Textos de Amizade Antiga
Lembrei de ti
Lembrei de ti sem aviso,
como quem abre uma ferida antiga
e encontra nela ainda quente
o nome que nunca foi meu.
Te amei em silêncio, amor não devolvido,
fiz do olhar um abrigo e do sonho um lar.
Enquanto teu coração seguia outro rumo,
o meu ficava, esperando qualquer sinal.
Guardei teus gestos como quem guarda cartas
que nunca serão enviadas.
Sorri por fora, sangrei por dentro,
aprendi a te amar sem existir em ti.
Hoje lembro de ti sem pedir nada,
apenas com a saudade mansa de quem aceitou.
Amor não correspondido também é amor —
só dói mais, porque fica.
Guardo tua voz como trilha sonora antiga, dessas que ainda emocionam,
mas não combinam com o agora.
Não há raiva aqui, só um carinho maduro, que entende que ficar também pode ser ir embora.
Então este é o último episódio
de “nós”, sem promessas,
sem reprise, sem volta.
Aperto o stop com lágrimas
calmas e verdadeiras,
e sigo — levando amor,
mas escolhendo paz.
Quebra-cabeça raro
Meu coração é uma caixa antiga,
dessas cheias de segredos e fechaduras falsas.
Não se abre com força, nem com pressa,
exige paciência, silêncio e tentativa.
Cada erro ensina, cada pausa revela
que amar aqui é decifrar, não invadir.
Há códigos escondidos nos meus gestos,
pistas espalhadas no jeito que eu fico,
nas palavras que digo pela metade.
Quem me ama precisa montar peça por peça,
aceitar que nem todo encaixe é imediato
e que algumas respostas só surgem
depois de muito sentir.
E quando alguém, enfim, entende o enigma,
não encontra facilidade —
encontra verdade.
Porque meu amor não é simples,
é um quebra-cabeça raro:
cansa, desafia, confunde…
mas quando se completa,
faz todo o esforço valer a pena.
Chovia como se o céu abrisse uma ferida antiga sobre a cidade, e cada gota trouxesse consigo um fragmento daquilo que ainda não aconteceu. Eu caminhava dentro desse rumor líquido com a sensação estranha de estar tocando a quarta dimensão, como se o tempo deixasse de ser linha e se tornasse um quarto secreto dentro do peito. Havia, na parede de uma casa esquecida, um relógio sem ponteiro. Ele não marcava horas; marcava ausências, retornos, aquilo que a memória inventa quando a saudade precisa sobreviver.
No bolso, eu carregava uma bússola de areia. Ela não apontava para o norte, mas para dentro, para esse lugar onde seguimos olhando o futuro reescrevendo o passado, sem perceber que ambos se misturam na mesma água escura. Talvez viver seja isso: atravessar a chuva sem querer secar demais, aceitar que o destino também hesita, e compreender que o amanhã nem sempre vem à frente. Às vezes, ele chega ontem tocando nossas cicatrizes, mudando o nome das antigas dores e devolvendo sentido ao que parecia perdido antes que a alma aprenda a chamá-lo casa.
Sem querer banalizar nem florear a “profissão” mais antiga do mundo, a prostituição corporal, a que deveria nos apavorar é a espiritual.
Porque a primeira, ainda que envolta em julgamentos, é explícita: há um corpo, um acordo, uma troca visível.
Já a segunda se disfarça de virtude, de opinião firme, de pertencimento.
Não se vende o corpo, mas algo talvez muito mais íntimo — a consciência, os valores e a própria capacidade de discernir.
A prostituição espiritual acontece quando abrimos mão daquilo que realmente pensamos em troca de aceitação, aplausos, vantagens ou conveniência.
Quando repetimos discursos que não refletimos, defendemos causas que não compreendemos ou atacamos pessoas que nunca paramos para ouvir.
É um tipo de rendição silenciosa, que não deixa marcas no corpo, mas corrói lentamente o caráter.
E o mais inquietante: ela é muito raramente percebida por quem a pratica.
Ao contrário da negociação explícita, aqui tudo parece escolha própria.
A pessoa acredita que está sendo fiel a si mesma, quando na verdade já terceirizou o próprio julgamento.
Tornou-se vitrine de ideias alheias, sem sequer perceber quem lucra com isso.
Talvez por isso ela seja mais perigosa.
Porque não choca, não escandaliza, não mobiliza indignação coletiva.
Pelo contrário, muitas vezes é premiada com likes, seguidores e senso de pertencimento.
É a prostituição que se fantasia de convicção.
E, no fim, a pergunta que fica não é sobre quem vende o corpo, mas sobre quem, pouco a pouco, vai vendendo a alma em parcelas tão insignificantes que já nem sabe mais o que ainda lhe pertence.
Degusto um bom vinho,
em uma taça antiga,
que me lembra as antigas ruas de Viena,
lembrando-me, por algum acaso, do brilho das doces moças das peles claras e olhos claros,
sem ter nada contra, é claro, das índias brasileiras, doces também, de fato.
Escrevo com delicadeza, estas letras sensíveis,
para que teus olhares, as vendo, sejam puros e delicados,
como um fino papel, não resistente a nem uma gota de mísera chuva,
e muito menos, as lágrimas de uma moça vítima de adultério.
Sonho em apenas imaginar teus olhares emaranhados em minhas linhas neste poema,
linhas singelas que pretendem alterar seus sentimentos somente para te tê-la em meus braços,
delicada donzela,
dona de meus pensamentos, mesmo que esteja lúcido ou com os olhos fechados,
pois mesmo assim, estarei ligado e sonhando com ti.
Muitas vezes me bate uma saudade dos velhos
amigos de infância, da minha terra, da minha
antiga vida. Saudades da inocência e da
esperança, saudade dos amores de infância,
saudade de sair correndo e gritando "quem
chegar por último é a mulher do padre!.". A
gente cresce e descobre que pega pega não é só
pega pega. Descobrimos que brincar também
dói, dói quando as pessoas brincam com nossos
sentimentos. Descobrimos que o mau não está
na cara de mau. Descobrimos que ser criança
era muito mais fácil. Descobrimos que crescer é
descobrir a vida e crescer é ver realmente que a
vida não é justa e que vemos humanos, mas não
humanidade. Num mundo onde presam pela
verdade, é tão descriminador ser você mesmo.
Quem me dera ser novamente criança.
Amor Eterno
Amor que nunca se acabou.
Ficou guardado como foto antiga
que se deixa dentro de um livro.
Amor que se achou
e se perdeu,
e agora se encontra de novo.
Antigo e amigo amor,
que o tempo conservou,
e sempre caminhou por perto.
Quando procurei por ele
me olhava com o mesmo carinho
daquele menino que conheci.
Me abraça,
me lembra quem fui,
me traz de volta pra casa.
Leva meus medos embora,
seca minhas lágrimas.
Cuida de mim.
"Eu sou assim
mesmo,convencio
nal,antiga, sei lá,chame
como quiser! Gosto ficar
junto,perto... Me
importo,me preocupo,quero
cuidar. Ninguém substitui
ninguém. . . As histórias não
se repetem. . . (ainda bem).
Cada um cria uma nova
história,desper ta novos
sentimentos. . . Hoje posso
dizer que sou
feliz,assim,des se jeito. . .
Nova história,novas
sensações,novos caminhos!
Um novo sentimento que
me faz cada dia mais feliz!
Cada dia descobrindo que a
vida tá aí pra gente ser
feliz,nada é por acaso!
Feliz ! E . . . Que seja
infinito!!!"
PRESSA
Eu só ando com pressa.
Esta constatação é antiga
No entanto ninguém nunca me perguntou,
Porque da pressa, desses abertos passos?
- Para chegar onde temo não sair,
Para um lugar ao sol, pra me encobrir,
Para me distanciar das iluisões daqui,
Dos sonhos lentos,
Das irrealizações previstas.
E me apresso... mas os meus pensamentos seguem lentos,
Estáticos como a vida de quem fujo,
Eu quero logo um lugar futuro,
Correndo do passado,
Sem nem querer pisar o momento.
Eu me apresso enquanto o mundo
Ainda é um buraco raso,
E talvez por baixo ainda exista
Algum farelo de minério,
Alguma coisa que valha algo.
Eu vou com pressa, por que se estendo o braço
Ele vai além do que posso alcançar,
E eu não quero nada, a não ser andar apressado.
Sei que quem anda como eu, aperreado,
Pouco tem tempo de juntar,
Mas o que era de meu já juntei,
O que eu tinha pra levar, já levei.
Por isso ando nesta pressa,
Porque minha pressa é a de chegar.
Não a pressa de estar,
Não a pressa de ficar,
Minha pressa é a de continuar.
Assim, depressa,
Que a pressa é inimiga da razão.
Envolvo-me em teus braços
e sinto protegida
entre beijos e abraços
vai curando minha antiga ferida
Um simples toque nos cabelos
e entrego-me ao teu corpo
realizando meus invulgares desejos
tu és meu seguro porto
Sussurra baixinho tudo o que quero escutar
me chama de rainha, me chama de mulher
tenho medo, tenho medo de me apaixonar
mas sei que é diferente, não é um mero qualquer
Depois da nossa intensa noite de união
e os gritos avassaladores
olha pra mim com assombrosa razão
e pergunta-me sobre os antigos amores
Disse tudo e mais um pouco
mas me senti bem assim
tudo tão incrível, tudo tão louco
quero voce somente pra mim
Significados
Significado de Chacota
s.f. Zombaria, mofa.
Gracejos, sátiras.
Antiga canção popular; trovas burlescas.
Quando se observa os noticiários e ao folhar os jornais, casos de corrupção tomam grande parte das manchetes. Promessas de investigação, punição e mudanças tomam os rodapés juntamente com a credibilidade de nossos políticos.
Não é exagero afirmar que superficialmente o Brasil é uma nação com grande vocação para justiça, apenas esquece-se de fazê-la. Assim como se esquece de limpar a podridão existente no congresso, assim como não se lembra do povo fora da época de eleição, assim como as pessoas esquecem rapidamente os nomes das figuras envolvidas nos escândalos, que diariamente matam milhares de pessoas pelos desvios de verbas, na saúde, educação e segurança.
Estamos todos familiarizados com a corrupção, não ficamos chocados com tamanha falta de escrúpulos, o roubo de diferentes formas se tornou banal. O governo trabalha como uma maquina sem freio, anuncia corte de um lado e aumenta do outro, nunca perde. O uso de nossos impostos é mal aplicado, se gasta mais com benefícios próprios que com o investimento necessário para a população.
Somos todos reféns de nosso silencio, de nossa passividade diante das noticias que se seguem, de forma repita e acabamos por nos transformar em chacota, marionetes de poucos, que contam com a alienação de muitos. A pergunta que se segue é se a maquina não se encontra em seu limite, a engrenagem suportará o quanto mais do uso inapropriado do dinheiro e se a população já estaria em seu limite de tolerância.
Com a velocidade surpreendente e a veracidade incrível, políticos das mais variadas escalas do governo são denunciados por envolvimentos duvidosos. São acusados destituídos de seus postos e seus sucessores já assumem cargos com uma forte tendência a deixa-los da mesma forma.
Estão fazendo pouco caso da opinião publica, estão tratando as pessoas como meros espectadores de uma novela sem fim, falam com desdém de possíveis atos ilícitos, mesmo com gravações e provas contundentes. Eles riem com a certeza de que nada e absolutamente nada acontecerá com sua imagem, contando ainda com a memoria curta do povo brasileiro.
A única certeza que parece prevalecer é que ao abrir o jornal à manchete será de um politico envolvido, restando apenas saber se é vereador, deputado, senador ou ministro. As mesmas desculpas, as mesmas versões e a mesma certeza de que as pessoas logo esqueceram seus nomes, suas suspeitas e mais uma vez a certeza de impunidade no governo em qualquer escalão.
Entre papéis rasgados e matérias não completas, eis que acho uma conversa esquecida e meio antiga. Mas mesmo assim, não me deixa menos feliz desde a primeira vez que li.
Ela: Você é chato, mas eu o aturo :)
Ele: Chato é quem me chama e eu não suporto kkk.
Ela: Sei, sei...
Ele: Não sabe não kkk
Ela: Então você não me suporta? Tá bom então...
Ele: Então tá pessoa insuportavelmente linda, legal, meiga, inteligente e madura, rsrs..
E foi assim, que seu rosto ficou marcado em meus pensamentos. Até hoje.
Mexendo em uma caixa antiga, ela encontra uma foto da sua adolescia, a foto de um menino e na hora todas as lembranças veiaram em tona, aquela foto era do menino que mais amou em sua vida, atrás da foto havia uma legenda escrita a lápis quase apagada já, escrita assim :
-um dia alguém vai aparecer na sua vida e tirar tudo do lugar. Mudar os seus hábitos, algumas opiniões, suas musicas preferidas, o seu programa de tv. Vai mudar também o primeiro pensamento ao acordar, e os seus pensamentos, vai te fazer se superar a cada dia, e vc vai aprender a cada dia a essência do verdadeiro amor, vc me faz suspirar de minuto em minuto , te deixo essa foto para que não se esqueça nunca de mim, e tenha certeza jamais esquecerei de vc! Te amo para sempre.
Quando terminou de ler, já não estava mais ali, tinha viajado no tempo e revivido todos os momentos com ele, então entrou em pranto, pegou uma borracha e começou a apagar linha por linha até que não havia mais se quer nenhuma palavra naquela foto, pegou um lápis e escreveu por cima as linhas apagadas:
Fico me perguntando como pode alguém mudar tanto. Como pode o cara que eu me apaixonei que costumava ser doce e todo lindo comigo, se transformar tanto? Juro que não o reconheço mais. Mesmo. Jurou-me amor eterno, e de repente some da minha vida, só que acontece que meu coração não é como essa legenda escrita a lápis que pode ser apagada com uma borracha, talvez eu nunca esqueça me pergunto também como posso continuar amando, se a mudança foi tremendo nunca te esqueci apenas preferi não lembrar esse amor louco de adolescentes apesar de tudo que vc me fez esse amor ainda continua suplicando baixinho pra que as coisas voltem a ser como eram antes.Mais não significa que eu vou ficar aqui chorando por alguém que nesse momento deve estar se divertido com outra não mesmo , sabe o que mais me dói ? Quem me disse eu te amo agora esta dizendo pra outra e é tão verdadeiro ou tão falso para ambas, agora vai ser assim vou passar uma borracha por cima e apagar lembranças de pessoas que me fizeram chorar, apagar da minha vida e do meu coração por mais difícil que seja, um dia vou ter que dizer o tchau final, vou ter que esquecer tudo, tudo... Vou ter que esquecer aquelas lindas palavras que me disseste e tudo que passamos juntos!.
Então rasgou aquela foto em pedacinhos, e a ultima lembrança que havia dele era no seu subconsciente não queria mais se lembrar dele mais no fundo ela lembrava sim, também não é fácil esquecer assim uma coisa que ta o tempo todo na sua cabeça, não é fácil esquecer alguém que não sai do seu coração.
CONFUSÃO INSONOLENTA
Insônia…
Antiga companheira que hoje novamente me visita.
Não pelos motivos de outrora,
Mas pela dúvida angustiante em nem saber qual o motivo…
Reflexo de uma mente confusa…
Confusa pelas dúvidas…
Confusa pela solidão perturbada…
Pelas burlescas palavras impensadas e ditas sem sentido,
Que me afundam em opróbrio…
Talvez ditas pela necessidade de falar…
De escrever…
Sem ainda entender o porquê…
Misturadas num mar caótico de sentimentos ainda não compreendidos…
Pois afinal, o que estou fazendo?
Pode o céu ter ciúme da lua pelo mar abraçar o seu reflexo?
Por que o martírio?
Aonde guardei a máscara do sorriso?
Qual o meu papel nessa peça?
Quais meus passos nessa dança?
Existe peça, existe dança?
Ou são pensamentos precipitados que vislumbram algo inexistente?
Por que os pensamentos não me abandonam?
O semblante colado em minha retina,
Como mancha de sol que permanece mesmo quando olhamos ao redor
Ah, malditos olhos!
Por que tinha de ter esses olhos?!
“Detesto seus olhos!
Porque me enfeitiçaram e me dividiram: uma metade minha é sua,
E a outra metade é sua.”
Onde está minha solidão?
Solidão que sempre me acolheu em seus braços cálidos
Que nunca confundiu minha mente
E sempre me trouxe certezas…
Tenho de buscá-la novamente
Minha cura maligna…
Talvez… a única que me sirva.
Composição dum Nada
Ao som da orquestralma, que solenelucida
nossa antiga caosciladora descida,
subimos agora escada avulsa e comprida.
Tal como composição por aglutinação,
tornamo-nos um. Para isso, perdi-me
em ti, que te perdeste em mim. Por tanto,
perdemo-nos em nada. Por quê?
Somos um, somos nada.
Ser que me envolve e tem, ancião
tu és de mim. Já que sou tu,
me chame pelo teu nome;
já que és eu, fogo cru,
chamarei-te pelo meu.
Porque te necessito assim como ar.
Porque te almejo assim como andar.
Porém estou sufocada por esse nada
e paralisada por aglutinação indesejada.
"Como o tempo nos muda"
comenta a velha senhora, velha poetisa,
mirando a foto antiga na orelha da obra.
Estação após estação
ela amou o viço das cores, o sabor das rosas,
a graça dos movimentos, o passar dos rios,
as nuvens douradas tangidas pelo vento.
Ano a ano alimentou-se de lírios e livros
e amores poucos, porém intensos.
O sol já não banha sua face com a juventude da brisa
a mão erra pelas páginas, tocando paisagens mudas
as letras tornaram-se miúdas,
os amores se foram,
os sonhos se incorporaram ao céu azul-negrume.
Somos só perfume.
As estações despertam sem pressa
nascem todas por igual
na muda do tempo que não muda
sob terra e cal.
Gostávamos da casa porque, além de espaçosa e antiga (hoje que as casas antigas sucumbem à mais vantajosa liquidação de seus materiais), guardava as recordações de nossos bisavós, o avô paterno, nossos pais e toda a infância.
Habituamo-nos, Irene e eu, a permanecer nela sozinhos, o que era uma loucura, pois nessa casa podiam viver oito pessoas sem se molestarem. Fazíamos a limpeza pela manhã, levantando-nos às sete, e pelas onze eu deixava a Irene as últimas peças por repassar e ia à cozinha. Almoçávamos ao meio-dia; sempre pontuais; então não ficava nada por fazer além de uns poucos pratos sujos. Era para nós agradável almoçar pensando na casa ampla e silenciosa; e em como nos bastávamos para mantê-la limpa.
Reflexos.
Ainda sentado na mesa da cozinha, já era tarde da noite, dava pra ouvir uma antiga trilha sonora que vinha do rádio no fundo da sala, depois de uns minutos levantei-me e resolvi tomar um banho. Me despi de minhas roupas e liguei o chuveiro. Ali parado com a água fria caindo sobre minha cabeça me fazia pensar sobre muitas coisas que já haviam acontecido ou que ainda estariam porvir.
Me perguntava o porque do tempo passar tão rápido, ou qual o meu papel ali naquele lugar, e até mesmo mesmo me culpava por não conseguir mudar meu destino por mais que quisesse.
Naquele tempo parado eu consegui perceber que olhando para a lâmpada eu podia ver através da água que caia o meu puro reflexo, que só conseguia ficar ali parado olhando e observando até mesmo sem reação, sem palavras, sentimentos expostos ou um semblante de dor. E naquela melodia que tocava no rádio ao fundo da sala eu me afundava mais e mais até chegar a um lugar onde eu me via submerso, como um riacho, lago ou até mesmo um rio, que não se movimenta, mas reflete tudo que está em sua volta.
Meus sobrinhos acostumados a tecnologias atuais, param boquiabertos diante da antiga máquina de escrever, lembrança que guardo do meu pai.
- Tia, o que é isto?
- O equipamento que usávamos para escrever, antes do computador.
- Como assim...
Coloco uma folha de papel e começo a digitar.
- Uau! Que irado! Nela a gente pode digitar e imprimir ao mesmo tempo!
Exclamam, maravilhados.
Penso! Que pena os adultos perderem a inocência onisciente, do olhar da criança.
