Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

FENDA DO TEMPO

Fui parar num porão empoeirado de emoções e sentimentos lacrados em baús pesados… onde vejo um redemoinho de pássaros rompendo os grilhões em busca da liberdade…
no meu pensamento que foge por entre a fenda do tempo e do espaço compactado…
sobrevoando um coração que bate condescendente, cansado, mas com saudade…
cheirando mofo e decompondo-se em lembranças mortas sepultadas na vida que ri e chora da minha sina ególatra que serve de farol numa luz que ofusca meu olhar nublado…

E TUDO JÁ ESTAVA ESCRITO...

Quando nascemos trouxemos junto um bloquinho de notas, lápis e uma borracha.
E vamos anotando nossa história, algumas vezes corrigimos, outras vezes apagamos e muitas vezes arrancamos uma folhinha e refazemos novamente e assim o bloquinho vai terminando. Então, decidimos comprar um caderno bonito e bem encadernado e com bastante folhas para passar tudo a limpo, mas aí a gente se dá conta que o lápis já está sem ponta e gasto (de tanto usar e apontar) e a borracha já nem existe mais…
Por que?
- Tudo já estava escrito!

VISÃO DE UM ANJO...

Ali estava fulgente e ele a contemplar
no clarão violáceo, fada? Querubim?
Dentro do seu mundo um altar esboroado
de brilhos opalinos crivados em mim.
Cores em arco íris em luz se formavam
nessa redoma de vidro entre arvores
viajores do tempo vindos de uma região
etérea. E num flash seus olhos vêem
almas errantes que vagueiam na Terra
procurando-se mutuamente sob templos
petrificados e sustenidos…
Que foi registrado através do olhar inglório
de um anjo sorrindo!

BARQUINHO DE PAPEL...

Desilusões e emoções subalternas que vem e vão.
Como ondas?
– Sim! E navegam em pensamentos loucos e oscilantes…
Onde?
- Em alto mar onde meu coração é o barquinho de papel sem comandante…
E se naufragar?
- Não vai! Minha alma é o leme dessa minha vida errante…

VAMOS ESCULPIR NOSSA ALMA?

As pessoas hoje em dia estão dando tanta importância ao conteúdo externo…
e nem se tocam que o corpo é efêmero e em breve se desfaz…
virando cinzas e pó e no túmulo apenas uma frase:
- Aqui um corpo esculpido jaz, porque a alma e o cérebro já se foram há muito tempo atrás…

OUÇA A VOZ DO SILÊNCIO...

Nossos pensamentos estão num turbilhão de emoções confusas?
Ruminando num só pensamento fixo e perdido?
- Se sim, então precisamos ficar quietinhos no nosso canto e sem
interferências e palpites de outras pessoas para que esse pensamento
(fixo e perdido) se disperse e nossa voz do silêncio consiga nos dizer
o que temos que fazer para que nossas emoções se acomodem e se
sintonizem para que continuamos a seguir nosso caminho com firmeza
e a tranqüilidade de espírito.

MONTANDO PEÇAS...

Sou uma alma acoplada num corpo efêmero e todos os dias ao acordar…
fico revirando dentro dele pedaços de um tempo que ficou pra trás…
Como se fossem peças de um quebra cabeças que tento montar…
E quando conseguir montar?
- Deixarei minha história de vida para alguém contar…

MATIZES DE UM SONHO...

Em meu sonho preto e branco vou pincelando com todos os matizes em cores… Que dê luminescência a todas minhas angústias e dores… Finalizo com o esplendor do sol e dobro dentro de mim essa paisagem de papel e minha vida sempre tem cor quando avisto um arco Iris no céu…

Psiu...Silêncio!

Já chorei tanto que minhas lágrimas foram parar no oceano das emoções onde a calmaria me traz a paz... então descanso meus olhos vermelhos e inchados numa ilha deserta onde só minha alma enxerga a miragem de um oásis que minha fé alcança.
Psiu... Silêncio!
Porque esse murmurinho externo pode afastar a esperança que veio me salvar...

Pensamento soprado

Não adianta voce querer enxergar, se seus olhos estão vendados.
Não adianta voce querer ouvir, se seus ouvidos estão tapados.
Não adianta voce querer buscar, se seus passos estão parados.
Pare e reflita:
Não adianta mudar o caminho e reescrever o livro.
Por que?
- Podes perder a veracidade da história de sua vida.
Como assim:
- Já está escrita!

Me sopraram...
Tudo nos chega por merecimento e não adianta se escabelar, gritar, espernear,quem nem criança birrenta (nosso ego).
Se não chegou é porque não merecemos e ponto.
O negócio é desfazer o beiço, descruzar os braços e ir dormir (quem sabe no sonho a gente mereça e nossa alma evolua e cresça?) Enquanto isso desapega e pensa!

O Acalento...
Descansam em paz os que foram libertos e encontra-se em custódia anímica por essa onda vibratória de teu pensamento onde o ar que respiras é álacre e a minha presença efêmera é tão nublada como o dia de hoje nesse teu pensamento de solidão, mas tão extraordinária como o pulsar de teu coração onde meu último suspiro foi abafado pela terra. Nessa vida nem tudo se acerta, mas também nem tudo se erra. Aguarda no tempo do Pai que te espera.

Nuances em cor do autismo...

Fico pensando, porque será que rotulam que o mundo dos autistas é azul? Mas a conclusão que cheguei é que esse mundo é visto só para quem tem o diagnóstico recente (eu também enxergava o mundo de meu filho nessa cor). Mas, na medida que vão crescendo, chegando na adolescência e mesmo fase adulta (o meu está com 21 anos) Então, nessa idade o mundo não é mais azul, ele vai desbotando e começa a ter outras cores, mais precisamente um mundo com azul desbotado, com pinceladas marcantes do roxo( comportamentos oscilantes entre crises de auto mutilação e agressividade) pinceladas indefinidas entre o índigo e lilás (insônias e confusão mental culminando entre choro e risos desmotivados ou as vezes gritos doridos como se estivessem pedindo ajuda) delineado a volta desse a cor branca da paz (momentos de estabilidade emocional onde a esperança sorri e acena pra nós). E assim, vamos seguindo todos os dias quando um anjo de Deus nos entrega um pincel novo para retocar esse mundo daltônico e enxugar nossas lágrimas para que ao menos possamos enxergar a cor do arco íris que se encontra muito além do azul do céu...

A relação mãe atípica e filho neurodivergente é de uma cumplicidade que extrapola toda compreensão e entendimento, onde dois mundos distintos revelam suas verdadeiras essências e, criando nessa relação simbiótica, um espaço de pertencimento onde os mundos se unificam num amor que transcende.
Lu Lena

Você já venceu dias que achou que não suportaria. Já superou momentos que pareciam impossíveis. Já chorou num silêncio ensurdecedor no seu travesseiro. Disse muitas vezes que estava tudo bem e, na verdade, você estava perecendo por dentro. Mas você é um sobrevivente, sabe por quê? — Porque você está aqui lendo isso e por si só já prova que existe algo grandioso que te sustentou até aqui. Você é um vencedor!
Lu Lena

A maternidade atípica é uma experiência intensa, visceral e de amor profundo que transcende a compreensão superficial, exigindo uma força que humaniza e transforma a dor em esperança.
É um enfrentamento constante de preconceitos, desumanização (como a visão de “mães de anjos”), e uma necessidade angustiante de rede de apoio e busca por políticas públicas em prol de nossos filhos.
Lu Lena

Persistência, Por que?

Persistência é ter a força para levantar a pedra que você encontra em seu caminho e reerguê-la quantas vezes for necessário ao pico da montanha, mesmo sabendo que:
Ela vai rolar novamente e ser obstáculo em seu destino…
Por que?
— Por que isso se chama o despertar da consciência e o fortalecimento e abnegação de sua alma e sua paciência…
Lu Lena

MONTANDO PEÇAS

Sou uma alma acoplada em um corpo efêmero.
Todos os dias, ao acordar,
reviro dentro dele pedaços
de um tempo que ficou para trás.
São como peças de um quebra-cabeça
que insisto em montar.
E quando conseguir?
Deixarei minha história de vida
para alguém contar.
Lu Lena

SOMOS SOBREVIVENTES DO NAUFRÁGIO

Chegará o tempo em que olharás para trás e terás a certeza de que nada foi em vão; que, mesmo ante tanto sofrimento e dor, Ele estava sempre lá, apartando as ondas gigantescas para que conseguisses passar. Somos todos sobreviventes do Mar Vermelho, mesmo que nossas lágrimas nos afoguem por dentro, neste naufrágio e letargia chamados vida. Mas não temas o peso da maré, pois quem te guiou por entre as águas não te deixará perecer na areia; tua cura floresce no solo da tua fé.
Lu Lena

ALMA NA JANELA

A cada suspiro, o sangue respinga no abismo de dor onde se encarcerou, tinge de flores rubras a cortina, lúgubre saudade na própria sina. Ouve risos vãos de vultos, por estar só, que rodopiam em zumbidos, formando um nó. Debruça-se à janela, escura como breu, até que o anjo surja e a leve para o céu.

Lu Lena