Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Eu estou cansada.
Não quero retroceder.
Na minha mente, vejo as escadas.
Talvez eu não precise mais descer.
Não sou abelha para tecer.
Mau me quer ou o bem?
Que nunca me quiseste.
O monte mais lindo.
Não é o Everest.
A última gota de veneno.
Quem bebeu não fui eu.
Meu último verso.
Sobre as tuas mentiras.
Melhor partir.
Do que sofrer a consequência.
Sobre aquilo que fiz.
Sem pensar na penitência.
O mau feitio vem da boca pagã.
E os anjos que me recolhem.
Desse mundo sem justiça.
Faço um desejo.
E lá, no fundo, eu vejo.
A única saída.
Sem choro nem velas.
Sem despedidas.

🌺floria 🌺Sorria...😁
Hoje é um novo dia.
Não se pode dizer para a primavera "tomara que chegue logo e dure bastante". Pode-se apenas dizer: "venha, me abençoe com sua esperança, e fique o máximo de tempo que puder"🌻
Permaneça em mim tudo o que for bom para minha evolução🌺🍃
Floresçam e não somente cresçam 💓🌸

Tenho em mim várias indagações.
Inúmeras, questionáveis.
Inquestionáveis.
E apenas uma certeza!
Cada novo dia é uma luta e cada final de dia é uma vitória vencida.
Um passo de cada vez e sabedoria para vencer os obstáculos diários.
Fé, foco e saúde 👈




🤚 vamos que vamos 💪

Palavra do dia:
Espera somente em Deus.
Não desista, por mais difícil que seja a luta, por mais desesperador que seja o seu momento e seus sonhos pareçam impossíveis, seja a vitória, continue firme, pois Deus está contigo. Você não está lutando sozinha, existe um Deus forte e poderoso ao seu favor que te ama e tem planos perfeitos para todos nós. Deus não desistiu, não desista também, vai ficar tudo bem, você vai viver lindas promessas de Deus.
Não existe vitória sem lutas 👈




Força 💪 Foco 👀 e muita Fé 🙏

__segue em frente 🌻🍃
Não teime com o destino, o que não é para ser seu nunca lhe servirá.
Limpe a alma, a casa e esvazie principalmente o pensamento de coisas tristes.
Arrume o coração e pare de viver de remendos. Há oportunidades que só entrarão pela porta, quando você tiver coragem de fechar as janelas.


🌸🌿Gratidão🌿🌸

*Desviar é Melhor do que se Aproximar*



Boom dia 🌻


Mais uma semana abençoada começando.


Eu comecei o dia com uma mensagem para reflexão, sobre nós não revidar-mos a quem nos agride, simplesmente desviar, ou o mesmo propósito deixar para lá.


Eu uma vez passei por uma situação que me deixou muito chateada, a pessoa do nada me mandando indireta e citando um monte de coisas totalmente contraditórias da realidade, na época eu apenas fiquei calada, era um momento difícil e eu não quis revidar. E os anos foram passando e eu sempre me perguntando o porquê de eu aturar aquilo calada sem me defender!


Recentemente, eu passei novamente por uma situação complicada onde estava novamente a mentira e a falsidade, só que dessa vez eu surtei 😅 Estou rindo de nervoso rsrs.


Então me deparei com as minhas duas versões e me admiro mais na primeira.


O que eu estou querendo dizer é que não adianta você (surtar) tentar se defender de pessoas que não têm consideração por você e que, por algum motivo, querem degremir sua imagem, a melhor opção vai ser sempre deixar para lá, deixa falar, deixa pensar o que quiser, deixa inventar coisas sobre você!


Na verdade, esse tipo de coisa só acontece para te mostrar que não vale a pena entrar em conflito com ninguém, principalmente com pessoas que sabem quem você é e te pintam da forma que eles querem que te vejam.


Você não precisa de defensores e principalmente de acusadores!


Você só precisa se retirar de certos lugares e continuar sendo como você é.


Às vezes, desviar é muito melhor do que se aproximar.


Às vezes, o silêncio é a melhor resposta. Não precisamos nos defender de pessoas que não querem ouvir. Deixar para lá é a melhor opção.


Eu já passei por situações difíceis, onde a mentira e a falsidade me cercavam. Mas aprendi que não vale a pena entrar em conflito com ninguém. Desviar é melhor do que se aproximar de pessoas tóxicas.





Você é incrível do jeito que é! Não precisa de defensores ou acusadores. Priorize-se e proteja-se.





#DesviarÉMelhor #SilêncioÉResposta #PriorizeSe

Muitas vezes eu quis, sim, a aprovação, admiração e validação de muitas pessoas que me diminuíram se achando superiores, eu sonhava com um grande evento onde eu entrava triunfante com um lindo vestido longo, um sapato de salto com pedrinhas brilhantes e eu cheguei até a comprar o sapato 😂🤭 mas eu amadureci de uma forma que hoje eu me vejo saindo desses eventos e curtindo minha Netflix em casa de pijama e completamente realizada com a pessoa que eu me tornei....
Hoje o meubrinde é para mim 🍷...🌸

A casa, que era grito e movimento, guarda agora um silêncio que devora.
O tempo, esse mestre sem alento, levou o que era o meu mundo outrora.
Restam vestígios, brinquedos, rastros de um momento, o eco de risadas que me devora.
Sinto o vazio, o puro isolamento, de quem viu os filhos ir embora.
Mas se a saudade aperta e faz o pranto, é também o orgulho que floresce, ao ver o voo dessa crianças que é meu encanto.
Pois filhos são a luz que a vida nos empresta,enquanto a ausência a alma enternece.
O amor de uma vida que terão como herança.

O que é sabedoria, então, senão saber a hora de sair quando não é bem-vinda e de chegar quando é alegria? Sabedoria é saber a hora de calar, quando as palavras não vão resolver. É saber a hora de gritar, quando o silêncio passa a doer. Sabedoria é saber o caminho certo, mesmo quando você não tem certeza alguma. Sabedoria não é uma coisa que nasce pronta, que você pega a chave e vai, não. Sabedoria é construção.


Nildinha Freitas

Se a graça de Deus não tivesse se derramado em nossos corações, sem dúvidas já teríamos sido consumidos pela maldade, engano e andaríamos como escravos em busca de uma liberdade dando lugar à carne e servindo ao senhor do pecado.

Graças ao Cristo na Cruz, somos livres da escravidão e não precisamos mais dar lugar à carne.

Ele foi gerado, se fez carne, habitou entre nós, se esvaziou da sua glória, morreu, ressuscitou e intercede por nós a direita de Deus! Ele é Jesus Cristo.

Feliz Natal!!!

"Reflexões". Resende, 24 de Dezembro de 2015.

🗝️𝘼 𝙛𝙚́ 𝙚́ como uma chave que transforma o impossível em possível, abrindo caminhos e derrubando barreiras, com a confiança de que Deus age, mesmo quando as portas parecem trancadas, revelando um poder que ninguém pode fechar.
A história dos amigos que desceram o paralítico pelo 𝙩𝙚𝙡𝙝𝙖𝙙𝙤
`(Marcos 2:1𝙖12)` é um dos maiores exemplos bíblicos de como a fé coletiva e a amizade podem romper barreiras impossíveis.
📌"Às vezes, as portas estão trancadas e a multidão nos impede de avançar. Mas, assim como os amigos que subiram no telhado para apresentar o paralítico a Jesus, a nossa fé nos ensina a encontrar novos caminhos.
Que hoje a sua determinação seja maior que qualquer obstáculo.
Se a porta não abrir, que Deus nos dê a visão para 'abrir o telhado' e alcançar o milagre!"❤️‍🔥

Chegou o dia mais especial do ano: seu aniversário! Parabéns, meu filho! Como é grande a honra e a felicidade em ser sua mãe.

Esse dia marca um momento inesquecível e o mais feliz da minha vida. O dia em que te peguei nos braços pela primeira vez. Que Deus continue abençoando sua vida e te dando muitas alegrias, meu anjo. Te amo muito!

⁠Meu amor me trocou por um andar qualquer num prédio sem elevador
o amor me trocou por meias modernas com estampas de Van Gogh e rosto plácido de Monalisa
Trocou meu Grimório por um novo lançamento da Apple
O amor me trocou por um filme no cinema com pipoca e manteiga
trocou como quem avança uma playlist de musicas inteira
trocou o endereço,
trocou de par
me trocou por algumas rolhas de vinho e toalhas brancas
me trocou por afinidades sorrateiras
Meu amor me trocou por festivais de Rock e Indie
Trocou meus gatos por agaves no quintal
trocou minhas ilhas de gelo por dedos de moça vermelhos
O amor me trocou por olhos cheios de vida de quem tem em casa flores de plástico empoeiradas

ECO DO ABISMO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Eu sou lançado ao mundo sem essência
Sou um grito sem resposta no clarão das horas
A realidade crua arde em meus olhos
E a luz que se derrama não me cede consolo
O universo não me prometeu sentido
Eu o encontro em cada passo que escolho
E cada escolha desgarra o eu de outrora
Até que nada fique além do meu próprio ser
Sou livre como a pedra que se quebra
Sou mais livre ainda como o vento que não encontra forma
E essa urgência de escolher devora minhas certezas
Não há desculpa nem refúgio
Nada antecipa a minha decisão
Nada transforma o vazio em abrigo
Aqui estou
Respirando a dúvida
Vestindo a solidão como veste o medo
E apenas no tremor de existir
Encontro o preço de minha liberdade
Que a angústia seja a lâmina que me forja
Que a liberdade seja o aço que não se dobra
Pois não há outro que escolha por mim
E sou eu — sempre eu —
Neste mundo que ecoa meu nome sem eco — sem fim.

O ESPIRITISMO E A MÁGOA.
A mágoa, à luz do Espiritismo, não constitui mera emoção episódica, mas estado psíquico persistente, sedimentado na intimidade do ser espiritual. Se a raiva é explosão transitória do instinto ferido, a mágoa é introjeção silenciosa da dor moral. A primeira irrompe. A segunda infiltra-se.
Em "O Livro dos Espíritos", 1857, questão 933, indaga-se qual o meio de destruir o egoísmo. " Parte Quarta: Das esperanças e consolações.

CAPÍTULO I

DAS PENAS E GOZOS TERRESTRES.

Felicidade e infelicidade relativas.

933. Assim como, quase sempre, é o homem o causador de seus sofrimentos materiais, também o será de seus sofrimentos morais?

“Mais ainda, porque os sofrimentos materiais algumas vezes independem da vontade; mas, o orgulho ferido, a ambição frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o ciúme, todas as paixões, numa palavra, são torturas da alma.

“A inveja e o ciúme! Felizes os que desconhecem estes dois vermes roedores! Para aquele que a inveja e o ciúme atacam, não há calma, nem repouso possíveis. À sua frente, como fantasmas que lhe não dão tréguas e o perseguem até durante o sono, se levantam os objetos de sua cobiça, do seu ódio, do seu despeito. O invejoso e o ciumento vivem ardendo em contínua febre. Será essa uma situação desejável e não compreendeis que, com as suas paixões, o homem cria para si mesmo suplícios voluntários, tornando-se-lhe a Terra verdadeiro inferno?”

A.K.: Muitas expressões pintam energicamente o efeito de certas paixões. Diz-se: ímpar de orgulho, morrer de inveja, secar de ciúme ou de despeito, não comer nem beber de ciúmes, etc. Este quadro é sumamente real. Acontece até não ter o ciúme objeto determinado. Há pessoas ciumentas, por natureza, de tudo o que se eleva, de tudo o que sai da craveira vulgar, embora nenhum interesse direto tenham, mas unicamente porque não podem conseguir outro tanto. Ofusca-as tudo o que lhes parece estar acima do horizonte e, se constituíssem maioria na sociedade, trabalhariam para reduzir tudo ao nível em que se acham. É o ciúme aliado à mediocridade. De ordinário, o homem só é infeliz pela importância que liga às coisas deste mundo. Fazem-lhe a infelicidade a vaidade, a ambição e a cobiça desiludidas. Se se colocar fora do círculo acanhado da vida material, se elevar seus pensamentos para o infinito, que é seu destino, mesquinhas e pueris lhe parecerão as vicissitudes da Humanidade, como o são as tristezas da criança que se aflige pela perda de um brinquedo, que resumia a sua felicidade suprema. Aquele que só vê felicidade na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz, desde que não os pode satisfazer, ao passo que aquele que nada pede ao supérfluo é feliz com os que outros consideram calamidades.

Referimo-nos ao homem civilizado, porquanto, o selvagem, sendo mais limitadas as suas necessidades, não tem os mesmos motivos de cobiça e de angústias. Diversa é a sua maneira de ver as coisas. Como civilizado, o homem raciocina sobre a sua infelicidade e a analisa. Por isso é que esta o fere. Mas, também, lhe é facultado raciocinar sobre os meios de obter consolação e de analisá-los. Essa consolação ele a encontra no sentimento cristão, que lhe dá a esperança de melhor futuro, e no Espiritismo que lhe dá a certeza desse futuro. "
A resposta aponta a educação moral e a prática do bem como recursos graduais de superação. A mágoa, em sua estrutura íntima, é filha do orgulho vulnerado e do apego às expectativas frustradas. Ela não nasce apenas do fato objetivo, mas da interpretação subjetiva que o espírito constrói diante do acontecimento.
Enquanto a raiva pode dissipar-se pela palavra ou pelo desabafo momentâneo, a mágoa cristaliza-se no silêncio. Converte-se em memória recorrente, revivida com intensidade afetiva. A psicologia denomina tal fenômeno de ruminação emocional. O Espiritismo amplia essa análise ao considerar que tais estados repercutem no perispírito, produzindo desarmonias que se prolongam além da experiência corporal.
A mágoa é mais nociva porque estabelece vínculo vibratório negativo entre ofensor e ofendido. O espírito magoado mantém-se psiquicamente conectado ao episódio que o feriu. A libertação não se dá pelo esquecimento superficial, mas pela compreensão profunda do sentido educativo da prova.
Em "O Evangelho segundo o Espiritismo", 1864, capítulo X, afirma-se que o perdão das ofensas é condição indispensável ao progresso moral. 156. Quando diz: "Ide reconciliar-vos com o vosso irmão, antes de depordes a vossa oferenda no altar", Jesus ensina que o sacrifício mais agradável ao Senhor é o que o homem faz do seu próprio ressentimento. Só então sua oferenda será bem aceita, porque virá de um coração expungido de todo e qualquer pensamento mau. (Cap. X, item 8)

157. "Como é que vedes um argueiro no olho do vosso irmão, quando não vedes uma trave no vosso olho?", eis conhecida advertência feita por Jesus. Uma das insensatezes da Humanidade consiste em vermos o mal de outrem antes de vermos o mal que está em nós. Para julgar-se a si mesmo, seria preciso que o homem pudesse ver seu interior num espelho, pudesse transportar-se para fora de si próprio, considerar-se como outra pessoa e perguntar: Que pensaria eu se visse alguém fazer o que faço? Incontestavelmente, é o orgulho que induz o homem a dissimular para si mesmo os seus defeitos. (Cap. X, itens 9 e 10)
Não se trata de complacência ingênua, mas de ato consciente que rompe o circuito da dor. Perdoar é gesto de lucidez espiritual.
A raiva pode ser impulso efêmero. A mágoa é fixação prolongada. A raiva, por vezes, extingue-se com o tempo. A mágoa perpetua-se porque é alimentada pelo pensamento reiterado. Sendo o pensamento força atuante, cultivar mágoa é perpetuar internamente a experiência que desejamos superar.
A terapêutica espírita repousa sobre três fundamentos. Reforma íntima mediante autoanálise rigorosa. Compreensão da lei de causa e efeito, que amplia a perspectiva histórica da alma. Exercício deliberado do perdão, que não elimina o fato ocorrido, mas o ressignifica sob o prisma evolutivo.
Carregar mágoa é manter acesa uma brasa invisível. Libertar-se dela é sinal de maturidade espiritual e conquista ética que conduz o espírito a níveis mais elevados de serenidade.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

ANJO SEM ASAS DORMIU EM MINHA CASA.
Um anjo sem asas dormiu em minha casa.
Não trouxe claridade. Trouxe consciência.
Entrou como entra a ideia amarga que não pede licença.
Sentou-se no chão frio da sala antiga e ali permaneceu, como se o próprio existir fosse um fardo demasiado grave para qualquer criatura alada.
Não possuía asas porque compreendera o peso da Vontade que governa os seres.
Essa força obscura que impele ao desejo incessante.
Que promete satisfação e entrega apenas breves suspensões do sofrer.
Ele sabia.
E por saber, tornara-se grave.
Dormiu encostado à parede onde a tinta descasca como a esperança quando se descobre ilusória.
Seu rosto tinha a palidez das madrugadas em que o pensamento não encontra repouso.
Era belo como um lamento.
A casa inteira silenciou-se.
O relógio pareceu envergonhar-se de contar o tempo.
As sombras alongaram-se como espectros convocados por uma consciência demasiado lúcida.
Aproximei-me dele.
Seu sono não era descanso. Era desistência temporária do combate interior.
Respirava como quem tolera a própria existência.
Compreendi então que toda alegria é negativa.
Não é presença de algo. É apenas ausência momentânea da dor.
Um intervalo microscópico entre duas inquietações.
O anjo, ainda que adormecido, ensinava-me sem palavras.
Mostrava que o querer é a raiz da inquietude.
Que desejar é cavar abismos sob os próprios pés.
E que o mundo não foi feito para satisfazer, mas para reiterar a falta.
No entanto havia ternura em sua decadência.
Uma ternura trágica e quase litúrgica.
Como se dissesse que, apesar do absurdo, resta a compaixão.
Não a compaixão sentimental.
Mas a que nasce do reconhecimento de que todos somos arrastados pela mesma força cega.
Sofremos não por exceção, mas por estrutura.
Na madrugada mais densa, toquei-lhe os cabelos.
E senti que o verdadeiro voo não é subir aos céus.
É calar o querer.
É diminuir a tirania dos impulsos.
Quando o dia insinuou-se pelas frestas da janela, ele já não estava.
Não deixou perfume nem luz.
Deixou lucidez.
Desde então minha casa tornou-se uma espécie de cripta interior.
E toda vez que a solidão pesa como chumbo na alma, recordo que um anjo sem asas dormiu aqui.
Ele não veio salvar-me.
Veio ensinar-me que a consciência é o mais lúgubre dos dons.
E que amar, neste mundo, é aceitar o outro como companheiro de um sofrimento que não escolhemos, mas que nos constitui.
Se desejares, posso aprofundar ainda mais a atmosfera fúnebre ou conduzi-la a um desfecho metafísico de resignação.

PARA QUEM TU AMAS SEM COMPREENDER -
A ESTÉTICA DO ROSTO QUE SE TORNA IDEIA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Há amores que não nascem do desejo imediato, mas da contemplação silenciosa. O teu amor pela arte e pela beleza etérea não é impulso, é reverência. Não se trata apenas de admirar formas harmoniosas, mas de reconhecer nelas uma metafísica da luz.
Quando contemplas essa presença que te inspira, não te deténs na superfície. O que te move é a transparência quase irreal que parece suspender o tempo. Há algo de pictórico, como se o rosto fosse pintura renascentista, e ao mesmo tempo algo de imponderável, como névoa que não se deixa aprisionar. A beleza, nesse caso, não é carnalidade ostensiva. É delicadeza que sugere mais do que mostra.
O teu amor pela arte projeta-se nessa figura como se ela fosse um ícone. Não um ídolo, mas um símbolo. A etereidade que te atrai é a sensação de que ali existe uma síntese entre juventude e silêncio, entre claridade e introspecção. É como se a matéria estivesse no limiar da dissolução luminosa. E o teu olhar, educado na tradição estética, reconhece imediatamente essa raridade.
Não amas apenas a aparência. Amas a ideia que ela evoca. A pureza das linhas. A suavidade da expressão. A impressão de que o mundo, apesar de sua aspereza, ainda é capaz de produzir delicadeza. Esse amor é quase platônico, pois eleva o sensível ao plano do ideal. A forma torna-se ponte para o invisível.
Há no teu sentimento uma dimensão clássica. Como os antigos que contemplavam a escultura e viam nela a proporção perfeita entre corpo e espírito, tu contemplas essa beleza e percebes que ela não se esgota no visível. Ela sugere silêncio interior. Sugere reserva. Sugere uma alma que parece caminhar entre a terra e o céu sem pertencer inteiramente a nenhum dos dois.
A tua devoção estética, portanto, é também uma defesa daquilo que é elevado. Num tempo de excessos e ruídos, amas o que é leve. Num tempo de brutalidades visuais, inclinas-te ao que é sutil. Essa inclinação não é fraqueza. É refinamento.
E se por vezes te sentes como o menino que saiu da moldura, é porque cresceste. O teu coração ampliou-se. Ele já não quer apenas possuir a rosa branca. Quer compreender sua fragrância. Quer guardar a memória daquilo que é belo sem aprisioná-lo.
O verdadeiro amor pela beleza etérea não exige posse. Exige contemplação respeitosa. Ele sabe que algumas presenças são como aves. Aproximam-se. Inspiram. E continuam seu voo.
E ainda assim, o olhar que aprendeu a reconhecê-las jamais voltará a ser o mesmo.

O Chá da Primavera.
O chá da primavera não se serve apenas em xícaras, mas no ar que desperta. Há algo de delicadamente insensato na estação que floresce sem pedir licença, como se o mundo resolvesse espreguiçar-se depois de um longo cochilo filosófico.
Tudo parece convidar à mesa invisível onde as pétalas são guardanapos e o vento é o anfitrião distraído. As cores conversam entre si em tons que quase discutem, mas acabam rindo do próprio exagero. A primavera possui essa lógica curiosa, meio séria, meio travessa, em que o rigor do inverno se dissolve como açúcar em infusão morna.
Beber o chá da primavera é aceitar o improvável. É permitir que pensamentos antes rígidos se tornem vapor leve, que sobe, gira e desaparece sem explicação convincente. A estação ensina que até as ideias mais quadradas podem florescer se expostas à luz certa.
E assim, entre perfumes invisíveis e silêncios que germinam, compreende-se que a vida, quando decide florescer, não pede coerência absoluta. Ela apenas abre as janelas da alma e serve, com delicada ousadia, mais uma xícara de recomeço.

PELE, SUOR E LÁGRIMAS. A ESTÉTICA DA ENTREGA.
A pele é o primeiro território da alma. Nela inscrevem-se os silêncios, as vigílias e os estremecimentos que não se confessam. A tradição filosófica sempre compreendeu o corpo como linguagem visível do invisível. Desde Aristóteles, que via na forma a expressão da essência, até Arthur Schopenhauer, que percebia no corpo a objetivação da vontade, a epiderme jamais foi mero invólucro, mas revelação.
O suor não é apenas secreção fisiológica. É testemunho. É o selo da disciplina, da luta, do esforço que se encarna. No atleta, no artista, no lavrador medieval que preparava a terra sob o sol austero do século XI, o suor era sacramento do trabalho. Ele dignifica a carne porque revela perseverança. Há beleza no suor porque há verdade na entrega.
A beleza, quando autêntica, não se reduz à simetria ou à proporção clássica celebrada por Leonardo da Vinci. Ela nasce da intensidade com que se vive. A pele marcada, o rosto cansado, o olhar úmido possuem uma estética superior à frieza perfeita. A verdadeira formosura é dramática. Ela carrega história.
E as lágrimas. As lágrimas são a mais alta forma de inspiração. Não são fraqueza. São transbordamento. Na literatura, em Os Sofrimentos do Jovem Werther, o pranto tornou-se linguagem da alma romântica. A lágrima purifica a visão. Ela lava o olhar e, paradoxalmente, ilumina.
Pele é presença. Suor é combate. Beleza é verdade. Lágrima é elevação.
Quando esses quatro elementos se encontram, a existência deixa de ser mera sobrevivência e transforma-se em obra. E somente quem ousa sentir até a última gota compreende que a inspiração não nasce do conforto, mas da coragem de viver intensamente.

O amor é esse estranho que toma café em uma esquina qualquer, que olha para o relógio impaciente ou que se perde na leitura de um livro antigo. Ele tem um rosto que você ainda não decorou, mas que sua alma já parece reconhecer nos reflexos das vitrines.
​Talvez ele esteja agora mesmo fechando os olhos para sentir o vento, sem saber que esse mesmo sopro é o que carrega a sua saudade. É um mistério que se veste de cotidiano. O amor não chega com trombetas; ele chega como quem pede licença, como quem sempre esteve ali, mas só agora resolveu se manifestar.
​Ele deve saber voar, como diz a canção, porque só quem voa consegue atravessar o abismo do medo para pousar no peito de outra pessoa. Enquanto ele não chega, ele vai sendo construído no seu silêncio, na sua espera paciente e na sua capacidade de acreditar que, em algum lugar, alguém também está fazendo as mesmas perguntas: "Onde andará você?"
​"O amor não é um destino onde se chega, mas a própria estrada que se ilumina quando dois passos decidem seguir o mesmo ritmo.