Textos de Desilusão
Só eu (e Deus)
Só eu,
só eu,
só eu,
só eu cuido de mim mesmo.
Só eu posso aprender,
só eu posso amar,
só eu posso viver,
só eu posso caminhar.
Só Deus,
Só Deus,
Só Deus,
Só Deus pode me governar,
Só Deus pode criar,
Só Deus pode apagar,
Só Deus me faz viver,
Só Deus eu devo amar.
Amar é difícil, e deixar ir ainda é mais
Nunca fui prioridade
Mas sim uma opção
Que infelizmente não havia reprocidade
E foi assim que saíste do meu coração
Julgas e apontas o dedo
Para os meus erros do passado
Sem lembrares daquilo que passo
Para que fizesse dar certo mas
Que no fim deu errado.
Tudo tão perfeito no inicio
Tudo tão arrastado no passado,
No fim acabou por terminar
Mesmo que quisesse que estivesses ao meu lado.
Amar deu errado, mas no passado
Era certo, o nosso futuro sonhado
Que hoje nem sequer é relembrado.
Muitas vezes sentimos-nos
Culpados, ansiosos e amargurados
Por culpa das nossas atitudes,
Mas não há nada melhor que
Reconhece-las e mudar para melhor.
Não quero namorar, não preciso de beijar
Para ficar bem, quero continuar
A lutar para ser alguém
Melhor nesta vida e nesta batalha
Silenciosa e cautelosa,
Que esconde as amarguras e feridas
Das sofrências já vividas.
Já dizia Aerosmith...
Queria não me sentir tão frágil e perdida em minhas decisões.
Por mais que ache que você me tira do eixo, tenho certeza que é a única pessoa capaz de me nortear, que contraditório não?
Estou condenada a viver nessa onda de pensamentos paradoxais, que vida miserável!
Que sentimento miserável é o amor,
nos afunda no mais profundo abismo,
tirando tudo o que há em nós,
nos sugando por completo até que nos deixe em situação de total amargura.
Para no final imploramos por mais, porque é doce, é viciante.
Ah meu querido,
seu amor é uma doce miséria, e eu estou sentenciada a sofrer e ansiar por ele.
No caminho da traição:
No caminho da traição, até os sonhos e pensamentos, corroem a alma dos mais fortes dos homens, a dor de ouvir o seu bem mais querido dizer que, ama outro alguém é como uma flecha embebida com absinto que embriaga amente de quem ouve e deixa atordoado a alma de quem a escuta. Assim vou vivendo nesse mundo de coisas incertas, de caminhos incertos, navegando sobre ondas temerosas, com o meu barco a deriva. Soldado solitário em um campo de batalha, ferido pela arma da desolação, cansado de lutar e ser vencido pela dor da desilusão.
Parafraseado por Pastor Jose Nildo Lima 03/01/2023 8:30
A janela
"Je laisse la vie, comme les fleurs laissent la mort!
Les fleurs laissent la mort jolie,
La décoration des fleurs est unique,
Qui fait la mort jolie? sinon les fleurs?
Les fleurs embellissent, ensorcellent!
Elles sont la beauté de l'enterrement.”
Ao som das estações, fabricam-se ossos e costumes,
Estátuas e revestimentos culturais.
Há dias tenho tido lembranças de outras lembranças,
Tenho conjurado sonhos irreais em pesadelos,
E tenho tido pesadelos conjurando sonhos.
Possuo dois cérebros: Passíveis,
Conjurados um contrário ao outro.
Pela plenitude fictícia de nunca estar certo,
Tendo por prazer real, nunca se saber quando é que se está louco.
Com alguns retratos, eu escondo partes de uma parede despojada,
Expondo pequenos espaços a serem preenchidos pela imaginação.
Ah, esse pequeno mundo que arquiteto debruçado na janela.
Eu vivo em paredes que só existem dentro de mim.
Observo distante, esses quadros anacarados a vela,
Passo as horas tal qual um relógio velho; atirado-me ao chão.
Sob a escuridão de mim, oculto-me neste escárnio quarto,
Fico imutável na depravação imaginária dos pensamentos.
Escrevo sobre tudo, sem ter nunca conhecido nada.
Aqui redijo! – Como quem compõe e nada espera,
Como quem acende um charuto e não o traga,
Apenas saboreia-o por mera desocupação.
Escrevo, porque ao escrever: – Eu não me explico!
Como quem escreve, não para si, não para os outros,
Escreve; porque tem que escrever.
Transcrevo em definições um antinomismo de mim mesmo,
Depois, faço algaravias conscientes da imperícia consciência.
Nada é mais fétido do que a minha ignorância erudita.
Há três horas; – Sinto diferentes sensações,
Vivo a par disto e daquilo; – E sempre a par de nada,
Estou repleto de preocupações que não me preocupam.
Calmamente, inclino-me para o mundo de fronte à janela,
Observo que por pouco observar, eu tenho a visão da praça,
Diante dela, tenho também a visão de um pedinte violinista.
Inclino-me para dentro de mim e tenho a visão de um homem,
Que hora é homem e hora são as minhas sensações,
De que tenho sido um homem.
O meu mundo é o que posso criar da janela do meu quarto,
Esse coveiro desempregado da minha senil consciência,
Um túmulo escavado por falsas descobertas arqueológicas,
A terra anciã é o amparo às minhas espáduas sonhadoras,
Preceitos juvenis? – Todos mortos! E hoje são somente terra,
Mas estou cansado; acendo outro charuto e me afasto da janela.
O silêncio dos meus passos conforta o meu coração,
A fumaça traz lembranças que me fazem sentir,
Ainda que eu não saiba exatamente o quê.
Sou indiferente aos lugares que frequento,
Tenho sido visto por muitos, mas tenho visto tão poucos.
Ah, ninguém me define melhor do que eu mesmo.
Caminho de fronte ao espelho: A tentar definir-me,
Certeiro de que ao derradeiro fim, não terei definição alguma.
Exceto, a falsa definição de que me fizeram os tolos.
De volta à janela,
Vejo a esperança exposta em uma caneca e um violino.
As mãos que sustentam a caneca, cansam antes das cordas.
Os homens passam e rejeitam ajudar com um mísero centavo.
Ah, cordas que valem menos do que o som que proporcionam,
Ouço-o e por ouvi-lo, eu observo os espíritos desprezíveis,
O meu cansaço distorce as melodias que essa alma compôs.
Diferencio-me e jogo-lhe alguns centavos:
Ah, uma esperança surge nos ombros cansados.
O violinista volta a executar melodias nas cordas senis,
A pobre rabeca se torna um estradivário valioso.
Eu sou um escritor, mas, não sou ninguém.
Agora esse violinista; talvez seja alguém.
Talvez escreva melodias que muitos ouvirão,
Ou que ninguém, talvez!
Dentro de um raciocínio lógico eu o defino ao definir-me.
Ele é a esfera do infortúnio. – Eu sou a pirâmide do êxtase.
Intercalamos entre o que está por vir e o que está presente.
Reacendo o charuto, fecho os olhos e ouço a melodia,
Desta janela vivo sendo outro, para evitar ser eu mesmo.
Eu poderia sentar a praça e observar, de perto, o violinista;
Tudo que vejo da janela me deixa com os olhos em lágrimas.
Aqui de cima o mundo é admirável, mas não consigo explicar-me.
Que faço eu? – Que faço eu ainda aqui, debruçado na janela?
Querido adeus
Ver-te partir, fatal como o morrer,
Pensei que em pranto e dor eu me afogaria,
Num drama intenso que faria tremer,
Mas jamais em versos a ti dedicaria.
Não nego, a dor veio, sim, chegou,
Menor, porém, do que em sonhos previa.
Findou-se e o coração sequer notou,
Menos te amei do que eu mesma dizia.
Dei-me por completo, sem hesitar,
Mas não a ti, e sim à visão que criei,
Dotei-te de virtudes, sem notar,
Que tuas reais cores, a ver me neguei.
Querido, chamá-lo assim te irrita, sei bem,
Apenas refletir sobre o sentir é meu desejo.
Raiva? Saudade? Nada em mim retém,
Grande paz em tua partida eu vejo.
DESENGANO
Na ilusão daqueles dias
Com pureza d'alma
Ela acreditou que o sorriso era sincero
Que o abraço era fraterno
Que existia um bem querer
(...)
Qual poeira levada pelo vento
Pelos caminhos dessa vida
O que havia de bom, se perdeu
A boa fé, sentindo-se traída
Com uma lágrima, disse adeus.
Valéria R. F. Leão
Vida idealizada, rotina consolidada,
Passado suprimido, sentimentos adormecidos,
A calmaria que mais parece monotonia,
Um coração em anistia, oculto e em dessintonia,
Contato inesperado...
...sentimentos aflorados
deixando extasiado, eufórico demasiado;
A alegria que se desperta, coração em frenesi que flerta,
Emoções que há muito nem sentia, felicidade que já nem existia,
Fantasias...
...Fantasias que não duram,
Alegria que se esvai,
Coração que gela, dói e se destrói,
Lembrança que traem, machucam, desvaem,
Afeto manipulador, produz Tristeza, solidão, dor,
Sensação que cresce, consome e esmaece, um coração que padece,
rotina uma saída,
Vida que segue, Vida que segue.
"Entregamos sonhos, esperanças e suor,
Mas às vezes o destino nos reserva dissabor.
Como a árvore que cai sem ninguém notar,
Nossa entrega às vezes se perde no mar.
Mas mesmo diante do dissabor que se instaura,
A esperança floresce, luz que nos segura.
Como a árvore que renasce após a escuridão,
Continuamos a navegar, em busca de redenção."
No silêncio oculto, me devoro,
Ardente paixão, segredo que morro.
Torno-me frágil, disperso-me no torpor,
Em ti, mistério, meu destino eu exploro.
Teus lábios, não de Iracema, mas do mel,
Sabor que embriaga minha mente ao léu.
Tua indiferença, cruel como fel,
Dilacera o coração, tempestade, réu.
Aguardando ansiosa, fervilhando em fogo,
A chama da paixão que não se desdobra.
Como a maresia, corroídos pelo jogo,
No desejo de um encontro que se acobra.
Oh, praia distante, refúgio desejado,
Onde os tormentos se percam no passado.
Cada segundo, sentimento desgastado,
Sem tua voz, tua presença, sou naufragado.
Tu, que não sabes, és meu oceano vasto,
Naufrágio lento, em águas profundas me arrasto.
Em cada instante, no sentimento contrasto,
És meu mar, és meu eterno enigma, meu lastro.
Esperava arrependimento
mas o que veio foi
um ego em riste,
perfurando meu discernimento.
Consegue-me encher de culpa
por eu não ser o que você queria,
e em outras vias foste se aventurar de fato,
sem nenhum constrangimento.
Confessas com naturalidade
e eu, agressivamente passivo,
relevante, relativizo compreendendo.
Imaginar me corta ao meio,
rouba-me o sono e traz anseio;
a calma escorre pelas mãos,
e meu coração lentamente
vai se dissolvendo.
O que eu faço agora?
Pra onde vais agora?
Dilacerado, sigo lento e sem rumo,
digerindo o sofrimento,
pensando no que Será
juntando os cacos de uma alma despedaçada,
que pela madrugada tenta compreender
por que isso está acontecendo.
"Existem escolhas e escolhas....
Quiz o destino que fizéssemos escolhas.
Saber se elas foram certas ou erradas,
nunca iremos saber.
No momento só temos a certeza que o coração quer algo que a razão diz que não convém ter.
Talvez essa seja a certeza do poeta,
nunca saber se aquele amor vai valer
ou não a pena viver.
Se entregar as paixões, eis a questão a escolher. "
Abandonado, e em vão
Abandonado e tentando escapar desse caixão
Cavando fundo, vou lutando
Procurando por uma luz, um alguém
Na morte, ela vem
Uma vontade, um desejo
Mais um dia eu te vejo
Longe do seu cheiro
Carente do teu beijo
Perto, mas nunca o suficiente
Amado, mas nunca realmente
Com fé eu vou, mesmo cansado
Eu sigo, mesmo abandonado eu caminho
E caminhando, percebo então
Toda a minha trajetória foi em vão
Foi em vão te amar
Te beijar e te querer
Foi em vão pensar que um dia iria te ter
Foi em vão sonhar com você na minha cama todas as manhãs
Se foi o coração que acreditou
Se foi o amor que você tanto destratou
Nada sobrou.
É como se você batalhasse, mas nada mudasse. Ou talvez tenha mudado, mas a perda consome a percepção, distorcendo qualquer progresso. O id, o ego e o alter ego lutam entre si, mas nem sequer sabem pelo quê. No começo, parece um vazio—aquela sensação de estar flutuando no mar, sem rumo, esperando ser salvo por um navio ou morrer afogado. Mas, aos poucos, o vazio dá lugar a um peso no peito, um aperto que esmaga, sufoca e se confunde com culpa. Afinal, o inimigo está mais próximo do que se imagina, ou melhor, basta olhar o espelho para enxerga-lo. Não porque quero, mas porque não posso escapar. Ele é uma versão de mim, mas que não desejo que seja eu.
Tanto esforço para nada. Cada passo dado parece apenas um ciclo se repetindo, um esforço inútil contra algo invisível. A fraqueza se instala, não no corpo, mas na alma. A incapacidade de viver plenamente se arrasta como um eco constante, um lembrete cruel de todas as falhas. Não porque não tentou, mas porque o nível de estoicismo não é suficiente.
O medo de se perder de novo é pior do que qualquer queda. Porque se perder significa voltar para aquele lugar onde o silêncio ensurdece, onde os próprios pensamentos não calam a boca, te puxando para baixo como areia movediça em um deserto de areia infinita. E a única opção que resta é seguir em frente—não porque há esperança, mas porque ficar parado dói ainda mais.
Seguir sem saber se há um destino. Apenas seguir.
Memórias póstumas.
Meu maior erro foi ter... gostado dos teus abraços, do tempo que passávamos juntos, do modo como seus dedos acariciavam meus cachos e me relaxavam. Meu maior erro foi ter aceitado o seu afeto, as suas flores e ter acreditado que suas intenções eram boas.
Na nossa penúltima noite, vi estrelas, ganhei flores e amores...
Na nossa última noite, bebi taças de vinho que me levaram ao óbito; as flores murcharam, e o que eram amores se tornaram dores. Eu precisava ser amada, e você nunca soube me amar. Onde nós erramos, eu não sei, mas a única certeza que tenho é que nada é como antes.
Em minhas memórias póstumas, após a nossa última noite, vi a taça quebrada e meu corpo gélido no chão. Meu coração se recusava a bater, e o eterno me puxava...
Eu acreditava em reencarnação e, por isso, pedia que, se eu fosse viver novamente, nossas ligações de alma fossem quebradas.
Queria falar como me sinto. Desvalorizado e sem importância. Minhas preocupações são inválidas, não há nada que mude, não vejo melhora em nada. Tá difícil viver. Me sinto sufocado, não conseguindo respirar. Faço de tudo pra chamar a atenção, mas todos os meus esforços tem sido em vão. Sinto vontade de desistir de tudo, não à nada que me faça querer lutar por algo que está tão distante e não parece se realizar.
Afinal oque é o amor? Afinal existe amor?
O sono nunca chega, o cansaço é tanto que perco as forças e se torna visível a minha dor. Expectativas não realizadas, sonhos frustrados, esperanças perdidas. Antes existiam motivos para ficar, antes existia sonhos de recomeçar. Mas todo dia surgem ansiedades, sensação de que o pior irá acontecer e é questão de tempo para tudo terminar outra vez.
Afinal porque tudo é assim? Afinal porque tem que ser desse jeito?
Afinal qual é o meu erro? Amar em excesso ou querer a redenção?
Porque o apego ao passado se nunca nada voltará a ser como antes? Oque me prende ao presente se o futuro não será colorido? Eu só vejo o mundo cinza, eu só vejo a escuridão. Já fui abandonado um dia e rejeitado então oque seria a solidão se ela já fez parte da minha vida, minha melhor amiga em um quarto com cortina na janela impedindo a luz do sol de entrar e a vista do Guaiba escondida, pois a vida já deixou de valer a pena e como eu disse antes ' é só questão de tempo só resta esperar '.
Afinal a paz um dia chegará? Afinal um dia deixarei de chorar?
...continua em uma outra situação, afinal assim é a vida, algo sem sentido e muito menos explicação...
Menininha do meu coração
Eu só quero você
A três palmos do chão
Menininha não cresça mais não
Fique pequenininha na minha canção
Senhorinha levada
Batendo palminha
Fingindo assustada
Do bicho-papão.
Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Fique assim, meu amor
Sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim e você
Vai sofrer de repente
Uma desilusão
Porque a vida é somente
Teu bicho-papão.
Fique assim, fique assim
Sempre assim
E se lembre de mim
Pelas coisas que eu dei
Também não se esqueça de mim
Quando você souber enfim
De tudo o que eu amei.
"Na Sombra do Silêncio"
Perdido no labirinto da memória,
Na sombra da tua ausência, sem glória,
Os tempos avançam, eu, um eco só,
O vazio, um abismo, na alma um nó.
O tempo enubla o que fomos um dia,
Histórias que se desvanecem com o vento,
Desperto à noite com os uivos da agonia,
Um trovão retumba, dilacerando o tempo.
Impotência e orgulho, parceiros nesta dança,
Desilusão ecoa, no campo da lembrança,
Lutei só e perdi a esperança,
O Graal já não se alcança.
Sangro em silêncio, cada gota uma memória,
Por um amor sem vitória,
Notas etéreas ao frio, ao relento,
Nossos nomes, um grito de desalento.
Enterrados estão os nossos segredos,
Não acredito que foi tudo em vão,
Acorrentado aos sonhos e medos,
Na minha nostalgia, na escuridão.
O horizonte ermo e noturno,
E eu aqui, desorientado, sem razão,
No eco do silêncio, um coração soturno,
Estou perdido, num tempo já perdido, na solidão.
Fechei os olhos e consegui ver nós dois
Consegui sonhar com um futuro bonito
Onde tinha amor, risada, parceria...
E foi ai que percebi que não ia passar de um sonho
E, eu mesma, precisei me puxar de volta para a realidade
Uma realidade que não era tão bonita assim....
Nessa realidade, eu vivia o sonho sozinha
Nessa realidade, o sonho era só meu
E por ser só meu, eu precisei ir...
Quando eu fui, fui com enorme vontade de ficar
Mas aos poucos percebi que era assim que você me queria
Longe, mas não muito
Foi então que estar sozinha começou a fazer sentido...
Quando optei pela distância, então
Abri mão dos sonhos sonhados e que não seriam vividos
Em troca, vou atrás da realidade mais linda que eu puder ter
A vida sonhada é linda,
Mas a vivida é muito mais.
Na pálida claridade de mais uma eleição, vejo desfilar, como num teatro de sombras, os rostos imutáveis dos políticos. Eles, os artífices da mentira, bordam com fios de ilusão as promessas que nunca se hão de cumprir. Nos palanques, seus discursos ecoam como cantos de sereias, enfeitiçando a multidão que, na sua eterna esperança, esquece a repetição do engodo.
As palavras, outrora instrumentos de verdade, são agora ferramentas da falsidade. Os eleitores, pobres marionetes, dançam ao som do desejo de um futuro melhor, enquanto aqueles que governam enchem seus bolsos com os frutos da nossa crença. É um ciclo vicioso de promessas e decepções, onde a esperança é plantada e a desilusão colhida.
A política é a arte da hipocrisia, onde a máscara esconde o rosto verdadeiro dos interesses pessoais. A riqueza, esse ouro vil, só aflora nas mãos dos que enganam, deixando aos outros apenas a poeira dos seus sonhos desfeitos. A riqueza, essa dama caprichosa, beija apenas os lábios dos que mentem com destreza, enquanto a honestidade definha na indigência.
E nós, pobres espectadores da nossa própria ruína, continuamos a buscar uma luz no meio da escuridão. A verdade, talvez, resida não nas promessas vazias, mas na força silenciosa que brota da nossa vontade de resistir. Pois, mesmo na penumbra, há sempre uma chama que insiste em brilhar, uma alma que se recusa a ser pequena, encontrando no próprio coração a chama da mudança.
Apesar de tudo, só nos resta ir votar, eleger quem se vai governar, pois a democracia, com todas as suas imperfeições, é ainda a nossa última esperança. É nela que, ainda que iludidos, depositamos a fé de que um dia o ciclo se rompa e a verdade prevaleça. Porque, afinal, a escolha é a nossa única centelha de poder, por mais ilusória que seja.
