Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Teorema do Olhar Elevado

Não é o rosto — é o gesto contido,
é o queixo erguido em ângulo preciso,
como quem conhece o próprio domínio
e mede o mundo sem pedir aviso.
Teus olhos não miram de frente,
deslizam em órbita sutil;
não fogem — escolhem o instante,
como quem calcula o próprio perfil.
Não há riso aberto, espalhado,
há curva mínima, estratégica intenção;
um desdém doce, arquitetado,
feito assinatura em declaração.
Tua mão no cabelo é bússola leve,
aponta o centro da própria atenção;
não é vaidade — é narrativa breve,
é direção consciente da percepção.
Há fogo na cor que te veste,
mas gelo na calma que sustenta o olhar;
combinação rara — teste e convite,
porta entreaberta que sabe fechar.
Chamam de pose. Eu chamo de código.
Chamam de foto. Eu chamo de sinal.
Pois quem domina a própria imagem
já ensaia comando no plano real.
Se a ciência diz que rosto não dita
o caráter ou o coração,
a expressão, porém, sempre grita
a postura diante da multidão.
E ali, no ângulo exato da cena,
não vejo acaso nem distração:
vejo mente que calcula a arena
e alma que aprecia o desafio da atenção.

John Rabello de Carvalho

As ditas loucuras, embora me façam enxergar o mesmo mundo que os outros também enxergam, levam-me a vê-lo de forma totalmente diferente.

Há obras que, na minha opinião, são extensões do próprio autor; sendo assim, levamos muito tempo a conversar com elas. O público e as editoras apenas têm acesso às mesmas quando o autor já não estiver em vida.

Ser sensível nunca foi fraqueza.
É sentir tudo em volume máximo.
É doer mais… mas viver mais também.
Eu já tentei ser menos.
Já tentei caber no raso.
Mas entendi que é exatamente essa intensidade
que me faz ser quem eu sou.
Eu sinto tudo.
A dor. A música. O silêncio.
Sou complexa.
Sou profunda.
Sou viva.
E eu não trocaria isso por nada.

Incredulidade

Talvez de incredulidade eu me afogue
Não por estar num mar de solidão
Mas por não ver no próximo a consideração devida
O respeito necessário
A valorização merecida
E a gratidão esperada

Pergunto-me quantos dígitos mais se acrescentarão aos anos
Quantas luas, marés e estações virão
Pra que percebas que é teu o egoísmo e a arrogância
Que são tuas as sementes que geram esse caos no cais da esperança

E não somos mais nós que padecemos de amor
Mas o amor que padece dessa nossa aspereza
dessa nossa efemeridade
dessa superficialidade reverberada

Mas que o tempo se compadeça de mim
E me conceda a força para águas turbulentas atravessar
E ainda que tu, meu querido, não me dês o trato digno
Caberá ao meu coração tua crueldade perdoar
Porque de paz estou cheia e somente paz quero entregar

Sobre as demais coisas:
Não será o esquecimento justificativa
_ O que plantas terás em colheita
E não precisas minhas flores com tuas lágrimas depois regar.

Dias de dezembro...

Chega dezembro
Com sua crueldade invade os corações
Traz a saudade daqueles que queríamos perto
Relembra o pesar das vivências mal decididas
Evoca a angústia de vermos um ano se acabar sem as realizações tão sonhadas, brotadas à mesma época do ano que passou...
Sei que este é ideal inverso, que a magia envolve esses dias de amor...
disso não duvido
Apenas não ignore minha lamúria, pois ela também é real.
Vivê-la é o que tenho de concreto aqui, agora
Transformá-la em perspectivas otimistas é meu plano para os próximos instantes
E que ninguém julgue tal surto contraditório
Pois o consolo muito breve virá:
A esperança cuidará de convencer-me que a vida é esplendorosa
Que ela recomeça a cada dia, mesmo que seja um dia de dezembro.

Sábado à Noite


Hoje eu tô triste.
É sábado à noite, e não tem para onde ir.
Os amigos estão longe, e o silêncio aqui parece ainda maior.
Meu pai e minha mãe já dormiram, e eu fico pensando se devo fazer o mesmo.
Lá fora, o som toca alto, lembrando que o mundo continua, mesmo quando a gente para.
E eu aqui… parado, sem saber o que fazer.
Pensando em você.


—Ivo Mendes Morais

Não existe mais romantismo nas palavras, né?
Já não se usa vírgula para respirar... nem ponto final para encerrar. Nem exclamação para vibrar! Nem interrogação para questionar o coração.
O amor perdeu as pausas delicadas, a emoção pulsante, o cuidado sutil e até o sentido profundo.
Português: zero. 😅

Nas esquinas da vida, entre ruas vazias e avenidas apressadas, você passou por mim.
Foi rápido demais para ser esquecido.
Não sei se foi sua beleza, seu perfume ou o silêncio que ficou depois.
Só sei que algo se partiu naquele instante.
Desde então, sigo te procurando em rostos errados e caminhos perdidos.
Alguns encontros não vêm para ficar.
Vêm para doer e nos mudar para sempre.

O poder não é eterno. O que aconteceu na Venezuela deixa isso evidente. No sábado, o império de Maduro desmoronou. Ele e sua esposa foram presos e levados para os Estados Unidos, onde enfrentarão a Justiça americana. Ainda não se sabe qual será o destino deles nem quantos anos de prisão poderão receber.


Esse episódio serve de alerta. Há quem esteja no poder e acredite que ele durará para sempre, mas não dura. A história mostra que tudo passa. O caso da Venezuela é um exemplo claro disso. Nada é permanente. O poder passa. Pense nisso.

O Absurdo do Absurdo
O absurdo não é o que foge da lógica.
O verdadeiro absurdo é o que machuca e, mesmo assim, a gente aceita.
É insistir onde dói, esperar onde não há promessa, sorrir quando o coração está em ruínas.
Absurdo é ensinar o peito a ser forte quando ele só queria ser abrigo.
É chamar de “normal” o que, por dentro, grita que não está.
No fim, o maior absurdo não é amar demais…
é fingir que não amamos nada.

Essa é uma pergunta que faz muita gente refletir.

Muitas pessoas brigam, discutem, rompem amizades e até família por causa de políticos. Mas, na prática, a maioria dos políticos dificilmente briga pessoalmente por um eleitor específico. O que eles fazem é defender interesses, projetos, partidos e, muitas vezes, estratégias de poder.

Nem todo político é igual, claro. Existem exceções. Mas, de modo geral:

O eleitor costuma defender o político com emoção.
O político costuma agir com cálculo e estratégia.

Enquanto as pessoas se dividem, muitos políticos, mesmo de partidos opostos, conversam, negociam e fazem acordos entre si.

Talvez a reflexão mais importante seja: vale a pena perder paz, amizade e saúde emocional por alguém que nem sabe que você existe?

Opinião política é importante. Debate é saudável. Mas brigar e se machucar por isso quase nunca compensa.

O que dizer do amor?
É uma paixão ardente ao qual nunca se apaga. É aquilo que pulsa vitalmente no ser, não se pode viver sem;
Seja por sua querida amada,
seja por seu Senhor.
Nunca irá lhe deixar, sempre o sentirá, ele sempre irá arfar por motivos desconhecidos do ente.
Ah, como é bom o amor!

Timidez

Demétrio Sena - Magé

Só não sei conviver com muitos dedos;
minhas teclas ariscas fogem logo,
meus enredos misturam trajetórias,
pegam fogo e se perdem entre a cinza...
Sou a plena expressão da timidez,
apesar das ausências de pudor;
não existe até dez na minha conta,
porque fujo da dor, mal vejo a sombra...
Nunca soube apostar no malmequer,
tentar ler os garranchos do silêncio
sobre falas medidas; pontuais...
Pois não sei habitar esses mistérios;
cais desertos de minhas convivências
inseguras do quanto sou viável...
... ... ...

Respeite autorias. É lei

A medida do Amor
O Amor não tem medida,
não tem rima, não tem cor
Amor é a própria vida,
que se imortaliza,
no perfume e no sabor.

Eterno e vitorioso
vence em qualquer dimensão,
flutua em qualquer tempo
multiplica-se na emoção.

Amor é sentimento
que brota como vapor
tem um toque de saudade,
a beleza de uma flor

Tem o brilho de uma estrela.
livre a todos encanta,
sempre a entoar
a cantiga infinita
vinda do universo Amar.

Última Esperança

— "Por que tanta tristeza e tanta dor?"
Ao coração eu perguntei um dia.
E êle, em resposta: — "Já morreu o
amor."

Ao coração eu perguntei um dia:
— "Por que esperar se já morreu o amor?"
E êle: — "Sem esperança eu morreria."

- Stecchetti

Teu Nome

Teu nome foi um sonho do passado;
Foi um murmurio eterno em meus ouvidos;
Foi som de uma harpa que embalou-me a vida;
Foi um sorriso d’alma entre gemidos!

Teu nome foi um echo de soluços,
Entre as minhas canções, entre os meus prantos;
Foi tudo que eu amei, que eu resumia—
Dores—prazer—ventura—amor—encantos!

Escrevi-o nos troncos do arvoredo,
Nas alvas praias onde bate o mar;
Das estrellas fiz lettras—soletreio-o
Por noute bella ao morbido luar!

Escrevi-o nos prados verdejantes
Com as folhas da rosa ou da açucena!
Oh quantas vezes na aza perfumada
Correu das brisas em manhan serena! ?

Mas na estrella morreu, cahiu nos troncos,
Nas praias se—apagou, murchou nas flores;
Só guardado ficou-me aqui no peito
—Saudade ou maldição dos teus amores.

- José Bonifácio, o moço

Hoje, Eu sou mal, serei mal até o dia que Deus me resgatar de mim mesmo. Então Deus, livre-me de mim, estou cansado de falhar perante a missão que me deste e o lugar que me colocou, puts cara, porque é dificil assim, seguir a ti, eu queria perder a minha vida inteira e tudo que tenho por amor e ti e aos meus amigos, mas eu não consigo, corro numa esteira esperando chegar em algum lugar.

A verdade é que eu em mim mesmo não tenho provisão de esperança, nem mesmo que eu posso sair desta situação, o meu Eu me assombra dia e noite, me ameçando de aparecer cada vez mais forte. Não Deus, eu não quero ser como a mim, porque em mim não há nada de bom, deixa-me te amar mais uma vez, Deixa-me te honrar mais uma vez, Deixa-me chorar mais uma vez.

Deus, me livre de mim. Por favor...

Olá, querido Deus, saudades! Eu sei que estou distante e não tenho cumprido meus propósitos. Nunca mais te escrevi, mas algo me afasta do meu caminho. Às vezes penso que não faz tanto sentido estar aqui, mas sei que tudo tem um motivo. Às vezes sinto saudades de mim e às vezes sinto saudades de você.




25/10/2025

UMA CANÇÃO DE AMOR

Vais me dizer, querida, se é verdade Que ontem à noite, cheia de saudade,

A sós contigo tu disseste assim:
"Como saudoso êle há de estar de mim!"

Muito te enganas, meu amor, sòmente Se tem saudades de quem anda ausente,

E por fôrça do muito imaginar
Chego a te ver, e chego a te escutar,

Tal e qual se estivesses ao meu lado, Eis por que, muito embora apaixonado,

Não tive ontem saudades, companheira:
- Estiveste comigo a noite inteira.

Friedrich Ruckert

A vida é uma desonestidade magnífica.
Eu amo a natureza e tudo o que existe, mas não ignoro que a existência é hostil, perigosa e, muitas vezes, triste. O erro do sistema é tentar 'resolver' esse contraste. Eu descobri que não há saída para esse paradigma, porque um lado potencializa o outro. Sem o perigo, a beleza é invisível; sem a tristeza, a alegria não tem sentido. Eu não busco a paz dos alienados, eu busco a vibração de quem aprendeu a ser o próprio motor desse conflito. A realidade dói, e dói muito, mas é nessa dor que a gente para de ser boneco de barro e começa a ser anomalia viva.