Textos de Amizade Antiga

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Sonhei que eu trabalhava em um escritório, como assistente, para uma antiga patroa do meu ex marido, havia algumas meninas trabalhando junto de mim e eu senti fome e resolvi sair pra comprar algum lanche, passei em dois lugares e não comprei por achar o valor muito alto, olhei em minha carteira e havia muito dinheiro, mas eu pensei em outras necessidades maiores e voltei para o trabalho sem comprar nada. Quando cheguei na minha mesa, alguém havia escrito em uma folha "saiu e não avisou" eu fiquei muito chateada, porque as letras estavam tomando todo o espaço de uma folha A4 e me senti muito triste, com alguém que tentava me prejudicar. Desconfiei de uma garota que trabalhava lá há muito tempo, olhei pra ela e ela me olhava também, ela estava meio gordinha e grávida.




Julho de 2023

10:34 11 de setembro de 2024


"Sonhei que estava na antiga casa onde eu morava com meus pais, quando adolescente. Na verdade, a antiga casa com meus pais, era um lugar de muitas torturas e violência, por parte do meu pai, aos 16 anos, tive que fugir de casa, porque não aguentava mais tantas torturas
Eles não estavam mais lá, porém estava eu e meu esposo.
Eu sentia uma sensação muito estranha, de medo!
Quando olhei para a cerca que rodeava o terreno, enxerguei pelo lado de fora dela, 4 pessoas vestidas de branco, muito assustadoras, elas usavam capuz, seus olhares eram sinistros e ameaçadores, nos observavam, como se á qualquer momento fossem invadir o nosso espaço e nos fazer maldades.
Eu não esperei para ver, pedi para o meu esposo, para que saíssemos escondidos deles e fugíssemos. Pois, eles iriam entrar á qualquer momento, eram como guardiões do mal, á espreita!
Nós saímos por trás da casa e corremos muito! O caminho era bem diferente da realidade e a gente passava por baixo de uma construção que mais parecia um túnel, mas na verdade era uma casa, que tomava a rua inteira por onde passávamos.
Enquanto eu corria embaixo dela, eu olhava o teto, era uma laje pintada de verde e havia uma lâmpada que iluminava o caminho, porque havia escuridão.
Entramos pela rua lateral, correndo o tempo todo, com muito medo deles já terem percebido a nossa fuga.
Porém, quando entramos por essa rua, não havia casas, somente pequenos Lagos, em cada terreno baldio. Eram muito bonitos, passei observando, mesmo correndo muito rápido, pelo primeiro lago, com água cristalina, com dois peixes lindos nadando, o segundo laguinho também já havia mais peixes nadando e a água era bem cristalina, no terceiro lago, eu fiquei horrorizada, observei que não havia lago, somente um monte de peixes mortos, já em estado de decomposição, era como se o lago desse terreno tivesse secado e havia tantos peixes, que todos morreram sufocados, enquanto se abrigavam um . cima do outro, era uma pequena montanha de peixes o formato de como estavam.
Senti uma imensa tristeza, por ver aquela cena, o sorriso mesmo amedrontado, por medo daquelas pessoas, quando eu passei pelos 2 primeiros lagos, senti imensa alegria. Mas, a tristeza veio logo em seguida!
Ao observar tantos peixes mortos.
No quarto lago, não lembro ao certo mais havia peixes nadando e a água já não era tão cristalina, como as duas primeiras..."

Eu lembro dessa história como quem abre uma gaveta antiga e encontra um pedaço de mim mesma ainda respirando ali dentro, meio amassado, meio intacto, meio incrivelmente vivo. Era sempre à noite, como se a vida só tivesse coragem de acontecer depois que o sol ia embora. A gente se reunia debaixo daquela árvore que, na nossa imaginação adolescente, virou quase uma entidade sagrada, o tal do “velho Carvalho”. Nem sei se era mesmo um carvalho, mas na nossa cabeça ele tinha séculos, sabia de tudo, e guardava nossos segredos como um confidente silencioso.


Ali, eu era livre. Eu, que em casa andava pisando em cacos invisíveis, desviando de palavras duras, de olhares que pesavam mais do que qualquer castigo. Ali, embaixo daquela árvore, eu era leve. A gente ria alto, inventava histórias absurdas, falava de futuro como se fosse uma promessa garantida, como se a vida fosse mesmo justa com quem sonha. E eu acreditava. Acreditava nelas. Acreditava na gente. Achava que amizade era isso, um abrigo onde ninguém pergunta quanto você tem no bolso antes de te abraçar.


Até que veio aquela noite.


Eu cheguei como sempre, no mesmo horário, com a mesma expectativa simples de quem só quer um pouco de paz depois de um dia pesado. Mas o “velho Carvalho” estava sozinho. E isso já era estranho. Silêncio demais é sempre suspeito. Foi quando eu ouvi música, risadas, aquele barulho típico de festa boa… só que não era pra mim.


A casa ali perto estava iluminada, cheia de gente. E lá dentro estavam elas. Minhas amigas. Minhas companheiras de fuga. Rindo, comendo, vivendo… sem mim. Era uma festa de 15 anos. Aquela coisa clássica, bolo, decoração, gente feliz tirando foto como se a vida fosse perfeita.


E eu do lado de fora.


Eu não fui esquecida por acidente. Aquilo foi escolhido. Calculado. Porque no fundo, alguém decidiu que eu não cabia naquele cenário. Não porque eu não era amiga, mas porque eu não tinha dinheiro. Porque eu não teria um presente bonito pra entregar. Porque minha presença não combinava com a estética da festa.


É curioso como a exclusão não faz barulho. Ela não grita. Ela só acontece, e quando você percebe, já está do lado de fora, tentando entender em que momento virou invisível.


Elas vieram falar comigo depois. Disseram que acharam que eu tinha sido convidada. Ah, claro. Aquele clássico teatro da ingenuidade conveniente. Todo mundo sabia. Todo mundo sempre sabe. Mas ainda assim, saíram da festa pra ficar comigo. E naquele momento, eu aceitei aquilo como um gesto bonito. Hoje eu vejo como um remendo mal feito numa ferida que já tinha aberto.


Porque amizade de verdade não te deixa do lado de fora pra depois vir te consolar.


Eu me afastei da aniversariante. Não foi um escândalo, não teve grito, nem cena. Foi um silêncio decidido. Aquela percepção fria de que algumas pessoas só gostam de você até o ponto em que você não compromete a imagem delas. E quando compromete, você vira detalhe descartável.


Anos depois, ela ainda tentou me diminuir. Me chamou de pseudoblogueira, como se aquilo fosse um insulto mortal. E eu fiquei pensando… olha que curioso… eu, que não tinha dinheiro pra comprar um presente, agora tinha algo que ela não conseguia ignorar: voz. Alcance. Presença.


E mesmo assim, pra ela, eu continuava sendo nada.


Mas sabe o que é mais engraçado? Eu não era nada pra ela, mas eu fui tudo pra mim mesma naquele momento em que decidi ir embora. Porque crescer também é isso, é aprender que nem todo mundo que senta com você debaixo de uma árvore merece um lugar na sua vida inteira.


Hoje, quando eu lembro do “velho Carvalho”, eu não sinto raiva. Sinto uma espécie de carinho melancólico. Porque ali existiu uma versão minha que acreditava nas pessoas com uma pureza quase perigosa. E apesar de tudo… eu não me culpo por isso.


A culpa nunca foi de quem amou demais. Sempre foi de quem não soube receber.


E se tem uma coisa que a vida me ensinou, é que a gente pode até não escolher de onde vem, mas escolhe muito bem quem permanece.


Agora me conta… quantas vezes você também já foi deixada do lado de fora de alguma festa da vida?

Eu lembro de mim como quem lembra de uma versão antiga de um aplicativo que travava toda hora, mas eu insistia em usar porque tinha apego à interface bonita. Eu ali, regando lembrança morta como se fosse samambaia de vó, achando que bastava um pouquinho mais de atenção, um pouquinho mais de pensamento antes de dormir, que aquilo ia brotar de novo. E olha que interessante, eu sabia. Lá no fundo, naquele cantinho que a gente evita acender a luz, eu sabia que já não tinha vida. Mas mesmo assim, eu insistia. Porque aceitar o fim exige uma coragem que, às vezes, a gente só descobre depois de se cansar muito.


E eu me cansava. Me cansava de revisitar os mesmos diálogos como quem reassiste um filme esperando um final alternativo que nunca vem. Cada palavra dita virava material de estudo, quase uma tese emocional. Eu ampliava segundos como se fossem capítulos, transformava encontros curtos em histórias épicas, dignas de um diário que, coitado, carregava mais ficção do que realidade. E sim, as conversas existiram, os momentos aconteceram. Mas o que eu fiz com eles… ah, isso já era outra coisa. Eu peguei migalhas e montei um banquete imaginário.


E teve o dia do incêndio. Porque toda mulher intensa já teve um momento meio dramático de querer apagar a própria história como se fosse possível dar “delete” no que já foi sentido. Eu queimei aquele diário como quem faz um ritual de libertação, esperando que a fumaça levasse junto o que ainda pesava em mim. Não levou. Porque o problema nunca foi o papel, era o apego. Era a necessidade de continuar alimentando algo que já tinha acabado, mas que dentro de mim ainda encontrava espaço, palco, roteiro.


A dor, no fundo, era repetição. Não era nem sobre ele mais. Era sobre mim insistindo, revisitando, reabrindo uma porta que já estava fechada há muito tempo. Eu sofria não pela despedida em si, mas por não aceitar que ela já tinha acontecido. E é curioso como a mente é criativa quando o coração está resistente. Eu criava futuros inteiros com base em lembranças mínimas, como quem vê um trailer e já escreve o filme inteiro. Só que o filme nunca foi produzido.


Até que veio o ponto de ruptura. Não aquele bonito, cinematográfico, com trilha sonora e vento no cabelo. Foi um cansaço seco. Um basta silencioso. Eu escrevi. Mas dessa vez não foi para mim, não foi para o diário, não foi para alimentar a história. Foi para entregar. Para colocar um ponto final fora da minha cabeça. E quando eu fiz isso, algo mudou de lugar. Não foi imediato, não foi mágico, mas foi verdadeiro. Pela primeira vez, eu não estava mais segurando nada.


E aí veio a paz. Não aquela eufórica, não aquela de propaganda de margarina. Uma paz simples, quase tímida. De quem acorda e percebe que já não revisita mais o passado antes de escovar os dentes. De quem lembra sem doer. De quem entende que sentir não foi erro, mas permanecer presa naquilo teria sido.


Hoje eu olho para tudo isso com um respeito enorme por mim mesma. Porque não foi fácil sair desse ciclo quase poético e extremamente cruel. Mas eu saí. E sair não significou esquecer, significou parar de alimentar. Porque lembrança, quando não é regada, vira só memória. E memória não machuca, ela só existe.


E no fim, escrever foi a minha libertação. Não como fuga, mas como conclusão. Eu não escrevi para reviver, eu escrevi para encerrar. E quando eu finalmente parei de contar a mesma história, eu percebi que tinha espaço para viver outras.


Se você ainda está aí, regando o que já não cresce, talvez não seja falta de amor. Talvez seja só falta de coragem de aceitar o fim. Mas quando essa coragem chega, mesmo que cansada, ela muda tudo.

há dias em que eu me convenço de que existe uma conta aberta em meu nome. uma dívida antiga que eu nunca lembro de ter feito, mas que a vida faz questão de cobrar todos os dias.

talvez eu mereça. talvez cada ruína tenha sido construída pelas minhas próprias mãos. eu sempre encontro um jeito de tocar no que amo com tanta força que, sem perceber, também encontro um jeito de quebrar. construo casas para depois assistir ao teto desabar sobre mim. e o pior é que, mesmo conhecendo o roteiro, eu continuo acreditando que dessa vez será diferente.

já tentei me absolver. sentei diante dos meus erros como quem visita um velho amigo, esperando ouvir que tudo ficou para trás. mas eles nunca respondem. apenas me olham em silêncio, como espelhos que insistem em refletir a pior versão de mim.

o que mais me machuca não é perder. é nunca entender a lição. se toda dor existe para ensinar alguma coisa, então por que eu continuo repetindo o mesmo capítulo? quantas tempestades ainda faltam para que o mar finalmente aceite que eu já aprendi a afundar?

carrego um oceano de raiva que nunca encontra a praia. e uma tristeza tão antiga que às vezes parece ter nascido antes de mim. ambas dividem o mesmo peito, disputando espaço com um coração que ainda insiste em acreditar nas pessoas, mesmo depois de colecionar ausências.

eu não queria milagres. nunca quis promessas impossíveis. só queria experimentar, por um instante, a estranha sensação de receber na mesma intensidade em que entrego. descobrir como é estender a mão e encontrar outra vindo na direção contrária, em vez de mais um adeus.

mas existe uma crueldade silenciosa em continuar remando quando a maré parece ter escolhido o lado oposto. você se esforça, sangra as mãos nos remos, perde o fôlego, e ainda assim termina exatamente onde começou. às vezes até mais distante da margem.

e talvez seja isso que mais destrói o gabrieu: não o peso das derrotas, mas a dúvida de não saber se está lutando contra o mundo… ou contra si mesmo.

“Quando o Pensamento Precisa Caber em Caracteres”


É uma discussão antiga, aliás. A tecnologia nunca é só uma ferramenta neutra; ela muda hábitos. A imprensa mudou a leitura, a televisão mudou a narrativa, as redes sociais mudaram a atenção. Agora temos plataformas onde uma reflexão precisa disputar espaço com uma piada de três palavras e um anúncio de produto milagroso, porque aparentemente até o caos ganhou algoritmo.

⁠Sem querer banalizar nem florear a “profissão” mais antiga do mundo, a prostituição corporal, a que deveria nos apavorar é a espiritual.


Porque a primeira, ainda que envolta em julgamentos, é explícita: há um corpo, um acordo, uma troca visível.


Já a segunda se disfarça de virtude, de opinião firme, de pertencimento.


Não se vende o corpo, mas algo talvez muito mais íntimo — a consciência, os valores e a própria capacidade de discernir.


A prostituição espiritual acontece quando abrimos mão daquilo que realmente pensamos em troca de aceitação, aplausos, vantagens ou conveniência.


Quando repetimos discursos que não refletimos, defendemos causas que não compreendemos ou atacamos pessoas que nunca paramos para ouvir.


É um tipo de rendição silenciosa, que não deixa marcas no corpo, mas corrói lentamente o caráter.


E o mais inquietante: ela é muito raramente percebida por quem a pratica.


Ao contrário da negociação explícita, aqui tudo parece escolha própria.


A pessoa acredita que está sendo fiel a si mesma, quando na verdade já terceirizou o próprio julgamento.


Tornou-se vitrine de ideias alheias, sem sequer perceber quem lucra com isso.


Talvez por isso ela seja mais perigosa.


Porque não choca, não escandaliza, não mobiliza indignação coletiva.


Pelo contrário, muitas vezes é premiada com likes, seguidores e senso de pertencimento.


É a prostituição que se fantasia de convicção.


E, no fim, a pergunta que fica não é sobre quem vende o corpo, mas sobre quem, pouco a pouco, vai vendendo a alma em parcelas tão insignificantes que já nem sabe mais o que ainda lhe pertence.

O FENÔMENO DA DOR, DA MORTALHA E DA BELEZA.
Na antiga cidade de Valedourado, cercada por montanhas cobertas de névoa e bosques silenciosos, vivia uma jovem chamada Helena. Sua beleza era comentada em todas as ruas, admirada em todas as praças e celebrada em todos os salões. Seus olhos pareciam refletir o azul do céu após a tempestade, e seus cabelos escuros lembravam a profundidade das noites sem lua.
Desde a infância, Helena acostumara-se a ouvir elogios. Onde passava, recebia sorrisos; onde chegava, atraía atenções. Pouco a pouco, sem perceber, passou a acreditar que sua aparência era seu maior patrimônio e que a admiração dos outros constituía a medida de seu valor.
Os anos transcorriam suaves, como um rio tranquilo, até que o destino, esse velho mestre que ensina por caminhos inesperados, resolveu visitá-la.
Numa tarde de inverno, uma enfermidade grave atingiu a cidade. Muitos adoeceram. Helena também foi alcançada pelo sofrimento. Durante semanas permaneceu recolhida, entre febres e dores que pareciam consumir-lhe as forças.
Pela primeira vez em sua existência, descobriu que a beleza não era capaz de afastar a aflição.
O espelho, antes seu aliado inseparável, passou a revelar um rosto abatido, marcado pelo cansaço. A juventude ainda estava ali, mas a fragilidade humana tornara-se visível.
A dor fez aquilo que os elogios jamais haviam conseguido: obrigou-a a olhar para dentro.
Durante longas noites de insônia, observava pela janela as estrelas e perguntava a si mesma quem realmente era.
Se sua beleza desaparecesse, o que restaria?
Se os aplausos cessassem, quem permaneceria ao seu lado?
Se o corpo envelhecesse, onde encontraria sua identidade?
As respostas não vieram imediatamente.
A dor raramente fala alto.
Ela prefere sussurrar.
Quando finalmente recuperou a saúde, Helena saiu para caminhar pelas ruas da cidade. Notou algo que jamais havia percebido. Havia rostos marcados pelo trabalho, pela idade e pelas dificuldades da vida, mas que irradiavam uma serenidade que nenhum cosmético poderia produzir.
Conheceu então uma velha costureira chamada Margarida.
A mulher confeccionava mortalhas para os falecidos da região.
Helena estranhou aquele ofício.
— Não é triste trabalhar apenas com a morte? — perguntou.
Margarida sorriu.
— Eu não trabalho com a morte. Trabalho com a igualdade.
A jovem não compreendeu.
A idosa então explicou:
— Quando chegam até mim, ricos e pobres usam o mesmo silêncio. Vaidosos e humildes vestem a mesma mortalha. Os títulos desaparecem. As posses ficam para trás. A beleza física retorna à terra. Mas aquilo que a alma construiu permanece.
Aquelas palavras ficaram gravadas na memória de Helena.
Meses depois, a costureira permitiu que ela observasse seu trabalho.
Ali, diante das mortalhas cuidadosamente dobradas, a jovem compreendeu algo profundo.
A mortalha não era apenas um tecido.
Era um símbolo.
Representava o momento em que todas as ilusões humanas caem.
Nenhuma joia acompanha o espírito.
Nenhuma aparência atravessa os séculos.
Nenhum elogio resiste ao túmulo.
Apenas as virtudes seguem viagem.
A partir daquele dia, Helena começou a mudar.
Continuou apreciando a beleza, mas deixou de adorá-la.
Passou a visitar enfermos, auxiliar necessitados e ouvir aqueles que carregavam sofrimentos invisíveis.
Descobriu que existe uma beleza maior do que a simetria dos traços.
A beleza da compaixão.
A beleza da bondade.
A beleza do perdão.
Os anos passaram.
Seu rosto envelheceu como envelhecem todas as coisas da Terra.
As linhas do tempo desenharam-se em sua pele.
Os cabelos tornaram-se prateados.
Contudo, algo extraordinário aconteceu.
Quanto mais a aparência física diminuía, mais sua presença iluminava os ambientes.
As pessoas já não a admiravam por sua formosura.
Admiravam-na por sua alma.
Quando chegou sua hora de partir, muitos reuniram-se para prestar-lhe homenagem.
Entre lágrimas e preces, recordavam não sua antiga beleza exterior, mas os gestos de amor que distribuíra ao longo da existência.
E quando seu corpo foi envolvido pela última mortalha, parecia que a própria vida sussurrava uma lição aos presentes:
A dor revela.
A mortalha iguala.
A beleza verdadeira permanece.
Fundo moral
A dor é uma professora severa, mas sincera. Ela remove máscaras e nos obriga a encontrar aquilo que realmente somos. A mortalha recorda a transitoriedade de todas as conquistas materiais e da aparência física. Já a verdadeira beleza não pertence ao corpo, mas ao caráter, à inteligência moral e à capacidade de amar.
Consequências morais
Quem vive apenas para a aparência torna-se dependente do olhar dos outros e sofre quando o tempo lhe cobra o tributo inevitável da mudança. Quem cultiva valores interiores constrói um patrimônio imperecível, que resiste à enfermidade, ao envelhecimento e à própria morte.
Porque a dor pode transformar.
A mortalha pode ensinar.
Mas somente a virtude tem o poder de sobreviver ao tempo.

Eu sinto que carrego uma fúria antiga dentro de mim, algo que nasceu há muito tempo e que ninguém percebeu. Começou pequeno, como uma farpa, mas cresceu comigo, torto, pesado, como se tivesse se encaixado no meu peito sem pedir licença. E toda vez que eu falho, essa raiva acorda. É quente, inquieta, lateja na pele e me pergunta, com uma brutalidade que só eu conheço: por que você não foi o bastante? Por que você nunca é?
Eu não tenho resposta. Só sinto o impacto um golpe seco bem no meio do peito, desmontando tudo que eu ainda tentava manter firme.
Às vezes eu queria arrancar essa parte de mim, expulsar essa voz que me mastiga viva cada vez que eu não atinjo o que espero. Eu queria jogar fora essa exigência que me cobra até quando eu tô de joelhos. Mas logo depois da raiva vem a tristeza. Ela chega devagar, quase com carinho, e me abraça um pouco apertado demais. Ela sussurra que sabe, que entende, que tudo que eu queria era ser suficiente. Só isso.
E é nessa hora que eu encolho. Que eu me sinto pequena de novo. Não pequena como uma criança inocente, mas como alguém que aprendeu a diminuir sua própria existência pra não incomodar ninguém com suas falhas. Como se meu erro ocupasse mais espaço do que eu mesma.
Tem uma parte de mim que queria gritar, quebrar tudo, arrancar meu nome das expectativas que eu mesma escrevi. Queria fugir de mim. Mas existe outra parte tão frágil, tão quietinha que só queria um colo em que eu pudesse me largar sem precisar justificar nada. Só queria poder dizer: “eu tô cansada, eu tô machucada, eu não aguento ser forte hoje.”
Eu vivo num território estranho entre a minha raiva e a minha tristeza. A raiva me acusa, a tristeza me acolhe, e eu fico ali no meio, sem saber de qual das duas fugir primeiro. É como se eu estivesse sempre lidando com a dor de não chegar onde eu achei que deveria chegar, e com o luto por não ser a versão de mim que eu imaginava.
E mesmo assim… eu sigo. Eu continuo. Não porque eu me sinto forte, mas porque tem uma parte de mim, pequena, quase imperceptível, mas viva que acredita que existir já deveria ser suficiente. Que talvez um dia eu consiga me olhar com um pouco mais de gentileza. E que, quando esse dia chegar, talvez eu finalmente consiga me perdoar por ser humana.

Marte
Planeta que serviu para nomear o mês do ano, o mês de Março.
Na antiga Medicina Romana, acreditava-se que neste período do Ano, o sangue renovava-se pela força da energia solar neste planeta. Também uma crença antiga, que neste mês, a natureza explendia toda à sua energia! Renovavam-se nas plantas vida nova, as folhas recebiam luz do sol, e assim, mais verde e muitas cores nas flores do campo.

A lembrança mais antiga que eu tenho de mim mesma me faz entender que, durante toda a minha existência, eu já passei por muitos processos transformacionais. Olhando para trás, eu vejo que aprendi bem a mascarar a dor, a mascarar quem sou. Eu não sei se isso foi bom ou ruim. Enfim, olhando para a frente, estou aprendendo a ser quem sou, infinitamente, sempre querendo ser eu e mais ninguém.


Nildinha Freitas

Lembrei de ti


Lembrei de ti sem aviso,
como quem abre uma ferida antiga
e encontra nela ainda quente
o nome que nunca foi meu.


Te amei em silêncio, amor não devolvido,
fiz do olhar um abrigo e do sonho um lar.
Enquanto teu coração seguia outro rumo,
o meu ficava, esperando qualquer sinal.


Guardei teus gestos como quem guarda cartas
que nunca serão enviadas.
Sorri por fora, sangrei por dentro,
aprendi a te amar sem existir em ti.


Hoje lembro de ti sem pedir nada,
apenas com a saudade mansa de quem aceitou.
Amor não correspondido também é amor —
só dói mais, porque fica.

Guardo tua voz como trilha sonora antiga, dessas que ainda emocionam,
mas não combinam com o agora.
Não há raiva aqui, só um carinho maduro, que entende que ficar também pode ser ir embora.


Então este é o último episódio
de “nós”, sem promessas,
sem reprise, sem volta.
Aperto o stop com lágrimas
calmas e verdadeiras,
e sigo — levando amor,
mas escolhendo paz.

Quebra-cabeça raro



Meu coração é uma caixa antiga,
dessas cheias de segredos e fechaduras falsas.
Não se abre com força, nem com pressa,
exige paciência, silêncio e tentativa.
Cada erro ensina, cada pausa revela
que amar aqui é decifrar, não invadir.


Há códigos escondidos nos meus gestos,
pistas espalhadas no jeito que eu fico,
nas palavras que digo pela metade.
Quem me ama precisa montar peça por peça,
aceitar que nem todo encaixe é imediato
e que algumas respostas só surgem
depois de muito sentir.


E quando alguém, enfim, entende o enigma,
não encontra facilidade —
encontra verdade.
Porque meu amor não é simples,
é um quebra-cabeça raro:
cansa, desafia, confunde…
mas quando se completa,
faz todo o esforço valer a pena.

Degusto um bom vinho,
em uma taça antiga,
que me lembra as antigas ruas de Viena,
lembrando-me, por algum acaso, do brilho das doces moças das peles claras e olhos claros,
sem ter nada contra, é claro, das índias brasileiras, doces também, de fato.

Escrevo com delicadeza, estas letras sensíveis,
para que teus olhares, as vendo, sejam puros e delicados,
como um fino papel, não resistente a nem uma gota de mísera chuva,
e muito menos, as lágrimas de uma moça vítima de adultério.

Sonho em apenas imaginar teus olhares emaranhados em minhas linhas neste poema,
linhas singelas que pretendem alterar seus sentimentos somente para te tê-la em meus braços,
delicada donzela,
dona de meus pensamentos, mesmo que esteja lúcido ou com os olhos fechados,
pois mesmo assim, estarei ligado e sonhando com ti.

Inserida por danilofina

Muitas vezes me bate uma saudade dos velhos
amigos de infância, da minha terra, da minha
antiga vida. Saudades da inocência e da
esperança, saudade dos amores de infância,
saudade de sair correndo e gritando "quem
chegar por último é a mulher do padre!.". A
gente cresce e descobre que pega pega não é só
pega pega. Descobrimos que brincar também
dói, dói quando as pessoas brincam com nossos
sentimentos. Descobrimos que o mau não está
na cara de mau. Descobrimos que ser criança
era muito mais fácil. Descobrimos que crescer é
descobrir a vida e crescer é ver realmente que a
vida não é justa e que vemos humanos, mas não
humanidade. Num mundo onde presam pela
verdade, é tão descriminador ser você mesmo.
Quem me dera ser novamente criança.

Inserida por FraseandoAVida

Amor Eterno

Amor que nunca se acabou.
Ficou guardado como foto antiga
que se deixa dentro de um livro.

Amor que se achou
e se perdeu,
e agora se encontra de novo.

Antigo e amigo amor,
que o tempo conservou,
e sempre caminhou por perto.

Quando procurei por ele
me olhava com o mesmo carinho
daquele menino que conheci.

Me abraça,
me lembra quem fui,
me traz de volta pra casa.

Leva meus medos embora,
seca minhas lágrimas.
Cuida de mim.

Inserida por Shalimar

"Eu sou assim
mesmo,convencio
nal,antiga, sei lá,chame
como quiser! Gosto ficar
junto,perto... Me
importo,me preocupo,quero
cuidar. Ninguém substitui
ninguém. . . As histórias não
se repetem. . . (ainda bem).
Cada um cria uma nova
história,desper ta novos
sentimentos. . . Hoje posso
dizer que sou
feliz,assim,des se jeito. . .
Nova história,novas
sensações,novos caminhos!
Um novo sentimento que
me faz cada dia mais feliz!
Cada dia descobrindo que a
vida tá aí pra gente ser
feliz,nada é por acaso!
Feliz ! E . . . Que seja
infinito!!!"

Inserida por MachadoHelen

PRESSA

Eu só ando com pressa.
Esta constatação é antiga
No entanto ninguém nunca me perguntou,
Porque da pressa, desses abertos passos?
- Para chegar onde temo não sair,
Para um lugar ao sol, pra me encobrir,
Para me distanciar das iluisões daqui,
Dos sonhos lentos,
Das irrealizações previstas.
E me apresso... mas os meus pensamentos seguem lentos,
Estáticos como a vida de quem fujo,
Eu quero logo um lugar futuro,
Correndo do passado,
Sem nem querer pisar o momento.
Eu me apresso enquanto o mundo
Ainda é um buraco raso,
E talvez por baixo ainda exista
Algum farelo de minério,
Alguma coisa que valha algo.
Eu vou com pressa, por que se estendo o braço
Ele vai além do que posso alcançar,
E eu não quero nada, a não ser andar apressado.
Sei que quem anda como eu, aperreado,
Pouco tem tempo de juntar,
Mas o que era de meu já juntei,
O que eu tinha pra levar, já levei.
Por isso ando nesta pressa,
Porque minha pressa é a de chegar.
Não a pressa de estar,
Não a pressa de ficar,
Minha pressa é a de continuar.
Assim, depressa,
Que a pressa é inimiga da razão.

Inserida por naenorocha

Envolvo-me em teus braços
e sinto protegida
entre beijos e abraços
vai curando minha antiga ferida

Um simples toque nos cabelos
e entrego-me ao teu corpo
realizando meus invulgares desejos
tu és meu seguro porto

Sussurra baixinho tudo o que quero escutar
me chama de rainha, me chama de mulher
tenho medo, tenho medo de me apaixonar
mas sei que é diferente, não é um mero qualquer

Depois da nossa intensa noite de união
e os gritos avassaladores
olha pra mim com assombrosa razão
e pergunta-me sobre os antigos amores

Disse tudo e mais um pouco
mas me senti bem assim
tudo tão incrível, tudo tão louco
quero voce somente pra mim

Inserida por thaisbenvenutimoraes