai ela...
Passou e deixou marca
Trouxe brilho a minha casa
A que chamo de coração."

Almardente

Trinta cavalos a galopar,
quarenta colmeias a zumbinar.
Cem cães de caça a uivar,
cinquenta hienas a debochar.

“Como é o dia perfeito?”
Frívolo, furibundo, frio.
“Afinal, o que define algo bem-feito?”
Tudo aquilo que, em minh’alma, crio.

Duzentos violinos a orquestrar
este macambúzio imortal.
Ora, ora! Que abuso!
Tu só sairás quando eu mandar.

Tempestade, queime alegremente
tudo aquilo que era frio. Faça-o quente!
Dessa forma, em minha face surgirá sorriso demente
pois renascerá minh’almardente.

“Afinal, o que é uma alma?”
É tudo que compõe tua anticalma,
é sentimento alógico justaposto com adama.

Ensurdece-te com a frequência
alucinante que toca na minha cabeça.
Rasteje. Berre. Implore.
Trevo ser, suma! E, por mim, ore.

O mar não mais me faz brisa
A brisa não mais me sopra o rosto
E agora, que faço eu?
Perdido num mar d'aquilo que me vem
Em minha divagações taciturnas
O brilho da lua realça tuas ondas
Teu brilho negro-prateado me sorri
Tuas garras afiadas me prendem o pescoço
Que sou eu?

Refém, diz tu
Refém do quê?
Refém de si
Refém de teus pensamentos
Refém de tua luxuria insalúbre
Refém desse mundo sórdido
Refém das pernas abertas projetadas à vista

Mas que faço eu? Que sou tão pequeno homem
Quero tu, apenas tu, além de tu, perco-me em mim
Mas a ti me encontro, e reencontro-me dentro de tu

E a lua realça teu corpo
E a brisa volta a meu rosto
E o sopro é bom
E as tuas ondas batem contra meu peito
E tu respira suave
E tu é meu mar
E tornamo-nos um

A cada segundo estamos morrendo

A cada segundo que passa
estamos, morrendo e nem
por isso olhamos para trás
e esperamos o outro para
juntos caminhar...
Porque temos pressa
de não se sabe o quê,
não se sabe por quê?

O pequeno momento
que podemos caminhar juntos
é tão pequeno
e tão insignificante para você?

Então, pare e pense!
Reflita com o coração
e se quiser chore...
Não tenha vergonha de chorar!
Chorar é igual a sorrir,
porque também e parte da emoção.

Sim, da emoção...
Se é tão difícil para você
compreender isso, então vá!
Siga...Afinal de contas
o tempo é de cada um,
no tempo imediato de um instante...

Eu me sentia perdido e solitário,
Para a minha vida não via solução.
O pecado me separou de Deus,
Nenhuma esperança havia em meu coração.

Mas algo inexplicável então aconteceu,
Descobri que Jesus por meus pecados morreu.
Pagou um preço tão alto, que era para eu pagar,
Por Seu amor infinito morreu em meu lugar.

Todo esse amor me invadiu e surpreendeu,
A esperança em meu coração então renasceu.
Hoje tenho plena felicidade, serenidade e paz.
E sei que tudo isso é a presença de Deus quem trás.

⁠Sobre as quintas feiras

A todo instante a dúvida me assombra,
Vaga, escura e densa. Fumaça e sombra!
Mas o que é isso? O desejo de descobrir-te toda manhã se esquece,
Na obrigação de fazer o que a esta poetisa não apetece.


Ele anda e disserta sobre a hidráulica, pneumática.
Aula maçante e frustrante, esboroa qualquer sentimento cativante.
Um bom momento para sem querer como um navio no revolto mar,
A mente balouçar e usar este instante juvenil para criar.


Incompreendido momento onde a mente defenestra,
Por entre vales de leitosas açucenas
Canta com devaneios a angelical orquestra.


Ao voltar para realidade, ela é uma tola
Fadada a mediocridade, a sina dos sem vontade
Mas respira pela arte, por ela o coração arde.

⁠Ele costumava me chamar de inocente
Apesar de querer me fazer menos
Mas me fazia ser crente
Mesmo conhecendo seus impulsos obscenos

Continuava a o proteger
Estava ali presente pro que viesse à acontecer
Mesmo que me fizesse sofrer

Dava mais do que eu podia
Doava cada parte minha
Até o que eu não tinha
Até o ar ele me prendia

A cada toque seu eu sofria
Cada toque seu me doía
A cada toque seu uma parte de mim morria
Mas quando olhava em meus olhos eu sorria
Mesmo sabendo que aquilo me destruía

Eu vivia pra dizer que você não era culpado
Mesmo que isso tivesse uma consequência
Você me fazia pensar que tinha me amado
Mesmo com sua violência

Me fez pensar que aquilo era amar
Me fez pensar que eu tinha culpa
Mesmo que só soubesse me machucar
Eu perdoava cada desculpa

Eu dormia em pedaços
Mas era muito pior não ter nada
Então eu preferia estar entre seus braços
Do que ser desprezada

Então pra mim só restava o vazio
Só me restava feridas
Que o tempo não encobriu
Que não seria nem em cinco vidas

Deu um rosto ao medo
Um corpo que me amedronta
Guardando pra vida um segredo
Que quanto mais guardo mais me desmonta

Eu só queria saber o porquê
Se por um acaso me fazer sofrer
De alguma forma te dá prazer

Se ao me observar
Se ao me ver chorar
Te faz se arrepender
Ou se virá me socorrer

Como tão facilmente fui esquecida?
Se ainda ontem eu era a tua vida
Eu nem vi a tua ida
Apenas fui excluída

Da tua mente
Do teu coração
Fiquei ausente
E sem ter um chão

Me tornei algo oco
Algo sem emoção
Enquanto você age como um louco
Implorando por um pouco de atenção

⁠Escritos no viés

Versos, notas, palavras
Poemas, cartas, cordéis
Fiz versos sem encontrar palavras
Com notas em tiras de viés
Compus poemas e coloquei em cartas
Rimadas como os cordéis
Versos tão gostosos
Com palavras jogadas aos seus pés
Seu sorriso foi tão solto
Que faltou só um pouco
Para chegar ao céu
Pena que foram só cartas
Rimadas como um cordel
As respostas das suas cartas
Chegaram para encher de graça
E me levar para conhecer o céu.

Daniel B. Souza

Amar-te

Amar-te ei, como quem nunca se sentiu amar
Pensarei não perceber o coração acelerar


Negarei quando os desejos sussurrarem em meu ouvido
Os mais ardentes sonhos da sua pele desbravar

Não direi jamais que borboletas roubam o meu ar
E que a luz da lua clareia o líquido
que denuncia meu pensar

Em verdade, nunca direi das noites que só dormi, depois de uma vida inteira planejar
Desde aquele beijo estranho em um banco de praça
até as flores a caminho do altar

Amar-te ei, em segredo como fazem as estrelas
Que de longe confundem o imenso azul do céu com o infinito azul do mar.