Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo
Minha infância
Minha infância foi bastante agitada, até bagunçada,
Minha vida foi cheia de brincadeira e de aventura,
Até mesmo apanhei e amei por toda a minha vida,
Sem reclamar eu aguentei tudo aquilo que eu passei.
Nem mil palavras vão poder falar o que eu passei,
Nem mil gestos vão falar o que eu senti,
Nem mil opiniões vão poder me afastar do que eu sei,
Mas uma coisa posso até dizer,
Que neste mundo nasci para amar
E ser amado.
E até compreender as coisas da vida,
Só que a vida não compreende minhas coisas.
Nasci, cresci e até evoluí nesta vida,
Só que nada muda o que passei e o que vivi.
Minha infância foi legal, até chata,
Mas, contudo eu queria
Era revivê-la mais uma vez,
Só para sentir a felicidade
De não ter preocupações,
E não ter culpa de o mundo estar uma ruína.
Minha infância se foi, mas uma coisa eu aprendi com ela,
Que nós temos que viver cada segundo,
Como ser fosse o último da minha vida,
E até dos meus olhos.
Não ponha a culpa no Amor se a relação não deu certo. Não culpe o Amor, muito menos condene ou castigue. Que mal ele fez quando só quis existir e não pode? Ele não existiu naquele lugar, mas existe em muitos outros na sua vida.
Não deixe de acreditar nele; ele, se verdadeiro, não foi e jamais será responsável por nada de ruim, ao contrário, é tão vítima quanto você. Ele sempre se empenha para existir e não é suicida de fazer mal a ele próprio e não faria a ninguém.
Além disso, ele nunca te deixou na mão, sempre estando presente em sua vida, senão na outra metade, mas no Amor dos que nasceram para você amar; basta olhar para os lados e verá a sua família e amigos verdadeiros, basta olhar-se no espelho e verá a si mesmo e, principalmente, basta respirar e sentirá Deus e a vida que Ele te deu.
Ame! O Amor, de forma real e única, sempre será o maior e o mais nobre dos sentimentos. Não culpe, condene ou castigue e sempre dê chance a ele na sua vida, tantas vezes seja necessário e onde ele já estiver presente, conserve-o.
Gênesis.
Deus já tinha você em mente quando resolveu criar todas as coisas. Criar o mundo somente era tarefa muito fácil, você era algo maior, bem maior. Você ficou pra depois por questões técnicas, de planejamento e maturação, talvez, como na produção dos melhores vinhos.
Tinha que haver pessoas e coisas pra que você se destacasse entre elas. A contemplação do belo só se dá quando acompanhada de outras. Também há a questão do ornamento, do acabamento e da perfeição, então Deus, como um exímio decorador, deixou que você fosse feita no ultimo clarão da aurora.
O feito as pressas, como no caso do mundo em 7 dias, as vezes, deixa muito a desejar e muitas imperfeições; basta olhar pra algumas fêmeas de sua espécie e saberás o que eu digo. Fazer você não era tão simples como dizer “haja luz” e ver que era bom. Foi preciso tempo, paciência, lucidez, dedicação, inspiração e muito esmero.
Enfim, hoje, depois de meses, vou poder olhar de verdade nos olhos do ser que Deus demorou bilhões de anos-luz pra arquitetar, lapidar, desenhar – ver que era bom – e nos presentear nessa vida tão curta e sem graça. Quiçá você vivesse em todas as épocas, certamente teríamos uma raça menos infeliz e tão desprovida de amor.
Todos, independente do que são, se sentem maravilhados a sua volta e se embebedam com sua doce presença. Você irradia felicidade a todos ao seu lado. Quanto a mim, todas as suspeitas do mundo exalam em meus poros, por um simples fato: eu a amo, desesperadamente. Espero que Deus crie uma como você, ou pelo menos parecida, a cada mil anos, pois que sem você não há chão, não há dias nem noites, não há nada.
Gandhy diz que...o que quer que você faça na vida será insignificante.
Mas é muito importante que faça.
Tendo a concordar com a primeira parte.
Michael...
Sabe que dia estou enfrentando.
Aos 22 anos
Gandhy tinha três filhos...
Mozart, trinta sinfonias...
E Buddy Holly estava morto...
Uma vez disseram-me:
"nossas digitais não se apagam das vidas em que tocamos"
Isso vale pra todo mundo?
Ou só uma baboseira poética?
A dor pode machucar
Pode te ferir um longo tempo
Mas é com ela que acabamos aprendendo, infelizmente...
Não adianta querer correr, gritar, salvar
Um sentimento que só existe em você
Amor é vivido por duas pessoas
Não somente pela que ama
Mas deveria ser vivida pela aquela
Que assisti seus sofrimentos todos os dias.
Ser você mesma, ter coragem de dizer o que pensa sem magoar as pessoas, ter atitude para correr atras daquilo que acredita e quer, ter força em sempre demonstrar o que sente mesmo tendo consequências que não lhe agrade, se você acima de tudo, com tanta maldade, inveja, superficialidade e falta de capacidade encontrar alguém ainda que não ache que você é o suficiente para ela, sorria!
Pois é ela que não é o suficiente para você!
Seja você mesma acima de tudo e de todos, e quem não puder entender, aceitar e conviver com isso é porque não tem potencial suficiente para agir da mesma forma!
A mulher que acredita em si mesma, tem tudo!
Pois a maior força, o maior poder, deve vir de dentro, e sendo assim, por dentro e por fora estaremos sempre sendo maravilhosamente incríveis!
Cada uma tem seu próprio brilho, cada uma é única por ser exatamente como é. Portanto jamais se compare ou se sinta menos do que alguém.
Porque você é muito mais do que pode imaginar!
Não se esqueça: Você é não é nada do que os que não te conhecem dizem ou pensa, você é mais forte do que imagina mais corajoso, você é muito mais do que pensa em todos os sentidos. Não basta que acreditem que você tenha qualidades, você tem que acreditar primeiro.
O poder que temos pode ser definido com outro nome: Amor próprio.
Eu não sei em que parte da minha vida me tornei assim.
Assim que eu digo é, ser aquela pessoa que tenta enxergar a vida da maneira mais clara possível.
Aprendi a não dar importância as coisas e nem as pessoas porque elas querem que eu dê, mas sim, se for para me importar, que seja por mim mesma.
As pessoas parecem esquecer de viver e cuidar da vida delas. Ficam ali, esperando, observando, desejando, que você faça ou fale alguma coisa para que possam falar de você.
E mesmo quando não fazemos ou falamos, muitas delas comentam do mesmo jeito.
Portanto, aprendi a não dar atenção a isso, dar atenção ao que sinto, penso e desejo, se eu quebrar as cara, sofrer, me decepcionar, ao menos não terei feito porque queriam que fosse desse jeito, mas sim porque eu queria, porque essa vida aqui, é MINHA!
Voltando ao início, não sei em que parte da minha vida me tornei assim, mas com toda certeza do mundo, não me arrependo nem um pouco de ter me tornado!
Me sinto livre, leve e solta!
Feliz por ser como sou. Não espero atrair milhares de pessoas, espero atrair para perto somente aquelas que me admirem e me amem justamente por eu ser como sou.
Sim, sempre falo de amor próprio, pois é ele que me move e moverá a cada segundo que eu viver. Esse não vou permitir que ninguém me tire!
Anabel Lee
It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.
I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea;
But we loved with a love that was more than love-
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.
And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsman came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.
The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me-
Yes!- that was the reason (as all men know,
In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.
But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we-
Of many far wiser than we-
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.
For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so, all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling- my darling- my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea,
In her tomb by the sounding sea.
Quando toquei novamente seus lábios...
Algo recomeçou..
Uma contagem incansável... de um antigo amor.
Uma pausa para confições... disse que eu deixei-me levar pra longe de ti, por algumas poucas razões..
Você com os olhos cheios ( de alegria por me ter de novo ) falou : eu esperarei você, sempre e sempre.. por que eu te amo.
Aquilo acalentou toda onda furiosa que tinha dentro de mim.. aquilo foi o porto seguro que eu precisava.. a página estava contigo..
só contigo eu vou escrever nessa página em branco o nosso fim..
Juntos.. perto.. sempre.
E se der errado, eu irei retentar e retentar.. de vc eu não desisto.. eu não paro.. eu insisto.
Por que eu não quero perder um amor.. doeu perder todas as ilusões..
imagina o estrago que faria perder o amor real.. os que eu sempre citei em versos e canções ?
me nego.. me proíbo.. não posso perder você..
Portanto é um pedido.. Não tenha medo de deixar tudo por que eu cuidarei de todos os detalhes (futeis e não futeis) pra te ter.
E se eu errar, me perdoa.. não quero que espere de mim a perfeição..
Mas mesmo com nossas diferenças, quero ser o encaixe perfeito sdo seu coração..
To esperando o dia.. pra fazer acontecer..
E quando quero algo..
Nada me para.. é um sonho.. que quero viver com você.
Vem cá e me ajuda a esquecer toda a dor que um dia deixei em seu coração..
Vem cá.. eu sigo todos os caminhos.. suporto todos os espinhos..
Só me dá a mão.!
Vem cá !!
Toy story
Acho que perdi meu desejo de escrever
De falar com minhas palavras, desabafar comigo mesmo.
Acho que estou perdendo você em minhas palavras,
Ou você que se perde nelas, você pede para não estar em mim.
Devo escrever outra coisa? Devo não falar de amor, devo não querer você aqui.
Cada segundo te sinto mais longe, distante de mim.
Não eu não perdi minhas palavras, eu perdi você.
Eu perdi seu abraço, perdi seu beijo de surpresa.
Eu perdi as três palavras fora de hora que são necessárias
Eu fui perdido do seu tempo, do seu dia.
Restou-me um baú, onde posso me esconder igual a um brinquedo velho.
Abandonado por ter perdido a graça, por não ter mais valor
Antes de "chutar" aquele balde, plantei coisas boas minhas nele...
O carreguei até onde pude e cuidei como cuido de todos os meus laços...Mas... Ouve um dia em que não suportei mais o peso do balde e cansei de plantar minhas flores nele, então vestír-me de corágem, desfiz aquele difícil laço e calcei-me de espinhos maduros, mas não chutei o balde e nem pisei nele!
Porque havia flores minhas nele, mesmo assim, o abandonei, dendro dele ainda há minhas melhores flores, talvez, ele deixe-as morrer um dia, porém, ele nunca vai esquecer do meu modo de cultivá-las. E ele sempre vai sentir o perfume de minhas flores. Porque não foram qualquer flores, foi meu melhor jardim, que um dia plantei e cultivei naquele balde. Hoje, colho apenas saudade!
Hoje sinto
Que de mim, no entanto,
Só a pranto
Por não saber
E talvez estar perto
de um big-bang incerto
Outra vez
Foi sim,
Minha culpa
Talvez por conta de minha labuta constante
Do modo inoperante
Que eu estava a viver
Agora sinto
Que mais perto do zero
Novamente eu estou...
Talvez esta seja a chance de realmente mudar de vez
Ou parar por AQUI e dar um fim a esta estupidez.
JAZ aqui um poeta.
Rosas são vermelhas
Perfume de jasmim
Tu és a flor mais linda
Que já vi neste jardim
Rosas são vermelhas
Perfume de jasmim
Você eu quero cuidar
E cultiva-la no meu jardim
Rosas são vermelhas
Perfume de jasmim
Deixe-me sentir seu perfume
Que exala sem ter fim
Rosas são vermelhas
Perfume de jasmim
Com você eu quero acordar
E com você eu quero dormir
Você é a mulher perfeita
Que me inspira e me trás grandeza
Você é a mulher escolhida
Que eu quero cuidar
Por toda minha vida
Para você mulher, que tanto me inspira.
ÉTICA PASSADA A LIMPO
Muito se fala sobre ética nos dias atuais. O tema está na ordem do dia, tanto no meio acadêmico como nas ruas, em que se trata de temas cotidianos como a corrupção na política e a violência. Nas universidades busca-se entender as razões pelas quais o ser humano é correto ou não; busca-se viajar pelas sendas da filosofia, onde pensadores de épocas diferentes tentaram responder se o ser humano é naturalmente bom ou não. Há uma angústia recorrente dos filósofos em construir conceitos que ajudam a sociedade a viver melhor.
Protágoras, pensador grego que viveu entre 487 e 420 antes de Cristo, achava que ética era uma coisa empírica. Cada pessoa, segundo ele, adotaria a conduta mais conveniente à sua própria escala de valores. Para o pensador, o certo e o errado deveriam ser avaliados em função das necessidades do homem, e, portanto, os critérios de avaliação variariam de sujeito para sujeito. Posição parecida, mas ampliada, adotaram dois sociólogos franceses, Durkheim e Bouglé, no século 19, que consideravam que os valores éticos (o certo, bom, justo, verdadeiro) são obtidos por apreciação coletiva, e, portanto, variam conforme o grupo focalizado.
Mas antes deles alguém definiu, com mais precisão, o sentido da palavra ética. Foi Aristóteles, que afirmava existir um valor supremo, que norteia a vida das sociedades. Esse valor é a felicidade. Felicidade, em grego, é a junção de eu (bom) e demonia (espírito). A corrente foi enriquecida, mais tarde, por outros filósofos que consideravam que a felicidade era o fim, o objetivo, e que a virtude era o meio, a ferramenta, para se alcançar a felicidade.
No meu livro Os dez mandamentos da ética, faço uma reflexão sobre a genial obra "Ética a Nicômaco", de Aristóteles. Apresento os passos para que a ética seja vivenciada.
O primeiro é fazer o bem.
O segundo é agir com moderação, buscando o equilíbrio, eliminando os excessos.
O terceiro é saber escolher, e aí está implícito o favor de subjetividade que é preciso existir em cada conceito, porque cada ser humano é diferente do outro, e carrega sua experiência, sua cultura, que o torna único. A questão, envolvida na escolha, é que a decisão, para ser boa, precisa levar em conta, necessariamente, os dois passos anteriores: fazer o bem e agir com moderação.
O quarto passo é praticar as virtudes. Uma atitude essencial, porque não basta fazer o bem, agir com moderação e saber escolher, se a pessoa não se dedicar a praticar os valores que adquiriu.
Com isso, o quinto passo é praticamente automático: viver a justiça. Quem segue os quatro primeiros passos aprende, incorpora o sentido de fazer as boas coisas olhando para o outro e para as necessidades do outro, sem esquecer de si mesmo. Isto é a base da justiça.
O sexto passo é valer-se da razão, ou seja, da consciência, do pensamento analítico. Está intimamente ligado ao sétimo passo, que é valer-se do coração. Duas orientações que se complementam: a pessoa deve usar uma balança em que se equilibrem, com peso equivalente, o racional e o emocional. As chances de que as escolhas sejam acertadas, agindo assim, são grandes.
O oitavo passo é ser amigo. Quem é amigo aplica todos os conceitos que acabamos de ver, sem dificuldade.
O nono passo (cultivar o amor) é quase um corolário para o décimo (ser feliz).
Aí está, portanto, um rosário de recomendações que retira o aspecto generalista dos conceitos que historicamente acompanham as discussões sobre ética. Norberto Bobbio, um dos grandes pensadores contemporâneos, por exemplo, aponta a honestidade como uma virtude válida para todos os homens, mas que, ao mesmo tempo, é uma atitude unida à conduta correta de uma pessoa no exercício da sua profissão. Ou seja, o homem tem que ser honesto, mas o médico também tem que ser um profissional honesto. É isso o que se diz nas ruas e em todos os lugares.
Este tema é fundamental na escola. Um dos tantos objetivos da educação é ensinar a conviver. E o convívio significa respeito, cooperação, ternura, enfim. E isso é a ética. A ética se aprende nos livros, nas lições dos grandes mestres. E se aprende no cotidiano, no exercício de ser correto.
Bom seria se os pais dessem o exemplo primeiro. Os filhos precisam de referências. Que os políticos e as pessoas de alguma visibilidade também se preocupassem em viver de maneira correta e que na escola professores e alunos interagissem de modo a construir relações éticas que gerassem um clima de confraternização e cooperação. E esse aluno-cidadão será um profissional-cidadão. E portanto ético e portanto feliz.
Aliás, esse é o conceito já presente em Aristóteles: nascemos para ser felizes e para fazer os outros felizes. Isto é a ética.
(Artigo publicado na Revista Profissão Mestre, edição de novembro de 2007)
POIS É
A verdade pode durar uma vida inteira, perseguir uma mulher madura, assaltada de lembranças provocadas por uma amiga que mexe com uma varinha "o fundo lodoso da memória". E, de repente, a avó percebe uma convulsão na sua realidade, porque de repente outra verdade se sobrepõe. Explica. Reduz. E ao mesmo tempo amplia. Pois é. A verdade, em Lygia Fagundes Telles, é tão crua quanto esclarecedora. O que está em seus contos é a vida, sua própria e de outros, tão real e tátil como o chão áspero de cimento.
Reli, com assombro renovado, seu Papoulas em feltro negro, que ela incluiu no livro "Meus contos preferidos". Em onze páginas, Lygia roteiriza, organiza, sumariza, romantiza, anarquiza e enfim suaviza e cicatriza uma vida inteira.
Ojeriza.
Fuga.
Medo.
Ansiedade.
Mentira.
Não foi sem intenção que a narrativa das memórias suscitadas por um telefonema se concentre na latrina do colégio. Era o ponto da tangência. O ponto da fuga. A casinha fedorenta era melhor do que a sala de aula, com aquela presença esmagadora, opressora da professora castradora. Mentira! Tão bem dissimulada que pareceu verdade, por cinqüenta anos. E a verdade, um dia, lhe atinge a face como a aba de um chapéu de feltro, ornado de papoulas desmaiadas.
A memória é sinestésica. E os elementos formais estão ali, polvilhados no conto de Lygia, a declarar a ação dos sentidos. O tato da memória traz a aspereza do giz, o suor das mãos, o pé que esfrega a mancha queimada de cigarro no tapete. A audição da memória pede que se repita a Valsa dos Patinadores, como se repetiu a lembrança pela voz da companheira sessenta e oito, da escola primária. Mas o cheiro da memória remete, primeiro, a urina. A latrina escura. E eis a visão da memória a denunciar a obliteração. Negro quadro-negro. Trança negra. Saia negra. Feltro negro.
No meio do negrume, o sol reflete o seu fulgor majestoso na vidraça. É o esplendor do flagrante descobrimento. "O sol incendiava os vidros e ainda assim adivinhei em meio do fogaréu da vidraça a sombra cravada em mim." Dissimulação - mesmo em meio a tanta luz, há uma sombra. É uma sombra que persegue a personagem até o reencontro com a professora. Sombra, por definição, é uma imagem sem contornos nítidos, sem clareza. Como a professora, morta-viva, "invadindo os outros, todos transparentes, meu Deus!" E Deus, que sombra é esta a que chamamos Deus?
Pois é. Neste conto de Lygia, o gosto da memória, ou a memória do gosto, está ausente. Não se manifesta o sabor. Por que não se manifestou o saber, é por isso?
O conto é partícula de vida. É meio primo da História. Mais do que eventos, registra caráter, caracteres, costumes, clima, ambiente, formas, cores, preferências, gostos. O conto é uma das modalidades da história feita arquivo. Por isso conto, contas, contamos. O conto oral é o livro em potência, a história em potência. Ambos pertencem a quem os usa, e a quem de seus exemplos faz uso.
A escola deve ensinar a ler. Mas também deve ensinar a ouvir. Por isso, também na escola, que é um complemento da família, é preciso haver quem conte histórias. Como Lygia, que nos faz lembrar que é preciso haver a lembrança de uma infância vivida, o acalanto de uma voz querida, contando histórias, ilustrando a vida.
Lygia é de uma franqueza pontiaguda.
Este conto, em especial, é uma escancarada confissão de humanidade. A personagem é Lygia, ou qualquer um de nós. A personagem é frágil. Conquanto pensasse, a vida inteira, que era forte. Imaginava-se executora. Conquanto pensasse, a vida inteira, que era executada. Humana, enfim. Eis a verdade. Eis Lygia. Pois é.
Jornal das Letras, edição de agosto de 2007
PROFESSOR EDUCADOR
É comum, no período que antecede o início das aulas, terem as crianças uma certa expectativa, um certo desejo, antecipando o que será a escola. Têm, as crianças, a tendência de gostar do professor. É o gosto da novidade, do que não conhecem – é a aventura do aprendizado. Começam as aulas e algumas expectativas são superadas, outras frustradas. Alguns encontros se revelam marcantes, outros nem tanto. Há alunos que voltam para casa, dos primeiros dias de aula, desejosos de narrar aos pais cada detalhe de seus professores.
Em uma leve viagem ao passado, todos rapidamente nos lembramos de alguns professores. Por que desses e não de outros? Porque alguns marcam mais. E é desses professores que a pessoa se lembrará ao longo da vida.
Infelizmente, muitos professores se convertem em burocratas da escola. Estão ali exercendo a profissão de estar ali. E nada mais. Sem perfume nem sabor. Sem encontro nem encanto. Apenas ali, munidos de um programa determinado, e sequiosos do fim, já no começo. Tristes mulheres e homens que embarcam na profissão errada e lá permanecem aguardando a miúda aposentadoria. Não são maus. Apenas não são educadores.
Há aqueles que educam desde os primeiros raios da aprendizagem. Preparam-se para a celebração do saber e do sabor – palavras com a mesma origem. Lançam redes em busca de curiosidades, surpreendem e permitem surpreender; ensinam e aprendem com a mesma tenacidade. Estão ali, em uma sala de aula, desnudos de arrogância e ávidos de vida. Não temem a inquietação das crianças e dos jovens. Não negligenciam o conteúdo, mas valorizam os gestos. Gestos – é disso que mais nos lembramos dos nossos mestres que passaram. E que permaneceram.
Lembro-me de alguns, como a Ana Maria, professora de história, que nos instigava a estudar antes da aula o tema que seria trabalhado. Quando chegava a aula, ela propositadamente errava, e nós a corrigíamos. Era um jogo, uma didática simples que empregava. Eu chegava a sonhar com aquelas aulas. Ela despertava o gosto pela pesquisa e destravava os mais tímidos. Todo mundo queria corrigir a professora.
Talvez um exercício interessante para o professor seja o das lembranças. Lembrar-se, de quando era aluno, daqueles professores que eram educadores, e de repente ter a humildade de imitá-los ou até reinventá-los.
E não há tempo nem idade para fazer diferente. É só ter uma característica que Paulo Freire considerava importante para toda a gente mas essencial para quem educava: gostar de viver.
Quem gosta de viver não tem preguiça de reinventar, nem medo de ousar. Quem gosta de viver não tem medo de ternura, da gentileza, do amor.
Quem gosta de viver, educa!
CRESCER...
Hoje uma amiga me disse: “Crescer é chato” (percebi a indireta rs), o que me fez pensar... E acabei por concordar. Tornamos-nos chatos quando crescemos, deixamos de brincar e levamos tudo a sério, deixamos de rir das piadas bobas que os amigos contam e nos tornamos críticos e realistas em demasia.
Crescermos por insegurança quanto ao futuro, em outras vezes crescemos por decepção, crescemos para nos blindar das surpresas que a vida teima em nos apresentar... São inúmeros os motivos que nos fazem crescer.
As ambições afloram, passamos a ser seletivos, pra tudo buscamos explicações, mas ‘hora por vez’ não encontramos respostas para nossos próprios conflitos. As situações passam a nos cobrar responsabilidades, mudanças de hábitos, e uma série de outras coisas. Deve ser ótimo ver quase tudo sob uma ótica cômica, a vida parece ser mais fácil quando sorrimos.
Crescer não significa perder a graça, mas não saber lidar com ela; não significa ser adulto, mas ter medo de ser criança. Cresci, não queria, mas a vida me obrigou.
- Relacionados
- Mensagens de Feliz Ano Novo 2026
- Textos de aniversário para amiga que dizem tudo que ela merece ouvir
- Frases bonitas
- Frases de saudades para status que te ajudam a desabafar
- Textos de Amor
- Frases de otimismo para manter a fé no que vem pela frente
- Textos de amizade para honrar quem está sempre do seu lado
