Textos de Amor Não Melosos

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Essa não é mais uma carta de amor ou de desabafo
Essa carta é um pedido silencioso a Deus
Deus eu te peço humildemente que me ajude a sair daquele lugar
Me ajude a sair daquele lugar que me aprisiona, que suga a minha saúde mental
Me ajude a sair daquele lugar que me tira a vontade de viver
Me ajude a me libertar daquele lugar tóxico e cancerígeno
Deus me ajude a sair de uma vez por todas, porquê esse lugar me faz tão mal
Deus me ajude a receber um valor justo pelo meu esforço e por todas as provações que aquele lugar miserável me fez passar
Deus senão for agora o momento de libertação, por favor que seja em breve
Sei que não sou perfeita, tenho tantas falhas, mas eu nunca prejudiquei alguém por puro prazer
Eu nunca fui uma pessoa malvada e perversa
E se em algum momento ofendi a vós, te peço que me perdoe
E te peço de todo o coração que me ajude a sair sem ser prejudicada mais do que já fui




19 de maio de 2026

Quando o amor te encontrar
Você não vai perceber que ele chegou
Mas ele vai
Vai se perguntar se você gosta dele
Vai rodar com você na chuva em movimentos circulares de 360°
Vocês vão sorrir
Vão colher uvas juntos no jardim de Alá
Certamente tais uvas serão doces como vocês
O vento vai soprar perguntas e respostas
Verão o erguer das verdes folhas lá fora
Quando no coração estará pulsando a resposta.

Te quero acorrentada
a mim, minha prisioneira...
Não te liberto, amor,
nem um momento!
🌹
Presa, aos meus pés,
subjugada, exangue,
tu pedirás clemência, sim,
como um lamento. Desvairada,
🌹
te debaterás nos braços meus,
te quererás a liberdade,
gritarás em ais,
mas eu te subjugo,
🌹
avilto, e tenho presa,
para mostrar-te que és minha,
e de ninguém mais!
Mantenho-te cativa,
🌹
atada no meu leito,
eu te possuo, domino...
e, malgrado teu,
te escravizo,
🌹
arrasto e tenho estreito!
E se tu morres,
desta forma costumeira,
🌹
e ao te saciar,
te mostro que és só minha,
e então eu caio na real...
sou teu prisioneiro!

*O Amor que se vai*
.
Um coração sem amor não deixa rastros ou dor, iguala-se ao tempo escasso, quase sem tempo,
que passa depressa como o vento
lá fora, sem esperar.


Um mundo sem amor é como um
corpo sem vida, tendo no tempo,
o vazio da emoção. Desvanece,
esquece, ficando a razão.


Dentro, tudo quieto e calmo, sem cor,
quase parado, energia chega, alegria
se vai, como o sopro da tempestade,
que cai ecoando sons fortes, que leva
os medos junto aos raios.


Quando a primavera vem,
a natureza renova-se.
Novos ares, novos tempos,
levando as chuvas e os ventos,
nem tudo é calmaria.


As plantas, as flores, as cores e seus
perfumes, mostram-se, exalam-se, transformam-se, enchem-se novamente
de esperanças, os corações vazios,
adormecidos, de um sentimento qualquer.


Um coração que insiste sem amor,
endurecido fica, nem o Sol, nem a Lua,
nem o encantamento e calor não há.


Iguala-se ao vento do lado de fora.
Olha, bate, bate se debate na janela,
sem poder entrar.
.
Ademilton Batista
Brasil Bahia Itabuna
Anos - 2013
Do Livro Vencendo o Tempo pg104
.
*Poema premiado no Concurso Nacional de Novos Poetas Sarau
Brasil, em 2017, em livro impresso
Vencendo o Tempo *2020* e,
também, o primeiro trabalho do autor
Ademilton Batista a receber uma premiação nacional, estreando,
assim, as suas próximas participações e premiações em concursos, antologias e declamações pela America do Sul (Venezuela, Colômbia, Argentina e Chile), Europa, ( Italia, Espanha, Portugal) Ásia (Bangladesh, India), e, mais recente em 14/05/2026, foi declamado na Rádio FM, Frequência Mum No Programa Hora Mágica, na Cidade de Luanda, Angola, África,
para o mundo. Muito feliz com desempenho do Poema
*O Amor Que se Vai* ele cumpriu
fielmente o seu destino literário.

UMA CANÇÃO DE AMOR JAZZ

⁠Eu sei,
Que não é fácil viver,
Sozinho sem um alguém,
Por isso eu amo você.
Pedi ao sol
Pedi à lua
Para encontrar um amor
Um anjo me responder.
No lindo sonho acordei
ouvindo a voz do alguém
a me dizer sorridente
Sou eu,
Que estou aqui com você
Também estava sozinha
E agora tenho o céu...

⁠AMIZADE, O VERDADEIRO AMOR.

Não há outra forma de relação capaz de ser eterna, de perdurar por toda uma vida. Poucos amores conseguiram isso. Nas relação humanas, só a amizade tem provado que é forte o suficiente para suportar as adversidades que são comuns entre pessoas de diferente classes sociais e origem étnica.

Até na literatura, é a amizade que supera os romances, geralmente os romances mais famosos são trágicos ou tratam de um amor impossível.

Mas veja o caso de amizade mais grandioso da literatura universal, e sem dúvida concordará comigo.

Se ainda não leu, com cuidado merecido que devemos ao esta obra, faça-o agora e constate o que digo.

Dom Quixote, a relação de amizade que se eterniza ali tem ressonâncias inimagináveis, quem não deseja um amigo como Sancho Pança?

Quando o amor encontra seu lar, ali permanece, não por inércia, mas por escolha. Ele se acomoda nos gestos mínimos, na repetição dos dias, no reconhecimento silencioso de um no outro. Ficar não é fraqueza, é decisão cotidiana. O amor cria raízes, aprende o ritmo da casa, conhece seus ruídos, suas sombras e suas promessas.


O vento não chega de uma vez. Ele começa como estagnação, como descuido quase imperceptível, como a falsa segurança de que tudo está garantido. É a falta de escuta, a ausência de curiosidade pelo outro, o adiamento constante do cuidado. O vento é o silêncio que se prolonga, a palavra que deixa de ser dita, o toque que vira hábito sem presença.


A casa não cai por ódio, nem por grandes tragédias. Cai porque deixa de ser habitada por dentro. O vento apenas revela o que já estava frágil. O amor não acaba quando o vento sopra; ele se desfaz quando ninguém mais sustenta as paredes.

Chamava-se Laura.
Não foi um amor como os outros. Não começou com febre no corpo nem com a vertigem dos impulsos súbitos. Começou com silêncio. Um silêncio atento, desses que antecedem as revelações. Ele a conheceu num curso de literatura, numa sala de paredes altas e ventiladores lentos, enquanto discutiam um conto de Machado de Assis. Ela, ainda insegura, confessou que sentia algo no texto que não sabia explicar. Não era tristeza, não era ironia, não era encanto. Era outra coisa.
Ele sorriu com a delicadeza de quem reconhece um território fértil. Disse que literatura não se explica, se atravessa. Que às vezes a compreensão vem depois da vertigem.
Foi ali que começou.
Não houve anúncio, nem consciência imediata de que algo raro se instalava. Apenas uma sequência de encontros que passaram a acontecer com naturalidade. Ele lhe emprestou A Paixão Segundo G.H., sublinhado nas margens com sua letra inclinada, como se oferecesse não apenas o livro, mas suas próprias interrogações. Deu-lhe um exemplar gasto de O Livro do Desassossego, dizendo que aquele livro não se lê, se suporta. Advertiu que ali não havia respostas, apenas espelhos.
Ela recebia cada obra como quem recebe um rito de passagem. Lia devagar, fazia anotações, voltava com perguntas. Ele a ensinava a ouvir o silêncio entre os versos. Mostrava que um poema não termina no ponto final, mas na respiração de quem o lê. Falava sobre a diferença entre emoção e sentimentalismo, entre lirismo e exagero. Ela o escutava com olhos vivos, mas não submissos. Havia nela uma inteligência em formação que não queria imitar, queria compreender.
Tomavam café no fim da tarde, sempre na mesma mesa junto à janela. A luz entrava oblíqua, pousava nos livros abertos, desenhava sombras sobre as xícaras. Falavam de Carlos Drummond de Andrade como quem fala de um parente distante, às vezes incômodo, às vezes necessário. Riam de versos que pareciam simples e eram abismos.
Ela anotava frases dele num caderno azul. Ele fingia não perceber, mas percebia tudo. Percebia o modo como ela inclinava a cabeça ao discordar. O jeito como ficava em silêncio antes de formular uma ideia. A maturidade que surgia pouco a pouco, como uma construção interna.
Andavam de mãos dadas pelas ruas do centro, não como amantes clandestinos, mas como dois pensadores que haviam encontrado abrigo um no outro. Não havia pressa. Não havia corpo colado. Havia calor, mas era um calor que vinha da palavra, do reconhecimento, da partilha de mundo.
Nunca houve beijo.
Nunca houve quarto fechado.
E, ainda assim, havia algo que doía como se tivesse havido tudo.
Porque havia possibilidade.
E possibilidade é uma das formas mais agudas de sofrimento.
Havia momentos em que ele sentia o impulso de atravessar a linha invisível que os separava do gesto definitivo. Bastaria inclinar o rosto. Bastaria permitir que a mão que já segurava se tornasse abraço. Mas algo o detinha. Talvez a consciência da diferença de tempo entre eles. Talvez o medo de macular aquela pureza intelectual com a concretude do desejo. Talvez a intuição de que certas experiências sobrevivem justamente por não se consumarem.
Ela, por sua vez, nunca pediu mais. Mas havia instantes em que seus olhos demoravam um segundo além do necessário. Instantes em que o silêncio se tornava denso demais. Nenhum dos dois era ingênuo. Sabiam que algo pulsava ali. Escolheram não nomear.
Ela partiu primeiro.
Um convite para estudar fora. Uma bolsa. Um futuro promissor que se abria como estrada. Ele a encorajou com a generosidade dos que sabem que amar também é não prender. Disse que o mundo era maior do que aquela cidade, maior do que os cafés, maior do que a cumplicidade que haviam construído.
No dia da despedida, caminharam longamente sem falar. A cidade parecia suspensa. O tempo, dilatado. No final, ela apertou a mão dele com força, como quem segura a borda de um precipício. Não disseram eu te amo. Talvez porque amor dito exige consequência. E consequência exigiria coragem.
Depois disso, apenas distância.
Os anos passaram com a indiferença própria do tempo. Ele publicou poemas. Dedicou alguns que nunca tiveram destinatário explícito. Quem lia não sabia, mas havia sempre uma interlocutora invisível entre as linhas. Cada metáfora lapidada tinha algo do rigor que aprendera ao dialogar com ela. Cada silêncio poético carregava ecos daqueles cafés.
Às vezes via notícias dela nas redes sociais. Um livro publicado. Uma palestra. Um reconhecimento. Sorria com uma mistura de orgulho e perda. Pensava que fora ele quem abrira aquela porta. E logo depois se envergonhava do pensamento, como se o amor verdadeiro não devesse reivindicar autoria.
À noite, às vezes, relia as mensagens antigas. Não havia promessas ardentes nem declarações dramáticas. Havia debates sobre metáforas. Havia áudios discutindo a diferença entre lirismo e sentimentalismo. Havia risadas espontâneas, comentários sobre o mar, sobre o medo de não ser suficiente para a própria vocação.
E havia aquilo que não aconteceu.
O que dói não é o que foi.
É o que poderia ter sido.
Ele sabe que, se tivessem atravessado aquela linha invisível, talvez tudo tivesse se queimado rápido demais. Talvez o encanto tivesse se tornado cotidiano. Talvez tivessem se ferido na banalidade das expectativas. Talvez o amor concreto não suportasse a altura da idealização.
Mas há noites em que ele deseja ter arriscado.
Deseja ter trocado a lucidez pela vertigem. A elegância pela entrega. A ordem pelo caos.
Porque viver é administrar o caos, e ele, naquela história, escolheu a ordem.
Ela segue outro caminho. Ele também. Não se falam. Não se procuram. Mas às vezes, ao abrir um livro antigo, ele encontra uma dobra numa página que marcou para ela. Passa os dedos sobre o papel como quem toca uma cicatriz. E sente uma melancolia fina, quase elegante.
Não é arrependimento.
É a consciência de que existiu um amor que não precisou de corpo para ser inteiro e, ainda assim, ficou incompleto.

Reflexão do Amor

O amor não é só flor que desabrocha,
é raiz forte que segura o chão,
é saber ouvir, cuidar e estar perto,
é dar sem esperar retribuição.

É luz que acende em dias escuros,
calma que chega para acalmar,
amar é ver o outro como parte,
e na própria vida, o seu lugar.

Eu poderia discorrer sobre amar,
Mas eu não falo de amor.


Deveria falar sobre aqueles que me viram nascer;
Conseguiria lembrar dos dias da década passada.
Porém, por quê? Por que, se o verbo é sofrer?
De amor, eu não falo mais nada.


Novas rodas, novas cantigas,
Novos ares, velhos sistemas com roupas passadas...
Se o meu sofrer nada o mitiga,
De amor, não devo falar mais nada.


Lembraria da tua voz,
Desbravaria seus segredos ou recordaria das suas afeições;
Se você se foi e eu não me despedi,
Não falo de amor, tampouco de paixões.


Rejuvenesceria se eu perdoasse aqueles;
De tantos ouvi para fazer de alguém minha amada.
Mas, se em meu nariz mando eu e não eles,
De amor, eu não falo mais nada.


Incendiaria meu coração dizendo "Eu te Devoro";
São muitos amores e amigos, e todos os nomes eu decoro.
TV em cores, jornal impresso, disco, vitrola e prosas...
Eu posso dizer que vivo assim.
Se do amor eu não falo mais nada,
Talvez o amor fale por mim.

⁠Não tenha medo, pois Deus está sempre ao seu lado. Tenha fé e confie em Seu amor e cuidado por você. Quando estiver preocupado, triste ou ansioso, busque a Deus em oração e deixe que Sua paz preencha seu coração. Lembre-se de que Ele está sempre pronto para ouvir suas palavras e acalmar sua alma...

- Edna Andrade

⁠Tem sentimentos que a gente solta
não por orgulho, mas por amor a si mesma.

Guardar rancor corrói devagar,
como quem fecha as janelas e esquece do sol.

Perdoar não é fingir que nada doeu —
é decidir não morar na dor.

É abrir espaço pra paz.
É cuidar da alma com gentileza.

— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna

⁠Ser mãe é caminhar por um território onde o amor não tem medida,
onde o cansaço se mistura com o riso, e o coração aprende a bater do lado de fora do corpo.
É se redescobrir todos os dias… na escuta, no colo, na espera.
É duvidar de si e, ainda assim, seguir.
Ser mãe é não saber tudo, mas amar como se soubesse.
É aprender que há uma força silenciosa nas mãos que acolhem,
nas palavras sussurradas na madrugada,
nos olhos que dizem “estou aqui”.
E estar…

— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna

⁠O tempo passa, mas o amor não.
Ela continua viva naquilo que te forma,
naquilo que te sustenta — mesmo sem perceber.
O amor de mãe é semente que não morre.
É presença que ecoa na ausência.
Hoje, que a lembrança abrace.
E que a fé te embale com ternura.

— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna

Dia dos Pais


Tem amor que não precisa de muito pra ser grande.
É no jeito de ajeitar o travesseiro, de esperar na porta, de ouvir com atenção até as histórias que já conhece.
É no silêncio que guarda as preocupações pra não pesar o teu dia.
É no olhar que te acha no meio da multidão e respira aliviado: meu filho está aqui.




Pai é quem fica,
quem escolhe estar,
quem aprende todos os dias a traduzir amor no idioma das atitudes.




E Deus, na Sua generosidade, nos presenteia com esses braços que seguram o mundo pra que a gente possa sonhar sem medo.




— Edna de Andrade

Há lembranças que o tempo não apaga; apenas aprende a embalar com mais ternura.
São pedaços de amor que permanecem,
mesmo quando a presença já virou silêncio.


Recordar é como abrir a janela e deixar o vento tocar o rosto:
há doçura, há ausência, há um fio invisível que ainda une.
A saudade, quando vem mansa, é quase oração.
É o coração dizendo baixinho:
“obrigada por ter existido em mim.”


— Edna de Andrade

AMOR É DESAPEGO


Te amo. Sério, não cai nessa de que não é amor. É amor sim, é amor pra caralho.
Não é pouca coisa. Só não é o mesmo amor que você conhece, mas ainda assim, é amor.
Te quero bem, te quero livre e, às vezes, te quero longe.


Eu sei que é estranho, mas é isso.
Te quero longe porque te quero bem, porque nem sempre perto sou a melhor pessoa, tenho defeitos aos milhares, as vezes eles não cabem numa mala.


Parece estranho porque o amor que a gente conhece, não é amor, é apego.
O apego é o excesso do querer.


É te querer ao meu lado independente de tudo, acima inclusive, do teu querer.
Não podemos cometer o erro de tomar posse um do outro.


Por isso, quero te propor um amor livre, daqueles que ficam, mesmo sem precisar ficar.
Quero te ver sorrindo pra mim, mas quero que o mundo conheça o teu sorriso. Ele é lindo demais para que seja apenas paisagem dos meus olhos.


Quero que você conheça o mundo, do mesmo jeito que eu o conheci, e volte, para me contar.
Eu sempre estarei por aqui, esperando ansiosamente as suas grandes histórias, com um bom dia e o café-da-manhã pronto.


Vá viver o mundo, conhecer pessoas. Tenha certeza que a felicidade que você procura realmente está aqui e não em outro lugar.
É que escolher amar alguém para a vida toda é mais complexo do que comprar um sapato.
Vá aprender que a vida não é só as quatro paredes do teu quarto.


Você precisa sentir coisas que nunca sentiu e experimentar momentos que nunca imaginou que aconteceriam.


Vá crescer espiritualmente.


Quero tua liberdade como ninguém, porque te prender faz sentir-me culpado.


Esse negócio de te chamar de minha é bom na cama, naqueles momentos íntimos. Seja de você e do mundo, minha quando quiser.


Vamos nos amar com desapego.


Não me olhe com essa cara desconfiada, é que o desapego que você conhece na verdade é indiferença.


Não cai nessa que desapego é frieza ou algum tipo de desamor.


Não cai nessa que só a presença constante traz o amor, se fosse assim o que seria dos amores a distância?


Desapego não se trata de esvaziar o coração, mas de mantê-lo cheio de um amor livre.


Às vezes nos machucamos tanto com algumas pessoas que começamos a praticar a indiferença com elas e em tudo. Assim, nos tornamos pessoas rasas, viciadas em relacionamentos superficiais, daqueles de uma noite, que nos tiram o gosto do desejo, mas fica por isso mesmo. Talvez a gente mereça uma sorte melhor.


E se a nossa tentativa de amar junto não der certo, a gente se ama na distância mesmo, ficamos naquela torcida silenciosa para que a vida do outro dê certo, em homenagem aos bons momentos, em respeito às vezes que brincamos de amor.


Vem cá, me dá a mão pra gente se amar?


Deixa eu ser o aeroporto preferido dos seus voos, a torcida que comemora o gol.


Vem que eu te ensino a desapegar de mim e te mostro o quanto pode ser bom.


Desapego também é amor.

Amor Que Ficou
Você chegou sem fazer barulho, como quem não pretendia mudar nada, e, de repente, mudou tudo.
Havia algo raro em você. Algo que não cabia na beleza, na inteligência ou no seu jeito de sorrir. Era maior. Era a forma como sua presença transformava os dias comuns em lembranças que mereciam ser guardadas.
E eu acreditava.
Acreditava que algumas pessoas não cruzam nosso caminho por acaso.
Que alguns encontros são tão improváveis, tão intensos, que parecem ter sido escritos antes mesmo de acontecerem.
Você tinha tudo para ser lar. Tudo para ser permanência.
Tudo para ser futuro.
Mas a vida, com seus mistérios que ninguém entende, escreveu uma história diferente.
Talvez tenha sido o tempo. Talvez a distância.
Talvez os medos que nunca confessamos.
Talvez simplesmente não fosse o momento.
Não sei.
Só sei que existem amores que terminam sem deixar de existir.
Porque o amor verdadeiro não desaparece quando a história acaba. Ele muda de lugar. Sai das mãos, mas permanece na alma.
E você permaneceu.
Permanece em cada música que me alcança sem aviso, em cada pôr do sol bonito demais para ser visto sozinho, em cada sonho que visita minhas noites quando a saudade decide acordar.
Não carrego tristeza quando penso em você.
Carrego gratidão.
Porque, entre bilhões de pessoas, eu tive o privilégio de conhecer alguém que me fez acreditar no amor da forma mais pura que já conheci.
E se a vida não permitiu que ficássemos juntos, ela também não conseguiu apagar o que você se tornou dentro de mim.
Há pessoas que passam. Há pessoas que marcam.
E há você.
Você pertence àquela parte da memória que o tempo não alcança.
Aquela parte do coração onde vivem os sentimentos eternos.
Porque alguns amores não foram feitos para durar uma vida inteira ao nosso lado.
Foram feitos para durar uma vida inteira dentro de nós.

Para ser sólido, o amor precisa da lentidão. Ele deve brotar do solo fértil da amizade, onde não há máscaras nem a urgência de impressionar. É no cotidiano, observando as reações aos imprevistos, o tom de voz usado com os desconhecidos e o cuidado com os pequenos detalhes, que a alma de alguém se revela.
A verdadeira beleza de um relacionamento não está no "parecer", mas no "ser". Quando permitimos que o convívio aconteça sem pressa, damos espaço para a consistência aparecer. Afinal, ninguém consegue fingir por muito tempo; o caráter se manifesta na repetição das atitudes. Amar é, acima de tudo, ter a paz de saber que a pessoa ao seu lado é exatamente quem ela demonstra ser, sem truques ou artifícios, permitindo que o sentimento cresça sobre a rocha da verdade e não sobre a areia das aparências.

O amor perdido não se vai. Ele apenas muda de cômodo,
E passa a habitar o lado esquerdo de tudo que já foi meu.
É um fantasma gentil, mas teimoso, que encontra o seu cômodo
Na memória mais clara, na luz mais fraca que o dia teceu.
​Eu o encontro no reflexo fugaz de um espelho d'água,
Onde a tua imagem surge, trêmula, antes de quebrar-se.
É o nó na garganta que aperta e que nunca se deságua,
A doce e sombria certeza de nunca mais te encontrar-se.
​Ele não é ódio, nem raiva; é uma melancolia de seda,
Que se aninha nas dobras do tempo que não pude reter.
É a música que toca em silêncio quando a vida se arredonda
E me lembra de tudo que tínhamos e que deixamos morrer.
​Eu procuro teus traços em cada estranho que passa na rua,
E encontro apenas a prova do abismo que me separou.
A melancolia do amor perdido é a sombra que me atua,
O preço que pago por um sol que em minha vida se apagou.
​E assim vivo: entre o ontem que me afoga e o hoje que me ignora.
Amando a lembrança mais do que qualquer novo amor que possa vir.
Porque a perda, por mais que doa, me consome e me aprimora;
É a única forma que me resta de, ainda, pertencer a ti.